Mostrando postagens com marcador Zé Ramalho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Zé Ramalho. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Zé Ramalho - Brasil Nordeste [1991]

Mega 320kbps



É um disco de regravações em forma de medleys. Um mergulho na fonte das raízes da música nordestina. Luís Gonzaga, Jackson do Pandeiro, João do Vale, Geraldo Vandré, Gordurinha e muitos outros estão aqui revisitados por mim, que incluí também alguns dos meus sucessos. O projeto faz parte de uma coleção chamada Academia Brasileira de Música e eu fui convocado para representar a música da minha região. Valeu! 


Texto da reedição, 2003
Marcelo Fróes

Finalmente desintoxicado após ter saído da CBS em 1987, logo depois do lançamento do LP "Décimas de um Cantador", Zé Ramalho foi voltando aos poucos a trabalhar e surgiu então um convite para fazer uma turnê mambembe pelos Estados Unidos - tocando em lugares como Boston, Nova Iorque, Nova Jersey, etc. O ano era 1990 e, segundo o próprio artista, fez-lhe bem conhecer aquelas cidades imensas e seus centros comerciais. No ano seguinte, poucos meses depois de retornar ao Brasil, recebeu de Roberto Menescal e Raymundo Bittencourt o convite para participar desta coleção "Academia Brasileira de Música" para a Sony (nova razão social da antiga CBS, pela qual fora contratado por 10 anos, entre 1977 e 1987).

A idéia deste projeto era a de que cada artista chamado cuidaria de um segmento da música brasileira - Nana Caymmi, Veronica Sabino, Leno, Núbia Lafayette e outros. Zé estava sendo chamado para recriar os grandes sucessos da música do Nordeste e hoje ele admite que, embora o disco não lhe tenha trazido nenhum grande retorno específico, gostou muito de fazê-lo.

"Foi um banho, voltei a ter contato com essas músicas de Luiz Gonzaga, Gordurinha, etc", lembra o artista.

Era um contrato único e o disco saiu em 1992, mas uma nova ironia do destino aconteceu na vida de Zé. O diretor musical da Rede Globo, Mariozinho Rocha, ligou-lhe convidando para cantar Entre A Serpente e A Estrela, versão de Amarillo By Money, de Terry Stafford & Frazer, que fora feita especialmente por Aldir Blanc para a trilha sonora da telenovela "Pedra Sobre Pedra".

E tudo voltou a caminhar.


A1 Baião / Imbalança / Asa Branca
A2 Carcará / Pisa Na Fulô / O Canto Da Ema
A3 Sebastiana / Um A Um / Chiclete Com Banana
A4 No Meu Pé de Serra / O Xote Das Meninas / Qui Nem Giló
A5 Gemedeira / Frevo Mulher
A6 Vendedor de Caranguejo / Súplica Cearense
B1 Boiadeiro / Paraíba
B2 Disparada / Fica Mal Com Deus
B3 Sangue E Pudins / Eternas Ondas
B4 Avôhai / Admiravel Gado Novo / Galope Rasante
B5 Mucuripe / Paralelas
B6 Último Pau-de-Arara / Meu Cariri

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Zé Ramalho - Décimas De Um Cantador [1987]

Mega 320kbps


Por Zé Ramalho

É um disco ousado e futurista. As composições são estranhas, misteriosas e envolventes. São nove faixas e é o nono disco. Daí a alusão direta ao número nove, que se repete durante a audição numa voz robotizada (number nine... number nine...) lembrando momentos do "Álbum Branco" dos Beatles. A sonoridade era, para a época (1987), totalmente inovadora. Foram usados pela primeira vez samplers, emulators e digitalizações, que foram configuradas pelas mãos do Lincoln Olivetti. Houve muito mais ambientações como na faixa "Acredite Quem Quiser", onde usamos palmas (claps), criando um clima gospel / religioso. Apesar do envolvimento que tive com drogas, consegui virar esta página da minha carreira e depois de alguns anos, reouvir este "Décimas de um Cantador". Dá a nítida impressão de que a música vingou e o pior já passou. O cantador permanece e o poeta também.


Texto da reedição, 2003
Marcelo Fróes

Neste "Décimas de um Cantador", percebe-se como nunca a influência dos Beatles na música de Zé Ramalho - ainda que com os arranjos inovadores do maestro Lincoln Olivetti. Além da instrumental Number 9 ser uma referência ao nono disco solo de Zé, era naturalmente uma brincadeira com a faixa Revolution 9 do "Álbum Branco" dos Beatles e fazia alusão, inclusive (ainda que somente pelo título), a Number 9 Dream, de John Lennon, que aniversariava num dia 9. Tínhamos também citação de Rain em outra faixa e, como se tudo isso já não bastasse, Zé sugeriu que o produtor Mauro Motta fizesse uma versão de This Boy em homenagem a Lobão. Hino de Duran, de Chico Buarque, também foi gravada em função de sua temática relativa às drogas... e, por fim, quando foi fazer as fotos para a capa, Zé Ramalho usou como palheta para tocar o violão uma gilete de ouro que usava num cordão. Os capistas da companhia resolveram entrar na onda e, ao ver o disco pronto, Zé concluiu que seu nome havia sido "batido em pó" na capa.

O disco foi lançado, Zé chegou a apresentar-se em alguns programas de televisão, mas foi logo procurado pelo então presidente da CBS, Marcos Maynard, que ligou-lhe dizendo: "Acho que está na hora de você dar uma arejada". Zé hoje recorda que já esperava este cartão vermelho e acha que tudo aquilo precisava acontecer. A partir de 1987, entrou num recolhimento longe dos estúdios de gravação. Seriam quatro longos anos, em que o artista viveria de direitos autorais e shows, morando num apartamento alugado no Leblon. Vendeu sua editora musical para a SBK, hoje pertencente ao grupo EMI, e extravasou até onde pôde sua história com as drogas, indo até o fundo do poço para que não tivesse mais o que procurar. Mas as sensações que vinham após as farras foram-lhe dando a impressão de morte iminente, e, embora não temesse a morte (por achar que a droga nunca o mataria), percebeu finalmente que não tinha mais nada a procurar.

"Eu estava me acostumando com a idéia de que estava em fim de carreira, mas percebi que teria uma segunda chance no dia em que me limpasse. Meu Cold Turkey rolou a partir de 1990, com meu organismo reagindo à desintoxicação com furúnculos nascendo nas costas. Ficaram cicatrizes" - lembra hoje Zé Ramalho, que, após três ou quatro meses, conseguiu limpar-se, embora tenha continuado a fumar e a beber socialmente. "Abandonei o pó e sei que a única pessoa que pode te tirar das drogas é você mesmo, por mais que a família e os amigos possam querer te ajudar", ensina o artista, que no dia em que acordou com o organismo limpo, começou a ouvir os bem-te-vis do Leblon. A sensibilidade finalmente voltou.


