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Sunday, July 24, 2022

A EUROPA NA ARMADILHA

- Muito más notícias para a economia europeia. (Europe caught in a trap) - in Michael Roberts Blog * (Economista Marxista)

- Muito más notícias para o mundo.

Podia a Europa (e os EUA, e ..., e....) evitar a armadilha após o começo do arrasamento da Ucrânia em 24 de Fevereiro?
Podia, se visse, ouvisse, e se mantivesse calada como os três macaquinhos.
E depois se subjugasse ao diktat do ditador.
Os franceses (não só) abdicaram e bateram palmas (não todos, mas muitos) às tropas nazis em desfile pelos Campos Elíseos. E Paris foi poupada.
Apenas Churchill, no meio de uma cobardia generalizada dominada pelos ventos nazis, fascistas, etc. preponderantes na Europa,desafiou e enfrentou o monstro. Stalin fez um acordo com ele, arrependeu-se quando os ventos mudaram de direcção.
Mas a história não se repete e nem Churchill tinha o poder bélico nuclear, nem Hitler, que Putin detém e ameaça, repetidamente, usar quando assim decidir..
Ontem os russos atingiram Odessa e um navio ucraniano, depois de no dia anterior terem assinado acordos envolvendo a ONU e a Turquia para, finalmente, começarem a poder sair carregamentos de cereais para países onde se morre à fome.
Que fazer? Não sei, nem posso fazer nada.
Mas quem escreve que a Europa caiu numa armadilha e explica profusamente com gráficos as consequências previsíveis, o que pretende?
Exacerbar os instintos primitivos de sobrevivência da espécie e os consequentes comportamentos extremistas que desembocam no fim das democracias liberais e dos seus valores?
 
 

Saturday, October 08, 2016

UM TIPO ESPERTO

Não passa um dia que Trump não seja primeira notícia dos media norte-americanos, e de todo o mundo. E, quase sem excepção, nenhuma em abono de qualidades que o recomendem para o lugar mais poderoso do planeta. Qualquer outro candidato que tivesse dito ou feito algumas das muitas brutalidades com que Trump tem guarnecido o seu curriculum, já teria sido trucidado pelos media e obrigado a desistir.  Trump, não.

A Trump continua a ser oferecido no palco o lugar de destaque onde ele excita a admiração dos seus seguidores. Mesmo aqueles media mais assumidamente anti Trump concedem-lhe o principal espaço para a ressonância das suas alarvidades. Presumindo, supõe-se, que tanta exposição dos tombos do artista acabará por induzir na assistência a convicção de que a sua queda será inevitável no fim da performance. Até agora, porém, se aqui e ali parece iminente a sua queda em palco, a probabilidade de Trump ganhar as eleições de hoje a um mês não é negligenciável. A exposição mediática pela negativa parece ter, até agora, favorecido Trump. "Não importa que digam mal de mim; o mais importante é que falem de mim" parece ser também o lema deste artista. 

O Washington Post de hoje divulga um vídeo de 2005 - vd. aqui -, e transcreve grande parte do seu conteúdo, uma conversa com um primo de George W. Bush, aparentemente off the record, pouco tempo depois de ter casado com a sua actual mulher, sobre os assaltos sexuais e uma tentativa gorada do empresário candidato, gabando-se do sucesso que a sua condição de star lhe permite junto das mulheres e das tácticas de sedução com que as submete aos seus instintos. Confrontado com esta divulgação respondeu com um expedito pedido de desculpas a quem se sinta ofendido por declarações que, segundo ele, são bem menos graves do que aquelas que foram ouvidas a Bill Clinton.

Há uns dias atrás, quando foi tornado público que não pagou impostos directos durante os últimos 18 anos, Giuliani, que foi mayor de Nova Iorque, e é um dos seus mais deslumbrados apoiantes, afirmou que ele é um  génio que soube aproveitar as malhas da lei para passar tanto tempo sem contribuir com um cêntimo para as despesas públicas. Trump considerou-se apenas esperto, e continua a negar-se a mostrar as suas declarações de rendimentos.

Por outro lado, num país que tem como ponto de referência do seu sucesso no contexto mundial a liberdade e a heterogeneidade das origens dos seus cidadãos, as suas declarações xenófobas e racistas não parecem estremecer  em metade da sua população o sentimento de civismo colectivo esperável numa democracia madura. Porquê?

À esquerda, as explicações sustentam-se principalmente nos efeitos perversos da globalização e da concentração da riqueza, que dizimaram empregos e reduziram as oportunidades e os rendimentos das classes médias. Para as classes atingidas pela crise - apesar dos últimos oito anos terem sido de recuperação económica, e do emprego para os níveis anteriores à crise -  os escândalos, sexuais ou outros, protagonizados pelo candidato populista não os demovem da aposta que já fizeram.
Para a direita, o populismo nos EUA, em França, no Reino Unido, na Holanda, na Alemanha, sustenta-se nas ameaças de terrorismo figuradas em cada vulto de contornos islâmicos que veja a seu lado. E, por instinto reactivo, a xenofobia e o racismo instalam-se e progridem.

Provavelmente, Trump não será eleito. Mas o vírus está instalado.
Aconteceu mais ou menos o mesmo há cerca de oito décadas atrás.

