Mostrar mensagens com a etiqueta sabores. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta sabores. Mostrar todas as mensagens

domingo, 17 de junho de 2018

Doce


À medida que as amoras iam amadurecendo, um pássaro careca e carente de asas debicava-as todas. Ou quase. Escolhia as primeiras horas de sol, quando a rua ainda estava quase deserta e, fingindo-se de ginasta, de agachamento em agachamento, de pequena corrida em pequena corrida, chegava-se à sebe. Aí tratava dos alongamentos e do pequeno-almoço repleto de antioxidantes. Um pássaro muito saudável. Hoje terá optado por outro desjejum. Ou então comeu as verdes que sobraram da colheita matinal do dono da silva. O proveito foi meu, que para além do pequeno almoço, em cru, asseguro também o lanche, em doce.


quinta-feira, 13 de julho de 2017

Arjamolho *

Tomates maduros, mas rijos, pimento verde, pepino, cebola, todos muito bem picadinhos em pequenos cubos, vão se acomodando numa saladeira xxxl. Ponho o pão, de preferência duro, também cortado aos cubos, a fazer-lhes companhia. Chegam depois os temperos de sal orégãos, azeite e vinagre. Todos juntos e misturados que estão, afogo-os em basta água fria. Muito fria. Com gelo se preciso for. Fica pronto o arjamolho, amigo dileto da sardinha assada que, por estes dias de verão, marca presença assídua por aqui.  Bendigo o arjamolho, verdadeiro super-herói dos dias em que se abre a torneira e até a água fria sai quente. 

* que é como quem diz (em algarvio) gaspacho.

sábado, 1 de junho de 2013

O bolo de chocolate mais fácil de fazer do mundo

Há por aí uma marca que é “o melhor bolo de chocolate do mundo”. Não duvido da afirmação. Quanto a mim, resolvi chamar a este que aqui está “o bolo de chocolate mais fácil de fazer do mundo”. É uma receita da minha prima V. e para além de fácil não deve ficar atrás do tal que diz que é o melhor.



Basta colocar 200g de chocolate e 200g de manteiga sem sal a derreter no micro-ondas. Retira-se e mexe-se bem. Acrescenta-se 200g de açúcar e mexe-se mais um pouco. Vai-se juntando e batendo, um a um, cinco ovos. Por fim, junta-se duas colheres bem cheias (ou 3 rasas) de farinha. Vai ao forno em forma forrada com papel vegetal e untada com manteiga e coze por 30 minutos a 180º.


Servidos de uma fatia?

sábado, 4 de maio de 2013

Ovos-moles


Porque é que me lembro de estar num comboio parado numa estação e da minha mãe me comprar uma barrica de ovos-moles?

Isso só poderia ter acontecido na estação de Aveiro. Ou será que a venda das barricas chegava a Lisboa? É que ainda hoje perguntei ao meu pai se, quando eu era criança, alguma vez tínhamos viajado até ao norte de comboio e ele disse-me que não. De comboio só para França e não se passava por Aveiro. 

O certo é que tenho esta imagem comigo. Sei que me compraram uma barrica de ovos-moles numa estação de comboios. A minha mãe já não está cá para me confirmar esta memória. Mas ela ficou de tal modo gravada em mim que há dois dias atrás, antes de sair de Aveiro, tive que comprar uma barrica. Está cheia de ovos-moles. Mas já é por pouco tempo. Está na hora de jantar e eu estou aqui só a suspirar pela sobremesa.


sábado, 28 de abril de 2012

Bolachas

A tarde trouxe chuva e cheiro a coisas doces. Tenho a cozinha quente e uma caixa cheia de broas de café e bolachas de manteiga. Vai um chá?



As broas são destas.