A1 Acredite Quem Quiser
A2 Number 9
A3 Décimas De Um Cantador
A4.1 Pelos Telefones
A4.2 Lay, Lady, Lay
A5 Lua Semente
B1 Aldeias Da Borborema
B2 Mary Mar
B3 Ser Boy (This Boy)
B4.1 Hino De Duran
B4.2 Deixa Isso Pra Lá
B5 Mulher Nova, Bonita E Carinhosa Faz O Homem Gemer Sem Sentir Dor

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Zé Ramalho ‎- De Gosto, De Água e De Amigos [1985]

Yandex 320kbps



Apresentação
Zé Ramalho

Esse disco traz músicas inéditas, que falam de amizade, amores e lembranças. Marca também o momento difícil pelo qual eu estava passando. As canções refletem sofrimento e solidão. Nessa época (1985), eu estava me mudando definitivamente para o Rio de Janeiro, onde resido até hoje. Não foi um estouro imediato, mas aconteceu de me encomendarem uma música para a telenovela "Roque Santeiro", sobre um personagem que virava lobisomem. Fiz, então, a canção "Mistérios da Meia-Noite", que tornou-se um sucesso nacional na novela e no rádio. Esta música entrou no disco, mesmo depois de ele ter sido lançado. Foi retirada uma faixa e incluída "Mistérios da Meia-Noite" neste meu sétimo álbum, que conta ainda com a presença de Tavito na regravação que fiz de "Paralelas", de autoria de Belchior. 


Texto da reedição, 2003
Marcelo Fróes

Durante o período de gravação do disco anterior, "Para Não Dizer que Não Falei de Rock", Zé Ramalho hospedara-se no luxuoso Hotel Meridien, por 2 meses, gerando uma dívida resultante de farras com bebidas importadas e refeições caras, regadas a drogas diversas, que ultrapassaram a casa dos 100 mil dólares. Zé Ramalho foi procurado pelo então presidente da companhia, Marcos Maynard, e ficou sabendo que precisaria repor todas aquelas despesas excedentes. Ocorre que, com este disco que estava sendo produzido, "De Gosto, de Água e de Amigos", de 1985, Zé Ramalho sabia que seria difícil pagar sua dívida. Mauro Motta desistira de produzir o artista, depois que soubera do envolvimento dele com drogas pesadas - principalmente cocaína. Segundo o próprio Zé Ramalho, na época o álcool era usado somente para bochechar quando escovava os dentes. O disco acabou sendo produzido por Renato Correa, dos Golden Boys, numa pressão da gravadora que fez com que o artista permitisse que esta conduzisse os trabalhos.

Zé, que sempre gravou suas bases de violão, teve seu instrumento regravado por outros músicos e praticamente só colocou a voz nas faixas.

"De Gosto, De Água e De Amigos", cabalístico sétimo álbum da discografia individual de Zé Ramalho, chegou desacreditado às lojas em 1985, pouco antes do artista ser procurado por Mariozinho Rocha, diretor musical da Rede Globo. O executivo estava preparando a trilha sonora da novela "Roque Santeiro" e queria uma música "estilo Avôhai" para servir de tema para o lobisomem da trama.

Zé Ramalho fez a música em apenas uma hora e a tocou para Mariozinho pelo telefone. Aceita, a música foi imediatamente gravada e lançada no LP da trilha, pela Som Livre. O sucesso fez com que a segunda tiragem de seu próprio disco já viesse com a música, substituindo - sem conhecimento do artista - a faixa original Absurdo Blues, uma raríssima parceria com Alceu Valença. Com os direitos autorais de seu sucesso no disco com a trilha sonora da novela, que vendeu 300 mil cópias, Zé Ramalho pôde fechar o ano pagando sua dívida com a gravadora, para que então voltasse a ter controle sobre seus discos.

terça-feira, 31 de julho de 2018

Zé Ramalho ‎- Por Aquelas Que Foram Bem Amadas Ou Pra Não Dizer Que Não Falei De Rock [1984]

Yandex 320kbps



Apresentação
Zé Ramalho

É um disco diferente do que eu costumava fazer. Mergulhei neste universo do Rock/Pop e mostrei neste disco, o material que eu compus nos anos 70, quando eu era guitarrista de grupos de baile. São músicas que eu fiz no período anterior à fase "Avôhai" Para muitos soou estranho, a estética musical quebrou um pouco a imagem que eu trazia visualmente, isto é, apareci na capa sem barba e de jaqueta de couro preta. Foi o meu jeito de registrar essa importante fase da minha vida, quando estava fundindo o rock com a música nordestina. Participam do disco, grandes artistas da Jovem Guarda: Erasmo Carlos, Wanderléa, Golden Boys e também a cantora Zezé Motta; além dos músicos Pepeu Gomes, Lincoln Olivetti e Sivuca. Foi o sexto disco (1984), meio maldito ficou entre os fãs, mas foi um disco revelador e curioso.


Texto da reedição, 2003
Marcelo Fróes

Depois de decepcionar-se com seus dois trabalhos anteriores, Zé Ramalho chegou ao ano de 1984 disposto a criar para si um admirável mundo novo. Ainda que fora de si por conta das drogas, Zé queria fazer este disco para chocar "sonoramente" a crítica e o público. Com isso, resolveu gravar uma série de rocks que havia composto entre 1974 e 1975, em sua fase lisérgica ainda no Nordeste. Muitos artistas da Jovem Guarda, movimento musical que tanto influenciara Zé Ramalho em sua adolescência, foram convidados para participar, destacando-se as participações vocais de Erasmo Carlos (na versão de The Fool on the Hill, dos Beatles, posteriormente regravada por Amelinha) e de Wanderléa, além dos Golden Boys (vocais), Lafayette (teclados) e Paulo César Barros (baixo).

O disco assinalaria uma mudança de imagem de Zé, que pretendia chocar também com a capa. Queria fazer uma capa que parodisse a de "Rock'n'Roll", disco de 1975 com que John Lennon revisitara o rock original - que lhe influenciara, da mesma forma como a Jovem Guarda influenciara nosso Zé Ramalho - e chegou a pensar em mandar construir uma parede de tijolos semelhante àquela onde Lennon é visto encostado. O fotógrafo Frederico Mendes sugeriu um jeitinho brasileiro, mas opinou no sentido de que o disco tivesse duas capas justamente para marcar esta mudança de imagem. De um lado o artista ainda apareceria com seu visual tradicional, deitado nos braços de uma bela mulher e com uma cobra a envolvê-los. Do outro, já de cabelos cortados e barba raspada, seria visto trajando uma jaqueta de couro no melhor estilo roqueiro.