Monday, September 05, 2016

PARA QUEM AINDA TIVESSE DÚVIDAS


Crise portuguesa também teve origem na banca
 c/p Jornal de Negócios

"Trabalho de investigação do ISEG mostra que o elevado crescimento do crédito após a adesão ao euro provocou uma crise bancária em Portugal. Custo do Estado com a banca já soma 26% do PIB.

Em países como Espanha ou Irlanda foi a situação na banca que obrigou a pedir auxílio externo. Em Portugal, a crise sempre foi mais associada ao excessivo endividamento do Estado. Um artigo publicado no Journal of Economic Policy Reform argumenta que Portugal também atravessou, e atravessa, uma crise bancária, gerada após a adesão ao euro.

"Após a adopção do euro, Portugal foi palco de uma crise bancária severa, com seis episódios críticos envolvendo todos os maiores bancos do país (CGD, BPI, Banif, Millennium-BCP, BES, BPN e BPP)", conclui o artigo científico "Portugal's banking and financial crises: unexpected consequences of monetary integration?", da autoria de dois professores do ISEG, Tiago Cardão-Pito e Diogo Baptista.

"O debate sobre a crise económica europeia tem estado focado nos relevantes temas da política orçamental e da necessidade de reformas estruturais na zona euro. No entanto, a situação de Portugal pode ter sido consideravelmente piorada por uma crise bancária", refere o artigo.


Os autores sustentam que a adopção da nova moeda eliminou o risco de taxa de câmbio dentro do euro, mas não os riscos de crédito e liquidez. Os bancos, no entanto, actuaram como se todos estes riscos tivessem desaparecido. Seguiu-se um período em que os bancos introduziram grandes quantidades de dinheiro em Portugal, contraindo financiamento no estrangeiro com baixas taxas de juro.

A enorme liquidez criou aquilo a que na teoria económica se designa por bonança de capital. Neste período o endividamento privado e do Estado aumentou de forma expressiva. Depois deu-se o estouro, com os bancos a ficarem privados do acesso ao financiamento estrangeiro. A dívida pública aumentou ainda mais com o resgate dos bancos.

O artigo sustenta a sua tese nos vários indicadores de explosão do crédito após 1999, como por exemplo o crescimento da massa monetária (M2), identificando vários períodos de bonança de capital. E aponta a alavancagem do balanço dos bancos, com o crédito a superar os depósitos em mais de 60% em 2009.
Os problemas começaram em 2008. "Depois de 2007, Portugal tem vivido várias ocorrências de uma crise bancária, que podem ser relevantes para explicar porque o país, nos anos seguintes, encontrou tantas dificuldades em cumprir as obrigações com os credores", escrevem os autores.

Durante o período de aumento do crédito, os empréstimos junto de bancos estrangeiros dispararam. "Este acesso ao financiamento internacional tornou-se quase impossível após o programa de resgate de 2011, dadas as taxas de juro muito elevadas exigidas aos bancos portugueses", salienta o artigo.
O que levou os governos a irem em auxílio dos bancos. "Em vários anos, as garantias públicas à banca, a capitalização pública e os custos com nacionalizações em percentagem do PIB excedem os patamares usados para identificar uma crise bancária", dizem Tiago Cardão-Pito e Diogo Baptista.

Custo chega aos 26% do PIB

Tudo somado, os apoios e intervenções do Estado na banca entre 2008 e 2015 chegam a 26% do PIB anual. O valor não deduz o valor dos juros pagos pelos bancos ao Estado, nos casos em que a intervenção pública a isso obrigou.
"A combinação de um programa de resgate e a necessidade de os bancos se financiarem através do BCE é consistente com a tese de Reinhart e Rogoff (2010) de que as crises bancárias precedem, ou acompanham, as crises de dívida soberana", notam os autores.    
Tiago Cardão-Pito e Diogo Baptista propõe várias explicações para a crise bancária, que se interligam, sem darem nenhuma como definitiva. São elas a mudança da banca portuguesa para um sistema bancário baseado no financiamento em mercado, a falta de adequação das regras e instituições europeias para a adopção do euro, o comportamento das instituições financeiras europeias, a associação entre a indústria bancária e políticos de topo e a falta de preparação da banca nacional para operar no contexto do euro." 

Sunday, July 26, 2015

QUANTAS VEZES JÁ PASSOU A CRISE?

Aproximam-se as eleições legislativas.

Novos empréstimos para habitação e consumo cresceram 52% e 25% entre janeiro e maio, voltando a níveis pré-troica. Caiu 32% o crédito às empresas no mesmo período. Cf. aqui
António Costa (jornalista) : Os bancos têm os cofres vazios. Cf. aqui

Foram vendidos 91.075 veículos ligeiros nos primeiros cinco meses de 2015, representando um crescimento homólogo de 30,3%, valor que ultrapassa o número de veículos registados durante o mesmo período de 2011. A manter-se este volume de vendas, o número total de veículos vendidos em 2015 poderá ultrapassar as 200 mil unidades. Renault, Peugeot, Volkswagen, Mercedes-Benz, Citroën e BMW mantêm, por esta ordem, os seis primeiros lugares da tabela de vendas de ligeiros. Cf. aqui
 
Entre março e maio, o défice da balança comercial ampliou-se 611,4 milhões de euros para -2.965,8 milhões de euros e a taxa de cobertura diminuiu 2,2 pontos percentuais para 81,3%. Cf. aqui

Após um crescimento de 0,9 por cento do PIB em 2014, prevê-se uma aceleração para 1,7 por cento em 2015. Cf. aqui

No fim de maio a taxa desemprego era, estatísticamente, de 13,2%, ainda a quinta mais elevada da União Europeia. Cf. aqui

Passos garante que a crise já acabou. "Pusemos a crise para trás" - Cf. aqui

Resumindo: Os bancos têm os cofres vazios mas aumentaram o crédito para habitação e consumo. As vendas de automóveis continuam de vento em popa. Consequentemente, voltou o défice comercial e o aumento da dívida externa privada. O ténue crescimento económico é alimentado pelo crescimento do consumo e este pelo crescimento do crédito externo. 
Passou a crise? 
Quantas vezes?

