Mostrando postagens com marcador Plebe Rude. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Plebe Rude. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 12 de maio de 2020

Plebe Rude - Evolução, Vol. I [2019]

Yandex 320kbps


Por Guilherme Lage em Scream & Yell

O que é o punk rock, afinal? O estilo musical importado dos Estados Unidos e da Europa em meados dos anos 1970 era muito claro em sua concepção antidogmática de “faça você mesmo” e “faça o que quiser”. Se não existem dogmas, a liberdade é a força motriz que impulsiona a criação. Tendo isso em mente, uma das bandas mais clássicas do gênero no Brasil, a Plebe Rude, lançou em dezembro passado a primeira parte de um disco duplo, “Evolução – Volume 1” (2019), uma espécie de ópera rock que narra a evolução humana a partir do surgimento do homo sapiens – o volume 2 será lançado em 2020.

Para um trabalho tão extenso, em tempos de música portátil, o grupo brasiliense ousou no formato do lançamento do material. Um disco duplo, com 28 faixas, em pleno século XXI, dividido em dois volumes. “O volume 1 começa com o homem se tornando um bípede, explorando seu habitat e descobrindo a arte da convivência e da sobrevivência. Ele começa a se fixar ao redor do planeta e passa por todos os marcos da história até o início do século XX”, explica o baixista André X. “Deixamos o século XX para o volume 2”, avisa.

“Acho que não faz muito sentido lançar um EP”, arrisca o guitarrista, vocalista e fundador da banda Philippe Seabra. “Estou terminando meu livro, e só porque as pessoas não têm mais tanta paciência em ler, eu deveria lançar um conto? Acho que não. O disco tem um conceito, conta toda uma história e a obra precisa ser contada de uma forma completa”, conta.

A faixa que abre o disco, e que tem o mesmo nome do álbum, é uma composição que data de 1989, sendo redescoberta durante o período em que Philippe trabalhava em sua autobiografia (o título ainda é uma surpresa e o livro não tem data de lançamento).

A ideia inicial era que a canção servisse como trilha sonora para uma peça infantil na qual a banda estava se empenhando, após uma malfadada tentativa de passar a faixa para frente. “Como a música era bem humorada, eu mostrei para o Evandro Mesquita, mas ele não se interessou muito. Pensamos ‘Se nem a Blitz curtiu, o que a Plebe vai fazer?’ (risos). Pensamos na questão da peça, mas quanto mais trabalhávamos, mais músicas iam surgindo e percebemos que dava pra fazer algo bastante diferente com aquilo”.

“Ficamos um ano compondo e gravando essas músicas”, relembra André X. “Tinham sessões de ensaio em que nasciam duas ou três no mesmo dia! Desde que ensaiávamos no Radio Center, em Brasília, dividindo uma sala com a Legião Urbana, que não passávamos por um período tão fértil”, rememora.

A exploração com outros formatos de composição não é nenhuma novidade na carreira dos brasilienses. Desde os anos 1990, a Plebe é dada a experimentações. Nesse disco, que narra desde os primeiros passos do ser humano, até intervenções alienígenas num futuro distante, a banda passeia por diversos estilos musicais, trabalhando lado a lado, inclusive com uma orquestra. Pois realmente, na música e, também no punk, não existem limitações.

“O que eu sempre gostei muito do punk quando conheci é que ele era muito inclusivo. Você não precisava ser um exímio músico ou instrumentista para fazer música. Isso me chamou atenção desde o começo, pois o rock clássico e progressivo, que eu também gosto bastante, era mais complicado, menos acessível. Mas sempre gostamos de mesclar gêneros, tentar novas coisas. Trabalhamos com uma orquestra, com músicos pop, arranjos com viola caipira. Sempre seguimos direções não óbvias”, conta Seabra.

Desde 2004 a Plebe conta com um membro paulista no cartel. Nada mais, nada menos que Clemente Nascimento, guitarrista e vocalista da lendária banda paulista Inocentes. A entrada de Clemente reacendeu uma velha fagulha do cenário punk brasileiro: Afinal, onde começou tudo? São Paulo ou Brasília?

Para Philippe, um brasiliense convicto, a capital federal ocupa a segunda posição no ranking da chegada dos moicanos, jaquetas de couro e alfinetes no país. “Foram concomitantes, mas acho que São Paulo leva a primeira posição”, opina. Ele ainda relata que a amizade com Clemente se estende desde o início dos anos 1980.

