Dá a surpresa de ser

Dá a surpresa de ser É alta, de um louro escuro. Faz bem só pensar em ver Seu corpo meio maduro.

Seus seios altos parecem (Se ela estivesse deitada) Dois montinhos que amanhecem Sem ter que haver madrugada.

E a mão do seu braço branco Assenta em palmo espalhado Sobre a saliência do flanco Do seu relevo tapado.

Apetece como um barco. Tem qualquer coisa de gomo. Meu Deus, quando é que eu embarco? Ó fome, quando é que eu como?

10-9-1930 - Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995) - 123.

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domingo, 18 de julho de 2021

Prémio Valmor, Ano de 1909, Rua Marquês Fronteira 18-28

Encontra-se na Rua Marquês da Fronteira (à esquerda), logo a seguir à transversal para o Palácio da Justiça, e quando se começa a descer em direcção à Avenida António Augusto Aguiar, tendo o “El Corte Inglês” do lado direito. O Palacete encontra-se dentro de uma pequena propriedade fechada ao público. Em virtude disso, as fotografias foram tiradas á distância (estilo “paparazzi”) e não mostram bem o extraordinário edifício que foi Prémio Valmor de 1909.

As fotos são referentes ao ano de 2013, sendo a primeira obtida através do “Google Earth”.

No ano de 1909 foram entregues quatro prémios, três dos quais Menções Honrosas.

Nesse ano o Prémio Valmor coube ao Palacete Mendonça (10), na Avenida Marquês de Fronteira, 18-28, um projecto do arquitecto Miguel Ventura Terra para Henrique José Monteiro Mendonça. Edificado no alto do Parque Eduardo VII e um pouco recuado em relação à via pública possui uma fachada simétrica e de expressão algo italianizante. O júri destacou ainda a “loggia”, afirmando mesmo que «(...) deveria ser mais amplamente adoptado no nosso pais (...)».

Arquitecto Miguel Ventura Terra:


 

Prémios Valmor (1903, 1906, 1909, 1911) e Menção Honrosa (1913)

Arquitecto Miguel Ventura Terra (1866-1919):

“Natural da freguesia de São Pedro de Seixas do Minho, iniciou os seus estudos na Academia Portuense, entretanto Escola de Belas-Artes, que concluiu com a obtenção do diploma de Arquitecto e, em 1886, partiu para Paris, como bolseiro do Governo, após um polémico concurso, reclamado e sanado, onde lhe foi confirmado o primeiro lugar. Nesta cidade, candidatou-se à respectiva Escola de Belas-Artes, tendo ficado entre os cinco primeiros classificados. Discípulo dos notáveis arquitectos Jules André (1) e Victor Laloux (2), durante estes estudos, obteve primeiros prémios, medalhas e menções honrosas que lhe permitiram concorrer à primeira classe dos arquitectos diplomados pelo Governo francês. Em 1895, recebeu o honroso diploma, após defesa de um Projecto do Palácio da Justiça para Lisboa que, entretanto lhe fora encomendado pelo Governo português. Nesse ano foi recebido no “Salon”.

devem-se a Ventura Terra as grandiosas obras do Monte de Santa Luzia, em Viana do Castelo, continuadas, após a sua morte, pelo Arqº. Manuel Nogueira (1883-1953), e, ainda, em Lisboa, a sinagoga israelita Schaare Tiekwa, da Rua Alexandre Herculano, que substituiu a do Beco dos Apóstolos, à Rua das Flores («A Construção Moderna» N.º 97/Ano IV/1903);

Obteve o Prémio Valmor referente aos Anos de 1903, 1906, 1909 e 1911 com as edificações situadas na Rua Alexandre Herculano, N.º 57-57C, Avenida da República, N.º 38, Rua Marquês da Fronteira, N.º 18-28, e Rua Alexandre Herculano N.º 25. Receberia ainda, respeitante a 1913, uma Menção Honrosa do Prémio Valmor pelo prédio situado na Avenida António Augusto de Aguiar, N.º 3-D, onde é hoje a sede da Ordem dos Engenheiros.”

In Bairrada, Eduardo Martins, “Prémios Valmor 1902-1952”, Edição 1988, CML. (sic)*

“http://www.priberam.pt/dlpo/sic” - *sic |sique| (palavra latina)

Advérbio: Sem alteração nenhuma; tal e qual. = assim

(1) - Louis-Jules André ou Jules André é um arquitecto francês, nascido em Paris, a 24-06-1819 e morreu, também em Paris, a 30-01-1890, foi professor de Arquitectura, Prémio de Roma e membro do Instituto de França.

(2) - Victor-Alexandre-Frédéric Laloux (Tours, 15-11-1850 - Paris, 13-07-1937) é um arquitecto francês. 

Acontecimentos Arquitectónicos da década:

1902 - Inauguração do elevador de Santa Justa;

1903 - Publicação do novo regulamento de salubridade para as construções urbanas;

1904 – Aprovação do Plano Geral de Melhoramentos, apresentado pelo engenheiro Ressano Garcia (1847-1911);

1905 – Desenvolvimento das construções ao longo da Avenida Fontes Pereira de Melo e da futura Avenida da República;

1905 - Jardim Zoológico, nas Laranjeiras, Raul Lino;

1907 – Animatógrafo do Rossio;

1908 - Projecto para o Parque Eduardo VII do arquitecto Miguel Ventura Terra.

 

sábado, 29 de maio de 2021

Prémio Valmor, Ano de 1909, Rua Sacramento à Lapa 34-38

Rua Sacramento à Lapa, do lado direito, a seguir, e muito perto da esquadra da Polícia (à esquerda da rua). Uma tabuleta indicava que, seria propriedade de uma Embaixada, eventualmente, da Bulgária, mas com reservas. Não vi bandeira exterior. Existe uma morada nas Páginas Amarelas Internet que indica esta rua, mas com número de porta diferente.

