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terça-feira, 19 de março de 2019

Egberto Gismonti - Dança dos Escravos [1989]

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Por Márcio de Aquino em Palavras Domesticadas

Na véspera da data de lançamento de mais um disco - "A Dança dos Escravos", Egberto Gismonti ganharia destaque na edição de 17/12/89 do jornal O Globo, numa entrevista em que fala de seu novo trabalho. Seria o segundo disco lançado pelo músico naquele ano. A matéria, intitulada "Samplers fora da tomada", é assinada por Helio Muniz:

"Egberto Gismonti tirou os samplers da tomada e está lançando um LP sem acompanhamentos eletrônicos. Em 'A Dança dos Escravos' as engenhocas high-tech foram banidas. O disco é de Egberto Gismonti e seu violão, está pronto há sete meses, foi gravado na Suécia e lançado em toda a Europa. Aqui no Brasil, 'A Dança' chega às lojas amanhã, com 200 mil cópias vendidas, segundo a EMI-Odeon.

Apesar da expectativa de sucesso, Gismonti não vai fazer nenhuma turnê nacional para divulgar este que é o seu segundo lançamento em menos de um mês. O primeiro foi 'Kuarup', com a trilha sonora do filme de Ruy Guerra, que ele considerou 'uma ação entre amigos'.

Completando 21 anos de carreira, Gismonti diz que a trilha é um dos trabalhos mais bonitos de sua vida, mas admite ser parcial quando faz coisas com os amigos. E em 'Kuarup', Gismonti é amigo de todo mundo. Antonio Callado foi o primeiro a entrar no circuito, em 1968, quando lançou o romance 'Quarup' e pediu ao compositor para musicar o livro. Depois chegou Ruy Guerra, que encomendou a trilha sonora. Por último, veio Mário de Aratanha, dono da Kuarup Discos, gravadora que lançou o LP.

São grandes as diferenças entre os dois trabalhos. Enquanto em 'Kuarup' há duas orquestras - uma é a Transarmônica D'Amla D'Omrac, modo como Egberto chama seus samplers e computadores - na 'Dança dos Escravos' o músico optou pela simplicidade. Para Gismonti, cada trabalho nasce de uma forma diferente, não há fórmulas ou caminhos a serem seguidos:

- 'A Dança' é meu primeiro disco com violão puro, e estou muito ligado nele. Mas não significa que vou trabalhar sempre assim. Meu próximo disco pode ser completamente diferente. Gosto de experimentar e adoro os instrumentos eletrônicos.

Os compromissos internacionais não deixam muito espaço em sua agenda. Ele viaja para os Estados Unidos e Canadá no final de março, numa grande turnê. Volta em julho, toca por aqui e em outubro vai ao Japão e à Austrália.

- O desgaste existe, mas me divirto muito também. Numa hora, desço no aeroporto de Tóquio, com violão do lado, depois estou no piano na Austrália. Isso é gozado. E não me impede de compor, porque faço música em qualquer canto, não tenho frescura para criar.

Egberto Gismonti é o artista brasileiro que mais faz shows no exterior e um dos mais respeitados pela crítica internacional. Apesar disso, ele diz que quanto mais viaja pelo mundo, mais se considera um cidadão de Carmo, um lugarejo perdido na fronteira do Rio de Janeiro com Minas Gerais:

- Lá eu me sinto reconhecido sem precisar fazer nada. Sou só um sujeito que conhece todo mundo e é lembrado como o 'filho de mestre Antonio'. Essa é a minha forma meio irracional de encarar certas coisas. Aliás, tem horas em que o racionalismo só atrapalha.

A conversa volta sempre para o tema preferido de Egberto: os amigos.

- Considero o filme o melhor do mundo e a trilha sonora uma das melhores coisas que fiz porque estava entre amigos. Para mim, amigo não erra nunca, tudo o que eles fazem é o melhor que existe.