“O Clemente, na verdade, foi o primeiro punk que nós conhecemos. Quando fomos pra São Paulo nas primeiras vezes e íamos nas casas noturnas, como o Napalm, ficamos extremamente surpresos com a cena que existia por lá. Falo isso com o maior respeito e a maior humildade, porque não esperávamos. O próprio Renato (Russo), quando foi lá a primeira vez, voltou de boca aberta e nos dizendo “Philippe, eles conhecem tudo. É surreal”.

Há 38 anos ajudando a capitanear a Plebe (junto dele, da formação original apenas o baixista André X se mantém da formação original – Jander “Ameba” Bilaphra, outro nome lendário da formação clássica da Plebe, conversou com o Scream & Yell anos atrás), o que não falta para Philippe são histórias para repartir sobre o período de ebulição e descoberta musical naquela longínqua Brasília dos anos 1970 e 1980. Por isso, o livro entrou nos planos.

“Eu conversava com amigos daquela época e percebia que a maioria deles não se lembrava de nada do que tinha acontecido, só eu. Acho que pelo fato de eu ter sido um dos únicos a não fumar maconha naquela época (risos). Decidi então começar a botar isso no papel, como uma forma de resgate dessas histórias. O livro fala não só sobre o punk, mas sobre Brasília e sobre mim, histórias de festas, da minha família. É um livro de sexo, drogas e rock n’ roll, mas falando sobre as drogas dos outros, porque eu nunca usei drogas (risos)”, confessa Philippe.

Por enquanto, os fãs da Plebe Rude podem ter acesso as primeiras 14 músicas que compõem o “Evolução, Volume I” (2019), mas logo logo “Evolução, Volume II” estará disponível atualizando uma discografia aberta com o clássico EP “O Concreto Já Rachou” (1985) e seguida, ainda nos anos 80, pelos álbuns “Nunca Fomos Tão Brasileiros” (1987) e “Plebe Rude” (1988), o último com a formação clássica da banda. Depois, Philippe e André lançaram “Mais Raiva do Que Medo” (1993). A nova fase da Plebe traz três discos: “R ao Contrário” (2006), “Nação Daltônica” (2014) e, agora, “Evolução” (2019/2020).

“Nesse momento esdrúxulo que estamos vivendo, mais do que nunca as letras da Plebe parecem assustadoramente atuais”, analisa Philippe Seabra. “Como artistas, ficamos felizes com a relevância da obra, mas como cidadãos ficamos aflitos. Mas continuamos nossa missão de conscientizar através da música, e com ‘Evolução’ não é diferente”, afirma. “Vivemos tempos estranhos”, observa André. “Uma onda de intolerância e de incompreensão paira no ar. Isso veio de algum lugar, nada dessa magnitude brota sozinho. A resposta está no comportamento histórico do ser humano”, acredita. É bom prestar atenção em “Evolução”.



1 Evolução
2 O Início
3 A Nova Espécie
4 O Fogo Que Ilumina O Caminho
5 A Janela Pro Céu
6 A Queda De Roma
7 Bring Out Your Dead
8 Nova Fronteira
9 Descobrimento Da América
10 Um Belo Dia Em Florença
11 Luz No Fim Das Trevas, Pt. 1
12 Luz No Fim Das Trevas, Pt. 2
13 A História Deja Vu
14 A Mesma Mensagem

quinta-feira, 19 de março de 2020

Plebe Rude - Primórdios [2018]

Yandex 320kbps



“Primórdios” é o álbum mais recente com canções compostas entre 1981 e 1983, e, dentre elas, nove músicas inéditas que tocavam no começo da banda, mas nunca haviam gravado e lançado oficialmente. Trata-se de um conteúdo ao vivo, gravado no final de 2017 durante um show no Espaço Som, em São Paulo, produzido pelo Showlivre.com e dirigido por Walter Abreu e Rapha Al. 

A ideia do álbum surgiu após o lançamento do livro “Meninos em Fúria”, uma co-autoria do integrante Clemente Nascimento (guitarra e voz) e do escritor Marcelo Rubens Paiva, quando Philippe Seabra (guitarra e voz, igualmente) viu a necessidade de também resgatar suas memórias para um futuro livro – ainda em fase de escrita.

