11 de Julho de 2014. Ocasião para lembrar como foi a conduta dos responsáveis políticos e financeiros no caso do colapso do Banco Espírito Santo, neste caso concreto o então primeiro-ministro Pedro Passos Coelho. E para relembrar que o tão propagado escrutínio alternativo da comunicação social (o tal quarto poder...) foi uma vergonha. Claro que não se pode pedir à própria comunicação social que agora faça - pelo décimo aniversário - uma evocação séria do seu próprio fiasco.
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11 julho 2024
09 julho 2024
A SÉRIO? NÃO ENCONTRARAM MAIS OUTRAS PESSOAS QUE COMPARTILHASSEM A OPINIÃO DO «HACKER PORTUGUÊS RUI PINTO»?
Dando uma vista de olhos à página do Google Notícias deparamo-nos com as reacções à entrevista dada ontem à noite pela procuradora Lucília Gago à RTP. Entre as reacções em destaque, uma que se afigura assaz razoável, muito do senso comum, criticando aquilo que de mais embaraçoso ela ontem disse - a ausência de qualquer contrição pelos erros cometidos pelo ministério público durante algumas destas últimas investigações mais mediatizadas. «PGR "deve ser responsabilizada quando comete erros flagrantes"» É só pena que, naquela página, a opinião não venha acompanhada da identificação do autor... Accionada a conexão para a página original, descobre-se que afinal o autor é o «hacker português Rui Pinto» e que a opinião foi repescada de um tweet que ele publicou... A sério? Lá no Notícias ao Minuto não encontraram mais ninguém que exprimisse aquela mesma ideia? Outras pessoas que não tivessem sido condenadas a quatro anos de prisão com pena suspensa? Pessoas que tivessem o cadastro limpo, por exemplo? Há por aí uma grande confusão entre os jornalistas, quando se decidem a dar destaque à opinião de pessoas só porque elas são conhecidas, quando o que acontece é que as razões pelas quais elas são conhecidas são precisamente as razões que desqualificam as opiniões que elas possam ter.
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06 julho 2024
OBSERVEM COMO A SIC AINDA O DEIXA POR AÍ À SOLTA...
Aquilo que João Marques de Almeida representa (em termos de imbecilidade) para a comunicação social portuguesa escrita tem o seu correspondente audiovisual na pessoa de José Gomes Ferreira. Também com ele se constatam dez anos de previsões (disparatadas) encadeadas, que são acompanhadas da mais completa impunidade.
Em Julho de 2014, portanto há precisamente dez anos, podemos apreciá-lo acima a jurar pela solidez do Banco Espírito Santo (BES) numa antecipação desastrada ao desfecho de que todos nos lembramos...
Pouco mais de um ano depois, em Novembro de 2015 vêmo-lo falando em economês, mas a agoirar descaradamente o futuro, por causa da perspectiva da formação próxima do governo da geringonça...
Mas, mais do que isso, a prodigiosa capacidade intelectual de José Gomes Ferreira fê-lo transbordar dos terrenos estritos da Política para a (um certo género de) História e mesmo para a Astronomia (como se constata acima)
E demonstrativo que o tempo passa e ele não lhe perde o jeito, ainda em Novembro passado e em plena crise política desencadeada pela demissão do primeiro-ministro António Costa, ei-lo a abocanhar acriticamente um falso tweet desse mesmo António Costa. O seu colega Bernardo Ferrão mal disfarça o desdém enquanto lhe corta a palavra...
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05 julho 2024
«SE ISTO É O QUE ELES TÊM EM STOCK, MAIS VALIA COMEÇAREM JÁ A FAZER O LEILÃO!»