Sunday, January 04, 2015

AFINAL, O EURO

Para muita gente supostamente respeitável por aquilo que afirma, o euro é uma construção insustentável, que não resistirá às crises inerentes aos inevitáveis ciclos económicos. Pode a resiliência demonstrada pela moeda única europeia em 2014 considerar-se um dos eventos que mais marcou o ano passado,  tendo em conta que foram muitos os que lhe previram o fim? Aqui, considera-se que sim - Ainda houve quem apostasse no seu fim no início do ano, mas agora para 2015 isso parece ter desaparecido.
Mas terá desaparecido mesmo?

2015 promete ser um ano politicamente muito complicado na União Europeia, com eleições legislativas na Grécia, dentro de duas semanas, Reino Unido, Espanha, Portugal e Itália, num contexto de generalizada progressão dos movimentos mais radicais. De direita, sobretudo a norte, mobilizados por reivindicações anti-imigração, que facilmente descambam para acções xenófobas e racistas. De esquerda, a sul, mobilizados pelo descontentamento que as políticas de austeridade geraram e continuam a gerar, porque o crescimento económico estagnou, e as dívidas soberanas continuam a crescer. 

Culpa do euro?
Anteontem, Paul Krugman comentava aqui um artigo de Simon Wren-Lewis, um economista britânico - How good has the UK recovery been? - resumindo neste gráfico,

as consequências das políticas de austeridade adoptadas na Europa vis-a-vis a evolução observada nos EUA. Notável é ainda o comportamento da economia francesa, que é parte da zona euro, avaliada em termos de PIB/capita relativamente à britânica, que não abdicou da sua libra.

Eis o triunfo da austeridade, ou talvez não, comenta Krugman
E continua: (cito, resumindo)

"O sucesso da economia reclamado pelo governo britânico durante os últimos um ou dois anos é uma falácia porque ignora o mau comportamento no período anterior. ... Por outro lado, atribui-se geralmente à dimensão do estado social em França a causa da estagnação da economia francesa. E à austeridade no Reino Unido é atribuido o sucesso da sua economia nos últimos tempos"

Tudo isto é deprimente, remata Krugman, desde o início da crise um crítico tenaz das políticas de austeridade adoptadas na Europa. 
Receio que continue a ter razão.

Thursday, July 17, 2014

A CRISE DOS OUTROS

Repetidamente, solta-se a notícia do estilo: Os portugueses lideram as compras de automóveis na Europa*. Alguns dirão ainda bem, é sinal que a economia está a recuperar. Mas, lamentavelmente, não são essas as indicações das estatísticas oficiais. A associação de importadores de automóveis dirá que a maior parte dessas compras são feitas por operadores de rent-a-car, ou que, tendo havido uma quebra tão elevada das vendas no primeiro ano da crise, o crescimento agora observado reporta-se sobre uma base muito deprimida. Talvez tudo isso seja em parte verdade mas não justificam o crescimento espectacular nas vendas dos carros de gama alta.

O que, realmente, acontece é a confirmação do que há muito se sabe: há muita gente que não foi atingida pela crise, há muita gente até que beneficiou com ela. É o resultado da iniquidade da política deste governo que faz pagar a crise aqueles que nenhuma culpa tiveram na sua génese e desenvolvimentos posteriores.

Mas como não há nada que explique tudo, é bem possível que parte deste crescimento de vendas de automóveis, e do consumo em geral, que já determinou a inversão do saldo da balança comercial, seja determinado pelo crescimento do crédito individual e pela redução das poupanças das famílias, sem que queiram, ao que parece, os responsáveis ter mão nisso.
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*Portugal tem a maior taxa da Europa no registo de carros novos no primeiro semestre do ano: 37,7%. Com o registo de 75.780 veículos ligeiros de passageiros, Portugal supera em mais de cinco vezes a taxa média da União Europeia, que ficou nos 6,5% no período em análise, de acordo com os dados hoje divulgados pela Associação Europeia de Fabricantes Automóveis (ACEA). Na análise da evolução mensal de um dos sectores que mais sofreu o impacto da crise económica, a associação refere que a subida de registos na Europa foi de 4,5% continuando a tendência de alta no comércio automóvel iniciada há 10 meses. Em junho, a Alemanha foi o único país, entre os grandes mercados europeus, a ver cair (1,9%), mas, no semestre, o registo de carros alemães também cresceu 2,4%.
cf . aqui

Friday, January 17, 2014

COMAM CAROLINO

Os sintomas de rejeição pela sua cultura e a adopção de hábitos e costumes importados são frequentes entre os portugueses. A diluição cultural é inevitável num mundo globalizado e, daí, cada vez mais cinzento. Não há quem escape, de um modo ou de outro, às ondas da moda promovidas pelo marketing ou pelo efeito imitação dos mais destacados nos media mundiais. Mas, para além da vaga da moda, que submerge as tradições locais e introduz corpos culturais estranhos (p.e. o halloween, o carnaval brasileiro em fevereiro) há o efeito imitação que, normalmente, ataca os povos culturalmente debilitados na sua auto confiança por crises económicas ou sociais. Não são poucos os casos em que, para os portugueses, se é "nacional é mau", e os leva a preferir o que é importado. 