Num ano normal, Egberto Gismonti faz quase 200 shows pelo mundo inteiro. Ele não considera muito, mesmo para quem garante detestar o esquema do show business. A explicação é muito simples. Depois de conseguir da EMI os direitos de comercialização de seus discos no exterior, ele tem que tocar mais. Quando termina um trabalho, o esquema de lançamento envolve mais de 20 países:

- Eu não faço música para a maioria. Meus discos atingem um consumidor específico, uma minoria. Tenho que chegar junto desse público em todos os cantos do mundo. E sendo dono dos direitos de comercialização eu mesmo tenho que vender o trabalho.

Ele acredita que esse será o método do futuro. As grandes gravadoras vão transformar em distribuidoras levando o mercado fonográfico a se especializar mais, com os autores fornecendo o trabalho pronto. "


A1 2 Violões (Vermelho)
A2 Lundu (Azul)
A3 Trenzinho Do Caipira (Verde)
A4 Alegrinho (Amarelo)
B1 Dança Dos Escravos (Preto)
B2 Salvador (Branco)
B3 Memoria E Fado (Marrom)


Mais detalhes sobre o álbum AQUI.

segunda-feira, 11 de março de 2019

Egberto Gismonti - Works [1984]

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No seu 15º aniversário, o selo ECM lança 10 coletâneas e Egberto foi um dos artistas escolhidos. Suba o volume.


A1 Lôro
A2 Raga
A3 Ciranda Nordestina
B1 Magico
B2 Maracuta
B3 Salvador


Mais detalhes do álbum AQUI.


domingo, 10 de março de 2019

Egberto Gismonti - Em Família [1981]

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Por Márcio de Aquino em Palavras Domesticadas

Egberto Gismonti é um dos mais respeitados e produtivos músicos brasileiros. Dono de uma discografia das mais celebradas, valorizadas e reconhecidas até internacionalmente, Egberto entre os anos 70 e 80 especialmente, lançou várias pérolas musicais que tornam seu trabalho um dos mais ricos em qualidade e experimentações. Em 1981, celebrando o nascimento de Alexandre, seu primeiro filho, Egberto lançou o disco Em Família, que trazia a particularidade do vinil ser branco. Em sua edição de 09/08/81, o jornal O Globo trazia uma matéria sobre o disco, assinada por Léa Penteado:

"Egberto Gismonti - 34 anos de idade, 14 de vida profissional - já gravou mais de 30 discos, em quatro países, mas diz encarar de modo especial o elepê que está lançando, 'Em Família'. É que depois de conquistar os mais cobiçados prêmios, como o Grammy e a Coruja de Ouro, ele explica que o novo disco reflete a melhor experiência de sua vida: a de ser pai. Daí a escolha do título e da capa do álbum, em que Egberto aparece ao lado do filho, Alexandre, e da mulher, a atriz Rejane Medeiros. Esta semana, de sexta a domingo, ele apresenta um espetáculo na Sala Cecília Meireles. O título do show: 'Em Família', naturalmente.

O apartamento de solteiro que até há poucos meses Egberto Gismonti ocupava na Gávea ganhou vida nova com a presença de Rejane Medeiros e a chegada de Branquinho - é assim que ele chama o filho Alexandre. Nada foi programado, tudo aconteceu de repente.

-Não pensei que fosse acontecer uma mudança tão grande em minha vida. Sempre tive uma vida muito louca, de viagens, gravando em diversos países e, desde que aconteceu a gravidez de Rejane, tudo foi mudando. Não foi nada programado, nós não pensávamos em ficar juntos, ou em ter filho; quando vimos, as coisas estavam acontecendo e, a partir de novembro do ano passado, comecei a desmarcar todos os compromissos, até os meses de junho e julho deste ano, para poder acompanhar o nascimento do meu filho.

Egberto conta que o relacionamento com Rejane, baseado em muita tranquilidade, surgiu sem que nenhum dos dois esperasse. Depois de um mês, ele teve de viajar para a Alemanha e foi em Hamburgo que recebeu um telefonema dela, comunicando a gravidez. À princípio, diz que não sabia o que fazer e, quando voltou, resolveu dividir seus espaços com ela e com o filho que chegaria.

- Desmarquei compromissos, para não perder essa relação que estou tendo com Rejane e Alexandre, querendo ficar esse tempo de papai e babá. Gostaria de ficar com ele um tempo até muito maior, mas sinto que não tenho preparo físico. Esse negócio de natureza é meio louco - o fato de uma mulher gerar uma criança faz com que ela desenvolva uma força muito maior do que a do homem, aguentando as barras, sabendo até fazer parar o choro...

