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Saturday, September 21, 2024

ARGENTINA

Um casal simpático. argentinos, altos, saídos há pouco tempo da casa dos cinquenta, em viagem pela Europa, além do mais com passagem por Lourdes.

- Como vai a Argentina, agora com Milei na Presidência?
- Melhor, mas não tanto quanto podia ser se Milei tivesse maioria na Câmara Alta (Senado) e na Câmara Baixa (Deputados) mas não tem. As reformas possíveis têm melhorado a situação. 
- Como explica a queda da economia argentina depois de ter sido uma das mais prósperas?
- O roubo, há muito roubo, o sistema de justiça não funciona, comprado pelos que roubam ...
- Mas quem rouba?
- Os políticos. Há muita prata (muito dinheiro) a circular e a fugir do país. Há muitos ladrões, sabes? Com Milei como Presidente, a situação está a melhorar ... Há menos políticos a roubar.
- Como é que está o vosso sistema educativo?
- Mal, muito mal, não há responsabilização, não há disciplina, os estudantes têm liberdade para fazerem o que quiserem.
- Contudo, segundo o Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD), o sistema de ensino na Argentino posiciona-se acima do português ...
- Ah, sim, mas é assim tão mau o o sistema de ensino em Portugal?
- Pior que na Argentina, se a classificação do PNUD está correcta.No ranking do índice de desenvolvimento do PNUD Portugal ocupa a 42ª posição e a Argentina a 47ª, tendo Portugal melhor classificação na esperança de vida à nascença e no rendimento médio, em termos de paridade de poder de compra, e pior na educação.
- É curioso ... Quem lidera o ranking?
- A Suíça ocupa a primeira posição, a Noruega, a Islândia, Hong Kong (China), Dinamarca, Suécia, Alemanha, Irlanda, Singapura, Austrália e Países Baixos, Bélgica, Finlândia, Lichtenstein, Reino Unido. Nova Zelândia, Emiratos Árabes Unidos (petróleo)...
- E a Coreia do Sul, que lugar ocupa?
- O 19º, a seguir ao Canadá. O Luxemburgo e os Estados Unidos da América, completam a lista dos vinte primeiros. Na Argentina, segundo este ranking, parece existirem problemas no sistema de saúde e na distribuição da riqueza. 
- O sistema de saúde é mau. Nós temos o nosso seguro de saúde pago pela nossa empresa, pessoalmente não temos razões pessoais de queixa. Mas a política de portas abertas, que Milei quer contrariar, é responsável pela pressão sobre os serviços médicos pagos pelo Estado, em grande parte pelos  imigrantes vindos de outros países vizinhos que recorrem a esses serviços médicos e se dispõem a trabalhar a qualquer preço.
- Quer dizer que Milei se propõe imitar Trump em questões de imigração. 
- É isso mesmo.
- Apoiariam Trump se votassem nos Estados Unidos.
- Sem dúvida. 
- Vão passar por Lourdes, já estiveram em Fátima, já passaram por Roma. Visitaram o Papa Francisco, um Papa argentino?
- Não, não. O Papa é muito político ...
- Não entendo ...
- Não considerou falsos os resultados na Venezuela e ilegítima a reeleição de Chaves.
- Mas pediu que fossem analizados os resultados.
- Não chega. O Papa é muito político.
- Ontem ouvi que o Papa voltou a considerar o aborto um mal que tem de ser condenado e a imigração uma necessidade que deve ser facilitada.
- Uma no cravo, outra na ferradura. É muito político. Não gostamos dele. É argentino, mas na Argentina era um desconhecido. Agora que o conhecemos, não gostamos dele. Diz ele que quer uma igreja dos pobres, se assim continua todos ficarão pobres. Não, não gostamos dele. É muito político.

Thursday, February 06, 2014

O CASO DO PAQUITO QUE QUERIA AQUELA CHICA

O Museu da Prostituição abre hoje ao público, na Amsterdam´s Red Light district. Vd. aqui ou aqui.


Quem conheça Amsterdam sabe que o Red Light district é o bairro mais famoso da cidade. E, de longe, o mais visitado pelos turistas. Os holandeses, caracterizadamente liberais nos negócios e nos costumes, não só toleram como apoiam a actividade que deu fama e proveito ao centro histórico da cidade capital do país.
Há uns anos atrás, por razões profissionais, ia ou passava por Amsterdam com alguma regularidade. Um dia, ao entardecer, depois de uma reunião e antes da hora de jantar, fomos até ao RL. O número de turistas mirones aquela hora ainda era relativamente escasso mas destacava-se à nossa frente um grupo de espanhois acompanhados de mulheres e filhos de todas as idades, pela expansividade sonora que caracteriza os nossos vizinhos, que já foram mais católicos e tementes às regras da santa madre igreja. 

A páginas tantas, a animação do colectivo deu lugar a um súbito estremecimento e a uma debandada à volta.
Faltava um garoto do grupo, o Paquito.  Paco! Paco! Paquito! Paquito!, ouviu-se durante uns longuíssimos segundos dirigidos em todas as direcções. 

O Paquito, um rapaz de cinco anos ou seis, estava de nariz encostado à vitrina de uma montra, logo ao dobrar da esquina, seduzido pelo sorriso discreto da senhora sentada lá dentro. Arrastou-o o pai para o grupo, aliviado do susto, a contrariar a birra do rapaz que queria à viva força que levassem com eles aquela chica.

Monday, January 27, 2014

O ALVO

O sistema de segurança social dos contributivos tem sido, desde a altura em que foi estabelecido o sistema-pay-as-you-go, por esgotamento dos recursos acumulados durante o antigo regime no alargamento aos não contributivos, iniciado ainda no tempo de Caetano, auto sustentado e continua a ser. O argumento da inviabilidade do sistema está por provar e o relatório da Comissão Europeia de 2012 citado por este governo no Relatório do OE 2014, a páginas 55, afirma o contrário: "De acordo com as projecções divulgadas em 2012 pelo grupo de trabalho da Comissão Europeia que acompanha as matérias relacionadas com o impacto do envelhecimento da população portuguesa na despesa pública, em particular em pensões, estima-se que, no período 2010-2060, Portugal será um dos países onde o risco do aumento do peso da despesa com pensões ameaçar a sustentabilidade do sistema será menor".

Não é, portanto, para estancar o risco do sistema que este governo manda as pauladas mais fortes sobre as costas dos reformados. Também não é por uma questão de moralização do sistema que, reconheça-se contém algumas imoralidades. Se o objectivo fosse arrecadar receitas e moralizar o sistema mandaria recalcular as reformas (todas) com base na totalidade da carreira contributiva, utililizava o mesmo modelo de cálculo, separava os sistemas contributivos suportados pelas contribuições sociais dos sistemas não contributivos que deveriam ser suportados por impostos. Mas não vai por aí, porquê?

Não vai por aí porque o objectivo é outro. Ao cometer a um grupo de trabalho, por si nomeado, sem qualquer representatividade dos atingidos, a específica incumbência de propor o corte de reformas, o governo pretende tornar uma prepotência, a que começou por designar como transitória, num facto consumado à margem dos mais elementares direitos da grande maioria dos pensionistas contributivos do regime geral. 