Consegui voltar a fotografar em 2018, embora não o tenha feito em 2013, visto ser um edifício de “chão estrangeiro” e que, já na altura, em virtude da esquadra da polícia ser mesmo perto, fui alvo de olhares curiosos, por parte das autoridades, o que me levou a não fotografá-lo em 2013. Voltei agora em 2018, penso que eventualmente, já não pertence a Embaixada alguma.

As fotos são referentes ao ano de 2018, sendo a primeira obtida através do “Google Earth”.

Foram entregues quatro prémios, três dos quais Menções Honrosas. Dos edifícios premiados com Menção Honrosa apenas um deles, um Palacete, na Rua do Sacramento à Lapa, 34-38, do arquitecto Arnaldo R. Adães Bermudes e propriedade do Conde de Agrolongo se encontra ainda em bom estado de conservação e destinado a habitação.

Arquitecto Arnaldo Adães Bermudes (1864-1948): 

Prémios Valmor (1908 e 1909) e Menção Honrosa 1909

“Natural do Porto, formou-se em Arquitectura (1885) pela Academia Portuense, entretanto Escola de Belas-Artes e um ano depois, subvencionado pelos organismos comerciais da Cidade Invicta, foi-lhe atribuída uma bolsa de estudo fora do país. Regressado a Portugal, entrou num concurso aberto em 1888, pela Academia de Belas-Artes de Lisboa, para bolseiros no estrangeiro e alcançou a primeira classificação. Durante cinco anos frequentou a Escola de Belas-Artes de Paris e com o melhor proveito, as classes particulares de Paul Blondel (1). Um dos seus trabalhos de grande composição, então ali feitos, levado ao “Salon” de 1893, mereceu elogiosa crítica.

Foi o primeiro classificado, com o Arq.º António Couto Abreu (1874-1946) e o escultor Francisco dos Santos (1878-1930), no Monumento ao Marquês de Pombal, após concursos de polémica violentíssima, onde viria a prevalecer o projecto desta equipa, aquele que se ergue na Rotunda.

Obteve o Prémio Valmor de 1908 pelo edifício construído no gaveto da Avenida Almirante Reis, 2-2K para o Largo do Intendente, 1 a 10. Receberia também, respeitante a 1909, uma Menção Honrosa do Prémio Valmor pelo prédio situado na Rua do Sacramento à Lapa, N.º 34-38, ainda hoje existente, embora com alterações (Primitivo projecto na «Construção Moderna» N.º 214/Ano VII/1906 e fotografia na «Architectura Portugueza», N.º 12/Ano II/Dez. 1909).”

In Bairrada, Eduardo Martins, “Prémios Valmor 1902-1952”, Edição 1988, CML. (sic)*

“http://www.priberam.pt/dlpo/sic” - *sic |sique| (palavra latina)

Advérbio: Sem alteração nenhuma; tal e qual. = assim

(1) – Paul Blondel (1847-1897) foi um arquiteto francês, Grande Prémio de Roma em 1876. Frequentou a Escola de Belas-Artes, oficina “Daumet” em 1864, tornou-se professor de oficina na Escola de Belas-Artes em 1880. Primeiro Presidente de Arquitectura, da Escola Nacional de Artes Decorativas e Inspector-Geral dos Edifícios diocesanos.

Acontecimentos Arquitectónicos da década:

1902 - Inauguração do elevador de Santa Justa;

1903 - Publicação do novo regulamento de salubridade para as construções urbanas;

1904 – Aprovação do Plano Geral de Melhoramentos, apresentado pelo engenheiro Ressano Garcia (1847-1911);

1905 – Desenvolvimento das construções ao longo da Avenida Fontes Pereira de Melo e da futura Avenida da República;

1905 - Jardim Zoológico, nas Laranjeiras, Raul Lino;

1907 – Animatógrafo do Rossio;

1908 - Projecto para o Parque Eduardo VII do arquitecto Miguel Ventura Terra. 

terça-feira, 30 de março de 2021

Prémio Valmor, Ano de 1908, Avenida Almirante Reis, 2-2K

Encontra-se na Avenida Almirante Reis do lado esquerdo quem desce, da Praça do Chile, em direcção à Rua da Palma e/ou à Praça Martim Moniz, faz esquina com o Largo do Intendente Pina Manique, no Intendente, em plena zona de prostituição de rua, agora mais escassa.Hoje transformado em Hotel (1908 Lisboa Hotel) e que bem que ficou a transformação.

As fotos são referentes ao ano de 2018, sendo a primeira obtida através do “Google Earth”.

Em 1908, O Prémio Valmor premiou, pela primeira vez, um edifício de rendimento cujo piso térreo era ocupado por estabelecimentos comerciais. Edifício de gaveto, localiza-se na Avenida Almirante Reis 2-2K, propriedade de Guilherme Augusto Coelho com projecto de Arnaldo R. Adães Bermudes (1864-1948). De destacar a decoração em motivos Arte Nova, com elementos em ferro forjado e painéis de azulejo, e ainda a cúpula que remata o edifício.

Arquitecto Arnaldo Adães Bermudes (1864-1948):

 

Prémios Valmor (1908 e 1909) e Menção Honrosa 1909

“Natural do Porto, formou-se em Arquitectura (1885) pela Academia Portuense, entretanto Escola de Belas-Artes e um ano depois, subvencionado pelos organismos comerciais da Cidade Invicta, foi-lhe atribuída uma bolsa de estudo fora do país. Regressado a Portugal, entrou num concurso aberto em 1888, pela Academia de Belas-Artes de Lisboa, para bolseiros no estrangeiro e alcançou a primeira classificação. Durante cinco anos frequentou a Escola de Belas-Artes de Paris e com o melhor proveito, as classes particulares de Paul Blondel (1). Um dos seus trabalhos de grande composição, então ali feitos, levado ao “Salon” de 1893, mereceu elogiosa crítica.