Inversamente, em países social e economicamente robustos, é manifesta a defesa de hábitos, tradições e produções próprias. Os suíços, por exemplo, possuem um sentimento de mútua defesa que se reflete na especificidade organizativa das suas forças militares ou na promoção dos seus produtos alimentares nos cardápios dos restaurantes. O sucesso da exportação da cozinha italiana é exemplo da capacidade de um povo emigrante imbuído de um sentimento cultural muito forte que nenhuma crise económica abalou.

A cozinha portuguesa, lia-se ontem, foi colocada em 10º lugar num ranking mundial liderado pela Holanda seguida da Suíça. Aos EUA foi atribuído o 42º. lugar, mas os EUA são tão diversificados pelo que qualquer comparação é pouco consistente. E, no entanto, muitos portugueses preferem "a aberração de comer um arroz de grelos ou de cabidela feito com a variedade agulha" para citar um produtor de arroz que hoje vem citado num artigo do Público - falta de procura interna obriga indústria portuguesa a exportar arroz carolino -. 
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Por que é que há portugueses que preferem a aberração de um arroz de grelos, de peixe, de cabidela, de lampreia,* de tantos e tão saborosos pratos genuinamente portugueses, feitos com a variedade agulha que só faz, se fizer, algum sentido com um arroz desenxabidamente branco?
Por provincianismo, julgo eu, até prova em contrário**.
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* .Ou de favas. Não esquecer nunca o arroz de favas, que Eça promoveu em "A Cidade e as Serras" a uma delícia que nem em Paris se encontra.
** Ou desconhecimento.

Wednesday, December 04, 2013

MITOLOGIA III

O argumento mais usado para pretensamente evidenciar a insustentabilidade do sistema previdencial invoca a progressiva redução da relação entre activos contribuintes e beneficiários do sistema em consequência do aumento da esperança de vida. Apesar das medidas tomadas no sentido de ajustar a idade da reforma aquele aumento, os defensores desta teoria improvada persistem em ignorar outras variáveis actuando em sentido contrário, a mais destaca das quais, nos seus efeitos a longo prazo, é o contínuo crescimento global da produtividade.
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A globalização impulsionou irreversivelmente o crescimento da produtividade, e ainda que este seja um conceito subtil porque, se considerado individualmente, confunde-se muitas vezes com a capacidade de apreensão e não de criação de riqueza, é um facto incontroverso que o crescimento da produtividade total significa que, para a mesma produção de riqueza, são requeridos menos horas de actividade dos recursos humanos disponíveis. No limite, num mundo cem por cento robotizado, a espécie humana talvez seja extinta pelo tédio mas não irá o sistema previdencial à  glória por isso.
Ignorar o crescimento da produtividade nos cálculos da sustentabilidade do sistema só por ignorância ou menos honestidade de processos. Dito isto, não se recusa reconhecer que, a curto e médio prazo, a abordagem é diferente mas, pela variável temporal considerada neste caso, é legítimo não trazer a questão da esperança de vida para a análise das razões pelas quais o sistema pode apresentar transitoriamente desequilíbrios.
Já referi atrás que tais desequilíbrios observados no imediato são, em grande medida aparentes, porque não devem as contribuições dos sectores privados ser chamadas a suportar apoios sociais que devem ser suportados por toda a comunidade. Persiste este governo em chamar redução de despesa aos cortes das pensões, qualquer que seja o modo como corta, dos beneficiários dos sectores contributivos. É admissível que, num período de contracção de actividade económica, o governo lance mão de medidas que possam repor o equilíbrio do sistema previdencial. O que não é legítimo, porque é um confisco, é que obrigue que o esforço recaia quase exclusivamente sobre aqueles que durante quatro décadas pagaram a solidariedade que deveria ser suportada por todos. Ou, então, deveria a solidariedade já há muito tempo ter mudado de nome.
Olhando para trás e para a frente, o curto e médio prazo, é indesmentível que o crescimento dos beneficiários do sistema não se deveu nem deve exclusivamente, nem de perto nem de longe, ao crescimento da longevidade. Muitos reformados do sector privado anteciparam ou foram pressionados a optar pela reforma por razões relacionadas com a crise ou por racionalização, isto é, aumento da produtividade, das empresas onde trabalhavam. É indesmentível que os governos anteriores desde há muito que apoiaram a política de reformas antecipadas concedendo subsídios de desemprego contratado entre trabalhadores e entidades patronais.
No sector público, as vagas de reformas antecipadas têm sido constantes, gabando-se os governos de reduzirem os efectivos e as folhas de salário para, ao mesmo tempo, apontarem para o aumento sempre crescente dos valores totais das pensões pagas. A culpa de quem é? Da crise de crescimento económico, que não começou há dois ou três anos, mas que vem de longe. Se há cada vez menos activos contribuintes e cada vez mais beneficiários do sistema, as causas estão numa crise que se revelou em toda a sua extensão com a implosão de uma vivência artificialmente suportada por crédito importado sem rei nem roque para benefício de banqueiros, especuladores e outros actores da mesma trupe.
Se não há meio de responsabilizar quem se aproveitou do desmando ou da incompetência que forjou a crise e abalou o sistema previdencial, é repugnante que se atire quase exclusivamente para cima de quem não tem nem teve culpas no cartório o fardo de pagar integralmente as consequências.