2015 será ano de eleições legislativas, e o PM, que além do mais conta com a continuidade da indolência natural do senhor Seguro, irá fazer o que não conseguiu fazer há dois anos atrás: reduzir as contribuições sociais das empresas e, agora, também as dos trabalhadores no activo. E, muito provavelmente, deixará cair a CES sobre os fundos privados, que em termos relativos são peanuts. Com esta medida, as actuais reformas ficam irreversívelmente amputadas, as empresas e os trabalhadores no activo agradecerão, votarão em conformidade, e o governo recomendará que reforcem as suas poupanças reforma geridas pelos bancos e pelas seguradoras.

Iniciar-se-á assim o processo de transferência de gestão das pensões para a esfera privada. 
Quem me disse isto? Sonhei.


Thursday, January 16, 2014

TULIPAS E BITCOINS

O mercado dos bitcoins mexe.
E mexe de tal modo que não pode ser ignorado. As publicações de índole financeira dedicam-lhe espaço, os banqueiros centrais olham-nos de lado, avisam que a bolha pode rebentar de um momento para o outro, e a opinião pública atenta ao fenómeno vê a moeda virtual como um meio engenhoso para os traficantes de droga, armas, de pessoas, e outros negócios subterrâneos escaparem à polícia criminal e ao fisco. Sem qualquer regulação nem entidade de controlo de emissão reputadamente idónea, os bitcoins sustentam-se na confiança dos seus detentores decorrente de uma conivência alargada de interesses mútuos que a nenhum deles, em princípio, interessa romper.

O Financial Times de hoje volta ao tema com um aviso à navegação, comparando o florescimento do mercado de bitcoins (o inventor é desconhecido, usa o pseudónimo Satoshi Nakamoto, será japonês, não se sabe se homem ou mulher) com a espiral especulativa da Tulip mania que excitou a Holanda e o mundo em meados do século XVII.

Aparte disso, este artigo do FT repete o que vem sendo dito acerca desta pseudo moeda, que não cumpre os requisitos de uma moeda para ser oficialmente garantida como tal. Acontece que este ponto fraco do bitcoin é, por outro lado, um ponto forte, na medida em que não está sujeita à manipulação dos governos, uma condição que os liberais radicais, defensores da não existência de bancos centrais, vêm dirigir-se à suas posições ideológicas.

Até onde irá o bitcoin, entregue à sua condição libertária?
Até onde o deixarem ir os banqueiros. Por agora estão na expectativa que a tulip mania do século XXI se estatele sem ser empurrada. Quando isso acontecer, alguns terão pago as fortunas já acumuladas por uns tantos. Mas, vantagem do bitcoin, não serão os contribuintes a pagar as consequências do desastre.

Thursday, October 31, 2013

ESTE GOVERNO TEM DIAS

O actual governo é geralmente considerado, e criticado, neoliberal, significando isso que preconiza um Estado menos intervencionista e maior espaço de manobra para a iniciativa privada.
Mas será mesmo?
Tem dias.

Hà alguns dias atrás foi notícia a intenção da ministra Assunção  Cristas limitar o número de animais de companhia em cada habitação em edifícios em regime de condomínio ou de propriedade horizontal  com o objectivo de reduzir a conflitualidade entre vizinhos. Deve o governo imiscuir-se em questões que podem, e devem, ser objecto de discussão e decisão em conformidade com a lei da propriedade horizontal e do regulamento interno de cada condomínio previsto naquela lei?  Poder, pode, mas não deve. E, sobretudo, trata-se, ou tratar-se-ia, parece que haverá um recuo da ministra, de uma intromissão desnecessária nas relações de convivência entre os cidadãos.

Hoje soube-se que por despacho do ministro Maduro  publicado no Diário da República as televisões com emissão em sinal aberto são obrigadas a transmitir semanalmente pelo menos um jogo de futebol entre as equipas melhor classificadas da liga principal. As televisões privadas receiam concorrência desleal da RTP, a empresa estatal encostada aos impostos pagos pelos contribuintes.
 
Um receio justificado a que se junta outro: o empolamento dos preços destas transmissões compulsivas, que colocam os canais de televisão em situação de capacidade negocial reduzida perante aqueles que adquiriram os direitos de transmissão dos jogos.
 
Porquê esta intromissão que contraria a decisão em sentido oposto do anterior ministro do pelouro?
Por que intervém o governo num assunto que deveria ser decidido apenas pelas empresas?
Obviamente, por razões populistas, que os neoliberais, mesmo à contre coeur, também não enjeitam.
 
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correl. - aqui

Friday, October 25, 2013

ACERCA DA INUTILIDADE DA MATEMÁTICA

O Financial Times publica hoje (aqui) uma entrevista com Alan Greenspan, o homem que esteve à frente da Reserva Federal Americana entre 1987 e 2006, e que chegou a ser venerado como um mágico e cognominado de "maestro". Até ao dia em que a crise da "subprime" irrompeu, e abalou o sistema financeiro norte-americano, propagando-se em ondas que atravessaram o Atlântico e abateram as economias mais vulnerabilizadas de uma Zona Euro totalmente desprevenida de instrumentos de defesa adequados.
 
Cinco anos depois do espoletar da crise nos EUA, seis depois de ter abandonado o cargo onde o viram brilhar intensamente, Greenspan, que há já bastante tempo atrás tinha  admitido o erro, volta a reconhecer que a sua confiança, e a dos que trabalhavam na Fed, nos modelos matemáticos de previsão que utilizavam, ficou irremediavelmente comprometida com a emergência de uma crise de intensidade que não tinha previsto.
 
Diz Greenspan que, assim como foi excessiva a admiração que lhe tributaram durante os quase 20 anos que presidiu à Fed, são desproporcionadas as culpas que, na ressaca da crise, lhe passaram a atribuir. A Fed é governada por um conjunto relativamente vasto de personalidades indigitadas por instituições governamentais e privadas, servido por um quadro técnico que compreende, além do mais, 250 economistas doutorados, especializados na monitorização e previsão económica.
 
Erraram todos?
Greenspan considera que foi dado demasiado crédito aos modelos matemáticos econométricos e subalternizados outros instrumentos de avaliação que recorrem aos avanços em outras áreas do conhecimento, nomeadamente a antropologia e a psicologia, citando, a propósito, os contributos de vários académicos , e de entre eles,  Daniel Kahneman, um psicólogo, Prémio Nobel da Economia em 2002.
 
Aos 87 anos, Greenspan publica mais um livro - "The Map and the Territory" - uma reflexão sobre o risco, a natureza humana e o futuro das previsões do futuro. A entrevista é, deste modo, uma promoção desta obra. Que, previsivelmente, será um best seller, porque o maestro pode enganar-se por conta alheia mas, certamente, não se enganará por conta própria.
 
Acabo de ler a entrevista, e fico, mais uma vez, espantado com a implícita absolvição, que decorre deste reconhecimento da falibilidade dos modelos económicos, daqueles que montaram esquemas com que enganaram meio mundo, dinamitaram o sistema, e encheram os seus bolsos, e que nenhum modelo económico ou avaliação antropológica, psicológica ou outra poderia contemplar porque exorbitam das áreas científicas por serem do foro criminal.
 
