Um Americano em Férias é uma comédia romântica neorrealista passada na Itália em ruínas de 1946. Estes filmes italianos do imediato pós-guerra são sempre fascinantes por se implicarem a si mesmos no esforço de reconstrução que a sociedade está a empreender. O argumento, nesse sentido, é cristalino (e assinado por Gino Castrignano). Dois soldados americanos (Adolfo Celi e Leo Dale), em licença por uns dias, viajam para Roma, sonhando com as belezas femininas (vivas!) da cidade. Passam e param numa aldeia em ruínas porque se encantam com a professora (Valentina Cortese) que também irá a Roma tentar financiamento para a reconstrução da escola, da igreja e da aldeia. Em Roma viverá um idílio amoroso com um dos americanos em licença tal como numa comédia romântica de Hollywood (aliás, esta é citada pelo americano numa das cenas mais divertidas que arrancou gargalhadas aos cinéfilos da cinemateca). Mas talvez a contribuição mais importante da heroína para o momento de reconstrução não tenha sido o financiamento garantido mas a sua atitude perante o assédio dos americanos. Enquanto muitas italianas se lançavam nos braços dos americanos e abandonavam os namorados italianos (é o que acontece com duas personagens do filme) a professora não se deixa iludir e resiste à sedução fácil. Esta é certamente uma das mensagens do filme. Outra razão para ver o filme: Roma. Cafés, restaurantes, as ruas, o Vaticano, o jockey club, tudo filmado in loco. Paris 02.2016 3,5/5
Mostrar mensagens com a etiqueta C1946. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta C1946. Mostrar todas as mensagens
1.8.26
26.7.26
Centennial Summer (Otto Preminger, 1946)
REALIZADOR: Otto Preminger ARGUMENTO: Michael Kanin, baseado no romance Centennial Summer, de Albert E. Idell PRODUÇÃO: Otto Preminger (20th Century Fox) ELENCO: Jeanne Crain, Cornel Wilde, Linda Darnell FOTO: Ernest Palmer ESTREIA: 08.1946 (EUA) 19.05.1947 A TIA DE PARIS (Portugal) VIS 20.01.2025 Cinémathèque
CANÇÕES: The Right Romance, Up with the Lark, All Through the Day, In Love in Vain, Cinderella Sue, Two Hearts Are Better Than One (cortada do filme)
24.2.24
13.9.22
Alfred HITCHCOCK 1940s
NOTORIOUS (1946)
V1980s V2008 V09.2022 FQL
| UNDER CAPRICORN (1949) Cartaz da reposição nas salas 27/2/019 |
Um filme de época é o que menos se espera de Alfred Hitchcock, que sempre preferiu a época contemporânea. Under Capricorn retoma o duelo da senhora da casa e da governanta que fazia o suspense de Rebecca, o filme que impôs e consagrou o mestre britânico nos Estados Unidos. Ingrid Bergman ama o marido (Joseph Cotten) e este ama a mulher a ponto de ter sido preso e em seguida exilado na Austrália por um crime cometido por ela. Margaret Leighton é a governanta que quer separar os esposos e ficar com o patrão, que tem a mesma origem social que ela (a mulher é da nobreza e renegou a família para juntar-se ao marido). Não é dos melhores filmes de Hitchcock mas ainda assim é excelente, com aquele suspense psicológico em que ele era mestre. Cinemateca de Lisboa & Paris 03.2019 Le Champo
22.11.21
The Killers (Robert Siodmak, 1946)
É impressionante como o mesmo conto de Hemingway deu origem a dois filmes tão diferentes, que torna pouco significativo dizer-se que o filme de Siegel (The Killers, 1964) é um remake do filme de Siodmak. Neste, a investigação sobre um assalto ocorrido anos antes é levada a cabo por um funcionário zeloso de uma companhia de seguros; naquele são os dois assassinos profissionais que matam um dos protagonistas do assalto que vão em busca dos restantes ladrões. Em ambos os casos todos procuram o dinheiro e saber quem ficou afinal com ele. No filme de Siegel apenas temos vilões, no de Siodmak temos o contraste entre estes e os que estão do lado da Lei. O de Siegel é bem mais negro. Ambos os filmes são admiráveis, mas talvez o de Siegel leve vantagem, pois enquanto o de Siodmak é um filme noir sem grande novidade, o de Siegel é pioneiro e anuncia algum do grande cinema americano dos anos seguintes, como Bonnie & Clyde (1967). Paris: 2008 Le Champo & 2015 FQL 3/5
The Killers (1946), film noir de Robert Siodmak (nomeado ao Oscar), argumento de John Huston, Richard Brooks e Anthony Veiller (nomeado ao Oscar), adaptação de um conto de Ernest Hemingway (1927), com Burt Lancaster, Ava Gardner, Edmond O'Brien, Sam Levene, William Conrad, música de Miklós Rózsa (nomeado ao Oscar), produzido por Mark Hellinger (Universal).