Em termos musicais, Egberto Gismonti ainda não sabe até que ponto sua obra vai mudar, com a presença de Alexandre. Apesar de o filho participar de uma das faixas do novo disco, chorando, o trabalho de composição já estava concluído antes do nascimento.

- Não fiz ainda nenhum disco depois que ele nasceu, mas acredito que o fato de ter parado de viajar, estar vivendo dentro de casa com ele e com a Rejane, tendo um tipo de vida que antes não tinha, possivelmente vai me estimular a fazer outra coisa. Eu tenho certeza de que, antes, meus filhos e filhas eram os discos e shows, mas quando pintou o meu filho de verdade, fiz uma troca com a maior facilidade e não sei o que será dos outros. Mas também não estou nada preocupado, me dei o direito de não pensar. Sei que mudou a emoção e a vida, mas a música é difícil. Alguns amigos, que já ouviram esse novo disco, fizeram comentários, não a respeito da música propriamente dita, mas sobre a maneira de transar o disco.

Esse 'transar o disco' começa com a própria capa. Poucas vezes Egberto Gismonti se expôs em capas e nesse fez questão não só de aparecer como também de mostrar a mulher e o filho. Os detalhes ainda vão mais longe. A letra A da palavra família é representada por alfinetes de fralda e o encarte da capa do disco o 'Jornal Caipira', é dedicado às crianças, com desenhos variados e uma enorme fotografia do filho.

Egberto também fez questão de que todo o disco fosse em branco, até mesmo o acetato, que é branco translúcido. No selo, em lugar da marca da gravadora, há o sorriso de Alexandre impresso em preto e branco.

- Nunca pensei fazer um disco com uma capa mostrando a família, mas está me dando imenso prazer mostrar este meu outro lado.

O não pensar, não programar, sempre foi uma constante na vida de Egberto. Ele lembra que há 13 anos, quando começou a trabalhar com música, profissionalmente, tinha a família que o apoiava. Depois de dois ou três anos, mais pessoas já se interessavam por seu trabalho. Tudo foi indo nessa proporção, até chegar a um ponto que ele acha contraditório.

- Ao mesmo tempo que tenho consciência de não fazer uma música para a grande massa, me pergunto como em 13 anos, essa música foi gravada em mais de 30 discos. Às vezes até estranho porque, se não é comercial não deveria ter tantos discos gravados. É, se existe uma crise na indústria fonográfica, no mundo todo, por que os brasileiros, americanos, alemães e japoneses estão investindo tanto em mim?

Egberto Gismonti é contratado de quatro gravadoras: no Brasil, na Alemanha, no Japão e ainda nos Estados Unidos. Seus discos, somente no Brasil, vendem em média 30 mil cópias, um número considerável, já que seu trabalho não é considerado popular.

- Eu tenho consciência de ter um público pequeno em cada país e, por essa razão, saí do Brasil há alguns anos e comecei a buscar esse meu público. Isso me diferencia um pouco da maioria dos músicos instrumentais. Se eu ficasse no Brasil meus discos continuariam na faixa de vendas em que estão - o que para a companhia parece ser muito bom e pra mim é fantástico, permanecer em catálogo dez anos. Também tenho consciência de que minha música não chegaria num tempo curto a um número grande de discos, mas o que consigo já me permite viajar pelo Brasil fazendo shows, como se fosse um cantor popular.

- Tenho como função também juntar um pouco de música erudita com a popular. Não é nem para instruir. Na realidade, não estou querendo brigar com ninguém, nem sou contra música nenhuma, só quero deixar claro que existem outras músicas.

Segundo Egberto, a sua música permite imaginar o que se quiser, não direciona o pensamento de acordo com a letra, abre a possibilidade de sonhar. E é assim que ele vive, também.