Porquê?
Porque, de outro modo, o sistema teria de ser inteiramente reformulado e os intervenientes no astronómico logro, julgados e sancionados. Mas eles são demasiadamente influentes para serem seriamente perturbados. Por isso tudo continuará sensivelmente mais ou menos na mesma até à próxima explosão do vulcão temporariamente acalmado.

Sunday, April 14, 2013

A HERANÇA DE THATCHER


O Economist publica estes gráficos que procuram reflectir os resultados das políticas adoptadas ao longo dos onze anos em que Thatcher ocupou o número 10 de Downing Street. E as conclusões não vão todas no mesmo sentido. Tendo combatido o crescimento da despesa pública, ainda assim a participação do estado na economia britânica situou-se acima dos níveis observados noutros países, nomeadamente nos EUA.

O aspecto mais relevante da sua política situou-se no confronto que travou com os líderes sindicais. Os níveis de vida dos britânicos, que se tinham situado aquem dos observados na Alemanha e em França nas três décadas subsequentes ao fim da segunda guerra mundial, recuperaram na década de 80 e durante as duas décadas seguintes.

Aqui e aqui, leituras diferentes dos mesmos resultados.

Monday, September 03, 2012

MR. CONARD

No tempo da maria caxuxa, de médico e louco toda a gente tinha um pouco. Depois foi inventada a ciência económica e hoje, de economia, toda a gente tem a teoria toda. Talvez por isso, Mr. Paul Farrel ande tão baralhado e não o faz por menos que garantir que tudo o que têm dito os economistas (e o que é isso?) é treta.

Nos EUA, a dois meses das eleições presidenciais, aquecem as discussões entre republicanos e democratas,  forjando as opiniões de colunistas, jornalistas, capitalistas, sindicalistas, de arrivistas em geral, e também de alguns economistas. Ontem, o Washington Post, publicava um artigo de um seu colunista habitual,  Steven Pearlstein - Can we save American capitalism? -, onde, no meio de um conjunto de reflexões pertinentes sobre o tema do título, ressalta a teoria insólita de Mr. Conard.   
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Mr.Conard, revela a bisbilhoteira wikipedia, foi managing director da Bain Capital (co-fundada por Mitt Romney, candidato republicano à presidência dos EUA em Novembro) e, desvenda Pearlstein, registou o ano passado uma empresa com o objectivo de contribuir com 1 milhão de dólares para a campanha do ex-patrão.

Assegura Conrard que o capitalismo americano teve durante quinze anos a sua época dourada. As grandes empresas, os gestores, os investidores ricos, colocaram quantias massivas de capitais, muitos dos quais não revelados pelas regras contabilísticas, em novas ideias e tecnologias. Daí resultando o forte crescimento da produtividade que permitiu que a economia norte-americana não só empregasse todos os nacioinais à procura de emprego como dezenas de milhões de emigrantes mexicanos e asiáticos. E se para alguns, movidos pela inveja, afirmem que o processo enriqueceu ainda mais apenas os mais ricos, Conard garante que 95% dos benefícios económicos dessa era de prosperidade beneficiaram os trabalhadores e os consumidores, sob a for ma de aumentos de salários, maiores poupanças, e produtos e serviços mais baratos.

E, conclui Conard, a única via para voltar à era dourada de crescimento económico elevado, baixo desemprego e animação nas bolsas de valores, passa pela eliminação de todas as taxas sobre os muito ricos de modo que eles possam fazer mais investimentos em novas ideias e em empresas inovadoras. Ao mesmo tempo devem os EUA abandonar a indústria, encaminhar os talentos para as tecnologias de ponta e para as áreas financeiras. Os outros, aqueles a quem a natureza não talentou, que cuidem das crianças e os jardins dos talentosos.

Em resumo: A desigualdade social, geralmente considerada como obstáculo ao crescimento das sociedades onde ela prevalece, é, para Mr. Conard, uma condição necessária para os EUA voltarem aos bons dourados tempos. 

Pense-se o que se pensar desta crença de Mr. Conard, há um aspecto que ninguém pode ignorar: há milhões de norte-americanos, muito longe de serem ricos, que em Novembro votarão em Mr. Romney embalados pelo credo de Mr. Conard. Espera-se que não sejam a maioria por se recordarem ainda das consequências  das crenças à Mr. Coard reveladas há cerca de cinco anos na economia dos EUA e do mundo dito desenvolvido, em geral.

Wednesday, February 15, 2012

KRUG TRIPLE HONORIS CAUSA MAN

Dia 27 de Fevereiro é dia de Hat-trick em Portugal para Paul Krugman, segundo notícia publicada aqui.

O doutoramento será concedido pelas universidades de Lisboa, Técnica e Nova . O Nobel da Economia de 2008, que conhece Portugal desde que foi estudante no MIT, visita Lisboa na sequência da sua entrada para a Academia de Ciências de Lisboa como correspondente estrangeiro.

A mim parece-me bem: Como as coisas estão, dividir os encargos das cerimónias sairá mais barato para as universidades e menos fatigante para o triplo-doutorado, o que não deixará de pesar nas suas análises acerca do esforço deste povo que ele estima para se tornar mais parcimonioso e eficiente em época de crise galopante.

As políticas de austeridade adoptadas pela União Europeia (leia-se Alemanha), FMI e BCE para a solução da crise têm merecido repetidas críticas do Prof. Krugman, também neste caso muito sintonizado com as opiniões do Prof. Stiglitz. O tempo tem vindo, aparentemente, a dar-lhes razão. E digo aparentemente, porque nunca poderemos saber se a opção expansionista (se a Alemanha a consentisse) poderia resgatar as finanças e recuperar as economias mais fragilizadas e tonificar-lhe as suas fraquezas estruturais.

Realmente não sabemos nem uma coisa nem outra.
O Prof. Krugman e o Prof. Stiglitz têm sido incansáveis a repetir o erro europeu. Mas as suas abordagens macroeconómicas não consideram, geralmente, os micro-meandros de uma realidade atrofiada que não se resolve simplesmente com mais dinheiro.

Mas, a este respeito, também não tem sido relevante o contributo dos académicos que no dia 27 o vão aplaudir. 

Saturday, February 11, 2012

ACERCA DA FRAGILIDADE DA CONDIÇÃO HUMANA


"The Iron Lady" não é um filme sobre o thatcherismo, enquanto modo de governo decalcado do receituário da escola neo-liberal, porque são escassas as cenas registadas com esse propósito. Mas também não é, essencialmente, um filme sobre o carácter, como já li algures. Ainda que o realizador dedique uma parte significativa da rodagem do filme à reconstituição de uma personalidade ímpar na história contemporânea,  dominadora, inflexível, determinada até ao ponto de ridicularizar os seus ministros, e ficar só, vi o filme de outro modo.

Em grande parte do filme, se não a maior parte, o realizador regista a vida de uma Thatcher que o público não conhecia, reclusa em casa, enredada nas alucinações com que a doença de Alzheimer a atormentam e lhe rebobinam o passado. É, neste sentido, um filme cruel. 

O realizador confronta-nos a imagem, admirada ou odiada, de uma personalidade que, para o bem ou para o mal, de parceria com Reagan, outra figura desfeita pela Alzheimer, alterou o mundo, com a destruição progressiva e irreversível de tudo o que nela tinha sido diferente. 