O amigo Zé do Caixão foi chamado para dirigir a foto da capa com a moça, trazendo para a sessão a gibóia Rita - que, bem alimentada de pequenos roedores, atuava tranqüilamente em filmes nacionais como "Luz Dei Fuego". A modelo acabou sendo Marelise, filha de Zé do Caixão e, na época, namorada de Zé Ramalho. Zé pediu então autorização ao amigo Geraldo Vandré para brincar com o título de seu clássico Pra Não Dizer que Não Falei de Flores, criando para o disco o longo título "Por Aquelas que Foram Bem Amadas... ou... Pra Não Dizer que Não Falei de Rock". Quando finalmente chegou às lojas, o disco foi amaldiçoado pela crítica, que jogou uma pá de cal sobre o artista que o assinava. Sem saber o que se passava, a maioria perguntava como é que Zé Ramalho havia-se rendido à gravadora, tirando sua barba mística. Na verdade, a gravadora fora contrária à mudança de imagem.


A1 - Paisagem Da Flor Desesperada
A2 - Dança Das Luzes
A3 - Dogmática
A4 - Mulheres
A5 - Dupla Fantasia
B1 - Made In PB
B2 - Frágil
B3 - O Tolo Na Colina (The Fool On The Hill)
B4 - Brejo Do Cruz
B5 - Jacarépagua Blues

sábado, 28 de julho de 2018

Vários - Avôhai [2018]

Yandex 320kbps


Por Valdir Junior em Galeria Musical

É Incrível, e ao mesmo tempo maravilhoso, a capacidade de alguns discos se manterem fundamentais, atuais e relevantes com a passagem do tempo. Tempo esse que é inexorável e reduz a poeira, sem dó, dos mais aos menos incautos. Há quarenta anos Zé Ramalho lançava seu homônimo álbum de estreia, disco que com o passar dos anos acabou sendo conhecido por uma de suas faixas, “Avôhai”, um dos seus grandes sucessos. Para comemorar essa data o selo Discobertas lança agora “Avôhai 40 anos” um álbum de releituras roqueiras das músicas do disco.

Com direção artística do próprio Zé Ramalho e pós-produção de Marcelo Fróes, que assina a produção das três faixas bônus do disco, “Avôhai 40 anos” revigora com mais peso, energia e urgência o som folk rock psicodélico nordestino do disco original trazendo bandas e artistas de pop rock da atual cena independente brasileira para homenagear e mostrar a influência e importância do álbum de Zé Ramalho para as novas gerações do século vinte e um.

As novas interpretações das nove músicas originais conseguem evidenciar nuances detalhes e caminhos diversos para as melodias, harmonias e texto já conhecidos e eternizados nesses quarenta anos na interpretação de Zé Ramalho. Uma das características de “Avôhai 40 anos” é conseguir mostrar uma unidade sonora entre as faixas, mesmo elas sendo gravados em momentos, estúdios e com músicos diferentes, um ponto alto na concepção do disco e também na seleção dos artistas convidados e na produção das faixas.

Falando nos cantores e bandas presentes em “Avôhai 40 anos”, vale destacar todos os envolvidos: Eminência Parda Via Rock, João Ramalho, Sent U Feeling, Prima Facie, Paul Rock, Mazzeron, OgroJazzBend, Luiz Lopez, Linda, Novanguarda e o único veterano no disco, Robertinho de Recife, tanto pela qualidade e criatividade de suas interpretações, quanto para mostrar que existe sim, no Brasil, gente capaz, profissional e com talento para fazer e produzir música de verdade, longe dos “hits” discutíveis dos “Só Toca Tops” da vida.

Vale destacar entre as doze faixas do CD as interpretações de “Voa Voa”, que aparece em duas versões, a primeira com Linda Ramalho, filha de Zé Ramalho, numa linha meio Stones, meio Pitty, e a segunda com Luiz Lopes, que capricha num arranjo psicodélico indiano bem viajante; “Vila do Sossego” com Paul Rock, “A Noite Preta (Versão 1)” com João Ramalho, numa pegada meio Metallica meio Raimundos; “A Dança das Borboletas (Versão 1)” com Sent U Feeling e “Adeus Segunda Feira” com o Prima Facie.

O saldo final do CD “Avôhai 40 anos” é extremamente positivo, fruto de uma homenagem muito, mas muito bem feita e um trabalho primoroso dos envolvidos em fazer um disco a altura do disco original. Surpreendendo pelas interpretações das bandas e cantores que merecem e devem ser mais conhecidos do público geral, graças a esse estimado trabalho do selo Discobertas em parceria com a Editora Avôhai.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Zé Ramalho - Terceira Lâmina [1981]

Yandex 320kbps


Por Evandro C. Guimarães em restinga musical

Terceiro disco de Zé Ramalho. Abre com a linda "Canção Agalopada", música cheia de referências bíblicas e imagens misteriosas. Destaque para a participação da cantora lírica Maria Lúcia Godoy. Outro grande destaque é a canção título, "A Terceira Lâmina", que une o tom profético com a crítica social. Há ainda o gênero musical criado por Zé Ramalho, o GALOPE, que mistura elementos de baião e frevo. "Galope Rasante" é o representante desta criação do cantador. Temos outras grandes canções como "Atrás do Balcão", a romântica "Kamikaze", "Cavalos do Cão", que trás a temática do cangaço, a belíssima balada "Ave de Prata" e a otimista "Dia dos Adultos". É um disco bom do início ao fim, talvez a obra-prima de Zé Ramalho.


A1 Canção Agalopada
A2 Filhos De Ícaro
A3 A Terceira Lâmina
A4 Um Pequeno Xote
A5 Atrás Do Balcão
B1 Galope Rasante
B2 Kamikaze
B3 Violar
B4 Cavalos Do Cão
B5 Ave De Prata
B6 Dia Dos Adultos

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Nas Paredes da Pedra Encantada [2011]


Documentário de Cristiano Bastos e Leonardo Bomfim, Nas Paredes da Pedra Encantada remonta a mítica criação do álbum mais raro e psicodélico já produzido no Brasil: Paêbirú: Caminho da Montanha do Sol, de Zé Ramalho e Lula Côrtes. O álbum foi lançado com uma tiragem única de 1300 exemplares e cerca de mil cópias se perderam com a enchente que assolou Recife no mesmo ano de estreia do disco, 1975. Hoje, o vinil original (ele foi relançado no formato pelo selo inglês Mr. Bongo, em 2008) chega a custar R$ 4 mil.


No documentário, Bastos e Bomfim arrumaram uma Kombi para levar Côrtes de volta a Ingá, recanto do agreste paraibano envolto no misticismo de uma pedra talhada com signos pré-milenares. Entre as lembranças de Lula e as histórias de figuras diversas da cena udigrudi nordestina (como Lailson, Alceu Valença e Kátia Mezel), o filme investiga, não só a riqueza musical de Paêbirú, mas também o imaginário particular do interior da Paraíba e o momento psicodélico dos anos 70 na ponte entre Recife e João Pessoa.

sábado, 18 de junho de 2016

Zé Ramalho - Frevoador [1992]

Mega FLAC


Por Evandro C. Guimarães* em Restinga Musical

Com este lançamento, novas perspectivas começavam a se abrir. A canção "Entre a Serpente e a Estrela", versão de Aldir Blanc para uma música estrangeira, foi incluída na trilha sonora de uma novela televisiva de sucesso. O cantador começa a retornar a mídia e recuperar seu espaço, que havia perdido por conta dos dramas pessoais.