- Vivo sonhando, sem nenhuma alienação, apenas com a possibilidade de liberdade, que acho ser muito mais importante do que a minha música. Não acho que tenha atingido algum ponto com a música; não fico chorando quando não dá certo, nem fico soltando foguetes quando tudo vai bem. Tive um disco muito premiado em 1978, 'Dança das Cabeças', festejado em diversos países, e não fui a nenhuma entrega de prêmios no exterior, como também não fui receber o troféu Villa-Lobos, nem a Coruja de Ouro, nem o prêmio de Gramado. Não é o fato de não curtir prêmio, mas prefiro não ficar envolvido com festejos, acho que tenho mais é que ficar fazendo música.

A música e os prêmios ganhos por Egberto Gismonti ficam em segundo plano, com a entrada de Alexandre na sala. Branquinho, como o apelido dado pelos pais, ele tem fisionomia tranquila, no colo da mãe, e sorri quando vê o pai. Tanto Egberto quanto Rejane acreditam que o ar de tranquilidade que o filho irradia é o reflexo da vida que eles têm.


A1 Lôro
(Egberto Gismonti)
A2 Don Quixote
(Egberto Gismonti, Geraldo E. Carneiro)
A3 Em Família
(Egberto Gismonti)
B1 Sanfona
(Egberto Gismonti)
B2 Folia
(Egberto Gismonti)
B3 Chôro
(Egberto Gismonti)
B4 Auto-retrato
(Egberto Gismonti, Geraldo E. Carneiro)
B5 Branquinho / Passarinho / 11/6/81 (Feito Em Casa)
(Egberto Gismonti, Marilda Pedroso)



Mais detalhes do disco AQUI.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Egberto Gismonti - Sol do Meio Dia [1978]

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Por Márcio Aquino em Palavras Domesticadas

Egberto Gismonti é um músico que sempre me chamou a atenção. Seu trabalho é riquíssimo, e transita por várias vertentes musicais com grande desenvoltura. Multiinstrumentista, compositor e arranjador dos mais respeitados aqui e no exterior, Egberto tem uma discografia em que podemos encontrar diversas obras-primas. Possuo uma boa parte dessa discografia em vinil, e poderia enumerar vários de seus discos, mas vou destacar Sol do Meio Dia, de 1978. Na ocasião de seu lançamento, o crítico Roberto Muggiati escreveu a seguinte resenha, para a revista Manchete, intitulada O Xingu em Oslo:

"Não se pode falar no novo Lp de Egberto Gismonti, Sol do Meio Dia (EMI-ODEON), sem mencionar Manfred Eicher, dono das Edições de Música Contemporânea (ECM) e produtor deste álbum, gravado em Oslo. Esse jovem alemão, que já foi contrabaixista da Filarmônica de Berlim, lançou uma nova filosofia no mercado fonográfico: produzir 'música através de composições improvisadas espontâneas, em vez de colocar tudo no papel para ser executado por um intérprete clássico acadêmico'. Não só seu lema deu certo, como a ECM criou até um som próprio, embora dê aos músicos a maior liberdade, a ponto de permitir as edição de coisas como um álbum de dez LPs de Keith Jarrett, feitos exclusivamente de solos de piano. Chick Corea, Gary Burton, Pat Metheny e Jack Dejonette são outros jazzmen que separam o seu trabalho mais comercial, feito nos EUA, da parte pura que fazem, geralmente na Europa, com a ajuda de Eicher - e ajudando-o, também, pois a ECM se tornou um sucesso.

Depois de Dança das Cabeças, Eicher volta a Gismonti. E outros ecemistas acompanham o brasileiro neste Sol: Jan Garbarek (sax), Ralph Towner (violão), Collin Walcott (tabla) e Naná Vasconcelos (percussão). Gismonti toca violão, piano, flauta de madeira e canta. Esse LP coloca a questão típica nos casos dos álbuns da ECM: seria jazz? Parece ser música de vanguarda, sem a camisa-de-força de rótulos mais específicos.

Assim como Jarrett na ECM se afasta das raízes do jazz e pende mais para o erudito, Gismonti parece se distanciar do que seriam as raízes desse LP - 'dedicado a Sapaim e os índios do Xingu' - para operar num nível musical mais elaborado. Como ele mesmo escreve no Jornal Caipira que acompanha o disco, 'tem uma brecha entre a razão e a loucura/o acabado e o provisório/a natureza e a cultura/a vida e a arte. Vamos procurar'."