Há muitos anos havia um programa de televisão chamado Rock em Stock. Certo dia, a minha mãe entra na sala durante o programa e, ao ouvir os acordes da banda que então tocava, saiu-se com o comentário «Se isto é o que eles têm stock, mais valia começarem já a fazer o leilão!» A frase perpetuou-se até hoje como o exemplo do que não passa de um ensaio medíocre, mau grado a pretensiosidade do título do programa. A intenção do Expresso e da SIC Notícias ao publicitar a entrevista exclusiva ao procurador Rosário Teixeira era mesmo pretensiosa: alegadamente, ele sairia «em defesa do Ministério Público». Porém, ouvindo os 26 minutos da entrevista é melhor, como recomendava a minha mãe, organizarem já o leilão... Apresentado a princípio como «o procurador da Operação Marquês» (a Operação do processo de José Sócrates), o que ele tem a dizer a respeito dos arrastamentos daquilo que os do MP classificam como mega-processos - o de Sócrates vai em 10 anos! - o que ele disse foi isto:
«Não é desejável, mas é algo que nos é imposto pela própria realidade. A realidade impõe-se porque há mega-processos, porque há mega-realidades. E nós não podemos espartilhar a realidade sob pena de nós começarmos a ver as árvores isoladas e depois não vemos a floresta. E estamos a passar ao lado daquilo que pode ser um ilícito porque simplesmente estamos a olhar para... coisas individuais e sem sentido. E aí coloca-se uma outra necessidade, que é a de apreciarmos as... aaahm... as capacidades instaladas para gerir aqueles processos. É óbvio que uma pessoa que tem um processo desses e que tem, ao mesmo tempo, um conjunto de outras responsabilidades e outros processos, não consegue, ou dificilmente consegue concentrar a sua atenção nesse processo ou nesse mega-processo que requer um envolvimento grande.»
A resposta continua, mas, com a transposição da resposta oral para a sua forma escrita, creio que já deu para perceber que se trata de um nada polvilhado de palavras. E ainda por cima eximindo-se de qualquer responsabilidade por dez anos de investigações que até agora se concretizaram em... coisa nenhuma. Socorrendo-me das suas próprias palavras, entre o «algo que nos é imposto pela própria realidade» considerem a mediocridade dos protagonistas que saem «em defesa do MP».
04 julho 2024
APARENTEMENTE, NO CHEGA TÊM QUE ORGANIZAR MELHOR O «FÜHRERPRINZIP» DE ANDRÉ VENTURA
Afinal, a votação do programa do governo madeirense foi rodeada de intervenções muito assertivas do Chega - «deixa ultimato a Miguel Albuquerque para viabilizar o Programa» seguido de «Miguel Albuquerque volta a não ser claro sobre o que fará se for acusado» - para se concluir com este acima - «Ventura só soube da votação na Madeira no fim do debate». Uma votação em que, ainda por cima, os quatro deputados regionais se dividiram no sentido do voto. Ora qualquer formação política que se preze não gosta de dar estas mostras de descoordenação. Para mais se for uma formação política de extrema direita, descendente dos saudáveis princípios de unidade de comando e de obediência ao líder - o conhecido Führerprinzip. Quando isso não funciona... a referência história e organizar-se uma noite das facas longas, para sanear o partido dos membros mais renitentes como parece estar a acontecer lá pela Madeira. Não sei é se esta última hipótese de trabalho se coloca a André Ventura... (Ah, e não venham com a desculpa que o homem andava entretido com os polícias).
01 julho 2024
OBSERVEM COMO O OBSERVADOR AINDA O DEIXA POR AÍ À SOLTA...