Mais importante que o retorno a mídia, FREVOADOR marcou o reencontro do cantador com a sua melhor forma. A música título, é uma versão de Zé Ramalho para Hurricane de Bob Dylan, uma das grandes referências da carreira do nosso herói. Transformada em um frevo, a canção ganha força e nova "personalidade". As baladas "Serpentária", parceria com o grande Sivuca, e "Nona Nuvem" trazem uma nova musicalidade e uma nova faceta dos versos do cantador: a sensualidade. Esta temática seria cada vez mais explorada nos álbuns seguintes, trazendo um novo componente na carreira do nosso cantador. Obviamente, os elementos já tradicionais na música do compositor, como as referências à mitologia e o tom visionário e profético, continuavam presentes, como comprovam as músicas "Botas de Sete Léguas" e "Do Terceiro Milênio para Frente."
*texto integral você encontra no Restinga Musical


A1 - Frevoador (Hurricane)
(Bob Dylan/Jacques Levy) versão Zé Ramalho
A2 - Serpentária
(Zé Ramalho/Sivuca/Glorinha Gadelha)
A3 - Nona nuvem
(Zé Ramalho/Vital Farias)
A4 - Da mãe
(Zé Ramalho/Chico Guedes)
A5 - Entre a serpente e a estrela
(Terry Sttaford/P. Fraser) versão Aldir Blanc

B1 - Cidadão
(Lucio Barbosa)
B2 - A história do Jeca que virou Elvis Presley
(Zé Ramalho/Carlos Fernando)
B3 - Botas de sete léguas
(Zé Ramalho/Hugo Leão)
B4 -  Porta secreta
(Zé Ramalho)
B5 -  Do terceiro milênio para frente - parte II 
(Zé Ramalho/Oliveira de Panelas)

domingo, 10 de janeiro de 2016

Alceu Valença, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Zé Ramalho - O Grande Encontro [1996]

Yandex 244kbps


Do Tumblr do Zé Ramalho

Após o lançamento do disco “Frevoador”, em 1992, a gravadora rompeu novamente com o cantor. Mesmo tendo sido um disco de razoável sucesso e retorno, Zé foi dispensado da então CBS e viu-se novamente sem contrato. Na época, já havia gravado o que viria a ser o seu próximo trabalho. Porém, sem acordos, Zé permaneceu sem gravar até 1995, quando combinou com Geraldo Azevedo, que era seu vizinho, shows pelo Brasil. A união da dupla foi chamada de “Dueto”, seria gravada em disco, e é a pré-história de O Grande Encontro.

Em um desses shows, Elba Ramalho e Alceu Valença estavam presentes. Na ocasião, Alceu subiu ao palco e os três — Geraldo, Zé e Alceu — cantaram juntos, pela primeira vez, a música Táxi Lunar, composição do trio. Logo surgiu a ideia de reunir os quatros: os convites foram feitos individualmente a cada artista, que se reuniram e decidiram o roteiro dos shows.

Assim nasceu O Grande Encontro. Os shows, de voz e violão, movimentaram os fãs por todo o Brasil. O sucesso foi imenso e marcou a história da música brasileira. Além de celebrarem a força da música de cada um, O Grande Encontro exalta a amizade e as memórias, lembranças nas quais quatro vidas se encontraram e tornaram-se grandes parceiras. O poder destas vozes lotou todos os lugares por onde cantavam e, sem demora, O Grande Encontro foi eternizado em disco.

Gravado em 1996, no Canecão, Rio de Janeiro, o álbum obteve grande projeção e sucesso, lançando também as carreiras individuais dos artistas a novos patamares. Músicas marcantes na trajetória dos trabalhos de cada um como “Dia Branco”, de Geraldo Azevedo, “Chão de Giz”, de Zé Ramalho, “Banho de Cheiro”, na voz de Elba Ramalho e “Pelas Ruas que Andei”, de Alceu Valença, além de canções que os inspiraram através dos tempos, dão ao disco mais beleza e singularidade.

Como era o único sem gravadora, Zé recebeu a oportunidade de um novo contrato único com a BMG e pôde voltar aos trabalhos para lançar o seu novo disco.


01. Sabiá
(Luiz Gonzaga / Zé Dantas)
02. Coração bobo
(Alceu Valença)
03. Jacarepaguá blues
(Zé Ramalho)
04. Pelas ruas que andei
(Alceu Valença / Vicente Barreto)
05. Talismã
(Alceu Valença / Geraldo Azevedo)
06. O ciúme
(Caetano Veloso)
07. Dia branco
(Geraldo Azevedo / Renato Rocha)
08. O amanhã é distante
(Bob Dylan / Vrs. Geraldo Azevedo / Vrs. Babaum)
09. Admirável gado novo
(Zé Ramalho)
10. Trem das sete
(Raul Seixas)
11. Chão de giz
(Zé Ramalho)
12. Veja (Margarida)
(Vital Farias)
13. A prosa impúrpura do Caicó
(Chico César)
14. Tesoura do desejo
(Alceu Valença)
15. Chorando e cantando
(Geraldo Azevedo / Fausto Nilo)
16.Banho de cheiro
(Carlos Fernando)

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Lula Côrtes e Zé Ramalho - Paêbirú [1975]


Yandex ou Torrent 320kbps



Nem só de "Avohai" e "Chão de Giz" viveu Zé Ramalho. A doideira atingiu o cantor, assim como diversos outros ao redor do mundo, mas aqui ocorreu antes da fama, mais precisamente no ano de 1974. Ali, Zé Ramalho, ao lado de Lula Côrtes, registrou um dos mais originais álbuns da musicultura brasileira, o raríssimo Paêbirú.

Muitas histórias existem a respeito desse disco. A principal delas, e que acabou levando o álbum a ser famoso, é a questão da sua raridade. Conta a lenda que o álbum ficou armazenado dentro do estoque da gravadora Rozenblit, principal companhia da região, a qual localizava-se ao lado do rio Capiberibe, em Pernambuco, e onde o trabalho havia sido gravado durante a primavera de 74. Porém, uma sequência de chuvas torrenciais começou a atingir Pernambuco, fazendo o rio transbordar, levando casas, vidas e o lote de discos que estava no galpão. De todo o material que havia sido gravado, conta-se que somente pouco mais de 300 cópias da versão original restaram com qualidade boa para o lançamento, as quais haviam sido levadas para a casa de Lula, e que, devido principalmente pela qualidade do material, acabaram sendo vendidos a preço de ouro, parando na mão de diversos colecionadores, principalmente no exterior.


Segundo uma entrevista de Lula Côrtes, isso tudo é lenda. O álbum acabou vendendo pouco e, devido ao alto custo de se fabricar o disco, já que o mesmo era duplo e contava com um belíssimo encarte-livreto, a gravadora preferiu não lançar mais, mas ninguém sabe se a história real é essa.