Foi o primeiro classificado, com o Arq.º António Couto Abreu (1874-1946) e o escultor Francisco dos Santos (1878-1930), no Monumento ao Marquês de Pombal, após concursos de polémica violentíssima, onde viria a prevalecer o projecto desta equipa, aquele que se ergue na Rotunda.

Obteve o Prémio Valmor de 1908 pelo edifício construído no gaveto da Avenida Almirante Reis, 2-2K para o Largo do Intendente, 1 a 10. Receberia também, respeitante a 1909, uma Menção Honrosa do Prémio Valmor pelo prédio situado na Rua do Sacramento à Lapa, N.º 34-38, ainda hoje existente, embora com alterações (Primitivo projecto na «Construção Moderna» N.º 214/Ano VII/1906 e fotografia na «Architectura Portugueza», N.º 12/Ano II/Dez. 1909).”

In Bairrada, Eduardo Martins, “Prémios Valmor 1902-1952”, Edição 1988, CML. (sic)*

“http://www.priberam.pt/dlpo/sic” - *sic |sique| (palavra latina)

Advérbio: Sem alteração nenhuma; tal e qual. = assim

(1) – Paul Blondel (1847-1897) foi um arquiteto francês, Grande Prémio de Roma em 1876. Frequentou a Escola de Belas-Artes, oficina “Daumet” em 1864, tornou-se professor de oficina na Escola de Belas-Artes em 1880. Primeiro Presidente de Arquitectura, da Escola Nacional de Artes Decorativas e Inspector-Geral dos Edifícios diocesanos.

Acontecimentos Arquitectónicos da década:

1902 - Inauguração do elevador de Santa Justa;

1903 - Publicação do novo regulamento de salubridade para as construções urbanas;

1904 – Aprovação do Plano Geral de Melhoramentos, apresentado pelo engenheiro Ressano Garcia (1847-1911);

1905 – Desenvolvimento das construções ao longo da Avenida Fontes Pereira de Melo e da futura Avenida da República;

1905 - Jardim Zoológico, nas Laranjeiras, Raul Lino;

1907 – Animatógrafo do Rossio;

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Prémio Valmor, Ano de 1906, Avenida República 36-38

Casa Visconde de Valmor, Foi o Clube dos Empresários. Encontra-se do lado direito da Avenida da República, para quem vai da Praça Duque de Saldanha, em direcção a Entrecampos, na esquina da faixa lateral direita da Avenida da República e a Avenida Visconde de Valmor, cerca de dois quarteirões antes da Praça de Touros do Campo Pequeno.

As fotos são referentes ao ano de 2018, sendo a primeira obtida através do “Google Earth”.

Arquitecto Miguel Ventura Terra:

Prémios Valmor (1903, 1906, 1909, 1911) e Menção Honrosa (1913)

Arquitecto Miguel Ventura Terra (1866-1919):

“Natural da freguesia de São Pedro de Seixas do Minho, iniciou os seus estudos na Academia Portuense, entretanto Escola de Belas-Artes, que concluiu com a obtenção do diploma de Arquitecto e, em 1886, partiu para Paris, como bolseiro do Governo, após um polémico concurso, reclamado e sanado, onde lhe foi confirmado o primeiro lugar. Nesta cidade, candidatou-se à respectiva Escola de Belas-Artes, tendo ficado entre os cinco primeiros classificados. Discípulo dos notáveis arquitectos Jules André (1) e Victor Laloux (2), durante estes estudos, obteve primeiros prémios, medalhas e menções honrosas que lhe permitiram concorrer à primeira classe dos arquitectos diplomados pelo Governo francês. Em 1895, recebeu o honroso diploma, após defesa de um Projecto do Palácio da Justiça para Lisboa que, entretanto lhe fora encomendado pelo Governo português. Nesse ano foi recebido no “Salon”.

devem-se a Ventura Terra as grandiosas obras do Monte de Santa Luzia, em Viana do Castelo, continuadas, após a sua morte, pelo Arqº. Manuel Nogueira (1883-1953), e, ainda, em Lisboa, a sinagoga israelita Schaare Tiekwa, da Rua Alexandre Herculano, que substituiu a do Beco dos Apóstolos, à Rua das Flores («A Construção Moderna» N.º 97/Ano IV/1903);

Obteve o Prémio Valmor referente aos Anos de 1903, 1906, 1909 e 1911 com as edificações situadas na Rua Alexandre Herculano, N.º 57-57C, Avenida da República, N.º 38, Rua Marquês da Fronteira, N.º 18-28, e Rua Alexandre Herculano N.º 25. Receberia ainda, respeitante a 1913, uma Menção Honrosa do Prémio Valmor pelo prédio situado na Avenida António Augusto de Aguiar, N.º 3-D, onde é hoje a sede da Ordem dos Engenheiros.”

In Bairrada, Eduardo Martins, “Prémios Valmor 1902-1952”, Edição 1988, CML. (sic)*

“http://www.priberam.pt/dlpo/sic” - *sic |sique| (palavra latina)

Advérbio: Sem alteração nenhuma; tal e qual. = assim

(1) - Louis-Jules André ou Jules André é um arquitecto francês, nascido em Paris, a 24-06-1819 e morreu, também em Paris, a 30-01-1890, foi professor de Arquitectura, Prémio de Roma e membro do Instituto de França.

(2) - Victor-Alexandre-Frédéric Laloux (Tours, 15-11-1850 - Paris, 13-07-1937) é um arquitecto francês.

Acontecimentos Arquitectónicos da década:

1902 - Inauguração do elevador de Santa Justa;

1903 - Publicação do novo regulamento de salubridade para as construções urbanas;

1904 – Aprovação do Plano Geral de Melhoramentos, apresentado pelo engenheiro Ressano Garcia (1847-1911);

1905 – Desenvolvimento das construções ao longo da Avenida Fontes Pereira de Melo e da futura Avenida da República;

1905 - Jardim Zoológico, nas Laranjeiras, Raul Lino;

1907 – Animatógrafo do Rossio;

1908 - Projecto para o Parque Eduardo VII do arquitecto Miguel Ventura Terra.

sábado, 26 de dezembro de 2020

Prémio Valmor, Ano de 1905, Avenida 5 de Outubro 6-8

Casa Malhoa, Casa Museu Dr. Anastácio Gonçalves. Encontra-se no final da Avenida 5 de Outubro, do outro lado da Maternidade Alfredo da Costa e tendo nas suas costas, do seu lado esquerdo, o Hotel Imaviz.