As bolachas são triviais, feitas com 150g de manteiga, 150g de açúcar, 1 pitada de sal, 1 colher de sopa de rum, uma colher de sopa de sumo de limão, 1 ovo e 300g de farinha. Os ingredientes vão se juntando pela ordem em que os assinalei. Amassa-se um pouco e faz-se uma bola que se guarda tapada no frigorífico durante duas horas. Depois é estender, cortar e colocar sobre folha de papel vegetal, em tabuleiro, e levar a cozer em forno aquecido a 200º, cerca de 10 minutos até as bolachas ficarem douradinhas.



domingo, 8 de abril de 2012

Passeio de domingo (91)


O passeio de hoje é um tanto ou quanto sedentário. Em dia de receber a família para o almoço, faço-o quase todo à volta da mesa e desejo a quem por aqui passe uma doce Páscoa.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Batata-doce

A casa, virada a sul, debruçava-se sobre a paisagem inclinada e as suas vistas alcançavam, no horizonte, uma faixa de mar um pouco mais azul do que o céu. Tinha um pátio longo com duas cisternas que recebiam as águas da chuva e, no lado poente, ligada perpendicularmente ao edifício principal, estava a casa do forno. Numa fornalha crepitava o lume. Havia alguma azáfama da gente crescida mas falha-me a memória sobre os afazeres em curso. Seria dia de cozedura de pão? Não sei. O que sei é que nesse dia, na casa da minha avó, também se fritava batata-doce. Fritava-se batata-doce às rodelas e eu, entre duas corridas pelo pátio fora, ia buscar uma ou outra rodela para comer. Perdi também a lembrança do sabor da batata-doce frita. Todos os anos, no outono come-se batata-doce aqui em casa. Assada, cozida, de sobremesa ou a acrescentar o jantar de feijão. Mas nunca mais comi batata-doce frita. Agora que me lembrei daquelas rodelas douradas, sei que não vou descansar enquanto não recuperar esse sabor perdido.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Para adoçar o dia... clafoutis de uvas

Há dias comentei uma tarte de morangos da Isa GT, prometendo deixar aqui a receita de uma tarte de uvas que tinha feito pouco tempo antes do seu post. Na resposta ao comentário ela prometeu a receita dela em troca. Vamos então ver se isto resulta. Na verdade esta “especialidade” é uma coisa que fica a meio caminho entre a tarte e o pudim. Roubei-a aos franceses e fiz mais ou menos assim:

Comecei por untar uma forma de tarte com margarina. Liguei o forno a 180º para ir aquecendo. De seguida arranjei as uvas cortando os bagos ao meio e retirando-lhes as grainhas. Forrei com elas o fundo da tarteira. Misturei uvas brancas e pretas.

Coloquei 100 g de farinha num recipiente, juntei 180 g. de açúcar e mais um pacotinho (20 g) de açúcar baunilhado. Acrescentei 4 ovos e bati bem a mistura. Por fim, fui juntando aos poucos 40 cl. de leite. Deitei este preparado sobre as uvas e levei ao forno cerca de 40 minutos.

Et voila!





Só espero que a Isa GT resolva depressa o seu problema informático para eu lhe poder cobrar a receita da tarte de morangos...

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Bolinhos de coco

No ano passado, por esta altura, este bloguesito de esquina, resolvia participar na festa de aniversário do Figo Lampo, um blogue de sabores divinalmente partilhados pela Margarida. Respondi ao seu convite, como já tenho respondido a desafios de outros blogues, numa relação de conhecimento limitada ao espaço da blogosfera. Mas se o mundo é pequeno, a blogosfera também. É que, passados alguns meses, tendo eu criado um perfil no facebook, que praticamente só uso por motivos profissionais, acabei por descobrir que afinal a Margarida e eu nos conhecíamos na “vida real” e que até já fomos colegas de trabalho. Foi uma feliz e agradável surpresa.


Este ano a Margarida festeja o terceiro aniversário do seu Figo Lampo e eu, por maioria de razão, não poderia deixar de responder ao seu desafio.


Ela convida-nos para a festa, desafiando-nos a confecionar e a publicar uma receita que de algum modo se inspire na temática numérica do “três”.


Dei voltas à cabeça e aos rascunhos de receitas que tenho, perdidos por entre as páginas dos livros de culinária aqui de casa. Convinha que fosse uma coisa fácil… nada de muito exigente para um blogue pouco dado às receitas.


E encontrei. No meio de umas fichas de cozinha, arrancadas a velhas revistas e guardadas numa capa de cartolina, estava um pedaço de papel cor-de-rosa, meio enrugado com um curto apontamento. Pequei nele, fui para a cozinha e assim nasceram os meus bolinhos de coco, feitos apenas com três ingredientes, dos quais três ovos. Por muito singelos que sejam, acho que os meus bolinhos de coco não irão fazer má figura na festa da Margarida.