1 de Julho de 2014. O quase recém nascido Observador ainda anda à procura de nomes de colunistas que o projectem. E então desencantaram este João Marques de Almeida. Nem vale a pena desancá-lo. Basta que o leitor leia o que ele há precisamente dez anos antecipava que aconteceria com a candidatura presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa. Ou então aquilo que, noutro rasgo de presciência, nem duas semanas depois, augurava para o futuro do Bloco de Esquerda (abaixo). Mas o que eu considero verdadeiramente prodigioso, não é apenas, nem sobretudo, João Marques de Almeida ter escrito estes disparates há dez anos e ter saído impune. O prodígio é ele ter continuado a escrever aleivosias deste mesmo género, e o Observador ter continuado a dar-lhe palco por dez anos a fio. Ainda lá continua. Entre a colecção de disparates que tem escrito mais recentemente, destaco, mais pelo impacto imediato dos títulos do que pelos conteúdos: Miguel Morgado para o Parlamento Europeu (não foi sequer escolhido) ou então O Chega ajuda a democracia portuguesa (tem-se visto a ajuda que o governo da AD tem recebido do Chega!). O que é misterioso nestes casos não é a existência destes medíocres, são os processos misteriosos que os fazem subsistir com esta projecção por anos a fio.
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28 junho 2024
PAULO NÚNCIO - UM HOMEM DE EQUIPA QUE «DIGNIFICA» QUALQUER EQUIPA
Mais abaixo pode ler-se uma passagem - um parágrafo - do artigo que hoje Susana Peralta escreve para o Público. O artigo é sobre outro assunto (sobre a religiosidade da crença do efeito mágico da redução dos impostos sobre a economia), mas a passagem em destaque é uma pisadela de calcanhar e tacão fino sobre os critérios de auto-regulação ética praticados sobre quem se dedica à investigação académica. Apanham todos: o visado, Paulo Núncio (abaixo, à esquerda), que é um cromo que deixou um rasto memorável na sua passagem pela administração fiscal (recorde-se no fim); apanha o «colega e amigo» coordenador da equipa, Pedro Brinca, e o resto da equipa, que não se terão incomodado nada com aquela companhia; e apanham os responsáveis da Fundação Francisco Manuel dos Santos que bancam a equipa e é só, o resto parece não ser com eles. Para estas três partes parece não haver problema que a primeira - Núncio - esteja envolvido no estudo do impacto de medidas que - algumas - foram promovidas pelo próprio.
Recordemos os expedientes de Paulo Núncio em Fevereiro de 2017, quando enfiado em mais uma enrascada política: começou por se descartar das responsabilidades, assumiu depois a "responsabilidade política" e demitiu-se dos cargos no CDS para, no dia seguinte, a patroa da loja do CDS (Assunção Cristas) vir fazer-lhe um elogio. É uma pena que estas coisas se esqueçam.
26 junho 2024
A MAIOR CAGADA POLÍTICA DA DEMOCRACIA PORTUGUESA
26 de Junho de 2004. Com as atenções dispersas por um campeonato europeu de futebol a decorrer no nosso país - estavam a decorrer os jogos dos quartos de final - os portugueses ficam a saber que o seu primeiro-ministro, José Manuel Durão Barroso, fora convidado para presidir à Comissão Europeia, que aceitara e que passava a pasta àquele que fora o seu rival no XXV Congresso do PSD, Pedro Santana Lopes. O Congresso realizara-se um mês antes, de 21 a 23 de Maio. E o presidente Jorge Sampaio acolheria a solução se ela fosse validada pelas estruturas políticas do PSD. Foi e por uma maioria norte-coreana. É um daqueles momentos históricos que pode muito bem ser descrito por: foi como atirar um pedaço de merda para a frente de uma ventoinha; ficaram todos cagados: Durão Barroso, Santana Lopes, Jorge Sampaio e ainda o colectivo de mais de cem conselheiros nacionais do PSD que votaram nele, mas tinham obrigação de saber o que é que nos estavam a impingir para primeiro-ministro... Como consequência colateral, o líder da oposição, Ferro Rodrigues, irritou-se com aquilo que considerou a ingenuidade de Jorge Sampaio e demitiu-se da liderança do PS. Foi substituído por... José Sócrates. Por efeito de carambola, tudo isto foi provavelmente a nossa maior cagada política em Democracia.