As fotos são referentes ao ano de 2018, sendo a primeira obtida através do “Google Earth”.

Arquitecto Manuel Joaquim Norte Júnior (1878-1962): 


“Natural de Lisboa, curso a Escola de Belas-Artes desta cidade, onde se formou com distinção. Seguiu depois para Paris, onde, como pensionista do Legado Valmor, frequentou o “atelier” Pascal (1) e satisfez provas que o habilitaram também com o diploma francês. Completou a sua formação com viagens de estudo através da própria França, Bélgica e Espanha, digressões demoradas e atentas, fixadas em muitos aspectos por magníficos desenhos que lhe forneceram elementos e sugestões para a temática decorativa e compositiva da sua obra.

Na década de trinta, desfrutando o apogeu da sua carreira, subscreveu os prédios construídos, na Avenida António Augusto de Aguiar, N.º 100; na Avenida da República, N.º 71; na Avenida Rodrigues Sampaio, N.º 158; na Avenida Ressano Garcia, N.º 24, e os dois prédios da Avenida de Berne, N.º 6 e 8.

Respeitante aos anos de 1905, 1912, 1914, 1915 e 1927, obteve o Prémio Valmor, respectivamente, com os edifícios da Avenida Cinco de Outubro, N.º 6-8, Alameda das Linhas de Torres, N.º 22 (semidemolido, hoje em ruínas, somente com as fachadas em pé!), Avenida Fontes Pereira, N.º 28, Avenida da Liberdade, N.º 206-218, e ainda com o da mesma artéria, N.º 176-180.

Nos anos de 1908 e 1912 foi distinguido com Menções Honrosas do mesmo Prémio, pelos prédios situados, respectivamente, na Avenida da República, N.º 45, tornejando para a Avenida Visconde Valmor (já demolido, em 1949/1950!), e na Praça Duque de Saldanha, N.º 12, tornejando para a Avenida Praia da Vitória, N.º 44, este existente e bem conservado (começa a apresentar sintomas de degradação!).”

In Bairrada, Eduardo Martins, “Prémios Valmor 1902-1952”, Edição 1988, CML. (sic)*

“http://www.priberam.pt/dlpo/sic” - *sic |sique| (palavra latina)

Advérbio: Sem alteração nenhuma; tal e qual. = assim

(1) - Jean-Louis Pascal (04-06-1837 – 17-05-1920) foi um arquitecto francês.

Acontecimentos referentes à década:

1902 - Inauguração do elevador de Santa Justa;

1903 - Publicação do novo regulamento de salubridade para as construções urbanas;

1904 – Aprovação do Plano Geral de Melhoramentos, apresentado pelo engenheiro Ressano Garcia (1847-1911);

1905 – Desenvolvimento das construções ao longo da Avenida Fontes Pereira de Melo e da futura Avenida da República;

1905 - Jardim Zoológico, nas Laranjeiras, Raul Lino;

1907 – Animatógrafo do Rossio;

1908 - Projecto para o Parque Eduardo VII do arquitecto Miguel Ventura Terra.


segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Prémio Valmor, Ano de 1904, Avenida Liberdade 262-264

Situa-se na Avenida da Liberdade, percurso ascendente (lado direito), para quem vai da Praça dos Restauradores para a Praça Marquês de Pombal, sendo o antepenúltimo edifício antes do Marquês de Pombal. O edifício foi limpo e pintado, e neste momento são inquilinos, o colégio “N’Avózinha”, um Cabeleireiro de Estética “Le Salon” e duas sociedades de advogados “Antas da Cunha, Ferreira & Associados” e a BSG (Barros Sobral Gomes & Associados).

As fotos são referentes ao ano de 2018, sendo a primeira obtida através do “Google Earth”.

Menção Honrosa, Ano de 1904.

“O ano de 1904 é assinalado em Lisboa pela inauguração da primeira sala de projecção de filmes, enquanto a Câmara lança então o polémico concurso para o monumento ao Marquês de Pombal, 

Em 1905 surge a primeira polémica. O júri para a atribuição do Valmor desse ano resolveu não atribuir o prémio correspondente ao ano de 1904, mantendo a decisão de conceder apenas duas menções honrosas pesar dos protestos de um dos proprietários. Esses edifícios, ambos na Avenida da Liberdade, eram propriedade de Michelangelo Lambertini, com projecto do já premiado veneziano N. Bigaglia, e de António José Gomes Netto com projecto do Arquitecto Jorge Pereira Leite.”

Arquitecto Jorge Pereira Leite (? - ?):

Nos documentos consultados, não foi encontrada documentação biográfica sobre este arquitecto.

In Bairrada, Eduardo Martins, “Prémios Valmor 1902-1952”, Edição 1988, CML. (sic)*

“http://www.priberam.pt/dlpo/sic” - *sic |sique| (palavra latina)

Advérbio: Sem alteração nenhuma; tal e qual. = assim

Acontecimentos referentes à década:

1902 - Inauguração do elevador de Santa Justa;

1903 - Publicação do novo regulamento de salubridade para as construções urbanas;

1904 – Aprovação do Plano Geral de Melhoramentos, apresentado pelo engenheiro Ressano Garcia (1847-1911);

1905 – Desenvolvimento das construções ao longo da Avenida Fontes Pereira de Melo e da futura Avenida da República;

1905 - Jardim Zoológico, nas Laranjeiras, Raul Lino;

1907 – Animatógrafo do Rossio;

1908 - Projecto para o Parque Eduardo VII do arquitecto Miguel Ventura Terra.

sábado, 10 de outubro de 2020

Prémio Valmor 1904, Avenida Liberdade 166

Situa-se na Avenida da Liberdade, no percurso ascendente (lado direito), para quem vai da Praça dos Restauradores para a Praça Marquês de Pombal. Dois dos actuais inquilinos são, a “ADIPA” (Associação Distribuidores Produtos Alimentares) e a “Chiado Editora”.


