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terça-feira, 19 de dezembro de 2023

quinta-feira, 5 de abril de 2018

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

ENTREVISTA : ROB ZOMBIE



Rob Zombie – ele foi capaz de criar uma persona  encantadoramente horripilante e foi bem sucedido ao difundir seu estilo em vários meios artísticos. Desde os anos 90 ele vem criando intensamente hinos metálicos macabros com sua banda White Zombie e como artista solo. Desde o início dos anos 2000 ele se apaixonou por filmes de terror e fez carreira – com clássicos sangrentos modernos como The Devil’s Reject, reinterpretando a série clássica Halloween e até fazendo um policial como CSI: Miami extremamente interessante.

Enquantos conversamos, Zombie divide seu tempo dando os toques finais em seu novo filme, The Lords of Salem, e se preparando para gravar um novo álbum e sair em turnê com Megadeth.

. Pop-Break’s Bill Bodkin and Ann Hale se juntaram para conversar com o músico e diretor sobre seu novo disco, nova turnê e sobre seu novo filme. Mas antes de mergulharmos na entrevista, nossos escritores sentiram a necessidade (um desejo sinistro talvez?) de falar sobre como a arte de RZ influenciou a cultura pop em que estiveram imersos.




Música: RZ abriu meus olhos para o Heavy Metal e eu posso me lembrar exatamente onde estava... assistindo a Ace Ventura: When Nature Calls em Oak Tree Road, em Edison, New Jersey. Uma música do WZ, ‘Blur the Technicolor’, embalava uma cena de perseguição muito louca entre Jim Carey e o vilão. Os riffs rasgantes, o baixo e os bumbos trovejantes e o vocal gutural detonaram minha cabeça. A pegada foi implacável – eu estava possuído. Meus dias escutando Jock Jams e velharias tinham chegado ao fim, renasci como um maníaco por metal. E desde aqueles dias de meados dos anos 90 eu vim batendo cabeça com as pérolas que RZ produziu. Acredito que sua música é uma das melhores das últimas décadas e de certa maneira, cruelmente, não foi apreciada devidamente. Eu escuto RZ todos os dias, como um vinho fino, envenenado. Fica melhor a cada volta. – Bill Bodkin.

Filmes: Eu me lembro, durante os anos de colégio, de estar lendo uma revista Fangoria e de ter visto uma menção sobre a filmagem do filme House of 1000 Corpse, de RZ. A ideia de um filme de terror feito por ele parecia incrível para mim. Eu o vi na TV, no MTV Cribs, e sua casa era toda decorada, incluindo um cubículo revestido de capas de filmes de terror. Ele obviamente conhecia seu meio. Assim, depois de alguns anos, quando House of 1000 Corpse foi lançado nos cinemas, eu estava lá, no dia de lançamento, com alguns amigos. Eu me lembro de ter ficado tão perturbada com o personagem Baby esfaqueando impiedosamente um garota num cemitério, que sai do cinema e acendi dois cigarros de uma vez. Desde então eu assisti a todos seus filmes no dia de lançamento e tenho todos eles em minha coleção. Sim, você pode me chamar de fã e eu continuarei a se-lo, enquanto RZ continuar a me entreter, e espero que isso ainda dure muito tempo. – Ann Hale.



P: Voce está entrando no estúdio para gravar um novo disco nesse verão. Tenho visto em diversas entrevistas que você não estava tão empolgado assim para gravar desde Hellbilly Deluxe de 15 anos atrás. Por que toda essa empolgação?

RZ: São várias coisas e uma das principais é a banda. Durante todos esses anos, infelizmente, em que diversos membros da banda entraram e saíram sucessivamente, parece que a formação atual é a melhor que já tivemos. Pela primeira vez em anos sinto que estamos todos na mesma página. Ainda mais que faz muito tempo que não gravo um disco... então está na hora. Eu realmente sinto que a energia da banda está em seu melhor já faz algum tempo. Enquanto tocamos por aí, os shows ficam cada vez maiores. Não sei, mas tenho a sensação de que é hora de faze-lo novamente. Acho que em qualquer carreira, eu venho fazendo isso durante uns 25 anos, você tem altos e baixos, você não consegue estar sempre 10 durante 25 anos. Mas nesse momento a empolgação está intensa e é por isso que estou motivado.

P: O que há nessa formação que o deixa tão empolgado?

RZ: Eles se encaixam perfeitamente. Preciso de pessoas que me entendam em diferentes níveis. Em primeiro lugar precisam ser ótimos músicos, mas isso já é meio que garantido. Em segundo lugar você precisa de pessoas que gostem de ficar juntas. Mas o principal é que a banda sempre foi além de sua música, tem sido esse enorme projeto conceitual, que envolve nossa música, nossa aparência, os shows – tudo é importante. E assim fica difícil encontrar pessoas que compreendem isso. Você sempre pode encontrar bons músicos, mas alguns deles podem não entender o outro lado da coisa. Eles até podem se comprometer com o resto, meio resmungões, mas na verdade não o querem fazer. Isso é um tipo de peso morto naquilo que tentam realizar, pois mesmo se estão agindo eles ainda estarão sendo resistentes. E em nosso caso, essa é a primeira vez que não temos problemas com isso. Sem querer escarnecer ninguém, mas é muito melhor quando todas as pessoas envolvidas no projeto se comprometem completamente com ele, sem reservas.

P: Como isso vai influenciar os shows? Li um artigo em que você diz que o baterista Ginger Fish trouxe uma pegada completamente nova para o clássico ‘More Human Than Human’. Isso quer dizer que existem músicas que você quer trazer de volta para os shows por causa da competência musical dessa formação?