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15 junho 2024
VINTE E TRÊS DIAS
Para os preguiçosos e/ou distraídos assinalo o facto que decorreram 23 dias (mais de três semanas) entre a notícia de cima e a de baixo. Em rigor, o título da notícia original, a de 22 de Maio, deveria ter sido escrito: «António Gandra d'Almeida (há de ser) o novo dire(c)tor executivo do SNS», tal o tempo que demorou a nomeação. 23 dias para concretizar algo que fora ostensivamente anunciado, para mais quando em cima de outros 29 dias que já mediavam entre esse anúncio e o anúncio precedente da demissão do director executivo anterior, dão uma imagem que a celeridade não parece ser atributo dos novos dirigentes do ministério da Saúde, descontando os seus motoristas, que se despistam nas auto-estradas quando chove...
13 junho 2024
POLÍTICO(A)S QUE SÃO OBRIGADOS A PASSAR DESAPERCEBIDO(A)S QUANDO HÁ ELEIÇÕES PORQUE «ENXOTAM» O ELEITORADO...
Durante o mês de Maio passado e até às eleições de dia 9 de Junho, a deputada socialista Ana Catarina Mendes distinguiu-se por ter feito os maiores esforços para passar desapercebida. E estará de parabéns por ter conseguido. Ninguém a foi incomodar, apesar de ela ter sido apresentada como o terceiro nome da lista que o PS apresentou para o parlamento europeu. Que contraste com Marta Temido! Pelos vistos, dará para especular se, lá pelo Largo do Rato, não devem ter considerado que, enquanto a cabeça de lista se esforçava por cativar os eleitores, dois lugares atrás na lista, Ana Catarina Mendes os enxotaria ao estilo Tânger se abrisse a boca... Daí as (presumíveis) instruções para que estivesse quietinha. Mas foi um esforço, já que Ana Catarina Mendes adora dizer coisas manhosas e trauliteiras para aquecer as hostes dos socialistas indefectíveis, numa função de cheerleader do partido! Nem foi preciso esperar muito dias, aqui a temos, três dias depois das eleições e removida a mordaça, a retomar as tradicionais merdas que até já nos habituámos a ouvir dela - (1) (2) (3) (4). Por um lado, é um prémio à mediocridade, mas, por outro e porque já não há pachorra para a aturar, ainda bem que Ana Catarina Mendes foi despejada em Bruxelas. Que vá para lá facturar umas massas pelos seus bons e leais serviços ao QG do Largo do Rato!
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30 maio 2024
FAÇAM ASSIM: PONHAM A ESCREVER OS ARTIGOS CIENTÍFICOS ALGUÉM QUE COMPREENDA AQUILO QUE ESTÁ A ESCREVER
Escolham alguém que não confunda a antiguidade da galáxia e a época em que ela terá aparecido, 290 milhões de anos depois do "big bang", com a própria antiguidade do "big bang". Numa página da RTP ensina pode aprender-se que o "big bang" terá ocorrido «há cerca de 14 mil milhões de anos». Se nessa página a RTP ensina, neste artigo é evidente que a Lusa e a CNN não aprenderam nada com o que a concorrência anda a ensinar. Mesmo traduzindo os artigos da AFP (como se lê, no fim), os tradutores destes artigos científicos têm que saber mais qualquer coisa para além de inglês. Senão equivalem-se a papagaios, só que em vez de emitirem sons que reproduzem, copiando, mas sem entenderem, fazem precisamente o mesmo com a palavra escrita - umas cacatuas literárias.
Em jeito de remate, constate-se como o Correio da Manhã consegue acrescentar à ignorância, negligência e estupidez de todos os seus colegas da comunicação social uma notável capacidade de síntese. Ou seja, no CM são tão estúpidos como os outros, mas conseguem exibi-lo de uma maneira mais directa e as audiência parecem preferir isso!