Menção Honrosa, Ano de 1904. Em 1904 o júri decidiu não atribuir o Prémio Valmor, por considerar que «nenhum dos prédios concluídos em Lisboa durante o ano findo reúne o conjunto de condições artísticas essenciais para ser classificado em mérito absoluto», propondo apenas duas Menções Honrosas.
Uma delas, a “Casa Lambertini”, cujo proprietário Michelangelo Lambertini exprimiu a sua revolta apelando mesmo à Câmara no sentido desta anular a decisão, localiza-se na Avenida da Liberdade, 166-168, tendo por arquitecto Nicola Bigaglia, já anteriormente distinguido, no Prémio Valmor de 1902.
Edifício concebido para cumprir as condições do testamento do Visconde, inspira-se na Renascença Veneziana, o estilo Lombardesco, com uma decoração em mosaicos, executados em Veneza, inspirada na Igreja de São Marcos. Actualmente em bom estado de conservação, destina-se a habitação e escritórios.

Arquitecto Nicola Bigaglia (1841-1908):


“De nacionalidade italiana, nascido em Veneza, veio para Portugal em 1888, na mesma época em que outros artistas   de valor foram contratados pelo Governo português, como professores das Escolas Industriais, criadas por António de Augusto Aguiar e por Emídio Navarro.
Além de arquitecto, Bigaglia, foi um aguarelista distinto, um modelador de grandes recursos e um desenhador primoroso. A sua obra está dispersa por vários pontos do nosso território, muito embora fosse em Lisboa onde ela ficou mais representada. Conhecia a fundo a arte da decoração, sendo-lhe familiares os estilos clássicos, não só de arquitectura, como também do mobiliário, da tapeçaria, etc. Regeu, durante anos, a cadeira de Modelação Ornamental, na Escola Afonso Domingues, em Xabregas, após magistério na escola Industrial de Leiria,
De entre as obras que se ficaram a dever à presença de Nicola Bigaglia em Lisboa, são conhecidas ou referidas pelas publicações da época, as seguintes: o palácio e parque de José Pinto Leitão, na Rua Marquês da Fronteira, Nº.14-16; as residências de Michel Angelo Lambertini, na Avenida da Liberdade, Nº. 166 (Menção Honrosa do Prémios Valmor em 1904), e do Dr. Gama Pinto, na Rua das Taipas, Nº.16-20; os palacetes do Conde Burnay, na Rua da Junqueira, Nº.86, do Dr. António Caetano, na Rua de Santo António dos Capuchos, Nº. 1, e do Dr. Alfredo da Cunha, no Largo de São Vicente, Nº.5, etc.
Nos finais de 1907, princípios de 1908, Nicola Bigaglia, retira-se para Veneza, onde faleceu em 8 de Outubro.
Obteve o Prémio Valmor de 1902, com o edifício construído, na Avenida da Liberdade, tornejando para a Rua do Salitre, Nº.1-3, onde é hoje a Chancelaria da Embaixada de Espanha.”

In Bairrada, Eduardo Martins, “Prémios Valmor 1902-1952”, Edição 1988, CML. (sic)*

“http://www.priberam.pt/dlpo/sic” - *sic |sique| (palavra latina)
Advérbio: Sem alteração nenhuma; tal e qual. = assim

Acontecimentos referentes à década:

1902 - Inauguração do elevador de Santa Justa;
1903 - Publicação do novo regulamento de salubridade para as construções urbanas;
1904 – Aprovação do Plano Geral de Melhoramentos, apresentado pelo engenheiro Ressano Garcia (1847-1911);
1905 – Desenvolvimento das construções ao longo da Avenida Fontes Pereira de Melo e da futura Avenida da República;
1905 - Jardim Zoológico, nas Laranjeiras, Raul Lino;
1907 – Animatógrafo do Rossio;
1908 - Projecto para o Parque Eduardo VII do arquitecto Miguel Ventura Terra.

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Prémio Valmor, Ano de 1903, Rua Alexandre Herculano 57-57C

Praticamente já em pleno Largo do Rato, encontra-se do lado esquerdo quem vai da Avenida da Liberdade em direcção ao Largo do Rato.

As fotos são referentes ao ano de 2018, sendo a primeira obtida através do “Google Earth”..

O Prémio Valmor de 1903 foi legado pelo arquitecto Miguel Ventura Terra, às Escolas de Belas Artes de Lisboa e Porto. Nela faleceu Ventura Terra, em 30 de Abril de 1919, que destinou o seu rendimento líquido para pensões a estudantes pobres das duas escolas que mostrem decidida vocação para as belas artes (placa inscrita no primeiro andar, na parte central do edifício).