RZ: Talvez. Não pensei sobre algumas coisas de maneira específica. Bateristas diferentes, bem, cada músico põe algo na mesa, mas com a bateria eu sou bem mais sensível. Não estou detonando nenhum baterista em particular com quem eu tenha trabalhado, mas alguns deles , com pegada mais pesada soam melhor do que nunca, mas o groove era fraco e vice – versa.Daí Ginger apareceu e foi capaz de executar tudo, em todos os níveis, da maneira como deveria ser feito e isso faz uma diferença enorme. Algumas vezes fazíamos uma música com certo baterista, mas a abandonávamos durante o ensaio, por que dizíamos “Está soando mal”. Então eventualmente a tocávamos com um baterista diferente e “Como é que isso está soando bem, assim de repente”? É estranho as vezes. São pequenos detalhes, talvez seja algo que o público nem perceba, mas acho que talvez eles percebam, pois já ouvimos comentários sobre isso antes. Pessoas como um empresário, que vê o show milhões de vezes, podem dizer “Essas músicas tem uma pegada como nunca tiveram antes”. E a razão é o baterista. Até onde diz respeito a pegada do som, a bateria é o mais importante.







P: Vocês estão saindo em turnê com o Megadeth, você sempre foi um fã deles?

RZ: Não sei quanto aos outros caras da banda, mas eu nunca fui um fã ou não fui, tive um disco do Megadeth quando era garoto, por volta dos 20 anos na verdade. Acho que será uma ótima turnê, uma mistura distinta de pessoas. De alguma maneira eu perdi aquela onda do Heavy Metal.

P: De volta ao disco, você disse que esse será o mais obscuro e estranho que você jamais gravou. E olhe que você já fez coisas bem obscuras e estranhas. Como é que esse será o mais intenso? Será algo com as letras? Ou com as músicas?

RZ: Em relação às letras eu apenas comecei a considerá-las. Para mim é mais um lance musical. Eu queria somente fazer algo especial e, quase voltando para sua questão inicial, agora me parece o momento perfeito para isso. Por que às vezes acho que alguns discos se perdem quando os comparamos com outros, mas acho que agora é a hora. Em relação às letras eu apenas comecei a abordá-las. É mais um lance musical, eu gostaria de fazer algo especial, pois acho que é o momento, quase voltando àquela sua questão inicial, agora me parece a hora certa de fazê-lo. Por que às vezes fazemos discos que se perdem quando os comparamos com outros, mas agora acho que realmente é o momento. Para realizar tudo isso, é meio estranho, eu penso principalmente em coisas como escrever num pedaço de papel e fixá-lo sobre a mesa de som. Vamos dizer que enquanto as semanas passam você fica meio perdido no estúdio, e isso é ok, pois às vezes escrevemos excelentes músicas, que surgem de uma maneira meio estranha. Alguém poderia escrever algo com uma guitarra acústica, só para não esquecer as partes e de repente concluímos “vamos manter aquilo como acústico, está soando legal”. Assim algumas vezes você tem que se manter focado naquilo que está fazendo. Agora eu tenho um certo disco em minha cabeça, como quando gravamos Hellbilly Deluxe, em 1998. Mas mesmo assim algumas vezes apenas deixamos fluir. Dessa vez eu me sinto mais inclinado a seguir uma direção particular.

P: Você tem um filme a ser lançado, The Lords fo Salem – como ele se destaca de seu excelente catálogo?

RZ: É um tipo bem diferente de filme em vários aspectos. Os outros eram toscos, com câmeras manuais, bem crus. Para este quis um enfoque diferente. Tem uma boa composição e os movimentos das câmeras são muito controlados. Eu movia muito a câmera, para manter alta a ansiedade. Agora não movemos muito as câmeras e as tomadas são bem simétricas, bem compostas. É como ver um filme de Kubrick, esse é a direção que seguimos. Eu e meu diretor de fotografia discutimos isso por bastante tempo – foi um esforço bem consciente. Eu quis, propositalmente, lutar contra uma tendência natural minha. Achei que para esse filme isso foi sensato, por que em várias ocasiões é a imobilidade do espaço que faz o clima e muito movimento de câmera – e eu adoro câmeras manuais - algumas vezes ao vermos um filme reparamos que não há razão para isso, eu acho que é como lutar estilisticamente com a estória. Além do mais esse filme é bem mais psicológico do que um filme de ação violento.

P: O fator sangue & tripas, pelo qual você é bem conhecido, ainda estará lá? Ou estará atenuado? Ou esse filme é diferente em termos de horror e violência?

RZ: É diferente. Não foi atenuado por que simplesmente não é esse tipo de filme. Não é um filme violento, é um filme estranho. É o tipo de filme que tem um efeito acumulativo enquanto você o assiste. No final é uma loucura total, todo o filme. Foi complicado fazê-lo. Com outro estilo podemos terminar uma cena e sabemos que ela causa impacto por si própria. Alguns filmes se constroem – O Iluminado é um exemplo disso. É a construção de um todo para atingir um clímax

P: Finalmente, para quando podemos esperar o lançamento do filme e do disco?

RZ: Não estou seguro à respeito disso. Acredito que irão sair no final de 2012. Provavelmente terminarei a edição do filme no final dessa semana (10 de abril), não começaremos o disco até o começo de junho, assim acho que tudo estará mesmo pronto no final de 2012.

 TRADUÇÃO LIVRE BY PEDRÃO DIRETO DE LENÇÓIS, BA