O filme vale a pena ser visto, muito sobretudo por mais uma interpretação notável de Meryl Streep

Friday, January 06, 2012

CONTAS AMERICANAS

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Desde os anos quarenta do século passado, marcados pelas despesas da segunda guerra mundial, que a dívida pública federal dos EUA não atingia o nível da produção interna anual do país. Atingiu no fim deste ano, ultrapassando os 15,26 triliões de dólares (na terminologia norte-americana, milhares de biliões).

Os EUA não pagam as taxas de juro que Portugal paga, a economia norte-americana não está em recessão e essa probabilidade parece agora afastada nos tempos mais próximos. Em Dezembro foram criados 200 mil novos empregos, a taxa de desemprego caiu para 8,5%, ainda assim muito elevada para os níveis habituais nos EUA.

Apesar da evolução do crescimento consistente da economia não depender em grande medida das políticas adoptadas pelo governo federal, Obama não vai ter uma etapa de consagração até Novembro porque as perspectivas actuais da evolução económica são neutras e a generalidade dos eleitores decide-se em função da sua situação económica no momento do voto.

A menos que, como referia o Washington Post há dias, oTea Party imponha ao candidato do partido as suas bandeiras e a radicalização republicana leve muitos eleitores a olharem mais à frente.

Friday, November 11, 2011

O CÚMULO DO ABSURDO

Banqueiros ameaçam levar Estado a Tribunal por causa das regras de recapitalização.

Notícias destas ou lhes pegamos pelo lado do non sense ou não têm ponta por onde se pegue.
A tribunal, senhores banqueiros, por quê e para quê? Sabem os senhores banqueiros a que velocidade corre a justiça em Portugal mesmo em passo de corrida?
São os senhores banqueiros obrigados a encostarem-se ao Estado para se recapitalizarem?
Não são.
O encosto (ou o empurrão, segundo ponto de vista do observador) do Estado é supletivo e apenas ocorrerá se os senhores accionistas dos bancos permitirem. 

A recapitalização é uma treta que não resolve os problemas da banca. Era bom que resolvesse mas não resolve e as condições fixadas pelo Governo para a recapitalização ( e não pelo Estado, seria bom que esta gente se habituasse a não invocar o abstracto nome do Estado em vão) são incumpríveis no prazo de três anos.

Estaremos perante uma maquiavélica operação de nacionalização da banca engendrada pelo neoliberal professor Gaspar? Admitamos o absurdo mas, ao admiti-lo, teremos de admitir que os banqueiros acreditam num absurdo ainda maior: que a justiça possa sobrepor-se ao governo na fixação das condições que só este pode discutir com os banqueiros, e com a troica.

Tuesday, August 16, 2011

AFIRMA WARREN BUFFET

STOP CODDLING THE SUPPER-RICH  (aqui )

OUR leaders have asked for “shared sacrifice.” But when they did the asking, they spared me. I checked with my mega-rich friends to learn what pain they were expecting. They, too, were left untouched.

While the poor and middle class fight for us in Afghanistan, and while most Americans struggle to make ends meet, we mega-rich continue to get our extraordinary tax breaks. Some of us are investment managers who earn billions from our daily labors but are allowed to classify our income as “carried interest,” thereby getting a bargain 15 percent tax rate. Others own stock index futures for 10 minutes and have 60 percent of their gain taxed at 15 percent, as if they’d been long-term investors.

These and other blessings are showered upon us by legislators in Washington who feel compelled to protect us, much as if we were spotted owls or some other endangered species. It’s nice to have friends in high places.

Last year my federal tax bill — the income tax I paid, as well as payroll taxes paid by me and on my behalf — was $6,938,744. That sounds like a lot of money. But what I paid was only 17.4 percent of my taxable income — and that’s actually a lower percentage than was paid by any of the other 20 people in our office. Their tax burdens ranged from 33 percent to 41 percent and averaged 36 percent.

If you make money with money, as some of my super-rich friends do, your percentage may be a bit lower than mine. But if you earn money from a job, your percentage will surely exceed mine — most likely by a lot.

To understand why, you need to examine the sources of government revenue. Last year about 80 percent of these revenues came from personal income taxes and payroll taxes. The mega-rich pay income taxes at a rate of 15 percent on most of their earnings but pay practically nothing in payroll taxes. It’s a different story for the middle class: typically, they fall into the 15 percent and 25 percent income tax brackets, and then are hit with heavy payroll taxes to boot.

Back in the 1980s and 1990s, tax rates for the rich were far higher, and my percentage rate was in the middle of the pack. According to a theory I sometimes hear, I should have thrown a fit and refused to invest because of the elevated tax rates on capital gains and dividends.

I didn’t refuse, nor did others. I have worked with investors for 60 years and I have yet to see anyone — not even when capital gains rates were 39.9 percent in 1976-77 — shy away from a sensible investment because of the tax rate on the potential gain. People invest to make money, and potential taxes have never scared them off. And to those who argue that higher rates hurt job creation, I would note that a net of nearly 40 million jobs were added between 1980 and 2000. You know what’s happened since then: lower tax rates and far lower job creation.

Since 1992, the I.R.S. has compiled data from the returns of the 400 Americans reporting the largest income. In 1992, the top 400 had aggregate taxable income of $16.9 billion and paid federal taxes of 29.2 percent on that sum. In 2008, the aggregate income of the highest 400 had soared to $90.9 billion — a staggering $227.4 million on average — but the rate paid had fallen to 21.5 percent.

The taxes I refer to here include only federal income tax, but you can be sure that any payroll tax for the 400 was inconsequential compared to income. In fact, 88 of the 400 in 2008 reported no wages at all, though every one of them reported capital gains. Some of my brethren may shun work but they all like to invest. (I can relate to that.)

I know well many of the mega-rich and, by and large, they are very decent people. They love America and appreciate the opportunity this country has given them. Many have joined the Giving Pledge, promising to give most of their wealth to philanthropy. Most wouldn’t mind being told to pay more in taxes as well, particularly when so many of their fellow citizens are truly suffering.

Twelve members of Congress will soon take on the crucial job of rearranging our country’s finances. They’ve been instructed to devise a plan that reduces the 10-year deficit by at least $1.5 trillion. It’s vital, however, that they achieve far more than that. Americans are rapidly losing faith in the ability of Congress to deal with our country’s fiscal problems. Only action that is immediate, real and very substantial will prevent that doubt from morphing into hopelessness. That feeling can create its own reality.

Job one for the 12 is to pare down some future promises that even a rich America can’t fulfill. Big money must be saved here. The 12 should then turn to the issue of revenues. I would leave rates for 99.7 percent of taxpayers unchanged and continue the current 2-percentage-point reduction in the employee contribution to the payroll tax. This cut helps the poor and the middle class, who need every break they can get.

But for those making more than $1 million — there were 236,883 such households in 2009 — I would raise rates immediately on taxable income in excess of $1 million, including, of course, dividends and capital gains. And for those who make $10 million or more — there were 8,274 in 2009 — I would suggest an additional increase in rate.

My friends and I have been coddled long enough by a billionaire-friendly Congress. It’s time for our government to get serious about shared sacrifice.

Warren E. Buffett is the chairman and chief executive of Berkshire Hathaway.