Arquitecto Miguel Ventura Terra:


Prémios Valmor (1903, 1906, 1909, 1911) e Menção Honrosa (1913)

Arquitecto Miguel Ventura Terra (1866-1919):

“Natural da freguesia de São Pedro de Seixas do Minho, iniciou os seus estudos na Academia Portuense, entretanto Escola de Belas-Artes, que concluiu com a obtenção do diploma de Arquitecto e, em 1886, partiu para Paris, como bolseiro do Governo, após um polémico concurso, reclamado e sanado, onde lhe foi confirmado o primeiro lugar. Nesta cidade, candidatou-se à respectiva Escola de Belas-Artes, tendo ficado entre os cinco primeiros classificados. Discípulo dos notáveis arquitectos Jules André (1) e Victor Laloux (2), durante estes estudos, obteve primeiros prémios, medalhas e menções honrosas que lhe permitiram concorrer à primeira classe dos arquitectos diplomados pelo Governo francês. Em 1895, recebeu o honroso diploma, após defesa de um Projecto do Palácio da Justiça para Lisboa que, entretanto lhe fora encomendado pelo Governo português. Nesse ano foi recebido no “Salon”.
devem-se a Ventura Terra as grandiosas obras do Monte de Santa Luzia, em Viana do Castelo, continuadas, após a sua morte, pelo Arqº. Manuel Nogueira (1883-1953), e, ainda, em Lisboa, a sinagoga israelita Schaare Tiekwa, da Rua Alexandre Herculano, que substituiu a do Beco dos Apóstolos, à Rua das Flores («A Construção Moderna» N.º 97/Ano IV/1903);
Obteve o Prémio Valmor referente aos Anos de 1903, 1906, 1909 e 1911 com as edificações situadas na Rua Alexandre Herculano, N.º 57-57C, Avenida da República, N.º 38, Rua Marquês da Fronteira, N.º 18-28, e Rua Alexandre Herculano N.º 25. Receberia ainda, respeitante a 1913, uma Menção Honrosa do Prémio Valmor pelo prédio situado na Avenida António Augusto de Aguiar, N.º 3-D, onde é hoje a sede da Ordem dos Engenheiros.”


“http://www.priberam.pt/dlpo/sic” - *sic |sique| (palavra latina)
Advérbio: Sem alteração nenhuma; tal e qual. = assim

(1) - Louis-Jules André ou Jules André é um arquitecto francês, nascido em Paris, a 24-06-1819 e morreu, também em Paris, a 30-01-1890, foi professor de Arquitectura, Prémio de Roma e membro do Instituto de França.

(2) - Victor-Alexandre-Frédéric Laloux (Tours, 15-11-1850 - Paris, 13-07-1937) é um arquitecto francês.

Acontecimentos Arquitectónicos da década:

1902 - Inauguração do elevador de Santa Justa;
1903 - Publicação do novo regulamento de salubridade para as construções urbanas;
1904 – Aprovação do Plano Geral de Melhoramentos, apresentado pelo engenheiro Ressano Garcia (1847-1911);
1905 – Desenvolvimento das construções ao longo da Avenida Fontes Pereira de Melo e da futura Avenida da República;
1905 - Jardim Zoológico, nas Laranjeiras, Raul Lino;
1907 – Animatógrafo do Rossio;
1908 - Projecto para o Parque Eduardo VII do arquitecto Miguel Ventura Terra.

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Prémio Valmor 1902, Avenida Liberdade, Rua do Salitre 1-3

Encontra-se do lado direito quem desce a Avenida da Liberdade, do Marquês de Pombal, em direcção à Praça dos Restauradores, e situa-se na esquina da Rua do Salitre e da Avenida da Liberdade. À frente deste edifício fica a estátua erigida aos heróis da Grande Guerra (I Guerra Mundial), do lado esquerdo, a seguir ao edifício, fica o “Parque Mayer”, hoje transformado em parque de estacionamento, e do lado direito sobe-se a Rua do Salitre.


O Prémio Valmor de 1902 foi atribuído o nome de Palácio Lima Mayer, uma construção de 1901, situada na Avenida da Liberdade fazendo esquina para a Rua do Salitre e da qual, era proprietário, Adolfo de Lima Mayer. O arquitecto foi Nicola Bigaglia, italiano radicado em Portugal. A propriedade incluía, para além do edifício, um extenso jardim, no qual, em 1921, se edificou, o “Parque Mayer”, centro de concentração popular, durante muitos anos, em virtude das exibições da “Revista” à portuguesa, com os seus quatro teatros (Variedades, Capitólio, ABC e Maria Vitória), onde grandes cómicos do teatro português se tornaram famosos. Não vou aqui nomear ninguém porque vão-me faltar nomes.
Actualmente neste edifício, Rua do Salitre 1-3, funciona aqui há já muitos anos o Consulado de Espanha.

Arquitecto Nicola Bigaglia (1841-1908):


“De nacionalidade italiana, nascido em Veneza, veio para Portugal em 1888, na mesma época em que outros artistas   de valor foram contratados pelo Governo português, como professores das Escolas Industriais, criadas por António de Augusto Aguiar e por Emídio Navarro.
Além de arquitecto, Bigaglia, foi um aguarelista distinto, um modelador de grandes recursos e um desenhador primoroso. A sua obra está dispersa por vários pontos do nosso território, muito embora fosse em Lisboa onde ela ficou mais representada. Conhecia a fundo a arte da decoração, sendo-lhe familiares os estilos clássicos, não só de arquitectura, como também do mobiliário, da tapeçaria, etc. Regeu, durante anos, a cadeira de Modelação Ornamental, na Escola Afonso Domingues, em Xabregas, após magistério na escola Industrial de Leiria,
De entre as obras que se ficaram a dever à presença de Nicola Bigaglia em Lisboa, são conhecidas ou referidas pelas publicações da época, as seguintes: o palácio e parque de José Pinto Leitão, na Rua Marquês da Fronteira, Nº.14-16; as residências de Michel Angelo Lambertini, na Avenida da Liberdade, Nº. 166 (Menção Honrosa do Prémios Valmor em 1904), e do Dr. Gama Pinto, na Rua das Taipas, Nº.16-20; os palacetes do Conde Burnay, na Rua da Junqueira, Nº.86, do Dr. António Caetano, na Rua de Santo António dos Capuchos, Nº. 1, e do Dr. Alfredo da Cunha, no Largo de São Vicente, Nº.5, etc.
Nos finais de 1907, princípios de 1908, Nicola Bigaglia, retira-se para Veneza, onde faleceu em 8 de Outubro.
Obteve o Prémio Valmor de 1902, com o edifício construído, na Avenida da Liberdade, tornejando para a Rua do Salitre, Nº.1-3, onde é hoje a Chancelaria da Embaixada de Espanha.”