DEPOIS DE PEDRO ÁLVARES CABRAL, MAS ANTES DE... JORGE JESUS
30 de Maio de 2014. O jornal Público dá um destaque de duas páginas à história de um treinador de futebol português chamado Paulo Morgado que fora procurar fazer carreira para o Brasil. O retrato é de uma mediocridade confrangedora: «São clubes profissionais que trabalham como amadores. Os jogadores não respeitam os horários e os dirigentes são demasiado emocionais, chegando ao ponto de despedir treinadores no intervalo de um jogo. A maior parte dos técnicos não tira cursos há 15 ou 20 anos. E sem qualidade de treino, não há qualidade de jogo. Os jogos aqui não têm muita qualidade, são anárquicos. Os sistemas tácticos são ultrapassados. Ainda se usa muito o 3 ˣ 5 ˣ 2 e o chuto para a frente.» Se então se presumia que continuava a ser verdade que o Brasil era uma potência futebolística, nomeadamente por causa do manancial de jogadores dotados que gerava, a verdade é que parecia constituir uma benesse que esses craques fossem desde cedo jogar para o estrangeiro, para se habituarem a processos de trabalho verdadeiramente evoluídos. O que era irónico naquela situação é que o diagnóstico parecia estar bem feito, mas os próprios brasileiros recusavam-se a compreender que, sendo jeitosos a jogar a bola, eram uma merda em tudo o resto que se relacionava com a indústria do futebol. Incluindo a actividade de paineleiro de televisão. Cinco anos depois da notícia acima, podemos apreciá-los a boicotarem com toda a veemência a contratação do treinador português Jorge Jesus pelo Flamengo (abaixo).
...creio que aqui todos conhecerão o resto da história e os cinco títulos conquistados pelo Flamengo numa época (2019/20). Ao nível técnico de treinadores, já se ultrapassou a fase d«o 3 ˣ 5 ˣ 2 e o chuto para a frente» e o Brasil evoluiu imenso nestes últimos cinco anos, porque outros treinadores portugueses se seguiram a Jorge Jesus. Ao nível de dirigentes desportivos e, sobretudo, de paineleiros televisivos, isso é que eu já não sei, porque, mesmo já tendo abordado o assunto aqui no blogue, na verdade não presto grande atenção ao tópico. Também, não vale a pena: tendo evoluído bastante, o futebol no Brasil continua a ser, comparativamente, uma merda em relação ao futebol europeu. Espero, ao menos, que a maioria dos brasileiros se tenha tornado mais modesta e menos xenófoba no futebol, porque a lição que apanharam sobre qualidade do futebol foi dolorosa. Não todos: este exemplar da mediocridade vigente que aparece abaixo, por exemplo, resolveu fazer uma fita quando confrontado com aquilo que lhe tínhamos ouvido previamente mais acima sobre Jorge Jesus.
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22 maio 2024
QUANDO QUER, O MINISTÉRIO PÚBLICO APLICA-SE E ATÉ ARQUIVA INQUÉRITOS EM TRÊS MESES!
Em 19 de Fevereiro último houve uma fracção de manifestantes da PSP, GNR e dos guardas prisionais, estimada aproximadamente num milhar de manifestantes, que abandonou a manifestação oficial que decorria no Terreiro do Paço, para se concentrarem junto ao Parque Mayer, cercando o local onde iria decorrer o último debate eleitoral entre os candidatos Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos. Além de ser formalmente ilegal, pois não foram solicitadas quaisquer autorizações para uma manifestação naquele local, aquela iniciativa foi considerada intimidatória – houve um cerco ao local e os manifestantes só o abandonaram depois do debate ter terminado. Seguiu-se depois um período de troca de acusações e intimidações da hierarquia, conforme se pode perceber pelo mosaico de notícias acima, episódio que agora se veio a concluir com o artigo que está ampliado: o Ministério Público pronunciou-se pelo arquivamento do inquérito, por impossibilidade de identificação dos seus promotores. É um daqueles casos em que se pode dizer que, quanto menos se disser, melhor. Apesar de tudo, é bom perceber que há procuradores do Ministério Público que conseguem arquivar um inquérito em apenas três meses, o pior é o contraste com colegas seus que, em seis meses, ainda não conseguiram promover a diligência de ouvir as declarações de um antigo primeiro-ministro que se demitiu por causa da sua associação a um processo que se desencadeara entretanto. Então quando pensamos num outro antigo primeiro-ministro, que foi detido preventivamente há nove anos e meio, então disso, do facto de ainda nem sequer ter começado o julgamento, disso é que é mesmo melhor nem falar!