Thursday, November 14, 2013

ARTE CONTEMPORÂNEA - LAVANDARIA


"Quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado de lhe vem" (Aritmética Elementar)


Anteontem foi notícia o recorde atingido em leilões de arte por um dos 28 trípticos de Francis Bacon, "Three Studies of Lucien Freud" (1969,) pela assombrosa soma de 142,4 milhões de dólares, qualquer coisa como 106 milhões de euros.
 
 

No mesmo dia "Balloon dog (Orange)", uma escultura da série "balloons" de Jeff Koons foi vendida  por 58,4 milhões de dólares, uns 43 milhões de euros, tornando-se a obra mais cara vendida em leilão de um artista vivo.*



 
Hoje é notícia um novo recorde de obras de Andy Warhol: "Silver Car Crash (Double Disaster) (1963) foi arrematado ontem por 105 milhões de dólares, quase 80 milhões de euros.
 
 
Explicações para este fenómeno de crescimento exponencial dos preços da arte contemporânea há várias. Os jornais de ontem apontavam várias, algumas coincidentes, outras nem tanto. A que me parece mais convincente é aquela que atribui a compra (por gente anónima) a intuitos de branqueamento de capitais. Pode não ser verdade mas é difícil encontrar outra tão verosímil.

Quando, em Portugal, durante os dez, doze anos, que antecederam a emergência dos indicadores da crise, ficava abismado com a exuberância do crescimento de consumo supérfluo e de investimento público que me parecia sem sustentação económica racional, dizia-me o DJ que tudo aquilo só podia estar a ser sustentado pelo negócio da droga e outros negócios correlativos. E, afinal de contas, não exagerava, ainda que o alcance das suas palavras não fosse esse, se hoje considerarmos que, para além do tráfico de droga tout court, houve um tráfico de crédito importado que drogou a economia portuguesa, actuando os banqueiros como traficantes.

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Correl - Um estudo da Faculdade de Farmácia de Lisboa detetou uma presença de cocaína nas águas residuais da capital que mostra um elevado consumo desta droga na cidade, mais concretamente uma dose diária de 0,1 grama por 50 pessoas. Esta foi a primeira análise em Portugal à presença de metabolitos de cocaína nas águas residuais.[RTP]

Os multimilionários portugueses são mais e estão cada vez mais ricos [P]
Segundo o relatório da UBS : World Ultra Wealth Report, apesar da crise, eles não ficaram para trás da restrita frente crescentemente multimilionária. São, obviamente, aqueles que integram esta frente que investem à vara larga. Cá, como lá.
Note-se que um multimilionário da base (aquele que não tem muito mais que 25 milhões de fortuna), mesmo que alienasse tudo o que tem não poderia comprar mais que meio dog do Jeff Koons. Um pelintra, no fim de contas.
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* Jeff Koons é, além de outros dogs,  também o autor de Puppy, a mascote do Guggenheim de Bilbao. Que não está venda. Pelo menos, por enquanto.


 

Sunday, August 18, 2013

PALMAS PARA ELES

Estão contadas no Correio da Manhã mas são histórias de sucesso que vale a pena ler.

Em 1974 o sector primário empregava cerca de 35% da população activa; o ano passado, cerca de 10,5%. Entretanto a população activa aumentou durante os 38 anos do intervalo cerca de 15%, quase 1 milhão de pessoas; no sector primário observou-se uma redução de 63%, cerca de 800 mil pessoas.
- vd. aqui.

A evolução no subsector agrícola, considerando o seu peso relativo, não se afastou sensivelmente do observado no sector primário. Mas foi na década anterior, caracterizada por um crescimento económico acentuado, que se observou a maior redução relativa de empregos na agricultura, quer por transferência para os sectores secundário e terciário internos, quer por emigração, principalmente para a Europa.
 
A transição observada foi dramática e, contudo, não correspondeu a uma alteração radical da estrutura dos principais factores produtivos: a terra e o trabalho. Apesar da concentração entretanto observada, da redução de unidades produtivas e do aumento da área média das explorações agrícolas, há ainda uma pulverização excessiva, tanto no sector agrícola como silvícola, de pequenas familiares unidades onde se concentram grande parte dos 486 mil empregos registados em 2012, em unidades familiares de economia de subsistência.

A agricultura, caracterizada desde sempre como uma actividade de mão de obra intensiva, é hoje uma actividade de capital intensivo e de reduzida empregabilidade onde a produtividade é elevada e os rendimentos compensadores dos investimentos realizados. Aqueles que na recente vaga de retorno à terra em consequência da crise ignorarem esta realidade regressarão ao ponto de partida desiludidos e mais pobres.

Os casos contados no Correio da Manhã merecem aplausos. Mas, assim como uma andorinha não faz a Primavera, assim nada de verdadeiramente importante acontecerá na agricultura portuguesa enquanto não for reestruturada a propriedade agrícola e silvícola de modo a garantir-lhe a dimensão mínima de competitividade. Mais uma tarefa a exigir um consenso alargado que não existe.