“http://www.priberam.pt/dlpo/sic” - *sic |sique| (palavra latina)
Advérbio: Sem alteração nenhuma; tal e qual. = assim


1902 - Inauguração do elevador de Santa Justa;
1903 - Publicação do novo regulamento de salubridade para as construções urbanas;
1904 – Aprovação do Plano Geral de Melhoramentos, apresentado pelo engenheiro Ressano Garcia (1847-1911);
1905 – Desenvolvimento das construções ao longo da Avenida Fontes Pereira de Melo e da futura Avenida da República;
1905 - Jardim Zoológico, nas Laranjeiras, Raul Lino;
1907 – Animatógrafo do Rossio;
1908 - Projecto para o Parque Eduardo VII do arquitecto Miguel Ventura Terra.

sábado, 4 de julho de 2020

O Prémio Valmor (Visconde Valmor – Fausto Queiroz Guedes) (I)


Busto, em bronze, do Visconde de Valmor, da autoria do escultor Teixeira Lopes, datada de 1904 e situada no Largo da Academia Nacional de Belas-Artes. 1249-058 Lisboa

O Prémio Valmor (reedição) vai andar de novo por aqui. Durante uns meses a partir de 20 de Julho. Estas publicações serão praticamente todas novas. A primeira mostra de Valmor, foi no meu anterior blogue “Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades” (apagado!). A documentação foi toda reescrita, com o material da nova pesquisa feita, principalmente, no que respeita às biografias dos arquitectos. Esta foi a terceira volta a estas construções, sendo a primeira em 2008 (270 fotografias), depois em 2013 (755 fotografias) e voltei, agora, em 2018. A próxima visita será, se Deus quiser, em 2023. Desta vez, fiz à volta de 540 fotos que serão exibidas n'O Pacto Português e mais 28 fotos de 2013, referentes a dois Prémios Valmor que não fotografei desta vez. A aplicação que escolhi, foi o Google Slides, porque me pareceu simples e de fácil visualização, e felizmente e para já, não tem publicidade.

Palavras minhas
           
Estas palavras minhas da edição anterior mantêm-se actuais.

Porquê deixar destruir Lisboa? Ela está hoje e cada vez mais, uma cidade descaracterizada arquitectonicamente. Será que isto é um mal das cidades que são a capital? Duvido! Conheço muito pouco do estrangeiro, mas sei que em muitos países europeus e por esse Mundo, se preservam as zonas mais antigas, das urbes principais. Tristemente, como país europeu que queremos ser e que somos geograficamente, não adoptámos essa conduta cultural, embora tenhamos vindo a melhorar, lamentamos o mal que está irremediavelmente feito.

Percebo muito pouco de arquitectura, tirando aquilo que aprendi na escola, em disciplinas como a História e o Desenho. Lembro-me do gótico, do barroco, do romano, e lembro-me da oval, da ogiva, do arco querena, da elipse, da hipérbole e da parábola. Apesar de ser leigo neste assunto, decidi investigar um pouco mais sobre o dito prémio e que melhor meio para o fazer e mostrar, do que a fotografia. Por isto tudo e durante alguns meses, no meu blogue “O Pacto Português”, mostrar-vos-ei, através da fotografia, um pouco do que se fez em termos arquitectónicos, nos primeiros 40 anos do século XX, e o que vai restando de alguma daquela arquitectura, que a sociedade moderna ainda não destruiu, na nossa maravilhosa capital que é a cidade de Olisipo.
           
O meu trabalho será centrado, unicamente, entre os anos 1902 e 1943, das obras premiadas com o Prémio Valmor. Nesse intervalo de anos, foram premiadas 40 construções, entre 28 prémios Valmor e 12 menções honrosas. Dessas 40 premiadas, 11 já foram demolidas, 2 estão para venda, e ainda 1, está, infelizmente e completamente, em ruínas.
Também nesses quarenta e um anos, existiram uma dúzia deles, nos quais não foram atribuídos prémios ou menções honrosas.
           
Não vou chamar a atenção para toda a arquitectura premiada e ainda existente. Ficará nesta mostra, algo mais para descobrirem, “in loco”, se o quiserem fazer, parando e olhando com um olho mais clínico para estas obras de arte. Elas estão aí espalhadas pela metrópole mais ocidental da Europa e se calhar valerá a pena ir vê-las, enquanto estão de pé.
Possivelmente, mais dia, menos dia, o dinheiro e o “poder” encarregar-se-ão de deitar abaixo mais algumas. Dessas restarão somente os registos fotográficos e cinematográficos.

“…O dinheiro não compra tudo!”, mas infelizmente, muitos de nós, estamos convencidos do contrário.
        
Breve História
        
“…Instituído há mais de um século, o Prémio Valmor surge na sequência de indicações deixadas no testamento do segundo e último visconde de Valmor, Fausto Queiroz Guedes, diplomata, político, membro do Partido Progressista, par do reino, governador civil de Lisboa e grande apreciador de belas artes.

Falecido em França em 1878, segundo o seu testamento, uma determinada quantia de dinheiro era doada à cidade de Lisboa de modo a criar-se um fundo. Este passaria a constituir um prémio a ser distribuído em partes iguais ao proprietário e ao arquitecto autor do projecto da mais bela casa ou prédio edificado.

Surge assim, com o nome do seu instituidor, o Prémio Valmor de Arquitectura, cuja atribuição era da responsabilidade da Câmara Municipal de Lisboa, ficando esta sob fiscalização do Asilo de Mendicidade de Lisboa. A Câmara elaborou então um regulamento segundo o qual seria anualmente nomeado um júri de três membros, todos arquitectos, que avaliariam as várias edificações.

Adaptando-se a mudanças, quer de mentalidade, quer no modo de fazer arquitectura, quer ainda a nível de regulamento, é um dos mais prestigiados prémios de arquitectura em Portugal.

