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5.2.21
SONHO AO LUAR - PARTE XIII
20.1.21
SONHO AO LUAR - PARTE VI
15.1.21
SONHO AO LUAR - PARTE IV
Depois do jantar, como já era tarde, e a avó se deitava cedo, Isabel arrumou as suas roupas e como a noite estava quente resolveu dar um passeio. Enquanto o fazia, pensava no que a avó lhe tinha contado. Hélder estava cego. Como era possível? O que teria acontecido? E era escritor? Ela nunca ouvira o seu nome ligado à literatura, nem vira nenhum livro dele. Decerto usaria um pseudônimo. Mas qual?
5.10.20
CILADAS DA VIDA - PARTE XLI
Após alguns minutos de indecisão, Olga entrou no gabinete
do empresário e encontrou-o de costas junto à janela. Conhecia-o bem demais, para
não saber que era a atitude que tomava quando alguma coisa o incomodava. Não se
atreveu a perguntar sobre a visita do advogado, limitou-se a recolher o
tabuleiro com as chávenas vazias e a perguntar:
- Precisas de alguma coisa?
Sobressaltado voltou-se. Perdido nos seus pensamentos não
dera pela entrada da sua assistente.
- Não. Pousa isso e senta-te. Preciso falar contigo, -
disse encaminhando-se para a sua secretária e sentando-se.
Olga obedeceu e aguardou. O patrão parecia-lhe tão
transtornado, que apesar de toda a confiança que os unia, não se atreveu a
fazer-lhe perguntas. Depois de um curto silêncio ele perguntou:
- Tu tens mais dez anos do que eu, verdade?
- Quase onze, sabes bem disso, - respondeu Olga sem
descortinar a razão de semelhante pergunta.
- E aos dez, onze anos, as crianças já guardam recordações que ficam
para a vida. Sempre moraste naquela casa?
Cada vez mais intrigada, ela respondeu;
-Nasci lá. Meu pai recebeu-a do meu avô, como prenda de
casamento.
- Tu lembras-te da minha mãe?
- Sim.
- Como era ela? Não me refiro ao físico, mas como pessoa.
- Porque queres saber isso agora, se nunca permitiste a
ninguém que te falasse dela? O que aconteceu? Quem era aquele advogado, e
porque é que quando eu entrei vocês pareciam dois galos de combate antes de uma
luta?
- Mais tarde eu te conto, agora por favor, responde à minha
pergunta.
- Sim lembro-me bem da tua mãe. Era uma mulher de sorriso doce
com uns olhos iguais aos teus, mas tão tristes, que pareciam estar sempre cheios
de lágrimas, embora na verdade nunca me lembre de a ver chorar. Devia ser por
causa das brigas que tinha com o teu pai.
- O quê? Ele maltratava-a? – perguntou levantando-se e
encaminhando-se de novo para a janela.
- Queres saber se lhe batia? Penso que não, pelo menos nem
eu nem a mãe, demos alguma vez por ela ter marcas físicas. Nas sabes bem que muitas vezes nem são os maus tratos físicos os que causam mais danos, A minha mãe, dizia
que a pobre vivia enclausurada por causa dos ciúmes doentios do marido. Ela só
saía de casa acompanhada por ele, e não podia falar com ninguém. Mesmo connosco só o fazia, quando ele
estava na oficina. Hoje quando penso nisso, acho que ela tinha chegado a um
ponto que só tinha dois caminhos à sua frente. Ou fugia para onde ele não a
encontrasse, ou acabava com a vida. E nós nunca acreditámos que ela fugiu com
um amante. Isso foi invenção do teu pai. Um dia no fim da manhã, quando cheguei da escola, encontrei a mãe a
dar-te o biberão. Disse-me que a vizinha lhe pediu se ficava contigo enquanto ia
ao posto médico onde tinha uma consulta. Nunca voltou. Mais tarde a mãe disse que desconfiara de alguma coisa, porque se despediu de ti a chorar.