 

Friday, August 16, 2013

SALDOS DA CRISE



O Economist dedica hoje o seu daily chart - Mixed fortunes à comparação da variação do PIB observada num conjunto de 13 países da União Europeia, 12 dos quais são membros da zona euro, e ainda nos EUA e Japão, desde o início da crise até ao fim do segundo trimestre deste ano. Do conjunto, apenas os EUA, a Alemanha e, tangencialmente, a Bélgica, conseguiram recuperar o terreno perdido. A França e o Japão aproximam-se dos níveis em que se encontravam antes da crise, o Reino Unido não conseguiu melhor que a zona euro no seu conjunto.
 
Explicações para estes resultados, haverá muitas. Nenhuma, porém, pode negar que a política de ataque à crise adoptada nos EUA  não foi prosseguida na União Europeia, e, particularmente, na zona euro, pela elementar razão de não ser a União Europeia uma união política. Não foi nem será enquanto essa diferença enorme se mantiver. Ainda que os resultados do segundo trimestre de 2013 tenham acalentado a ideia que a UE está agora carrilada e Portugal se tenha, aparentemente, portado acima das expectativas.
 
Digo aparentemente porque se desconhecem ainda os detalhes e são prematuras algumas conclusões consistentes baseadas na estimativa rápida do INE.

Friday, July 26, 2013

PREGAÇÂO AOS PEIXES

É uma cena recorrente. De vez em quando, o presidente do Tribunal de Contas levanta acanhadamente  o dedo indicador e diz que já tinha dito. Se alguém o ouve, ninguém dá importância ao que ele diz. Mestre Guilherme Waldemar Pereira de Oliveira Martins é reconhecidamente uma personalidade respeitada incumbido de um cargo manifestamente impotente.

Desta vez, diz Oliveira Martins que "os gestores devem ser responsabilizados pelos swaps" e que o TdC já tinha alertado em 2008 para o facto de que o dinheiro ganho (inicialmente) com os 'swaps' foi depois perdido no dobro ou no triplo...  "A primeira vez que o TdC levantou esta questão, aqui del'rei. Houve gestores que vieram dizer o que é que o TdC tinha a ver com isto. Diziam que estavam a ganhar dinheiro. (...) Os relatórios do TdC dizem que o que foi ganho foi muito perdido às vezes o dobro, o triplo daquilo que foi ganho, portanto era um mau investimento".
 
Guilherme de Oliveira Martins é presidente de um  tribunal que atribui culpas e emite sentenças sem poder punitivo, isto é, faz-de-conta que é um tribunal. Neste caso, GOM atribui aos gestores a responsabilidade pelas consequências desastrosas das operações de swap mas os restritos limites das suas competências não lhe permitem ir além do "dever ser". Cinco anos depois do alerta do TdC,  PSD e o PS engalfinham-se na atribuição das responsabilidades pelo desastre que custará aos contribuintes mais uns milhares de milhões de euros. Tudo conjugado, o resumo é simples:
 
As operações de swap terão sido realizadas com a permissão do governo de então, tendo como objectivo a desorçamentação de uma parte da dívida publica, isto é, de retirar transitoriamente do perímetro das contas públicas o endividamento das empresas dependentes do OE. Nestas condições, parece que os gestores só devem ser responsabilizados na parte em que a sua intervenção excedeu, dolosamente ou não, os limites da delegação de competências que lhes terão sido atribuídas pelo governo.
 
Para além dos gestores envolvidos na realização de tais operações, são responsáveis os membros do governo que as determinaram, autorizaram ou consentiram, e ainda os membros de todos os partidos, com especial responsabilidade dos partidos da oposição, que não valorizaram o alerta do TdC agora recordado por Guilherme de Oliveira Martins.
 
Finalmente, é culpado Guilherme de Oliveira Martins de se prestar à representação de um papel que seria cómico se não estivesse também envolvido no drama em que se atola o país até aos gorgomilos.