O Prémio Valmor continua a ser sinónimo de uma certa qualidade arquitectónica que reflecte, tanto pelos bons como pelos maus exemplos, os gostos dominantes das diferentes épocas…”       
         
Bibliografia e Agradecimentos         
         
“Link” Prémios Valmor – CML (Câmara Municipal de Lisboa): http://www.cm-lisboa.pt/viver/urbanismo/premios/premio-valmor-e-municipal-de-arquitetura. O “link” atrás citado serviu de base, para colectar e situar o básico dos Prémios Valmor.    
     
A restante documentação, tal como, biografia dos arquitectos, etc., foi recolhida no GEO (Gabinete de Estudos Olisiponenses, http://geo.cm-lisboa.pt/). Uma palavra de agradecimento à Dr.ª. Manuela Canedo que me ajudou na consolidação da documentação que era necessária para o trabalho que eu pretendia executar.    
      
Agradecimentos aos Bibliotecários:       
       
Fátima Coelho, da OASRS (Ordem dos Arquitectos Secção Regional Sul), que me indicou literatura disponível na Biblioteca Nacional, para consulta e que, também ajudou neste trabalho.  
     
Madalena Marques Sousa, Zélia de Sousa e Castro, Luís de França e Sá, e ainda Carlos Manuel da Graça Vences da Biblioteca Nacional de Portugal.       
         
Dar a conhecer às pessoas a nova reedicção, em BCC:

Maria Manuela Canedo; Madalena Marques Sousa; Carlos Manuel da Graça Vences; e Luís de França e Sá.

As publicações Prémio Valmor começam dia 20-07-2020. Abrimos com a Introdução (aqui atrás) e de seguida as construções já demolidas. Na minha “Newsletter” vão sempre sabendo de todas as publicações. Espero que gostem!!!

segunda-feira, 20 de março de 2017

Reconstruação do Pavilhão Carlos Lopes

Antes: “Os Abandonados foram conhecer a história.”

E este tem uma história de antes e depois do 25 de Abril. Erigido no Brasil, quando da Exposição Universal do Rio de Janeiro em 1922.
Não são saudosismos, são História de Portugal, mais Respeito por ela !!!


Depois: Reconstrução do Pavilhão Carlos Lopes e sua inauguração

sábado, 26 de março de 2016

SIC Abandonados – Regimento de Artilharia de Costa

“Os Abandonados foram conhecer a história.” Desactivado em 1998, o Regimento de Artilharia de Costa, com 8 Batarias …

terça-feira, 1 de março de 2016

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Debaixo do Jardim de Arca d’Água

No subsolo do jardim de Arca D'água mora o manancial de Paranhos. Durante séculos, as fontes públicas da cidade eram alimentadas pela água que aqui corria.

Faz falta aqui uma explicação de alguém que saiba o que consta destas cavernas no subsolo de Paranhos, Porto. 

Obrigado Janita !




segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Galerias Romanas e ruínas de Olissipo

Um vídeo encomendado pela Câmara Municipal de Lisboa - Conhecer o que esconde o subsolo de Lisboa, ou descobrir o que há por baixo da Rua da Prata, são alguns dos motivos para visitar as Galerias Romanas.
A visita dura cerca 20 minutos e é acompanhada por técnicos do Museu da Cidade e do Centro de Arqueologia de Lisboa que explicam aos visitantes, entre outras curiosidades, que estas galerias, com mais de dois mil anos, se encontram ainda ao serviço da cidade, uma vez que suportam toda a estrutura de edifícios acima delas.


segunda-feira, 12 de outubro de 2015

SIC Abandonados – Pavilhão Carlos Lopes

“Os Abandonados foram conhecer a história.”

E este tem uma história de antes e depois do 25 de Abril. Erigido no Brasil, quando da Exposição Universal do Rio de Janeiro em 1922. Não são saudosismos, são História de Portugal, mais Respeito por ela !!!

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

SIC Abandonados – Monte Palace Hotel – Açores

Desta vez são dois vídeos muito interessantes. O primeiro, o da SIC e dos “Abandonados”. O segundo feito por Jorge Loures,, alguém que reuniu toda a informação sobre o Hotel.
São alguns minutos de conversas interessantes sobre os prós e contras, a gestão, o clima, etc. etc.

“Os Abandonados“ foram conhecer a história do “Hotel Monte Palace”, o hotel luxuoso dos Açores, sobre a “Lagoa das Sete Cidades”, abandonado há cerca de 23 anos, um local entregue ao seu próprio destino e com futuro incerto.


Este próximo vídeo é de alguém que colectou toda a história sobre o “Hotel Monte Palace”


O “Hotel Monte Palace”, antigo 5 estrelas em conjunto com o “Bahia Palace” (actualmente em funcionamento como Hotel de 4 estrelas), funcionou por cerca de ano e meio de Abril de 1989 até finais de 1990. Permaneceu fechado até 2011 sob a vigilância de guardas e cães, que por falta de pagamento abandonaram o edifício, ficando este entregue ao caos total e ao vandalismo.
O Hotel possuía 88 quartos, dos quais uma “suite” presidencial, 4 grandes “suites” de luxo, 4 quartos duplos com saleta, 27 quartos duplos e 52 “suites” juniores. Possuía 2 restaurantes (Grill Dona Amélia e Restaurante D. Carlos, em homenagem a estes Reis Portugueses que visitaram as “Sete Cidades” no seu reinado, atribuindo-se por esta razão o nome de Vista do Rei ao local onde onde se pode ver a famosa vista) um Bar (Bar Americano/ D.Urraca), três salas de conferência, salas de jogos, uma discoteca (Night Club Chamarrita), um banco, um cabeleireiro, cofres-fortes, uma tabacaria, “boutiques” e outras lojas.
Agradecimentos por cedência de imagens a Peter Hainzl (algumas imagens de vistas e paisagens naturais).