19 maio 2024
FALAR A SÉRIO(?) DE ASSUNTOS DE DEFESA
O Expresso desta semana dá um destaque de primeira página a um artigo a sério respeitante a assuntos de defesa (só para assinantes). É pena que o jornalista que assina o artigo - Vítor Matos - não inclua nele qualquer comentário quer de fontes autorizadas do ministério da Defesa, quer mesmo do próprio titular da pasta, Nuno Melo, a quem ultimamente temos ouvido opiniões muito interessantes, embora só muito remotamente relacionadas com a Defesa: a agricultura e a pecuária portuguesa, por exemplo - na fotografia abaixo recordemo-lo a visitar há duas semanas a Ovibeja 2024. Além disso há o ministro dos Negócios Estrangeiros que também trata destes assuntos, mas esse também não terá sido consultado.
A ausência de opiniões pessoais e institucionais da parte do ministério da Defesa é o tipo de omissão que empobrece substancialmente o artigo de Vítor Matos, reduzindo-o a um panfleto promocional sobre uns aviões de construção norte-americana de última geração, denominados F-35, giríssimos, caríssimos, a que, por acaso, já me referira desaprovadoramente aqui neste blogue em Março de 2021. O CEMFA, general Cartaxo Alves, que ali defende a sua dama*, chega ao extremo de invocar o argumento que os vizinhos - Bélgica, Noruega, Dinamarca - já compraram e portanto nós também temos de ter uns iguais, argumento que, além de irrelevante só por si, devia ser sempre socialmente confrangedor...
* Ou seja, faz lóbi para que lhe comprem uns aviões de combate modernos e bonitos.
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16 maio 2024
ATÉ PARECE QUE PRECISAM DE DISTRIBUIR OS «TACHOS» RAPIDAMENTE E EM FORÇA...
Depois das suas colegas do Trabalho, com a provedora da Santa Casa, e da Administração Interna com o director da PSP, agora parece ter calhado a vez à ministra da Juventude (acima) a oportunidade de exonerar à bruta um presidente de um organismo qualquer dependente do seu ministério. O mais estranho é que se sabe (e se aceita) que, quando da mudança de governos, estas substituições são costumeiras. Só que, porque podem ser importantes, estas substituições não são urgentes, e por isso costumam-se fazer com discrição e tempo. O que me parece que não está a acontecer de todo desta vez: o governo ainda não completou mês e meio em funções. Os actuais detentores dos ditos «tachos» são, não só publicamente enxovalhados - aquela de obrigar a provedora demitida a permanecer em funções é de quadro de honra... da incompetência - como parece estar a haver uma premência em substitui-los como se não houvesse amanhã. Será que não há amanhã mesmo e os do governo já decidiram ir para eleições à primeira oportunidade que possam aproveitar? É que não vejo outra explicação para tantas tropelias, quando o governo, através da actuação da ministra do Trabalho, está a ser assado em lume lento com as declarações da provedora demitida...
11 maio 2024
ESTRANHO GOVERNO, ESTE...
...em que é o ministro dos Negócios Estrangeiros que se pronuncia publicamente quanto às perspectivas do volume de despesas a alocar futuramente ao sector da Defesa, enquanto o seu homólogo dessa mesma pasta - a da Defesa - se notabiliza mediaticamente por visitar a Ovibeja 2024 para dissertar sobre a importância estratégica da pecuária de ovinos. Acessória e aparentemente, o mesmo ministro da Defesa e líder do CDS terá um pensamento(?) quanto às possibilidades das Forças Armadas desempenharem uma função concorrente à da Casa do Gaiato do Padre Américo... Pelo menos, com o seu colega Rangel, fica-se a saber que o governo não dá quase importância nenhuma à questão da segurança europeia, é coisa para só se pensar daqui a seis anos, o que no ritmo e calendário da actual situação política corresponderá, mais ou menos, ao século XXII. Adivinha-se que, com o mesmo Rangel in charge e porque se trata do famoso Paulo Rangel, vai-se tentar substituir esse desinteresse prático por uma dose elevada de retórica gongórica. Aí, na retórica, não tenho dúvidas que vamos estar muito bem equipados para enfrentar qualquer ameaça à segurança europeia.