The people gathered at a Monday afternoon town hall in rural Minnesota don’t make as much money as Warren Buffett, but they likely pay a higher tax rate than him, President Barack Obama said during his appearance, citing the billionaire investor’s op-ed in The New York Times to make the case the Washington needs more revenues.
“Now, I may be wrong, but I think you’re a little less wealthy than Warren Buffett, but that’s just a guess,” Obama said to laughter along the waterfront in Cannon Falls.
Even so, those who turned out to hear Obama are likely taxed at a higher rate than the 17 percent Buffett said he pays, the president said.
“You don’t get those tax breaks, you’re paying more than that,” Obama said, using Buffett’s argument to make the case that the congressional supercommittee needs to find ways to bring in additional revenues to help reduce the deficit.
He said we’ve got to stop coddling billionaires like me,” Obama said. “That’s what Warren Buffett said.”
 
c/p aqui

Saturday, February 05, 2011

O TAMANHO DO ESTADO - 2

Discutiam futebol, a crise do Sporting, as dívidas do Sporting, os maus resultados do Sporting, então quem é que vai hoje à noite à despedida do lévezinho?, e não passavam dali.
Ainda procurei interessar o colega à direita para um assunto menos transcendente mas o tema esgotou-se em menos de dois minutos.

Ora eu não sei, aliás nunca soube, discutir futebol. A questão em causa poderia interessar-me do ponto de vista da gestão da SAD leonina por razões de eventuais interesses de investimento em bolsa, mas não era o caso. Sendo completamente leigo na matéria que tanto entretinha os meus amigos mais próximos na mesa, provoquei uma discussão à volta de um assunto menos esotérico, pelo menos para mim. E atirei: O líder do PSD  afirmou querer saber, no contexto das empresas públicas que dão prejuízo crónicos e que têm boas alternativas no mercado privado, quais são as que o Governo entende que devem encerrar.

O A., que é um social-democrata-liberal, disse que PCoelho não medira bem o alcance da afirmação feita porque, evidentemente, não se pode, por exemplo encerrar a CP. Estivemos todos de acordo, mas sempre adiantei que tinha entendido as palavras de PCoelho noutro sentido: de que deve o governo identificar as empresas públicas que devem ser encerradas e não que todas deveriam ser encerradas.

Por exemplo: Por que não é encerrado o BPN, que continua a acumular prejuízos em cada dia que passa, e que terão de ser pagos por todos quantos nada têm, nem nunca tiveram, a ver com as vigarices que ali se praticaram? 

O A., não esteve de acordo. Para ele, o caso do BPN é simples: Os prejuízos actuais decorrem da situação anterior e da má gestão actual. Se for dispensado dos prejuízos acumulados anteriormente e for bem gerido será rentável. Encerrá-lo seria asneira porque seria destruir um património humano, tecnológico e comercial. Ora, rematou A., o país não pde dar-se ao luxo de destruir esse património.

A partir daqui a discussão divergiu para outro exemplo avançado po mim, a RTP, e o socia-mecocrata-liberal A.,continuou a defender que também a RTP, e ele estava em boa posição para o afirmar, pode ser rentável se for gerida  de forma conveniente.

Ora, argumentei eu, qualquer empresa financeiramente equilibrada e bem gerida é rentável. A menos que, como o caso da CP, a sua actividade deva ser parcialmente remunerada pelo OE por razões de interesse público. Mas neste caso essa remuneração deve ser fixada e o Estado deve pagar pontualmente de acordo com os compromissos contratualmente assumidos. E,neste caso, por que razão é que a gestão tem de ser pública?

E para que queremos  várias estações de televisão e rádio publicas? Se há um serviço público identificável, será quantificável, e, nesse caso, por que razão é que a gestão não pode ser privada?

Se os activos do BPN podem ser rentabilizados por que razão não são vendidos? E se a venda não é possível, para já, porque não se fecham as portas de forma a estancar os prejuízos, e vender os activos quando a oportunidade surgir, ficando o pessoal em casa a aguardar outros accionistas?
É isto que PCoelho diz querer saber, se bem o entendi.
E eu, também. 
E não sou militante social-democrata-liberal.     

Thursday, February 03, 2011

ACERCA DO TAMANHO DO ESTADO

“Quando os desequilíbrios são grandes de mais e o sector público é demasiado pesado, só há duas maneiras para resolver o assunto: cortar nos salários e aumentar os impostos, ou reformar o Estado, racionalizá-lo e colocá-lo na proporção que a nossa produção de riqueza permite”. Assim falava Passos Coelho, no encerramento das jornadas parlamentares do PSD que decorreram esta semana em Braga"

Aqui, muito previstamente, contestam. Para fundamentar o desacordo socorrem-se de um quadro que correlaciona a despesa pública com o PIB/capita:

Comentei:

Para além das proporções, das relações, dos rácios, coloca-se uma questão fundamental: O que é que o Estado faz com esta despesa? E uma outra: Se o Estado pode aguentar esta despesa.

Os impostos que pagamos (ou as dívidas que o governo assume em nome do Estado, e que, mais tarde ou mais cedo se traduzirão em impostos, salvo se aplicadas em investimento de retorno positivo) representam o preço dos serviços que o sector público presta à sociedade.

E este é o ponto mais importante: se o preço que pagamos é compatível com o crescimento do rendimento nacional ou se o investimento público promove o crescimento económico e social.

Quanto ao primeiro, a resposta é negativa: O sector público tem crescido, o funcionalismo público tem visto as suas retribuições aumentadas nos últimos quinze anos acima do crescimento do rendimento nacional, os monopólios de facto, com rendimentos regulados pelo Estado, têm visto os seus lucros expandirem-se bem acima dos rendimentos dos sectores transaccionáveis.

Quando ao investimento público, a resposta é também negativa. O investimento global tem-se situado já hà largas décadas abaixo da Espanha e mesmo da Grécia, e muito longe da Irlanda, por exemplo. Mas do investimento público não tem resultado um efeito positivo no crescimento do RN, que tem estado praticamente estagnado na última década.

É portanto forçoso reconhecer que não é a dimensão relativa do sector público que conta mas o resultado dessa dimensão no crescimento económico e social.

E o resultado, lamentavelmente, tem sido pouco menos que desastroso.

Não têm faltado recursos ao nosso sistema judicial, mas a justiça é um arremedo daquilo que dela se espera.

Não têm faltado recursos à educação mas os resultados são desoladores em muitos aspectos.

Temos um bom sistema nacional de saúde? Admitamos que sim. Mas é sustentável? Como, se os hospitais estão endividados e as farmácias se dizem credoras a prazos muito largos?

Que retorno proporciona a rede de autoestradas, a rede de estádios de futebol, e um sem número de investimentos sem qualquer outro critério que não seja a ganância dos construtores civis e a conivência de muitos decisores públicos?

Se queremos defender o sector público, teremos, antes de mais, que tornar transparentes os critérios de utilização do dinheiro dos contribuintes.

E, quanto a este aspecto, continua reinar a maior opacidade.

Por exemplo: Por que razão é que o BPN, um pseudobanco, continua com as portas abertas?

Alguém, por essas bandas, sabe?