- Meu Deus, e ele sempre me fez acreditar que
ela era uma galdéria, capaz de nos abandonar para correr atrás de um dos seus
amantes. E mesmo na hora da morte, quando me pediu perdão por não ter sido um
bom pai, me disse que a culpa de ele ter sido assim fora dela, que toda a vida a amara e que depois que ela o abandonara se
sentira morto por dentro e talvez por isso não tivesse sabido ser bom pai.
- Talvez ele acreditasse nisso. A minha mãe sempre dizia
que aquilo não eram ciúmes, era doença.
-Mas vocês cuidavam da casa. Eu sempre pensei que eram
amigas dele.
- O teu pai não era homem que tivesse amizade com ninguém.
E nós cuidávamos da casa, das roupas, da comida, por ti. Diz-me quantas vezes
te lembras do teu pai cozinhar para vós? Tu não terás memória disso, mas até quase
aos quatro anos comias e dormias na nossa casa, como se fosses meu irmão. E durante esses quatro anos ele nunca bateu à nossa porta para perguntar como estavas. Um dia, sem qualquer explicação chegou lá, pegou-te num braço, levou-te para casa e nunca mais te deixou ficar connosco passando a levar-te com ele para a oficina. Mas porque nós víamos a pouca importância que ele te ligava, é que lá íamos fazer a comida e limpar a casa. Era por ti, não por ele.
- Obrigado Olga. Vou
sair. Amanhã ou depois conto-te tudo. Tudo isto é muito doloroso para mim. Agora preciso arrumar ideias, respirar ar
puro.
17.8.20
CILADAS DA VIDA - PARTE XX
10.8.20
CILADAS DA VIDA - PARTE XVII
7.8.20
CILADAS DA VIDA - PARTE XVI
15.7.20
CILADAS DA VIDA - PARTE VI
Depois de uns momentos, voltou para a secretária. Alto, bem constituído, vestia um fato azul, cujo casaco repousava nas costas da cadeira, e camisa branca que acentuava a largura dos seus ombros. Sentou-se e passou os dedos pelos cabelos castanho-escuro, já salpicados por alguns fios brancos, afastando da testa uma madeixa rebelde. Parecia preocupado e irritado.
Carregou no botão que o ligava ao gabinete da sua assistente.
3.6.20
ISABEL - PARTE XVI
Nota: Hoje vou para o hospital de Santa Maria a fim de que o cirurgião que me fez o transplante veja como está o olho, e o que fazer a seguir uma vez que apesar de ter visão, coisa que não tinha antes do transplante, continuo a ver ondulado e meio desfocado. A outra consulta por causa da retina que era para as 10h de hoje foi remarcada ontem para as 10h do dia 3 de Agosto.
7.5.20
À MÉDIA LUZ - PARTE XVII
Gabriel que viajara para o estrangeiro, já estava ausente há quatro dias, quando o inspetor se apresentou naquela tarde, no escritório, finalmente portador de uma boa notícia. Tinha conseguido a prova para reabrir o processo e libertar o pai de Sandra.
6.5.20
À MÉDIA LUZ - PARTE XVI
-Na altura ainda não tínhamos o actual sistema de segurança. Ele só foi introduzido depois do desfalque. Tínhamos segurança privada nas instalações, mas a segurança informática e bancária deixava muito a desejar.
- E como vão conseguir isso, agora tanto tempo depois?
-Para nós seria impossível, mas não para um investigador da Judiciária, e o Pedro é dos melhores. Pode levar algum tempo, mas ele consegue, podes acreditar.
4.5.20
À MÉDIA LUZ - PARTE XIV
Depois daquele fim-de-semana alucinante, em que o patinho feio da empresa se transformou num belo cisne, e fechadas que foram as bocas de espanto, com o novo visual da secretária, a vida parecia ter voltado ao normal.