A1 - Palácio De Pinturas / Construçao Da Aldeia
A2 - Raga / Festa Da Construção
A3 - Kalimba / Lua Cheia
A4 - Coração / Saudade
B1 - Café
B1.1 - Procissão Do Espírito
B1.2  - Sapain / Sol Do Meio Dia
B1.3 - Dança Solitária No. 2 / Voz Do Espírito
B1.4 - Baião Malandro / Fogo Na Mata / Mudança

domingo, 16 de setembro de 2018

Egberto Gismonti - Solo [1979]

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A1.1 - Selva Amazonica
A1.2 - Pau Rolou
A2 - Ano Zero
B1 - Frevo
B2 - Salvador
B3 - Ciranda Nordestina

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Egberto Gismonti - Carmo [1977]

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A1 - Baião Malandro
A2 - Café
A3 - Educação Sentimental
A4 - Apesar De Tudo
A5 - Bodas De Prata
B1 - Raga
B2 - Feliz Ano Novo
B3 - Calypso
B4 - As Primaveras
B5 - Cristiana
B6 - Carmo/Hino Do Carmo/Ruth

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Egberto Gismonti / Naná Vasconcelos - Duas Vozes [1984]

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Por Marcelo em Willie Said

Duas Vozes é um álbum intimista e emotivo gravado em Oslo, na Noruega, por esses dois grandes músicos brasileiros. Pode-se dizer que é praticamente um trabalho de percussão, se agente considerar que Gismonti usa seus violões como se assim fossem. Não há nada óbvio nesse encontro, nem mesmo na Aquarela do Brasil.


Egberto Gismonti - violões, piano, flautas, percussão, voz
Naná Vasconcelos - percussão, berimbau, voz


A1 Aquarela do Brasil
(Ary Barroso)
A2 Rio de Janeiro 
(Egberto Gismonti)
A3 Tomarapeba 
(Tradicional de Índios Amazonenses)
A4 Dançando 
(Egberto Gismonti)
B1 Fogueira 
(Egberto Gismonti)
B2 Bianca 
(Egberto Gismonti)
B3 Dom Quixote 
(Egberto Gismonti/Geraldo Carneiro)
B4 O Dia à Note 
(Naná Vasconcelos)

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Egberto Gismonti - Academia de Danças [1974]

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Por Charles Gavin em O Som do Vinil

Costuma-se dizer por aí que Academia de Danças é um divisor de águas na carreira de Egberto Gismonti. A genialidade das composições, a beleza das melodias, a poesia das letras, a densidade dos arranjos, a exuberância técnica das performances, as faixas interligadas nos lados A e B, a sonoridade das gravações – sim, Academia de Danças é tudo isso, mas não é só isso. O oitavo trabalho de Gismonti é um disco que, literalmente, abriu a cabeça de minha geração lá no meio dos anos 70. 

Explico: se você era do rock ele redirecionava você pro jazz; se você era do jazz ele levava você até a MPB; se você era da MPB ele apresentava a música clássica, se você era da música clássica ele reenviava você direto pro baião – um moto-contínuo que, neste universo, o da música, existe. Sou mais um daqueles que deve muito a este LP e à música de Egberto Gismonti – Academia de Danças é um divisor de águas na nossa vida – realinhou a percepção, libertou os ouvidos e derrubou barreiras que a cultura pop ergue e que nos impedem de seguirmos livres artísticamente. De certa forma Academia de Danças é isso até hoje.


A1 - Palácio De Pinturas
A2 - Jardim De Prazeres
A3 - Celebração De Núpcias
A4 - A Porta Encantada
A5 - Scheherazade
B1 - Bodas De Prata
B2 - Quatro Cantos
B3 - Vila Rica
B4 - Continuidade Dos Parques
B5 - Conforme A Altura Do Sol
B6 - Conforme A Altura Da Lua

quarta-feira, 16 de março de 2016

Egberto Gismonti [1969]

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Por zecalouro* em Orfãos do Loronix

Aqui vamos nós com outro bom álbum patrocinado pela Jorge Mello, que é o primeiro LP deEgberto Gismonti, gravado pela Elenco em 1969. Se você está acostumado com álbuns Egberto Gismonti lançados após sua saída do Brasil, você vai ter uma surpresa com esse presente . Gismonti canta e toda e a atmosfera é a Bossa Nova, embora lançado em um momento em que o movimento já havia perdido seu impulso. 