Thursday, February 18, 2010

O QUE DIZ BLANCHARD

A entrevista no Real Time Economics antecipa um artigo publicado hoje e que visa repensar a política macroeconómica. (e.conomia.info )
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IMF’s Blanchard Thinks the Unthinkable
By Bob Davis
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The International Monetary Fund’s chief economist, Olivier Blanchard, is thinking what for the IMF is the unthinkable. Should inflation be higher? Should regulation be used to fight asset bubbles? Should new social spending programs be put in place to fight downturns? Mr. Blanchard says such a rethinking is necessary because the global financial crisis showed how complacent policy makers had become. The IMF plans to release a paper, “ Rethinking Macroeconomic Policy,” outlining the thoughts of Mr. Blanchard and IMF economists Giovanni Dell’Ariccia and Paolo Maruo on Friday.
Mr. Blanchard, who taught earlier at Massachusetts Institute of Technology, discussed his views the Wall Street Journal’s Bob Davis. Below is an edited transcript.
What was the goal of your exercise?
Blanchard: We were trying to force people to rethink a number of things. I was in a good position to think what had gone wrong and what we could do better. The larger goal is to indicate the International Monetary Fund is able to think too.
You suggest that before the global recession, policy makers had become too complacent and relied too much on a single tool, monetary policy.
Blanchard: Yes. Even monetary policy had become extremely simplified. There was sense all we had to look at the policy interest rate and that was it. We thought we had come to a level of detail. That wasn’t quite right.
The most striking suggestion you make is that nations should consider aiming for a higher rate of inflation,
Blanchard: Before the crisis, if you talked to policy makers, the idea of being stuck at zero interest rate would have struck them as very unlikely. That happened in Japan. But most people convinced themselves that the Japanese didn’t know what they were doing.
Now we realize that if we had a few hundred extra basis points to rely on, that would have helped. We would have had to rely less on fiscal policy. So it would have been good to start with a higher nominal rate. The only way to get there is higher inflation.
Policy makers have generally chosen a 2% (inflation rate target). But there was no very good reason to use 2% rather than 4%. Two percent doesn’t mean price stability. Between 2% and 4%, there isn’t much cost from inflation.
So should we change the inflation target?
Blanchard: If I were to choose inflation target today, I’d strongly argue for 4%. But we have started with 2%, so going from 2% to 4% would raise issues of credibility. We should have a discussion about it.
What’s an inflation level we should fear?
Blanchard: When you get to high numbers – 10% and above– people see uncertainty. They don’t know to know what’s gong to happen. You don’t how to plan from retirement.
Would you need to get an international agreement among central bankers on a higher inflation target?
Blanchard: Going international would increase credibility. It’s probably not needed but it would be helpful.
You also suggest a much bigger role for financial regulation to handle macroeconomic problems.
Blanchard: If there are things going wrong in financial markets, don’t try to use interest rate to kill bubbles. The collateral damage is just too much. Central banks should be in charge of (financial) regulation. The central bank should have these (regulatory) tools at their disposal.
Another area that you say is ripe for change is automatic stabilizers, which are government programs that increase spending or reduce taxes during economic downturns, such as unemployment insurance.
Blanchard: Automatic stabilizers weren’t designed to stabilize the economy. They were designed for other purposes (such as social equity or helping individuals). We should be thinking of automatic stabilizers which are designed to stabilize the economy.
An example is a cyclical investment tax credit. It would come into effect when economic activity slows down. Companies would get it automatically without Congress having to vote on it.
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Wednesday, February 17, 2010

O SEXO DA ECONOMIA

Ainda a propósito do que escrevi nos dois últimos apontamentos, (aqui e aqui) quanto mais penso na posicionamento de muitos economistas relativamente às responsabilidades que assacam às Universidades onde ensinam na gestação da crise financeira global, mais se me arreiga a ideia de que essa auto incriminação (de que eles, ainda que críticos não podem, honestamente, desvincular-se) é, sobretudo, uma atitude partidária. Não é por acaso, julgo eu, que Castro Caldas refere no comentário que transcrevi aqui a falta de pluralismo no ensino da economia.

O ensino universitário, a investigação científica, ou são plurais no espectro possível de análise, ou não são nem uma coisa nem outra. Presumo, contudo, que aqueles que hoje tão acirradamente contestam as instituições onde são profissionais, e alegam falta de pluralismo, pretendem que a Universidade seja palco de discussão ideológica sem qualquer constrangimento que o método científico requer para que o seja.

Pego na citação feita por CCaldas de uma afirmação de Samuelson em 1955:

“In recent years, 90 per cent of American economists have stopped being Keynesian economists" or Anti-Keynesian economists." Instead, they have worked toward a synthesis of whatever is valuable in older economics and in modern theories of income determination. The result might be called neo-classical economics and is accepted, in its broad outlines, by all but about 5 per cent of extreme left-wing and right-wing writers.”

e pergunto-me: Poderia ser diferente?
Não é a economia, como qualquer outra área do conhecimento, um edifício em construção, resultante dos contributos que vão sendo carreados ao longo dos tempos? Em 55 anos alguma coisa consistente foi acrescentada ao edifício, espera-se.

Se as ideologias neo-liberais prevaleceram nas últimas décadas, e sobretudo depois do desmoronamento da experiência do socialismo real, se essas ideologias promoveram a desregulação e a desregulação permitiu o saque, o que é que fomentou o descalabro: a ideologia ou a ciência?
Ninguém, se não for comandado por convicções ideológicas inabaláveis, pode continuar a acreditar no princípio do equilíbrio natural dos mercados. Em 1 de Agosto de 2007 transcrevi aqui uma pergunta de Nouriel Roubini, que citava Minsky, o economista que melhor e de forma mais isenta estudou a obra de Keynes. Nouriel Roubini, nessa altura, e tanto quanto julgo saber, ainda era praticamente ignorado em Portugal:
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Specifically, the crucial macro question that we should ask ourselves today is whether we are at the peak of a Minsky Credit Cycle. Or as the UBS economist George Magnus – an expert of financial instability - put it: “Have we reached a Minsky moment?”
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Há muito tempo que Minsky demonstrou a natural tendência para o desequilíbrio dos mercados financeiros. Quem é que ignorava isso? A Universidade não podia ignorar. Ignoraram aqueles a quem convinha fazer crer que também esses mercados (quais os outros?) tendem para o equilíbrio.
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Evidentemente que os mercados necessitam de regulação. E, sobretudo, precisam de regulação os mercados financeiros onde a lógica de intervenção dos apostadores é, geralmente, a dos jogadores de casino. A começar pela clarificação obrigatória bastante do conteúdo dos produtos transaccionados. E pela não admissão às mesas de jogo daqueles que não têm capacidade nem financeira nem conhecimento suficiente daquilo que se propõem comprar.
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Etc.