O que sim, se sabe, é que o álbum inovava em termos sonoros e visuais. Dois anos antes o Módulo 1000 havia feito algo similar com o "Não Fale Com Paredes", com sua capa tripla e com o trabalho perfeito da prensagem, mas Paêbirú trazia mais. Além do formato duplo, o encarte-livreto continha fotos, imagens e pinturas próprias dos álbuns progressivos internacionais, coisa que não havia sido vista no Brasil ainda, e tão pouco seria vista em muitos anos.

A qualidade psicodélica do som da dupla também era algo anormal para a época. Até o lançamento de Paêbirú, Zé Ramalho estava formando carreira ao lado de Alceu Valença, tendo tocado em diversos grupos na época da Jovem Guarda, dentre eles Os Quatro Loucos, o mais importante de todo o Nordeste, e registrado outra raridade brazuca, o conceitual "Marconi Notaro no Sub Reino dos Metozoários". Lula Cortês havia gravado somente o disco "Satwa" (1973), ao lado de Lailson, que trazia canções como "Alegro Piradíssimo", "Blues do Cachorro Muito Louco" e "Can I Be Satwa", uma pérola nacional garimpada, e muito, pelos quatro cantos do planeta. Vale a pena ressaltar que somente esses três LPs (Marconi Notaro ..., Satwa e Paêbirú) valem juntos mais de 4.000 reais em suas versões originais.


No início de 74, Zé Ramalho foi apresentado a Lula Côrtes, e de cara o ácido fez com que ambos viajassem juntos, afim de gravar um LP em homenagem à Pedrá do Ingá e ao sítio arqueológco de Ingá do Bacamarte. A obra conceitual começou a ser elaborada rapidamente, sendo gravada em quatro partes: Terra, Ar, Fogo e Água.

O lado A traz a Terra em seus mais de treze minutos da viajante "Trilha do Sumé - Culto a Terra - Bailado das Máscaras". Barulhos de mata, percussões indígenas e sopros que imitam moscas dão espaço para uma viajante flauta que sola sem compromisso, acompanhada por palmas e por Zé Ramalho entoando o nome de alguns planetas e a complicadíssima letra da canção. Um saxofone forte entra solando do nada, enquanto a música muda seu ritmo, onde aí sim a viagem pega solta, com diversos gritos e solos de guitarras sem o mínimo de sentido, somente a mais pura piração. Disparada, essa é a faixa mais psicodélica já gravada no Brasil, quase uma "Interstellar Overdrive". Finalmente, um belo piano acompanha um lindo solo de flauta, esse sim, sem ser viajante, que encerra a faixa acompanhado por um violão que começa a solar, dando entradas para violas caipiras que duelam de forma magnífica.

O lado B traz o Ar, agora com "Harpa dos Ares". Aqui, o violão de Zé Ramalho lembra os antigos grupos de chorinho. Sons de pássaros intercalam a bela sessão instrumental, que é regada ainda por flautas e crianças brincando. Segue "Não Existe Molhado Igual ao Pranto". O início da faixa, com o violão e viola baixinhos, cercado por gritos e sopros, leva a uma sessão lenta dos violões intercaladas por saxofones e gritos, e por mais violões que, por horas, parecem um berimbau. A letra é entoada em meio a gritos e solos de saxofone. "Omm" encerra o lado B com barulhos de animais cercados pela marcação lenta do violão e da flauta, que viaja pelo mais distante rincão acompanhando um saxofone maluco que intervém de vez em quando durante os solos de viola e violão. Simplesmente fantástico. A faixa termina com uma delirante participação do piano, bem similar aos solos de Keith Jarrett, e com muitos sons externos.


O lado Fogo abre com "Raga dos Raios" e os violões acompanhados por uma guitarra super distorcida. O clima muda totalmente nesse lado. A guitarra furiosa sola como um peão lutando contra uma tourada, enquanto o violão apenas marca o ritmo da canção, bem no estilo cancioneiro da caatinga nordestina. São dois minutos de tirar o fôlego de muito guitarrista. 

Segue a bateria e a percussão de "Nas Parede da Pedra Encantada, Os Segredos Talhados por Sumé". Essa já é uma canção mais rock'n'roll, com uma boa levada de bateria e baixo, que fazem a cama para teclados solarem independentemente. O ritmo da canção lembra as músicas dos anos oitenta, como New Order, Depeche Mode, entre outros, mas claro, soando aqui bem psicodélica. A esquisita letra é entoada entre barulhos de saxofone, teclados e a marcação de baixo e bateria. A tecladeira toma conta, com saxofones, apitos e flautas viajando ao fundo da letra e do refrão, que repete o nome da canção. A instrumental "Maracas de Fogo" encerra o lado C com uma levada flamenca do violão e da percussão, acompanhados por gritos e intervenções de guitarra e os berros de "Ah, Ah, Ah, Maracatu!!".

Finalmente, o lado D, a Água, abre com "Louvação à Iemanjá", que como o nome diz, trata-se de uma louvação pasra a rainha do mar. Sons de água então dão espaço para a viola e orquestras acompanharem um solo de guitarra novamente bem distorcido, mas dessa vez sem tanta fúria como em "Raga dos Raios", mas bem mais viajante, terminando com os barulho de água que abrem a faixa "Beira-Mar", com um belo duelo de viola caipira. "Pedra Templo Animal" tem sua levada caipira construída em cima do baixo, viola e marcação do côco. Gritos intercalam a letra, que fala sobre sereias, cachoeiras e águas cristalinas. Finalmente, temos somente a sessão de "Trilha do Sumé", com os violões que encerram o lado Terra concluindo belíssimamente esse grande álbum.

O disco contou com a participação de Paulo Rafael, Robertinho de Recife, Geraldo Azevedo e Alceu Valença, entre outros, mas acabou ficando cercado mesmo pela sua sombriedade, e também pela marcante história. Porém, para aqueles que hoje acessam e fazem downloads na internet, vale a pena conferir cada segundo desse incrível álbum, do qual tive o prazer de ver um, na versão original, através de um amigo meu que pagou a bagatela de mais ou menos 2.000 reais para tê-lo em sua coleção.


(Nota: para quem se interessar, a gravadora inglesa Mr Bongo lançou uma reedição dePaêbirú em vinil de 180 gramas em 2007, já um pouco rara, que é vendida por no mínimo 200 reais entre os colecionadores. Essa versão da Mr Bongo é linda de morrer, já vi uma pessoalmente e ela mantém todo o conceito gráfico original. Vá atrás que vale a pena! Existe ainda uma versão em CD, lançada em 2005 pela gravadora alemã Shadoks, mas essa eu nunca tive o prazer de pegar na mão.)

domingo, 8 de março de 2015

Zé Ramalho - O Herdeiro de Avôhai [2009]


Sinopse

A saga de Zé Ramalho em filme documentário

Dirigido e produzido pelo jornalista e documentarista paraibano Elinaldo Rodrigues, o filme é pontuado por referências às fases que constitutem a formação e origem da pessoa e do artista.