Apresentando uma mistura de faixas vocais e instrumentais com arranjos de Egberto Gismonti em todas as faixas e tocando piano, violão e órgão. Há dois convidados muito especiais, Dulce Nunes cantando com Egberto Gismonti em Clama Claro e Durval Ferreira tocando violao em Pr'um Samba. Toda a recursos de sessão acompanhados pelo renomado Wilson das Neves e Sérgio Barroso.

*tradução e adaptação livre.


A1 - Salvador
A2 - Tributo A Wes Montgomery
A3 - Pr'um Samba
A4 - Computador
A5 - Atento, Alerta
A6 - Lírica II (Pra Mulher Amada)

B1 - O Gato
B2 - Um Dia
B3 - Clama-Claro
B4 - Pr'um Espaço
B5 - O Sonho
B6 - Estudo N.o 5


Ficha Técnica AQUI

terça-feira, 15 de março de 2016

Egberto Gismonti - Circense [1980]

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Por Eduardo Rodrigues em Boca Fechada

Egberto Gismonti é um dos músicos mais “fuçadores” e genias que a música popular brasileira deu aos nossos ouvidos. Compositor e arranjador de sucesso, Gismonti fez diversas esperimentações unindo à música dodecafônica – que teve contato ao estudá-la na Europa, antes de iniciar sua carreira discográfica – com a música regional brasileira. Começou sua carreria no fim dos anos 60, fortemente influenciado pela bossa nova, tendo composto arranjos para a cantora Maysa em seu primeiro disco. A bossa nova foi deixada de lado na década seguinte, dando vazão somente às músicas instrumentais.

Circense, disco de 1980, é dessa fase do compositor carioca. Traz uma estrutura musical leve, com temas bem construídos, experimentando as possbilidades harmônicas dos ritmos brasileiros. O conceito do álbum: o circo, é bem representado nos temas, personagens e acontecimentos relatados, e que permeiam o mundo circense; deixando de lado somente os sentimentos alegres, mais recorrentes ao tema, e enaltecendo a melaconlia, solidão e plastiscidade, muitas vezes maquiadas.


Ficha Técnica AQUI

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Egberto Gismonti - Trem Caipira [1985]

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Egberto Gismonti é um dos grandes virtuoses da música popular brasileira, tendo estudado piano, violão, clarinete, flauta e música dodecafônica, além de flertar com os mais diversos estilos: do jazz à música erudita contemporânea à música eletrônica.

Em Trem Caipira, Egberto recria composições de Heitor Villa-Lobos buscando, mais do que apenas interpretá-las a sua maneira, inseri-las num contexto diferente, experimentando com diversos estilos e instrumentos.

A instrumentação inclui samples, 13 tipos diferentes de sintetizadores, instrumentos regionais, flauta, sax, violoncelo (pelo grande Jacques Morelembaum) e uma orquestra. Destaque para o quase synthpop de Cantiga e para as belíssimas interpretações de Bachiana No.5 e Prelúdio.

1. O Trenzinho Do Caipira
2. Dansa
3. Bachiana No.5
4. Desejo
5. Cantiga
6. Canção do Carreiro
7. Prelúdio
8. Pobre Cega

Nivaldo Correa – Saxofone Soprano
Bernard Wistraete – Flautas
Jacques Morelembaum – Violoncelo
Gungao – Kalimba
Pita Filomena – Assoviador
Alexandre do Bico – Flautinha do Chaplin
Ge Mima – Xilofone
Bibi Roca – Bateria
Orquestra Transarmonica D’Amla de Omrac

terça-feira, 7 de julho de 2015

Egberto Gismonti - Dança das Cabeças [1977]

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Egberto Gismonti (1947): DANÇA DAS CABEÇAS (1977) com Naná Vanconcelos (1944) – REVALIDADO
Por Ranulfus no P. Q. P Bach

Isto é música popular? Experimente tocar ali na quermesse.