The Killers (1946), film noir de Robert Siodmak (nomeado ao Oscar), argumento de John Huston, Richard Brooks e Anthony Veiller (nomeado ao Oscar), adaptação de um conto de Ernest Hemingway (1927), com Burt Lancaster, Ava Gardner, Edmond O'Brien, Sam Levene, William Conrad, música de Miklós Rózsa (nomeado ao Oscar), produzido por Mark Hellinger (Universal).
Tinha saudades de ver um filme noir, daqueles clássicos a preto e branco com mulher fatal (Ava Gardner), bandidos (Burt Lancaster e outros) e os bons do lado da Lei (o polícia e o agente de seguros) e acima de tudo o interior negro destas personagens dominadas pelo vício do dinheiro, da luxúria e do poder sobre os outros. The Killers tem tudo isso na dose certa. Terceira vez que o vejo desde 2008 e pareceu-me melhor do que nunca. Paris 2020 Christine 3,5/5
The Killers (Universal, 1946), film noir de Robert Siodmak (nomeado ao Oscar), argumento de John Huston, Richard Brooks e Anthony Veiller (nomeado ao Oscar), adaptação de um conto de Ernest Hemingway (1927), com Burt Lancaster, Ava Gardner, Edmond O'Brien, Sam Levene, William Conrad, música de Miklós Rózsa (nomeado ao Oscar), produzido por Mark Hellinger (Universal).
The Dark Mirror (1946)
DVDTECA
24.6.19
Somewhere in the Night (Joseph L. Mankiewicz, 1946)
Este é o segundo filme de Joseph L. Mankiewicz como realizador e por ele vemos que Mankiewicz não estava talhado para o cinema noir. Um soldado (John Hodiak) recupera de um ferimento de guerra (1945) mas está amnésico, não sabendo nada da sua identidade. Vai proceder a uma investigação do seu passado, com descobertas surpreendentes. Terá sido ele um assassino? Com John Hodiak, Nancy Guild, Lloyd Nolan, Richard Conte. Foi reposta uma cópia nova do filme em França em 2013. Paris 2013 Le Champo & 2019 Cinémathèque 2,5/5
7.3.19
O Castelo de Dragonwick (Joseph L. Mankiewicz, 1946)
O Castelo de Dragonwick (Joseph L. Mankiewicz, 1946)
O primeiro filme escrito e realizado por Joseph L. Mankiewicz remete para obras como O Castelo de Barba Azul (conto e ópera) e Rebecca (romance e filme), só para dar dois exemplos muito conhecidos de histórias em que um homem atrai uma mulher para a sua casa (por meio do casamento) mas ela lá encontrará, ameaçador, o passado feminino do marido. Gene Tierney encontra em Vincent Price (futuro vampiro) o seu Barba Azul e cai na sua teia. Pouco a pouco descobre os "cadáveres" das mulheres que a precederam no castelo. Uma história negra dos tempos do pós-guerra, em que também se descobriam os crimes hediondos da guerra. Cinema noir? Produzido por Darryl F. Zanuck e Ernst Lubitsch, com Gene Tierney, Walter Huston e Vincent Price. Vila do Conde 03.2019 3,5/5 DVDteca
6.6.14
Scarlet Street (Fritz Lang, 1946)
Li que Scarlet Street foi durante algum tempo considerado um filme pouco importante na filmografia de Fritz Lang. Para mim, desde a primeira vez que o vi, é simplesmente um dos meus filmes preferidos não só de Lang como de todo o cinema. Já o vi algumas vezes e a paixão nunca esmoreceu. Em maio último foi reposto, numa cópia restaurada, nas salas francesas. Não sei o que mais admirar: a mestria de Lang, o argumento de Dudley Nichols ou as encarnações de Joan Bennett e Edward G. Robinson. Estes atores e Lang antes tinham assinado outra obra-prima do cinema negro, The Woman in The Window. Qual deles o melhor, venha o diabo e escolha. Uma cena memorável de Scarlet Street? Sem dúvida, a do assassinato de Bennett, quando ela se vira de costas na cama e ri-se desdenhosamente do homem que explora e só este vê nesse gesto o choro de arrependimento. Poucas cenas do cinema de Hollywood me impressionam tanto. Um dos filmes da minha vida, claro. Paris 2014, Nota: 5/5
Subscrever:
Mensagens (Atom)