Parecia, porque não raras vezes, depois daquele dia, Gabriel visitava Sandra à noite. Como se houvesse prévia combinação, chegava pelas dez horas, perguntava se ela lhe oferecia um café, e seguia para a sala, enquanto a jovem ia preparar a aromática bebida. Durante uma hora, conversavam de tudo e de nada, e pelas onze horas ele levantava-se e ia embora. O que o levava a agir assim, nem ele próprio entendia. O que sabia é que às vezes na solidão da sua grande e luxuosa sala, sentia uma necessidade premente de conversar com ela, saudade do calor humano que sentia na modesta sala de Sandra.
Ninguém que conhecesse Gabriel, acreditaria, que ele sentia necessidade de estar com uma mulher, que não fosse sua amante, e no entanto nunca houvera nada entre eles, nem sequer uma insinuação de ordem mais intima. Durante as horas de expediente, as suas relações, eram agora as de qualquer chefe, com a sua secretária. Educadas e profissionais. À noite, eram… bom a falar verdade nem ele mesmo sabia o que eram. Só sabia que aquele estranho ritual lhe dava um imenso prazer, e que se sentia em casa dela, como alguém que anda perdido e de repente encontra o seu porto de abrigo.
Por isso, quando o desejo ameaçava tornar-se maior do que a sua força de vontade, despedia-se e regressava a casa.
Nota: devem notar que tenho estado mais ausente nos últimos dias. Tenho estado com ardores nos olhos e muito chorosa, pelo que estou no computador o mínimo possível. Felizmente a história é uma reposição, pois há quase uma semana que só consigo escrever alguns comentários e pouco mais.
30.4.20
À MÉDIA LUZ - PARTE XIII
Sandra limitou-se a acenar com a cabeça.
-Por favor Pedro, - interrompeu Gabriel - conhecendo as suas razões, eu nunca faria isso!
O segurança saiu fechando a porta. Gabriel perguntou então ao inspetor:
- E com que frequência vocês verificavam o saldo da empresa?
- Bom, recordo que na altura, eu ainda estava a tentar inteirar-me do que acontecia por aqui. Preocupava-me mais com os projetos que meu pai tinha deixado a meio do que com as contas. Isso estava mais com o António e nessa altura ele também andava um bocado em baixo não só com a morte do meu pai de quem era amigo há anos, como com a própria saúde.
- Isso torna possível que o desfalque tenha ocorrido algum tempo antes de vocês darem por isso, - concluiu o inspetor ficando por momentos pensativo. Depois de alguns segundos em que o silêncio reinou no gabinete, retomou a palavra e disse olhando para a jovem:
Só para os que estão a ler a história pela primeira vez.
Parece evidente que o Gabriel não teve nada a ver com o desfalque. Então quem vos parece que tenha sido? Alice? António, o ex-sócio de Gabriel? Outro empregado? Ou Sandra está completamente enganada em relação ao pai?
E amanhã é de novo um dia especial, pelo que esta história continua a 4 de Maio.
28.4.20
À MÉDIA LUZ - PARTE XII
No dia seguinte, depois de muito pensar, Gabriel decidiu que o melhor local para se encontrarem e falarem sem serem interrompidos, seria na empresa, que, como era domingo, estava fechada. Depois telefonou ao amigo e à jovem informando-os da sua decisão e confirmando a hora da reunião.
- Não o meu pai. E se o senhor não acredita que ele está inocente, não vai ajudar-me em nada. O melhor é ir-me embora, - disse levantando-se.
- Por favor sente-se e acalme-se. O Gabriel pediu-me ajuda e eu vim. Isso significa que quero ajudar. Deve compreender que na minha profissão, somos desconfiados por natureza e não conheço o seu pai. Tudo o que lhe possa perguntar, será o mesmo que perguntaria em qualquer outro caso em que estivesse envolvido, na certeza de que procurarei acima de tudo a verdade. Nem por amizade ou mesmo laços familiares eu falsearia um resultado. Entendeu?
-Sim. Peço desculpa!
-Não precisa. Sei que para si a situação é muito dolorosa. Voltando à nossa conversa. Que mais lhe disse o seu pai, além de jurar, que era inocente?
E porque amanhã é um dia de festa, não haverá esta história. Mas por favor não faltem. Estão todos convidados.