Sunday, July 21, 2013

OUTRA

Repositório da crise
Henrique Monteiro
Uma vez que o Presidente da República fala hoje à noite, mesmo a tempo de ser comentado pelo professor Marcelo e pelo engenheiro Sócrates, convém trazer à memória de onde vem esta crise.Quando começou? É um mistério! Se nos referirmos á última que conhecemos foi inegavelmente com a demissão do professor Gaspar e a birra do doutor Portas. Mas se nos interrogarmos de onde vêm essa demissão e essa birra, teremos de ir mais atrás.
E vamos.
1) Portugal chegou tarde e a más horas à construção do Estado Social, culpa do Estado Novo que negou,além da liberdade, direitos essenciais;
2) No PREC, vários direitos a que não correspondiam quaisquer deveres foram estabelecidos e constitucionalizados com o voto do PSD e do PS.
3) Em 1978, perante o descalabro financeiro ( o Governador do Banco de Portugal telefonava ao primeiro-ministro a dizer que no dia seguinte não havia dinheiro) o FMI foi chamado para ajudar o país a re-entrar nos eixos; havia um Governo PS/CDS que acabou prematuramente, seguiram-se governos de iniciativa presidencial;
4) Quando o atual Presidente foi ministro das Finanças do Governo Sá Carneiro (AD), interrompeu a política da desvalorização progressiva do escudo (desenhada, entre outros, por um senhor que foi prémio Nobel, Paul Krugman) para fazer o que se costuma chamar "política de bacalhau a pataco".
5) Em 1983, a coligação PS/PSD foi obrigada a chamar o FMI de novo. Houve medidas duras, fome, desemprego e salários em atraso;
6) Em 1986 Portugal entrou na então CEE, atual União Europeia. Foi o 11º país (a Espanha entraria no mesmo dia, compondo a Europa dos 12). Hoje são 27;
7) Em 1987 o país teve o primeiro Governo de maioria absoluta, com Cavaco e o PSD; com o dinheiro da Europa, não houve estratégia para o país salvo... obras públicas. A política das obras permite duas coisas importantes para os partidos - movimentar milhões de euros e criar emprego rápido. Uma segunda vertente foi aumentar o número de funcionários públicos e os seus salários, como forma de comprar paz social.
8) Cavaco quis colocar o país no que chamava "o pelotão da frente". O Governo que o substituiu, do PS com Guterres, não tinha maioria, mas governou quatro anos. A ideia fundamental desse Governo foi... fazer mais obras (acabar e concretizar as que vinham de trás, como a EXPO 98, e fazer o célebre Euro 2004 com 10 estádios) e... aumentar o número de funcionários públicos.
9) Guterres consegue um empate no Parlamento em 1999. Sem maioria, consegue entrar no Euro logo no início, em 2002  (o tal "pelotão da frente"), mas demite-se pouco depois. É substituído por um Governo PSD/CDS que Governa entre 2002 e 2005 (termina já com Pedro Santana Lopes, depois de Barroso ir para Bruxelas), avisando que o país estava "de tanga" e que ia reformar o Estado. Nunca o fez. Mas aumentou os impostos e o Euro 2004 com 10 estádios correu lindamente, embora Portugal perdesse a final.
10) Santana cai porque o então Presidente, Jorge Sampaio, dissolve o Parlamento. Nas eleições, o PS ganha as eleições com maioria absoluta.
11) O Governo Sócrates avisa que vai reformar o Estado e reequilibrar as contas públicas. Mas a principal ideia é fazer... obras públicas. Há auto-estradas para todos os gostos, prevê-se um aeroporto novo e avança-se para o TGV. Ainda assim, com menos linhas do que tinha previsto Barroso. De qualquer modo, aumenta os impostos, nomeadamente o IVA.
12) A crise financeira de 2008 coloca a nu a irresponsabilidade económica do Estado português (o PIB não chega a crescer 1% em média nessa década) e a loucura de certa banca - v.g. BPN, BPP, etc. O Governador do Banco de Portugal de então (atual vice do banco Central Europeu), Vítor Constâncio não deu por nada. Mesmo assim, e apesar da crise, em 2009, sendo ano de eleições, o Governo de Sócrates aumenta substancialmente os funcionários públicos. Depois é obrigado a uma série de Planos de Estabilidade e Crescimento, que foram trazendo cortes salariais, aumentos de impostos e austeridade. Ao quarto plano, o Passos Coelho achou que podia fazer diferente e não permitiu que o PEC fosse aprovado. Sócrates chama a troika (FMI, BCE e UE),  demite-se e o PSD ganha as eleições e faz uma coligação com o CDS.
13) Este é o atual Governo. Ao contrário dos outros sabe que não tem dinheiro para fazer obras públicas nem para comprar a paz social com aumentos de salários. Como esse parecia ser o desígnio nacional, não podendo fazer isso, não sabe o que fazer, exceto aumentar impostos (só IVA aumentou quase 50% desde de 2002; na restauração o aumento foi de quase 100%).
14) Os partidos aqui mencionados a partir de 1976 informaram-nos ontem que tinha perspetivas substancialmente diferentes sobre o país.
Perceberam?

Wednesday, July 10, 2013

APOIADO!

O PR acaba de anunciar a decisão que deveria ter tomado há dois anos, pelo menos. E digo, pelo menos, porque desde a tomada de posse do segundo governo (minoritário) de Sócrates que tenho registado neste caderno de apontamentos a opinião de que, considerando a crise estrutural em que o país está emaranhado há mais de uma década, é fundamental que o país seja governado com o apoio muito maioritário da AR.
 
Essa condição que a crise estrutural já exigia antes da emergência da crise financeira internacional e da subsequente subscrição do acordo de ajuda externa negociado pelo governo anterior e subscrito pelo PS, PSD e CDS, tornou-se agora como a alternativa mais adequada aos interesses do país.
 
Lamentavelmente, não vai ser esse o entendimento do PS se o seu posicionamento for aquele que ouço a Silva Pereira neste momento. Lamentavelmente, a proposta do PR corre o risco de ser lançado no esgoto pelos interesses partidários ciosos de um poder a todo o custo.
 
 As reacções do PCP e BE são óbvias: tudo o que poder garantir estabilidade política e social é contrário aos seus interesses de investimento no descontentamento.

Thursday, July 04, 2013

FITAS À PORTUGUESA

Prefiro estas.

Acesso a 108 filmes portugueses através da página CINEMATECA do blogue "Do Tempo da Outra Senhora":
 
 

Wednesday, July 03, 2013

FIEM-SE NA VIRGEM ...

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e verão o tombo que levamos.