IMPUREZAS ECONÓMICAS - 2

Ontem, a propósito do comentário que coloquei aqui e transcrevi aqui, José M. Castro Caldas, Professor Auxiliar do Departamento de Economia do ISCTE teve a amabilidade de apontar-me o seguinte: "
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Não sei se o que segue é ou não evidência factual bastante...
Paul Samuelson escreveu em 1955:“In recent years, 90 per cent of American economists have stopped being Keynesian economists" or Anti-Keynesian economists." Instead, they have worked toward a synthesis of whatever is valuable in older economics and in modern theories of income determination. The result might be called neo-classical economics and is accepted, in its broad outlines, by all but about 5 per cent of extreme left-wing and right-wing writers.”
95% parece a maioria do Sadam, não é? E que tal a etiqueta dos restantes 5%? Convenhamos que “extrema-esquerda” ou “extrema-direita” não é qualificativo que facilite o acesso à academia, sobretudo nos tempos do MacCarthismo. Acha que em Portugal o Samuelson não fez escola? Acha mesmo que há pluralismo no ensino da Economia?
É que conhecendo eu os cantos à casa fico na dúvida se está a brincar ou a falar a sério?
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As perguntas do professor Castro Caldas suscitaram-se um sem número de comentários. A começar pela estranheza de ele recorrer a uma citação para me apresentar como evidendência factual bastante uma afirmação de Samuelson feita há 55 anos. Respondi-lhe, circunscrevendo-me ao essencial das suas perguntas.
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"Estou a falar a sério e fico espantadíssimo, caro Castro Caldas, com o que me diz.
Porque se conhece os cantos à casa, presumo que os conhece como professor. Assim sendo, o que é tem vindo a ensinar aos seus alunos? A boa ou a má teoria? Frequentei a Universidade ainda no tempo da ditadura, e ninguém que estivesse minimamente acordado nessa altura ignorava as principais correntes do pensamento económico. Passou a haver lei da rolha com a democracia?Alguém comanda o seu pensamento enquanto professor universitário?
Há livro único?
Estamos a falar de ensino universitário ou de ensino primário?"
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Até agora não tive resposta.

Tuesday, February 16, 2010

IMPUREZAS ECONÓMICAS

Ensaios de Economia Impura

Não é a primeira vez que solto aqui o meu espanto perante as afirmações de muitos académicos (nacionais e estrangeiros) responsabilizando a teoria económica prevalecente na gestação da crise, e, portanto, atribuindo no cartório grande parte das culpas às universidade, deste modo desculpando as manobras e os crimes cometidos por aqueles que forjaram e impingiram a banha da cobra.

Universidades em que eles ensinam e não consta que em alguma circunstância tenham sido compelidos a não expor e divulgar as suas teorias puras pelos meios que bem entendessem. Vivemos em ditadura? Houve bloqueios à liberdade de expressão intra-muros universitários? E ninguém se queixou? Ninguém ousou dizer não? Foi o Professor Reis* (e muitos outros) compelido a guardar secretamente os seus escritos na gaveta à espera que a crise escancarasse o armário? Foi a sua Universidade alvo das buscas e escutas de alguns esbirros ao serviço de um ditador da verdade oficial?

Não vale a pena repetir aqui os factores mediatos e imediatos de fomento da crise, nem sequer discutir se o ensino universitário (aqui e, pelos vistos, em quase todo o lado) está na génese do descalabro. É uma questão para-científica porque qualquer afirmação feita à sua volta, não sendo demonstrável, só admite teses opinativas.

O meu espanto, que é um espanto de um não académico, volta-se, sobretudo, para a forma generalizada com que vejo académicos subverterem conceitos epistemológicos fundamentais. Escreve José Reis no prefácio à sua obra que "a teoria económica que se arroga clarividente, dona de respostas sempre prontas para muitos aspectos da vida – mesmo aqueles em que se torna óbvio que não tem nada a dizer – é afinal, uma construção frágil"

Que o professor catedrático me desculpe a ousadia mas qualquer teoria (económica ou qualquer outra) que se arrogue clarividente e definitiva é uma tolice. Nada é definitivo e o conhecimento é uma evolução incessante e permanentemente posta à prova. Se escapa ao escrutínio permanente ou é opinião, superstição ou dogma.

De modo que, a menos que alguém se dê ao trabalho de explicar, eu não consigo entender o que é uma teoria económica dominante (ou má teoria, como alguns lhes chamam) desde logo porque não concebo o que seja uma teoria económica unificada. O que pode haver são explicações parcelares da realidade económica. Que ou são confirmadas ou rebatidas.

Fora dessa esfera em que a explicação da realidade física ou social tem de conter-se e ser posta à prova não vejo que se possa espremer sumo científico doseado mas tão somente um fluxo controverso inesgotável.

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*(...) Não me parece exagerado dizer que entre os temas que a crise pôs em primeiro plano estão certamente as relações da economia com os valores, a confiança, a subordinação do económico a padrões morais, a não redução da vida ao mercado. Também se percebeu, com dramática clareza, que a teoria económica que se arroga clarividente, dona de respostas sempre prontas para muitos aspectos da vida – mesmo aqueles em que se torna óbvio que não tem nada a dizer – é afinal, uma construção frágil, recorrentemente desafiada pela renovada complexidade da realidade, que com grande agilidade lhe evidencia os limites e as falhas. Seria preciso eclodir uma crise tão dramática como aquela que decorre para que isto acontecesse? Seria preciso que a produção de desigualdades, a fortíssima inversão dos padrões de repartição do rendimento, o desapossamento da esperança de gerações inteiras se tivessem disseminado pelo mundo para que, enfim, se rediscutisse na praça pública a economia, o saber económico e o poder económico? Certamente que não. Poderíamos aí ter chegado apenas através de um escrutínio crítico mais profundo. Poderíamos aí ter chegado se a academia onde se ensina economia fosse mais aberta, mais plural, mais crítica e, portanto, mais conhecedora. Também poderíamos aí ter chegado se a vida pública estivesse menos dependente de formas de pensamento monistas, e cultivasse a contraposição e o debate. É aqui que este livro reencontra o seu lugar, ao propor uma concepção larga da problemática económica. Por estas e outras razões compreendemos hoje melhor que aqui. Não foram apenas excessos, erros ou defeitos que desmoronaram o sistema bancário e financeiro, com profundas implicações na sociedade e na vida das pessoas (de umas, muito mais do que de outras). Na razão mais profunda da crise estão as convicções que se impuseram sobre o papel e o lugar que cabem ao mercado nas sociedades de hoje. O mercado como instrumento de optimização da sociedade foi uma ideia a que não resistiram mesmo alguns dos que se presumem interessados na justiça social. Mas estes estavam enganados. Ao acomodarem-se a visões quase tão liberais como a dos liberais pensaram que podiam ser eles a fazer da regulação dos mercados um instrumento sofisticado, com que, de maneira subserviente e cerimoniosa, iam aperfeiçoar o capitalismo, que queriam entender como um sistema de concorrência que nada desafiasse. Mas não foi assim.Por isso, os desafios estão aí. Desafios ao Estado, para que não seja apenas o bombeiro que salva acidentes e socializa prejuízos. Desafios ao mercado, para que se limite ao que é próprio da capacidade de iniciativa – gerar lucros através do exercício da liberdade para criar riqueza e não da submissão à lógica especulativa de todas as esferas da vida em sociedade, incluindo aquilo que, como a educação, a saúde, as poupanças, o bem-estar futuro das pessoas, só a esfera pública pode colocar num contexto onde impere a justiça. São, pois, claras as fronteiras entre o que deve ser próprio da provisão pública e o que é próprio da iniciativa privada. Mas a arbitragem só pode ser feita por um intenso escrutínio colectivo. (...)

