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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

OVERDOSE - YOU'RE REALLY BIG (1989)


OVERDOSE
BRASIL (BELO HORIZONTE)
ESTILO : HEAVY METAL

 https://mega.nz/#!2tgECDAR!Y3eQpTevtRtPGdoso2xIvQlHJx_1WDc8gXM9UVGi3VE

domingo, 2 de janeiro de 2011

ENTREVISTA COM BOZÓ (EX VOCALISTA DO OVERDOSE)

Pedro Alberto Amorim do Carmo, 44 , mais conhecido como BOZÓ, é tatuador e músico. Radicado em Minas Gerais, começou a desenhar quando ainda era criança, manifestando suas idéias em qualquer papel que via pela frente. Com o tempo, foi ganhando gosto pela música, mais precisamente ROCK'N'ROLL, até montar uma das primeiras bandas de HEAVY METAL do Brasil, a OVERDOSE. Bozó manteve o conjunto por 15 anos, viajou boa parte do país, além de ter conhecido vários cantos do mundo. Depois a paixão pelos rabiscos e pelas TATOOS falou mais alto e, hoje em dia, o artista se dedica totalmente ao seu ateliê, o Saravá Tatoo, em Belo Horizonte. Na loja, Bozó está sempre trabalhando, não para de criar novos desenhos, cores e figuras para as peles que vai estampar.

P: Como você começou a gostar de tatuagens?

Eu sempre desenhei, e gosto de tatuagem desde moleque. O lance da tatoo começou mesmo, quando eu ví uma matéria no fantástico, aos oito anos, e achei demais. Depois, ví um cara tatuado em um clube, aí comecei a rabiscar meu corpo com caneta esferográfica! As pessoas me perguntavam se aquilo era tatuagem e eu falava que era, com aquela voz de menino ...

P: E como aconteceu a sua primeira tatoo?

Depois de um tempo, eu conheci o Igor e o Max, e eles se tatuavam com um cara em Santa Teresa, o Odilon, que viu meus desenhos, gostou, e me convidou para trabalhar na loja dele. No começo, eu só desenhava, não tatuava, mas o povo gostava muito dos meus trabalhos. Então conheci o Marcão, que tinha começado a trabalhar lá com a gente. Ele perguntou se eu queria começar a tatuar, me interessei, e peguei um amigo meu "de cobaia"!!! Acabou ficando muito legal.

P: Você tem algum estilo preferido de tatuar?

O que mais gosto de fazer é preto e branco, mas também faço muitos trabalhos coloridos.


P: E quais são sua influências?

Gosto do Paul Booth, não pelos motivos, mas pelo estilo; o Zé, que faz preto e branco; o Mauricio; e o Marcão de BH que foi meu mestre e, na minha opinião, é um dos melhores tatuadores do Brasil.

P: Você costuma aconselhar seus clientes?

Eu aconselho. Por exemplo, se a pessoa quer uma tatuagem na mão, eu falo para não fazer de jeito nenhum! O Marcão me ensinou isso. E ele aprendeu isso com o Paul Rogers, que foi o mestre dele. A mão e o rosto, ao meu ver, não são lugares legais para se tatuar, porque nós estamos em um país super conservador. Em São Paulo isso é um pouco melhor, mas em Minas, não!

P: É verdade que você criou o "S" tribal que é o símbolo do Sepultura?

É verdade. O Igor me ligou dizendo que queria um desenho tribal para eles colocarem no miolo do CD. Comecei a rabiscar, pensei no "S" de Sepultura, fiz o desenho e os caras gostaram!!!

P: Como é o mercado em Belo Horizonte?

Tem muito tatuador e está crescendo bastante. O mercado é legal, mas é muito "de época". Quando o verão vai chegando, o povo começa a tatuar pra caramba. Também é um mercado que não permite preços altos, ao contrário de São Paulo, senão assusta a galera... Além disso, eu gosto de cobrar menos porque faço mais tatoos, por um preço bom, com alta qualidade e as pessoas gostam.

P: Você fez algum trabalho que foi especial ou diferente?

No final do ano passado, eu fiz as costas de um amigo meu, um dragão, que é normal mas ficou muito legal. E também teve o meu primeiro back-piece. E uma vez teve um cara que me procurou para tatuar um pé de galinha, mas acabou não fazendo.

P: Qual o significado da tatoo na sua vida?

É muito importante, porque é uma arte que marca para sempre.

P: Quantas tatoos você ten? Qual foi a primeira?

Tenho muitas... Eu mesmo fiz um pequeno triângulo com agulha de costura, no braço esquerdo. Depois, a Macá cobriu com uma índia. No outro braço, eu tinha um dragão, mas parecia a Cuca (sítio do pica-pau amarelo) e o Odilon cobriu com uma rosa azul.

P: E a música?

Eu acho que não rola mais, só se pintar uma moçada muito legal, com uma proposta muito boa. Na época do Overdose, depois de muitos anos, começaram a rolar umas turnês no exterior, mas não aparecia grana. Teve até uma viagem que furou,dai, comecei a desanimar...Quando eu fazia essas turnês com a banda, tinha 31 anos, e não possuía nada de patrimônio. Agora com a tatuagem, eu ganho em um mês o que o Overdose não me deu em quinze anos.


P: Quais são seus planos para o futuro?

Em primeiro lugar, eu não tenho vontade de sair do Brasil. Para a cidade de São Paulo eu voltaria, pois o campo de trabalho é muito legal. Porém eu gosto demais da minha cidade, BH. Agora se o mercado não estiver muito bom e pintar a chance de voltar para sampa eu vou numa boa. É esperar para ver...

Alguma mensagens para os apreciadores da tatuagem?

Ser mais sincero, amar mais, não ser falso, jogar menos... E se tatuar muito, com bom gosto e consciência acima de tudo... E ouçam muito ROCK'N'ROLL!!!!!!

FONTE : REVISTA TATOO ART

http://www.saravaanywear.com.br/