Das origens de menino pobre nascido na cidade de Brejo do Cruz, no sertão paraibano, ao sucesso nacional, a saga e a obra de Zé Ramalho remetem a desafios pessoais e coletivos, como também interligam as influências regionais com a cultura além fronteiras. Entre desafios e superações, Zé Ramalho transpassou limites, até se tornar um patrimônio nacional. 

Hoje, dentre milhares de admiradores de todas as idades, gerações após gerações têm comprovado que esse visionário da música brasileira criou uma obra de caráter universal.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Zé Ramalho - Opus Visionário [1986]

Download FLAC



Por Marcelo Fróes em janeiro de 2003
texto retirado do encarte da reedição em CD desse álbum

Com o sucesso de "Mistérios da Meia Noite" no ano anterior, Zé Ramalho havia conseguido zerar uma dívida com a CBS. Segundo ele próprio, deixara de ser um estorvo ainda que seus últimos discos vendessem apenas o suficiente para não dar prejuízo. Financeiramente resolvido e com uma nova companheira - Roberta, com a qual se casaria anos mais -, o artista achou que estivesse retomando o controle da situação, mas este trabalho - e o posterior - acabaram representando um mergulho ainda mais profundo no universo das drogas. "Opus Visionário" seria gravado no estúdio do maestro e arranjador Lincoln Olivetti, então Mauro Motta resolveu voltar a trabalhar com Zé Ramalho. Quando lançado em 986, o disco foi trabalhado e a faixa de abertura "Zyliana" foi razoavelmente executada em rádio, garantindo ao artista espaço em programas de TV. Entretanto, as viagens embaladas pelas drogas faziam com que Zé Ramalho se trancasse cada vez mais em casa. A diretoria da gravadora percebeu e se ressentiu do artista não ter conseguido completar o trabalho de divulgação do novo disco. Mal assessorado, Zé Ramalho parou de fazer shows e parou de trabalhar. O disco tinha tudo para ter decolado, mas não decolou - apesar de hoje, com esta reedição, podermos reavaliar o belo trabalho com a dupla Lincoln Olivetti & Robson Jorge, a versão de "Um Índio" (de Caetano Veloso) e o dueto com Geraldo Azevedo na faixa final "Pedras e Moças".

sábado, 24 de maio de 2014

Zé Ramalho - Força Verde [1982]

Download FLAC


Por Marcelo Fróes

Chamando atenção já por sua arrojada capa tríplice, o álbum “Força Verde” foi fruto do respaldo conquistado por Zé Ramalho em seus três primeiros trabalhos para a CBS. Segundo o próprio artista, foi o disco mais místico que já fez mas que obteve curta vida útil, ainda que tenha ido para as lojas com 150 mil cópias vendidas. A música Força Verde, distribuída num compacto promocional, estava indo bem nas rádios e o disco ganhava boas críticas até o cantor e compositor ser acusado de plágio, por causa de uma revista em quadrinhos do “Incrível Hulk”.

A história de Força Verde é antiga. Data dos idos de 1976, quando Zé havia chegado ao Rio de Janeiro e ainda atravessava seu período lisérgico pós “Paêbirú”. Folheando um gibi do “Incrível Hulk”, Zé reparou que os balões de determinada historinha continham pura poesia. Fez uma música em torno daquilo e, quando finalmente resolveu gravá-la para este disco em abril de 1982, falou com seu produtor sobre o que fazer. Como não obteve esclarecimento e inclusive ouviu um comentário de que certa feita Roberto Carlos musicara uma fotonovela, achou que não haveria problema.
Um colecionador de gibis reconheceu o texto na letra e denunciou Zé Ramalho na televisão, dizendo que a letra provinha do texto de um poeta irlandês não creditado na revista original. A imprensa brasileira transformou a coisa num escândalo e o apresentador Flávio Cavalcante chegou a chamar Zé de “ladrão”. Stan Lee e a Marvel Comics, responsáveis pelo personagem “Incrível Hulk”, chegaram a ser procurados pela imprensa brasileira, mas resolveram pedir que abafassem a história afinal, eles próprios não haviam creditado o poeta irlandês na revista original. Segundo Zé Ramalho, a CBS ficou temerosa e preferiu esconder o disco, embora já naquela época ele achasse que deveriam aproveitar pra incendiar o assunto. Naquele ano, Zé seria lançado internacionalmente a partir de um show no Festival de Montreux e depois disto gravaria um disco totalmente em espanhol. Tudo foi adiado por tempo indeterminado e Zé deu férias à banda, ficando dois anos trancado em casa até que a poeira assentasse.

O posicionamento do artista junto à gravadora ficou abalado, com uma quebra de confiança provocada por um incidente oriundo da ingenuidade característica de uma época.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Zé Ramalho - Nação Nordestina [2000]

Mega 320kbps

Por Anderson Nascimento em Galeria Musical
publicada em 23 de junho 2010 

Há dez anos Zé Ramalho lançava um de seus álbuns mais importantes, ou o mais importante, como cita Assis Ângelo no encarte do CD. O álbum, conceitual, já entrega essa grandiloqüência em seu projeto visual: a capa é uma homenagem ao clássico “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band”, com os ícones nordestinos de todos os tempos posando ao lado de Zé Ramalho; o projeto gráfico inclui um generoso libreto com as letras e a sinopse de cada faixa do álbum duplo.

A idéia de criar um álbum que mostrasse ao Brasil a cara do Nordeste, não só colocando o dedo na ferida, mas também apresentando a riqueza cultural de canções de autores conhecidos do grande Brasil, em conjunção com outros quase anônimos, além do próprio Zé Ramalho, que contribui com seis músicas inéditas suas, dentre as vinte do álbum.

Algo que faz “Nação Nordestina” tão especial é o conceito do álbum, baseado nas desventuras de um viajante percorrendo o nordeste do Brasil. As canções vão se encaixando em um mosaico de teor político, que é endossado pelos canhões das tropas em “Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores”, regravação de Geraldo Vandré, aqui recheada de efeitos que a torna uma das melhores gravações já feitas da música.

A política está em outros momentos do álbum como em “O Meu País”, onde, sem mais delongas, Zé vai direto ao assunto, apontando o dedo, mas de “bico calado”, as desigualdades do país. Ou ainda em “Ele Disse”, que ganha ainda o discurso do presidente Getúlio Vargas, realizado no dia do trabalhador em 1951.

O sertanejo que caminha ao longo do Nordeste também retrata os seus costumes em vários momentos como na regravação de “Lamento Sertanejo”, de Gilberto Gil e Dominguinhos, que ganha o reforço do próprio herdeiro musical de Luiz Gonzaga, e da Guitarra de Robertinho do Recife, que é o produtor do álbum.

Os contrapontos também ilustram a obra de Zé Ramalho, às vezes até em sequência, que é o caso das faixas “Temporal” e “Seres Alados”. Se na primeira o viajante entrega que “quem cala, consente a fala”, na segunda a indignação toma conta e manda “Não mais estaremos calados”, contando com o fim da submissão dos gritos do capitão da canção anterior.