08 maio 2024
A ESPIRAL DA IMBECILIDADE
Para se perceber qual a importância que por cá têm os ministros brasileiros, um exercício engraçado seria desafiar qualquer um dos jornalistas responsáveis pelas cinco notícias abaixo a nomear - de memória... - três colegas de governo da ministra que aparece citada: pode ser, por exemplo, o da Fazenda, o das Relações Exteriores e mais um outro qualquer à escolha deles... Ficando nós assim esclarecidos quanto ao gravitas de que por cá gozam os ministros brasileiros, o nosso conhecimento sobre quem eles são, só falta mesmo a referência do que importa a opinião de uma delas... por muito que a comunicação social portuguesa se deixe assim arrastar para esta espiral da imbecilidade. Embora se tenha que reconhecer que o funileiro dessa espiral foi o Marcelo.
Apenas por curiosidade: há actualmente 31 ministros no Brasil. Num elenco assim tão vasto não será nada difícil encontrar um ministro ou outro mais predisposto a dizer disparates como o desta ministra que ninguém sabia quem era, até se destacar precisamente por isso: por dizer disparates.
07 maio 2024
A «ALMOÇARADA» NA TRAFARIA
(Republicação)
Domingo, 7 de Maio de 1944. «O 1º batalhão da Brigada Naval da Legião Portuguesa, acampado desde ontem na mata da Trafaria, terminou hoje o seu exercício de campo. Esta manhã, depois da alvorada e da missa campal, com a presença do sr. comandante Henrique Tenreiro, efectuou-se um exercício de progressão na praia entre a Cova do Vapor e a Trafaria.
Partia-se da hipótese que os legionários tinham levado a cabo um desembarque naquela zona, onde encontraram resistência. O exercício, dirigido pelo comandante do 1º batalhão, 1º tenente Horácio de Carvalho, desenvolveu-se normalmente e o batalhão, utilizando todos os serviços de transmissões, fez a sua progressão até ao local do acampamento.
Ás 13 e 30 realizou-se, á sombra do pinhal, um almoço de confraternização, a que presidiu o sr. comandante Henrique Tenreiro e com as presenças dos srs. capitão de mar e guerra Alberto dos Santos e major Nascimento, Chefe de Estado Maior da Brigada Naval, bem como de muitos oficiais, graduados, etc.
Aos brindes, usou da palavra o sr. comandante Henrique Tenreiro, que pronunciou um caloroso discurso, entrecortado de grandes aplausos.
Começou por lembrar que o sr. comandante Alberto dos Santos, grande amigo da Brigada Naval, completava hoje 70 anos, passando por isso à reforma, motivo pelo qual traçou o seu elogio.
Continuando, o sr. comandante Tenreiro afirmou que, "certos da vitória de Salazar, os legionários continuam unidos e prontos a obedecer-lhe à primeira voz".
Acentuou que a união da Brigada Naval tem sido timbre daquela corporação, sendo necessário que continue a sê-lo enquanto Salazar assim o entender.
Terminou lembrando aos legionários navais, que, sendo eles soldados da Revolução Nacional, cumpre-lhes manter cabeças ao alto, fé em Deus e na política do Estado Novo.
O sr. major Carlos Nascimento, chefe de Estado Maior da Legião, exaltou depois o espírito de unidade e a força espiritual e material dos legionários, afirmando que o comandante Henrique Tenreiro tinha na Brigada Naval um dos grande expoentes do seu espírito de grande organizador.