José Reis. Prof. Catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Investigador do Centro de Estudos Sociais.

transcrito, parcialmente, de aqui

Friday, February 12, 2010

O QUE DIZ STIGLITZ

We (they) had been channeling too much money into real estate - too much money, to people beyond their ability to repay. The financial sector was supposed to ensure that funds went to where the returns to society were highest. It had clearly failed.

California mortgage lender Paris Welsh wrote to U.S. regulators in January 2006: "Expect faillout, expect foreclosures, expect horror stories." One year later, the housing implosion cost her her job.

Moody´s Economy.com projected that a total of 3.4 million homeowners woul default their mortgages in 2009, and 2.1 million woul lose their homes. Millions are expected to go into foreclosure in 2012. Banks jeopardized the life savings of millions of people when they persuaded them to live beyond their means.

Federal Reserve Chairman Alan Greenspan, the man who was supposed to be protecting the country from excessive risk-taking, actually encouraged it.

Globalization had opened up a whole word of fools; many investors abroad did not understand America´s peculiar mortgage market, especially the idea of nonrecourse mortgages.

(Obama) shoul have known that he couldn´t please everyone in the midst of a major economic war tetween Main Street and Wall Street. The president was caught in the middle.

Obama had learned that he couldn´t please everyone. But had he pleased the right people?

The banks had grown not only too big to fail but also too politically powerful to be constrained. If some banks were so big that they could not be allowed to fail, why shoul we allow them to be so big?

"If some banks are thought too big to fail ...then they are too big", (said) Mervyn King, the governor of Bank of England.

Their (banks) competitive advantage arises from their monopoly power and their implicit goverment subsidies.

Even if the too big to fail banks had no power to raise prices (the critical condiction in modern antitrust analysis), they should be broken.

Firms involved in the financial markets had made hundreds of millions of dollars in campign contributions to both political parties over a decade.

"As the United States entered the first Gulf War in 1990, General Colin Powel articulated what came to be called the Powel doctrine, one element of which including attacking with decisive force. There shoud be something analogous in economics, perhaps the Krugman-Stiglitz doctrine. When an economy is weak, very weak as the world apeared in early 2009, atack with overwhelming force. A government can always back the extra ammunition if it has it ready to spend, but not having the ammunition ready can have long lasting effcts. Attacking the problem with insufficient ammunition was a dangerous strategy, especially as it became clear that the Obama admistration had underestimated the strength of the downturn, including the increase in unamployment. Worse, as the administration continued is seemingly limitless support to the banks, there didn´t seem to be a vision for the future of the American economy and its ailing financial sector."


The Fed said it will deftly manage the economy, taking out liquidity as needed to prevent inflation. Anyone looking at tha actions of the Fed in recent decades won´t feel so confident.

Systemic risk can exist without there being a single systemetically important bank if all the banks behave similarly - as they did, given their herd mentalaty.

What has to be done? (...) a simple reform - basing pay on long term perormance, and making sure that bankers share in the losses and not just in the gains - might make a big difference. If firms use "incentive pay" it has to be really incentive pay - the firm should have to demonstrate that there is relationship between pay and long-term performance.

The financial markets had created products so complex that even all details of them were known, no one could fully understand the risk implications. The banks had at their disposal all the relevant information and data, yet they couldn´t figure out their own financial position.

The Obama administration articulated a clear double standard: contracts for AIG executives were sacrossant, but wage contracts for workers in the firms (GM and Chrysler, forced by Obama administration into bankruptcy) receiving help had to be renegotiated. Low-income workers who had worked hard all their life and had done nothing wrong would have to take a wage cut, but not the million-dollar-plus financiers who had brought the world to the brink of financial ruin. They were so valuable that they had o be paid retention bonuses, even if there were no profit from which to pay them a bonus. The bank executives could continue with their high incomes; the car company executives had to show a little lesse hubris. However, sacaling down their hubris wasn´t enough; the Obama adminstration forced the two companies into bankruptcy.

... there were alternatives that would preserved and strengthened the financial system and done more to restart lending, alternatives that in the long run would have left the country with a national debt that was hundreds and hundreds of billions of dollars smaller and a larger sense of fair play. But these alternatives would have left the banks shareholders and bondholders poorer. To the critics of Obama´s rescue package, it was no surprise that Obam´s team , so tightly linked to Wall Street, had not pushed for these alternatives.

Obama could have taken alternative actions, and there are still many options available, though the dicisions already made have substantially circumscribed them.

Regrettably, The Obama administration didn´t present a clear view of what was needed. Instead it largely left it to Congress to craft the size and shape of the stimulus. What emerged was not fully what the economy needed.

If a country stimulates its economy through debt-financed consumption, standards of living in the future will be lower when times comes to pay back the debt or even just to pay interest on it.

Between the start of the recession, in December 2007 and Octobar 2009, the economy lost 8 million jobs (in USA).

Conservatives invoke Ricardian equivalence more often as an argument against expenditure increases than as an argument against decreases. Indeed the theory suggests that nothing matters much. If the government increases taxes, people adjust; they spend exactly as much money today as they do otherwise, knowing that they will have to pay less taxes in the future. Those of the two assumptions are commonplace but obviously wrong: markets and information are perfect. In this scenario, everyone can borrow as much as they want.

The banks had gotten into truble by putting so much of what they were doing "off balance sheet" - in an attempt to deceive their investors and regulators - and now these financial wizards were helping the administration to do the same, perhaps in an attempt to deceive taxpayers and voters.

The U.S. government should have played by the rules and "reestructured" the banks (shareholders lose everything, bondholders become the new shareholders) that needed rescuing, rather than providing them unwarranted handouts.

With so many countries facing problems of their own, the United States can´t count on an export boom. Certainly, as I have noted, the entire world cannot export its way to growth. In the Great Depression, countries tried to protect themselves at the expense of their neighbors. These were called beggar-thy-neighbor policies, and included proteccionism (imposin tariffs and other trade barriers) and competitive devaluations (...). These are no more likely to work today than they did then; they are likely to backfire.

If global consumption is to be strenghtened, there will have to be a new global reserve system so that developing countries can spend more and save less.

In psychology, there is phenomenon called escalating commitment. Once one takes a position, one feels compeled to defend it.

A propósito desta última afirmaçao de Stiglitz, pode perguntar-se: será este um caso exemplo da calcificação ideológica que obstrui o fluir da razão?

Aqui afirma-se que sim. Mas essa afirmação está, indisfarçavelmente, carregada de uma ideologia que não admite evidências que a contrariem por mais que elas se agigantem. E o livro de Stiglitz está bem recheado delas.

Há muito mais em Freefall. De tudo o que li, penso que Stiglitz exagera na apreciação que faz da intervenção da administração de Obama, responsabilizando-a, insistentemente em conjunto com a administração Bush. Por outro lado, a sua crítica à forma precipitada como os estímulos foram lançados sobre a fogueira e a entrega ao Congresso da definição do volume desses estímulos parece ignorar que a situação impunha medidas de emergência que não podiam aguardar pelo estabelecimento de um plano de intervenção melhor orientada e que o presidente dos EUA não tem o grau de liberdade de intervenção pessoal que as propostas de Stiglitz pressupõem.