Receita:


3 ovos


250 g. de coco ralado


250 g de açúcar


Mistura-se tudo. Coloca-se em pequenas formas de papel plissado e vai ao forno para dourar.



Os meus parabéns à Margarida e ao Figo Lampo!



quinta-feira, 14 de julho de 2011

Xerém



Não estou aqui para enganar ninguém e, como sabem, este blogue não é nada isento. Por isso aqui fica o apelo para a votação no xerém com conquilhas, o prato algarvio finalista na iniciativa 7 Maravilhas da Gastronomia.

Se nunca provaram, tratem de o fazer. É muito bom. Se não tiverem à mão... ou será ao pé...? um restaurante que o sirva, aqui fica uma receita facultada por outra algarvia marafada.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Festa na aldeia




Hoje comi chícharos pela primeira vez na minha vida. Comi um jantar de chícharos nas Festas Populares de Boliqueime que decorrem até domingo. O “core-businness” destas festas - também sei algum inglês técnico - é a tradição, em especial a gastronómica, já que se compõem essencialmente de tasquinhas onde podemos degustar os comeres de outros tempos: xerém, jantar de milhos, cabidela de galinha, carne de porco frita… e jantar de chícharos.


Nunca tinha provado. Não me lembro de a minha mãe alguma vez ter feito este prato. Gostei. Mas também… gosto de quase tudo. Em criança carecia de apetite, mas tornei-me aquilo a que chamamos de boa boca. A sobremesa foi um carriço e um café de borras. Seguiram-se algumas voltinhas em torno da igreja, espiolhando as ementas dos outros e apreciando a etnografia local.



Todos os anos, repito a dose. Ah… santa terrinha!













domingo, 22 de maio de 2011

18



O dia é de festa. O bolo é de chocolate, morangos e chantilly. O meu filho mais novo já vota no próximo dia 5 de junho... xiiii... como o tempo voa!

domingo, 1 de maio de 2011

Passeio de Domingo (47)




O dia de maio, hoje, decidiu ser do contra. A chuva não deu descanso e não permitiu nem o tradicional piquenique nem ao menos o habitual passeio pelo campo.

Vinguei-me nos doces típicos com que no Algarve se assinala o dia do trabalhador. Ontem à noite fiz pela primeira vez um bolo de tacho. Ofereceram-me um queijo de figo. E assim que publique este post, vou comer caracóis.








E mai nada!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Folares

O forno de lenha voltou ontem à vida depois de muitos anos a hibernar. Desde que se foram as mãos que amassavam o pão e os folares cá de casa, ficou para ali guardando cinzas e servindo de abrigo a algumas aranhas que teceram panos de renda para dependurar na sua porta de metal. Mas ontem, voltou a arder e ao longo da manhã o ar foi recebendo os seus aromas. Primeiro o cheiro do fumo da lenha que ruidosamente estalava no seu ventre e por fim o cheiro doce dos folares da Páscoa, aromatizados com anis.

Na véspera veio a sogra que, já sobre a meia-noite, amassou como só as mãos daquela idade sabem amassar. Eu assisti, atentamente, segurando por vezes o alguidar e tentando fixar cada movimento dos seus punhos para, talvez um dia, tentar imitar o seu trabalho. Manhãzinha cedo, já com a massa levedada, foram tendidos os folares. Por fim, cumprida a missão do velho forno de lenha, aqui ficam eles para a “prova”, com votos de Páscoa Feliz.



terça-feira, 5 de abril de 2011

O bolo do Domingo...

Era para ter deixado aqui ontem a receita do bolo de Domingo que mostrei aí no post de baixo e que me foi pedida pela Margarida na caixa de comentários. Mas o tempo pregou-me uma partida e fugiu-me quase sem eu dar por ele. Só que o prometido é devido e por isso aqui fica o relatório da forma como resolvi gastar alguns dos muitos ovos que as galinhas do meu pai andam a pôr por estes dias. Não sei bem como denominar este bolo. É capaz de ser um misto de pão de ló com bolo de laranja…

O certo é que peguei em oito ovos, separei claras de gemas e comecei por bater estas últimas com oito colheres de sopa bem cheias de açúcar, raspa de uma laranja e duas ou três colheres de sopa de manteiga derretida. Juntei o sumo da laranja e bati mais um pouco. Acrescentei a esta massa oito colheres de sopa bem cheias de farinha e uma colher de sobremesa de pó royal. Bati de novo. Por fim juntei as oito claras em castelo. Coloquei no forno em forma rectangular, forrada com papel vegetal untado com manteiga. Depois de cozido retirei-o mas só o desenformei já morno. Finalmente cortei-o em fatias que passei ao de leve por açúcar granulado, antes de arrumar em caixinhas.