Por último, o sr. comandante Alberto dos Santos agradeceu as palavras que lhe tinham sido dirigidas e incitou os legionários a cumprirem sempre os seus deveres.
O batalhão regressou a Lisboa ao fim da tarde.»
O que acabaram de ler é a transcrição completa da notícia. Num Mundo então em guerra, esta história de umas manobras navais na outra banda quase parece uma paródia provocatória. Se do outro lado do Mundo fuzileiros navais americanos arriscavam e perdiam a vida em operações anfíbias, por cá esses exercícios eram encenados com a seriedade de um piquenique ao fim de semana: houvera uma noitada de acampamento, seguida de alvorada e missa (não houve café da manhã?...), com o prato de resistência a ser constituído por uma passeata de uma meia hora entre duas praias (cova do vapor e trafaria) para apanhar a brisa do mar e assim se ir abrindo o apetite para o almoço, servido à sombra dos pinheiros, a seguir ao qual houve uma sequência de discursos para ajudar a digestão. Houvesse ele invasão e a Pátria estava salva graças ao 1º batalhão da Brigada Naval da Legião Portuguesa!
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06 maio 2024
PORTUGAL 6, BRASIL 0, E O RICARDO COSTA É UMA LÁSTIMA A ARBITRAR
Este é um daqueles momentos que é uma verdadeira angústia do ponto de vista científico e académico, tal é o desequilíbrio de cultura e conhecimentos entre o historiador português João Pedro Marques e a jornalista brasileira Giuliana Miranda. Uma pessoa normal apercebe-se que a cena é um massacre intelectual: naquilo que concerne especificamente ao tópico da escravatura transatlântica, o primeiro estudou-o aprofundadamente, encadeia mesmo vários argumentos* arrasadores contra as pretensões brasileiras de se desresponsabilizar por aquele comércio, enquanto a segunda acha umas coisas e limita-se a ripostar com umas interjeições que se pretendem pretensamente irónicas. Um conhece o assunto de que está a falar, a outra não faz nem ideia. Também, é uma mera jornalista... Escrevi mais acima que uma pessoa normal aperceber-se-ia do significado da cena, só que os anfitriões deste patético momento foram a SIC Notícias e Ricardo Costa, que não é uma pessoa normal: é um jornalista de televisão também particularmente ignorante como a Giuliana. Se o fosse (normal), Ricardo Costa teria compreendido o que estava a acontecer e interrompido o espectáculo, como o fazem os árbitros de boxe, para protecção do mais fraco quando se vê que há um desequilíbrio notório entre os contendores. Aqui não: o programa prosseguiu fingindo que os argumentos se equivaliam. Pobre Giuliana! Tonto Costa! (Recordo aqui que Ricardo Costa era alguém que, há quinze anos, julgava que as doze estrelas da bandeira europeia representavam cada uma os estados membros - ignorância por ignorância, recordemos que isto não é só a ignorância do número das quinas do Sebastião Bugalho, a classe dos opinadores está muito bem servida de tontos ignorantes...)
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05 maio 2024
O PLANO... QUAL PLANO?... (ESCLARECIDO)
Só agora é que se percebe com clareza em que consiste o Plano de Emergência para a Saúde prometido por Luís Montenegro há mais de 100 dias (22 de Janeiro de 2024). Notabilizava-se por não existir e por ninguém - a começar pelo próprio Montenegro que o anunciou - fazer a mínima ideia quais seriam as suas linhas gerais quando foi prometido. Só agora é que um grupo de 13 sábios o irá «desenhar» (4 de Maio de 2024). Depois de terem entretanto deixado passar mais de três meses, os sábios têm agora um (mês) para «apresentar(em) propostas». Esperemos que os sábios tenham jeito para o desenho, porque é patente que os políticos - o primeiro-ministro e a ministra da Saúde - não têm jeito nenhum, nem para a política.
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