No fim do primeiro disco, Zé Ramalho faz uma espécie de duelo de irônicas perguntas e respostas com o povo na canção “Mourão Voltado Em Questões”, novamente com contexto político, dessa vez corroborado pelo povo que segue o sertanejo ao longo dessa caminhada proposta no disco.

Já o disco 2 é menos político, recheado de participações especiais, é muito mais devotado ao ritmo nordestino, como entrega a primeira faixa “Violando com Hermeto”, uma canção instrumental onde Zé Ramalho e Naná Vasconcelos duelam com Hermeto Pascoal. O trem da canção, criado por Naná, abre espaço para o êxodo em “Hino Nordestino” como entrega a letra da canção “...tentar a sorte no Rio de Janeiro, São Paulo, no mundo aceito o desafio...”.

Em “Bandeira Desfraldada”, temos uma interessante fusão de uma cítara brilhantemente nordestina, tocada por Robertinho do Recife, que ganha o reforço da Elba Ramalho, inspiradora da canção gravada originalmente em 1978.

O êxodo continua a ser retratado no álbum através da regravação de “Pau-de-Arara” do mestre Luiz Gonzaga, aqui com uma riqueza musical incrível, capitaneada por uma verdadeira seleção de músicos. “Amar Quem Já Amei”, transcrita aqui como forró com a participação de Ivete Sangalo, traduz os maiores medos dos retirantes como o fracasso da volta sem êxito à terra natal.

Por vezes as tristes letras, principalmente no reflexivo segundo disco, são eclipsadas por ritmos alegres, como pode ser percebido em “Garrote Ferido”, com as marcantes participações de Fagner, Pepeu Gomes e a percussão de Mingo Araújo.

A saudade da terra querida, porém é doída e aqui é validada pela canção “Paraí-ba”, com melancólico vocal de Flávio José e brilhante arranjo de Zé Ramalho.

“Eu Vou Pra Lua”, divertido forró gravado originalmente em 1960, nove anos antes de o homem pisar na lua, traz, nessa nova versão, a participação do grupo pernambucano Cascabulho, na última participação especial do álbum.

A tensa e apocalíptica “Esses Discos Voadores Me Preocupam Demais”, recheada de efeitos especiais, apresenta a curiosidade e discussões sobre a existência ou não de vida fora da Terra. Apesar de muito bacana, esta é a única canção que talvez fuja um pouco da temática principal, presente em todo o álbum.

Com “Digitado Em Poesia”, o viajante que percorre o sertão apontando as mazelas, medos e esperanças da nação nordestina, chega ao final da caminhada, sabendo que chamou a atenção, fez barulho, e principalmente, mostrou a beleza de sua cultura e o talento de seu povo.

Zé Ramalho construiu uma obra singular, que merece estar sempre disponível através de disco, para ser ouvida, estudada e compreendida pelas próximas gerações. “Nação Nordestina” é mais que um disco, é um invólucro munido de história e literatura, cantada e tocada.

Como em seus últimos álbuns Zé Ramalho prestou homenagem aos seus ídolos Raul Seixas, Bob Dylan e Jackson do Pandeiro, seria uma boa se ele resolvesse prestar um tributo a si mesmo. Certamente consistiria em uma grande idéia se o projeto “Nação Nordestina” ganhasse edição comemorativa com versão em vinil (já pensou a maravilhosa capa do CD em tamanho de LP?), álbum ao vivo, e DVD com a releitura na íntegra desse álbum. Não custa nada sonhar, não é mesmo?

domingo, 27 de janeiro de 2013

Zé Ramalho [1978]



Por Zé Ramalho

Este é o meu primeiro disco. O disco de estréia. Veio cheio de misticismo e idéias. Trouxe um linguajar diferente do usual. Através da mensagem do "Avôhai", música que abre o disco, com a participação de Patrick Moraz, tecladista do grupo inglês YES! Além de "Avôhai", traz "Vila do Sossego" e "Chão de Giz", músicas que viraram clássicos da M.P.B. com várias regravações de outros artistas. É o disco da chegada, transpondo a soleira do alcance musical. É um disco que nunca saiu de cartaz. Me orgulho dele e do seu tempo. Foi o início de tudo. Tudo começa com "Avôhai".


Por Marcelo Fróes
Texto da reedição, 2003

Nascido em Brejo do Cruz (PB) a 03/10/49, José Ramalho Neto passou a infância com o avô em Campina Grande e descobriu o rock’n’roll e o iê-lê-iê vivendo a adolescência em João Pessoa, ouvindo tanto a Jovem Guarda quanto os discos dos Beatles e de seus contemporâneos. Na virada dos anos 70, Zé Ramalho foi membro do grupo The Gentlemen, que gravou um álbum pela Rozenblit, mesma gravadora pernambucana por onde o lendário álbum duplo "Paêbirú" foi gravado, em parceria com Lula Côrtes no final de 1974, com participações de Alceu Valença, Zé da Flauta e outros.

Zé Ramalho da Paraíba, como chegou ao Rio em muitas idas e vindas, acompanhou Alceu Valença e chamou atenção. Resolveu estabelecer-se definitivamente na cidade após o carnaval de 1976, disposto a nunca mais voltar para o Nordeste. Aquela altura, já havia composto Avôhai, Vila do Sossego, Chão de Giz e A Dança das Borboletas, e depois de conhecer o produtor Carlos Alberto Sion no pier de Ipanema, entrou no estúdio da Phonogram para gravar uma demo. Não foi aceito, mas passou o ano visitando a RCA, a EMI-Odeon e a Som Livre, que também não se interessaram. O diretor de TV Augusto César Vanucci tornou-se fã e mostrou Avôhai à então esposa Vanusa, que decidiu gravar a música em São Paulo, com Zé ao violão.

Já perto daquele ano de 1976, Raimundo Fagner deu seu aval junto à diretoria da CBS - chamando atenção para o trabalho do amigo, o que fez com que o diretor artístico Jairo Pires se encantasse ao ouvir Avôhai. Imediatamente contratado no início de 1977, Zé Ramalho respirou aliviado e passou o ano fazendo shows no Rio. Uma versão de Avôhai chegou a ser registrada num estúdio de rádio, para que entrasse imediatamente na programação. Este primeiro disco solo de Zé Ramalho foi gravado em 8 canais no estúdio da CBS em novembro de 1977.

Todos os músicos tocaram de graça, animados com a oportunidade alcançada pelo cantor e compositor paraibano, inclusive o tecladista inglês Patrick Moraz, que estava gravando um álbum solo no Rio de Janeiro.

As bases foram gravadas com poucos músicos, tendo Zé até mesmo, usado apenas percussão e não bateria neste trabalho semi-acústico de incrível qualidade sonora. Também na parte eletrificada, o ex-Mutantes Sérgio Dias sensibilizou tanto por sua participação que ganhou três dos oito canais para seu apoteótico solo de guitarra em A Dança das Borboletas. Ninguém percebeu na ocasião que a fita estava chegando ao fim, e é por isso esta faixa encerra o primeiro lado do disco daquela forma.