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* Na Igreja do Rato - c/p aqui
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Correl. - Presidente da República deve intervir

Monday, July 01, 2013

O INSUSTENTÁVEL PESO DO TIÇÃO EM CHAMAS

Era inevitável.
A passagem do testemunho, há pouco mais de dois anos, era a passagem de um tição em chamas. 
Passos Coelho pegou nele confiante e descuidado, e entregou a Gaspar a ponta mais abrasadora.
Hoje, inevitavelmente, Vítor Gaspar demitiu-se.
 
Entretanto o PS berra por eleições antecipadas, tão entusiasmado pelo poleiro que nem parece aperceber-se que o tição continua em labaredas altas. 
 




Monday, June 10, 2013

A CRISE ACABOU

"O ministro da Economia anunciou hoje o fim da crise em Portugal e disse que a questão agora é a de saber "quanto é que a economia portuguesa vai crescer". Em Aveiro, onde se deslocou para presidir à assinatura de vários protocolos de investimento disse que "a crise acabou" e que se vive "um ponto de viragem" na economia, porque "já não se fala em recessão e em investimento zero". "O Governo herdou um défice das finanças públicas totalmente descontrolado e cheio de operações extraordinárias, a economia em terreno negativo e o aumento do desemprego", frisou." - aqui
 
"Este é o momento para o investimento" - aqui
 
"Este é o momento mais adequado para investir em Portugal" - aqui
 
"Têm de compreender que a crise na Zona Euro acabou" - aqui


 

Saturday, April 27, 2013

POR UM ÓBVIO FIO

"Isto está por um fio", desabafava outro dos presentes no rescaldo do conselho considerado como "dos mais difíceis".  Paulo Portas protagonizou, com Paula Teixeira da Cruz, Miguel Macedo, Aguiar Branco e Álvaro Santos Pereira a barragem a algumas das propostas mais radicais das Finanças, nomeadamente no que toca a cortes nas pensões e salários. - aqui 
 
"Paulo Portas é o político mais poderoso do país, só ele pode decidir se e quando cai o Governo", disse Edite Estrela na que foi, até agora, a única referência (e indireta) à última crise no Governo - aqui

"Parece-me óbvio que o Governo está num quadro de grande coesão da coligação, tentando encontrar a resposta para um problema ["chumbo" do Tribunal Constitucional a quatro normas do Orçamento do Estado para este ano], que é exigente", disse Jorge Moreira da Silva.- aqui

A situação era muito previsível antes mesmo deste Governo ter tomado posse. - vd. p.e., aqui - A obstinação de Sócrates em governar numa situação altamente crítica em minoria teve em Passos Coelho um sucessor não menos obstinado, apesar de se sustentar numa maioria absoluta.

Tendo ficado em liberdade o terceiro melro, era muito óbvio que ninguém mais o apanharia, ficando o primeiro melro num tem-te-não-caias permanente, sujeito ao balancear expectante do melro número dois.

Saturday, April 13, 2013

CONTRADIÇÕES GLOBAIS

Lê-se aqui que a directora-geral do FMI, a surpreendente Christine Lagarde, advertiu hoje urbi et orbi que

"a economia global a três velocidades conduzirá a uma crise cambial nos mercados emergentes ou um endividamento insustentável nos EUA e no Japão. Segundo Lagarde o mundo está hoje dividido entre economias em crescimento, outras em recuperação, algumas ainda em dificuldade, e ritmos desiguais de crescimento determinarão novos desequilíbrios financeiros que poderão gerar outra crise".

Alguma vez foi diferente?
Reinhart e Rogoff defendem em "This Time is Different" (título irónico) que as causas de gestação das crise se repetem, incontornavelmente e que não há diferenças assinaláveis entre a crise que irrompeu em 2008 e aquelas que a precederam ao longo de oito séculos. Se assim é, estaremos perante uma inevitabilidade que nem a senhora Lagarde nem o mais pintado podem prevenir?

Nos últimos cinco anos, afirmou Lagarde, os empréstimos em moeda estrangeira aos mercados emergentes aumentaram cerca de 50%. Só no ano passado o crédito bancário aumentou 13% na América Latina e 11% na Ásia. Um crescimento tão acentuado determina um crescimento do risco que só pode ser controlado através do reforço da supervisão bancária e a restrição do crédito para actividades de crescimento rápido. Wishful thinking. Quando a economia aquece quem é que tem mão nos banqueiros?

Genericamente, Lagarde deu com estas declarações antes da reunião da primavera do FMI, como vem sendo habitual, uma no cravo e outra na ferradura. Concorda com o quantitative easing nos EUA, critica a decisão da contração a curto prazo da despesa imposta pelos republicanos nos EUA, quando a recuperação ainda não está consolidada e  o desemprego é ainda elevado, mas previne para o crescimento do endividamento a longo prazo. No Japão a dívida pública de 245% do PIB parece cada vez mais insustentável, mas por outro lado os nipónicos precisam de libertar-se da armadilha da deflação.
Na zona euro, diz Lagarde, o principal problema é o sistema bancário, que deve ser recapitalizado, reestruturado, e encerrados alguns bancos. Há algum tempo atrás Lagarde parecia mais preocupada com os efeitos negativos da austeridade na União Europeia. Mudou de ideias?  
Lagarde é uma mulher para todas as circunstâncias.

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Correl . - FMI diz que zona euro deve limpar sistema financeiro e fechar bancos onde necessário