Entre os guitarristas de Blues mais importantes, acho que Johnny Winter é um dos menos conhecidos aqui no Brasil. Ele tem mais de 40 discos gravados e já recebeu dois Grammy, pelos discos “Hard Again” e “I’m Ready”. Particularmente não sou um grande conhecedor de seus discos, mas aqueles que já escutei mostraram do que ele é capaz.Recentemente, nos EUA, houve uma premiação dada pela revista High Times, o High Times Doobie Awards, para músicos que se destacaram e Johnny Winter foi premiado pelo conjunto da obra. Por coincidência comprei um número da revista onde encontrei uma entrevista com esse grande músico, quando ele recebeu sua premiação.Abaixo seguem algumas ideias sobre as origens, música e drogas por um dos maiores guitarristas vivos e para o delírio dos fãs de blues Johnny Winter fará uma apresentação no Via Funchal em São Paulo, no dia 22 de maio. Quem viver verá.HT: Como foi crescer no Texas? Ser diferente tornou as coisas mais difíceis para você quando garoto?
JW: Oh yeah, com certeza sim, definitivamente. Mas, apesar disso foi um lugar muito bom para crescer. Havia muita música boa, as pessoas adoram blues no Texas.
HT: Qual era a sua idade quando você começou a tocar guitarra?
JW: 12 anos.
HT: Você pratica muito?
JW: Todo dia, por cerca de 6 a 8 horas. Eu pratico o tempo todo.
HT: Tocar guitarra para você foi natural ou você teve que se esforçar?
JW: Eu me esforcei bastante no começo, mas eu já era bom aos 15 anos.
HT: Qual era sua idade quando você tocou em público pela primeira vez?
JW: 15 anos. Bem, eu fiz pequenas apresentações antes, mas estou considerando nossa primeira apresentação num clube – Johnny and the Jammers.
HT: Você e seu irmão começaram a tocar juntos, desde o início?
JW: Sim nós tocávamos ukuleles (músicas para guitarras de quatro cordas, muito populares no Havaí) e cantávamos juntos quando tínhamos por volta de oito ou nove anos de idade.
HT: Sua guitarra preferida sempre foi a Gibson Firebird e depois você a trocou por uma Erlewine Laser. Há alguma vantagem técnica em tocar com uma guitarra sem peghead (parte da guitarra onde ficam as tarrachas)?
JW: Não... somente soa muito legal. É apenas uma guitarra que soa bem... fácil de tocar.

HT: Quantas guitarras você tem?
JW: Provavelmente umas 50. Tenho cinco Firebirds, diversas Lasers e três ou quatro Nationals. Além de um baixo Thunderbird. Mas eu praticamente uso mais aquelas duas de que falamos.
HT: Você colaborou com guitarristas extraordinários ao longo do tempo como Jimi Hendrix, Eric Clapton, Duane Allman e é claro, seu ídolo, Muddy Waters. Com qual deles era mais divertido tocar junto?
JW: Provavelmente o Muddy, era muito divertido tocar com ele.
HT: Você diria que aprendeu alguma coisa tocando com ele?
JW: Eu já havia aprendido tudo escutando seus discos. Quando começamos a tocar juntos eu já conhecia todo seu material.
HT: Sobre o Blues, quanto você acha que pode ser ensinado e quanto tem que vir de dentro?
JW: Eu acho que tudo tem de vir de dentro. Você não pode simplesmente ensinar a alguém a tocar o Blues.
HT: Durante os últimos anos você tem deixado de lado suas músicas de rock e tem tocado apenas Blues. Foi alguma decisão consciente de voltar para as raízes?
JW: Eu simplesmente amo o Blues – é meu estilo favorito.
HT: Você tocou com o Eric Clapton em seu concerto Crossroads. Como foi essa experiência?
JW: Foi muito boa. Toquei com Derek Trucks – ele é um dos meus guitarristas atuais favoritos. Ele é realmente bom.
HT: Você tocou com o Clapton antes disso?
JW: Sim, num concerto junto com Muddy.
HT: E sobre Woodstock? Com quem você andava por lá? Quem tinha as melhores drogas?
JW: Eu realmente não me lembro.
HT:Você não tomou nenhum ácido marrom, tomou?
JW: Não, eu não acho que tenha tomado qualquer ácido em Woodstock.
HT: Mas você já experimentou?
JW: Oh, sim, eu tomei um monte de drogas psicodélicas, eu gosto delas.


HT: Você se lembra da primeira vez em que ficou chapado?
JW: Sim senhor – foi em New Orleans, LA. Foi com um baseado, eu tinha cerca de 22 ou 23 anos. Nós estávamos tocando por lá e outro músico me apresentou esse baseado. Eu havia fumado algumas vezes antes, mas nunca havia ficado chapado, por isso eu não estava esperando grande coisa. Mas eu fiquei tão louco que não conseguia nem ficar de pé...eu tive que me deitar. Eu adorei... nunca me senti daquele jeito antes.
HT: Quanto influência você diria que a maconha teve em sua vida e em sua carreira?
JW: Eu diria que ela me ajudou muito... a maioria das vezes apenas para relaxar. E eu acho que ela melhora a música, a torna muito mais agradável de escutar.
HT: Com que freqüência você fuma?
JW: A cada hora. Usualmente fumo uma hora antes de tocar, mas não fumo logo depois.
HT: Eu ouvi falar que você tem prescrição médica para fazer uso medicinal de maconha?
JW: Sim, para o glaucoma.
HT: Você lutou com o vício em heroína no início de sua carreira... qual a maior diferença entre ficar chapado de heroína e de maconha?
JW: A heroína simplesmente não é uma coisa boa. Faz você se sentir melhor no início, mas rapidamente você se acostuma e daí você tem que usá-la apenas para se sentir normal. Você nem fica mais chapado. Eu a odeio.

HT: Você já teve um momento em que disse “É isso aí – não agüento mais essa merda”?
JW: Yeah. Eu voltei para Beaumont e disse para meus pais que eu iria morrer. Eles me convenceram a entrar num programa de reabilitação e funcionou. Eu estive internado em New Orleans por nove meses.
HT: Naquele tempo várias pessoas que tomavam heroína não gostavam de maconha.
JW: Naquele tempo eu gostava das duas. Nunca houve uma época em que eu não estivesse curtindo fumar maconha.
HT: Então a única coisa que você faz agora é fumar maconha?
JW: Yeah, é isso aí... só maconha.
HT: Para alguns músicos seus bongs são tão queridos quanto suas guitarras. Você já teve algum cachimbo ou bong favorito?
JW: Não, realmente não.
HT: Bem, você tem agora (Nesse momento Richard Cusik dá a ele o troféu do High Times Doobie Award, que por sinal é um cachimbo de vidro).
JW: Sim, agora eu tenho. É bem legal, muito obrigado.
HT: Para algumas pessoas ganhar um Doobie Awards da High Times poderia ser considerado uma honra duvidosa. Como você se sente ao ganhar um troféu de uma revista especializada em maconha?
JW: Eu estou muito feliz, não acho que é uma honra duvidosa de maneira alguma. Obrigado High Times.


TRADUÇÃO LIVRE : PEDRÃO
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