Como o artista continuava morando num quarto alugado na Glória, a CBS decidiu hospedá-lo no Hotel Plaza de Copacabana para que fizesse o trabalho de divulgação com mais conforto. O disco teve ótima repercussão e o artista aproveitava para distribuir seu livrinho de cordel Apocalypse na entrada de seus shows. Zé Ramalho sentiu que a "coisa estava começando a acontecer" em meados de 1978, quando recebeu o primeiro dinheiro proveniente da execução pública de suas músicas.

*reedição de 2003

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Zé Ramalho - Orquídea Negra [1983]

Mediafire 320kbps


Por Zé Ramalho

Oi o meu quinto disco. Realizado em 1983, trouxe-me grandes e ilustres parceiros como: Fagner, Robertinho de Recife, Capinam e Maria Lúcia Godoy, que também participaram cantando comigo em suas respectivas faixas. Há a presença marcante de músicos extraordinários como: Egberto Gismonti, A Côr do Som e o Trio Elétrico de Armandinho, Dodô e Osmar. Foi um disco difícil de fazer, pelo envolvimento dos participantes em relação aos horários e época de gravação. A música que dá título ao disco "Orquídea Negra", foi feita por Jorge Mautner, que me entregou-a dizendo: - "Zé, você é a Orquídea Negra que brotou da máquina selvagem". Depois que o disco ficou pronto, achei, durante muito tempo, que ele era o meu self-portrait (auto-retrato). Foi muito bom ter tido a chance de reunir tantos nomes brilhantes em um dos meus discos. Arranjadores excepcionais me honraram com seu talento: Radamés Gnatalli e Chiquinho de Moraes. Por eles e por tudo isso, é um dos meus discos prediletos.


Texto da reedição, 2003
Marcelo Fróes

Com "Orquídea Negra", Zé Ramalho entra no inferno através de seu mergulho no universo das drogas - quando tornou-se viciado em cocaína por conta do marasmo que sucedeu à frustração do projeto "Força Verde" no ano anterior. Com tudo isso, a interrupção dos trabalhos pós-lançamento do disco anterior não impediu que este novo projeto fosse extremamente bem produzido já em 1983. Mais caro ainda que o anterior, este trabalho novamente surpreende pela capa interna, que inclui fotografia tirada em Búzios, com o artista ateando fogo ao oceano (!). Presente de Jorge Mautner, a faixa-título serviu de abertura ao disco - e para que o artista vislumbrasse o segmento que seria dado à sua carreira. Zé Ramalho resolve divulgar o estereótipo que tentaram lhe impor, o daquele que efetivamente havia "roubado" a cultura européia ao apoderar-se do texto de um poeta irlandês.

A abertura do disco, com efeitos especiais de tiros de canhão, deu muito trabalho, e "Orquídea Negra" é até hoje considerado pelo artista como seu fiel auto-retrato. Contou com muitas participações especiais, de pessoas que resolveram apoiar o artista como num desagravo pelas acusações que sofrera no ano anterior. Nada aconteceu com o disco, que também não teve turnê de divulgação. "Orquídea Negra" minou a carreira do artista e representou também o encerramento de sua fase em Fortaleza, diante da iminente separação da cantora Amelinha.

Janeiro, 2003



A1 Orquídea Negra
(Jorge Mautner)
A2 Para Chegar Mais Perto De Deus
(Zé Ramalho)
A3 Kryptônia
(Zé Ramalho)
A4 Taxi Lunar
(Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Zé Ramalho)
A5 Coração De Rubi
(Maria Lúcia Godoy, Zé Ramalho)
B1 Filhos Do Câncer
(Fagner, Zé Ramalho)
B2 Napalm
(Robertinho De Recife, Zé Ramalho)
B3 Dominó
(Zé Ramalho)
B4 Xote Dos Poetas
(Capinam, Zé Ramalho)
B5 Embolada Violada
(Zé Ramalho)

sábado, 6 de outubro de 2012

Zé Ramalho - A Peleja do Diabo com o Dono do Céu [1980]

Download FLAC


Faixas

1. A Peleja do Diabo Com o Dono do Céu
2. Admirável Gado Novo
3. Falas do Povo
4. Beira-Mar
5. Garoto de Aluguel(Taxi Boy)
6. Pelo Vinho e Pelo Pão
7. Mote das Amplidões
8. Jardim das Acácias
9. Agônico
10. Frevo Mulher
*Bônus da reedição de 2003

11. Admirável Gado Novo (Instrumental)
12. Mr. Tambourine Man
13. Hino Amizade
14. O Desafio do Século


Por  Som do disco
Zé Ramalho é um artista que vale mais do que o grande público percebe. Já disseram que vinha de Zé "as guitarras do sertão". Alguém universal que canta sua aldeia, com voz e cara do nordeste, sem perder a antena com o mundo e a humanidade. Um disco seu que considero particularmente especial é "A Peleja do Diabo Com o Dono do Céu". A sua viagem começa com sua capa, que tem Zé do Caixão e a atriz Xuxa Lopes, como num cordel, em que Zé encarna o Dono do Céu e o diabo é Zé do Caixão.

O disco contém a conhecida "Admirável Gado Novo", que mistura elementos bem nordestinos, como triângulo e zabumba, com um arranjo de cordas e uma letra inteligente que faz uma crítica engajada em épocas de ditadura militar. 

Tem marcas bem nordestinas, como "Falas do Povo" e "Garoto de Aluguel (Taxi Boy)", que consta ter traços autobiográficos de quando o autor chegou no Rio de Janeiro. Tem também Frevo Mulher, um de seus maiores sucessos, dizendo "É quando o vento sacode a cabeleira / A trança toda vermelha /Um olho cego vageia procurando por um..."

Tem a guitarra de Pepeu Gomes em "Jardim das Acácias"

A música que eu mais gosto, no entanto, é outro grande sucesso, "Beira-Mar", que fala da vida e da morte, da noite e do dia que começam e terminam na beira do mar...

Numa entrevista, Zé ramalho comentou sobre a obra: 

Foi o meu segundo disco. Veio implacável, com letras furiosas e políticas, ditas num tom profético e nordestino, passando para a época uma fornada de músicas, que marcaram a minha carreira para sempre. Aqui neste disco estão: "Admirável Gado Novo" (que virou hino popular), "Garoto de Aluguel" e "Beira-Mar", além de "Jardim das Acácias" e "Frevo - Mulher". Tem um sabor de luta e vitória, amor e revolta, que o poeta sentia na época em que fez estas canções. Tempo de ditadura militar e perseguição aos artistas. Na capa, aparece ao meu lado, o genial José Mojica Marins (Zé do Caixão), que representou a figura do diabo nesta imagem de cordel e surrealismo que criamos para ilustrá-la.