Digo caixinhas porque uma delas viajou para Lisboa com a minha filha.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

A vida do açúcar


Estamos sempre a aprender, não é assim? Pois eu, com alguma idade que já tenho, só bem recentemente descobri que o açúcar não tem prazo de validade.

Aí por altura das festas, quando a azáfama à volta dos doces estava ao rubro, o meu pai, que não gasta açúcar, apareceu-me com um pacote que, dizia ele, lá tinha em casa desde o tempo em que a minha mãe ainda era viva. Ora essa... então com mais de dez anos enfiado na despensa o dito açúcar já devia estar capaz era de ir para o lixo, pensei eu. Vá de virar e revirar o pacote à procura de uma data de validade. É que, por certo, o meu pai devia estar equivocado e devia ter sido ele, por qualquer razão, a comprar aquele açúcar. Mas não, nenhuma indicação de "consumir até", nem de "consumir de preferência antes de". Nada.

Por curiosidade procurei um dos pacotes de açúcar da minha despensa, por sinal um da mesma marca, e procedi a mais uma minuciosa inspecção. Nesse pacote, sim, havia uma indicação: "validade ilimitada". Pois é.... como é que eu nunca tinha reparado neste pormenor? Assim, o quilo de açúcar "vintage" que o meu pai me entregou naquele dia foi utilizado para fazer um delicioso doce de abóbora, que vou gastando ao pequeno almoço com uns pedaços de queijo de cabra fresco atabafado. Uma delícia que agora me faz sempre lembrar da longa vida do açúcar.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Chocolate



Comecei a ouvir falar do assunto e não quis esperar muito para ver como era. Ao sair hoje do trabalho, fiz um desvio até Loulé e fui espreitar o Mercado, que até Domingo está de portas abertas até às 19h30 para acolher um pequeno festival de chocolate. Pequeno mas saboroso e mais... com chocolates "made in Algarve". Sim, sim... feitos à mão. Coisa artesamal e gourmet. Comprei os "Choco-Laranja", uma delícia de laranja confitada com cobertura de fino chocolate amargo.
Também há de figo. Isto tudo é sem remorsos porque a literatura associada ao chocolate explica o quanto ele é saudável. É um aliado do sono e da felicidade e dizem que contribui para a melhoria do sistema circulatório e do coração. Parece que ajuda no crescimento e manutenção óssea, previne o envelhecimento, estimula a actividade cerebral e, não contente com isso, ainda é um poderoso afrodisíaco.



Então... qual é a dúvida? Aproveite-se, não?
Entretanto, daqui a dias há mais chocolate, pelas bandas de Vilamoura.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Dias de inverno

Lá fora a cor dos dias mantém-se igual. Monótona. Atravessada de quando em quando por finas gotas de água que se derramam pelo chão. Abanada pelo sopro inquieto do vento. Viro-lhe as costas. Instalo-me ao fogão e decido reabastecer a lata de bolachas com broas de café. Consulto uma vez mais a receita da prima D. São 2,5 dl. de café, 2,5 dl. de azeite, duas colheres de chocolate em pó, 250 g. de açúcar amarelo, uma pitada de sal, meia colher de erva doce, meia colher de canela. Junto tudo no tacho e ponho a ferver. Retiro do lume, despejo então 500g. de farinha para bolos e mexo com toda a força do meu braço direito. Volto a colocar o tacho no fogo por breves instantes, mexendo sempre. Na cozinha a temperatura já subiu à custa do forno que liguei no início dos preparativos. Coloco uma folha de papel vegetal sobre o tabuleiro e assim que consigo mexer na massa, ainda quente, começo a moldar pequenas broas. Quando completo o tabuleiro, coloco-o no forno. Fica lá durante uns vinte e cinco ou trinta minutos. Cheirinho bom. Já cozidas, passo as broas por açúcar granulado e guardo-as na caixa das bolachas.

Todas não, deixo aqui umas quantas. Podem servir-se.



domingo, 28 de novembro de 2010