É jazz? Bem, é evidente que recebeu influência, mas quem no século 20 não recebeu? E nos trechos em piano solo também é evidente a influência de Chopin.

É clássico? O site da Amazon diz que sim. Mas conheço gente que certamente torceira o nariz diante dessa afirmação.

Afinal, o que é que faz determinada música ser “clássica” ou “erudita”? Evidentemente não pode ser a ausência de melodias cantáveis, a ausência de texto, a ausência ou pouca importância da percussão ou de determinadas instrumentações, e até mesmo ausência de vulgaridade ou banalidade… pois cada uma dessas “ausências” é contradita por abundância de presenças no repertório estabelecido.

Para muitos, “clássico” equivale, mesmo que sem consciência disso, a “em formas, escalas e instrumentações de origem européia”. Donde considerarem clássicas, p.ex., as valsas dos dois Johann Strauss, quando para mim são evidentemente música popular em arranjos para poderosos.

Não estou dizendo que são inferiores por serem populares, nem que não caibam num blog como este. As danças compostas e/ou publicadas pelo Pretorius, do século 16, também são música popular em bons arranjos, e seria uma pena não tê-las aqui!

Para mim, o “clássico” ou “erudito” se refere ao grau de complexidade da elaboração na dimensão “forma”, e/ou de libertação em relação às duas fontes primárias da música (a dança e a declamação expressiva) na direção de uma música-pela-música. E nesse sentido encontramos “clássico” em muitas tradições totalmente autônomas da européia: chinesa, indiana, mandê (da qual postei aqui o lindo exemplo que é TOUMANI DIABATÉ), e também em outras que recebem maior ou menor medida de influxo da tradição européia, mas o incorporam em formas produzidas com total autonomia em relação a essa tradição.

O Brasil talvez seja a maior usina mundial da produção deste último tipo de música – mas não me refiro a nenhum dos nossos compositores normalmente identificados como “clássicos” ou “eruditos”: nem a Villa-Lobos, nem a Camargo Guarnieri, nem a Almeida Prado, ninguém desses: todos eles trabalham fundamentalmente com a herança das matrizes formais européias. O que não os desqualifica, não se trata disso!

Trata-se, ao contrário, de qualificar música que às vezes é tida como de segunda, quando é de primeiríssima. E é nesse sentido que já postei aqui o balé “Z” de GILBERTO GIL, que recomendo com ênfase o pouco postado e o muito por postar de MARLUI MIRANDA e do grupo UAKTI… e que posto agora este outro, que foi um dos discos de maior impacto no mundo em 1977-78.

Pra deixar claro o que não quero dizer, acho pretensioso e chato a maior parte do que o Egberto fez depois. Com exceção de momentos geniais em Nó Caipira e em Sol do Meio Dia, quase tudo em que ele meteu orquestra se afastou do conceito de “clássico” que estou usando aqui. Estereotipou. E portanto banalizou.

Mas Dança das Cabeças não tem nada de esterotipado: Dança das Cabeças foi fundador. Se você já ouviu coisa parecida, veio depois, e bebeu daí. Para mim, um dos discos mais importantes do último terço do século 20, independente de categorias.

Ou seja: um clássico.

Egberto Gismonti: Dança das Cabeças - gravado em Oslo em nov. 1976
Egberto Gismonti: violão de 8 cordas, piano, flautas e outras madeiras étnicas, voz
Naná Vasconcelos: berimbau, percussão instrumental e corporal, voz



01 Part I 25:15
– Quarto Mundo #1 (E. Gismonti)
– Dança das Cabeças (E. Gismonti)
– Águas Luminosas (D. Bressane)
– Celebração de Núpcias (E. Gismonti)
– Porta Encantada (E. Gismonti)
– Quarto Mundo #2 (E. Gismonti)

02 Part II 24:30
– Tango (E. Gismonti/G.E.Carneiro)
– Bambuzal (E. Gismonti)
– Fé Cega, Faca Amolada (M.Nascimento/R.Bastos)
– Dança Solitária