1 Cavalaria Rusticana
2 Nada (Original)
3 Bandas BSB
4 Pressão Social
5 Tá Com Nada
6 Pirataria
7 Consumo
8 Dança Do Semáforo
9 Sexo E Karatê
10 Festas
11 Moda
12 Vote Em Branco
13 Ditador
14 48
15 Voz Do Brasil
16 Disco Em Moscou
17 Censura
18 Disco Em Moscou (Estúdio)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Plebe Rude - Nação Daltônica [2014]

Mediafire 320kbps


Por Mauro Ferreira em Rolling Stone

O Plebe Rude e o Aborto Elétrico (que, ao se dissolver, gerou o Legião Urbana e o resistente Capital Inicial), foram as bandas de pós-punk que mexeram com a cena roqueira de Brasília na década de 1980. Apesar das dissidências e rupturas ao longo da estrada, o grupo sempre se manteve coerente, tendo à frente o vocalista e guitarrista Philippe Seabra. O repertório de Nação Daltônica, primeiro álbum de inéditas desde R ao Contrário (2006), conecta a banda brasiliense às suas origens oitentistas. Seabra gravou a obra junto ao baixista-fundador André X e ao vocalista e guitarrista paulistano Clemente (que passou a integrar a banda nos anos 2000, sem abandonar seu pioneiro grupo Inocentes) e ainda teve a adesão do baterista brasiliense Marcelo Capucci. Na capa do CD, a ilustração do garoto de frente para uma TV fora do ar remete à capa do primeiro álbum da banda, Nunca Fomos Tão Brasileiros (1987), no qual o mesmo garoto era o espectador, em uma rua, de uma cena de caos urbano. O recado parece ser que as coisas não mudaram tanto assim no Brasil, exceto a alienação do povo que, apagada a chama dos protestos de junho de 2013, já voltou silencioso das manifestações para casa. “Demagogia vem da capital/ E o vazio distinto do canal/ Goela abaixo pois sabem, não faz mal/ Porque é só entretenimento no final”, dispara a banda contra a mídia televisiva em versos de “Anos de Luta”. Antenadas, as letras (quase todas assinadas solitariamente por Philippe Seabra) soam bem mais fortes do que as melodias. Talvez por isso mesmo o disco cresça nas faixas de maior peso roqueiro, como “Rude Resiliência” e no punk rock “Três Passos”, que fecha o disco contabilizando a lenta caminhada do Brasil rumo ao progresso (“Dois passos para a frente e três para trás”). Nação Daltônica é um trabalho que questiona o papel do brasileiro nas mazelas do país. “Sua geração se acomodou ou o nível de exigência baixou?”, alfineta “Quem Pode Culpá-lo?”. Já “Sua História” tem como surpresa o toque da Orquestra Sinfônica da República Tcheca. Das dez músicas, oito são inteiramente inéditas. “Tudo Que Poderia Ser” já havia sido apresentada no DVD Rachando Concreto – Ao Vivo em Brasília (2011), cujo título alude ao EP O Concreto Já Rachou (1986), base sólida da discografia do quarteto. Já “Mais um Ano Você” vai ter sua melodia identificada por fs da banda inglesa de pós-punk The Comsat Angels: é versão de “Will You Stay Tonight?” (1983), música do quarto álbum dos britânicos. Em bom português, o Plebe Rude apresenta versos que provocam uma geração que vê tudo distorcido pela TV, refletindo as cores pálidas de uma nação cada vez mais daltônica, como indica o nome do disco.

1 - Retaliação
2 - Anos de Luta
3 - Mais um Ano Você
4 - Que Te Fez Você
5 - Sua Historia
6 - Rude Resiliência
7 - Quem Pode Culpá-lo
8 - Tudo o Que Poderia Ser
9 - (Go Ahead) Without Me
10 -Três Passos

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Plebe Rude - Mais Raiva do Que Medo [1992]

Download 192kbps


Por André Mueller
publicado em X da Questão

A Gravação de Mais Raiva do Que Medo

Mais Raiva do Que Medo tinha tudo para ser o disco perfeito da Plebe Rude, que havia retornado ao seu núcleo original, Philippe e André X. Muita gente esquece que nós dois tocamos meses juntos, na biblioteca da casa do Philippe no Lago Norte, onde compusemos Pressão Social e Nada (versão original) entre outras. Isso no início dos anos 80s. Depois que entraram o Gutje e, meses depois, o Jander. Nós que cunhamos o conceito “Plebe Rude”, seu som e sua direção.

Voltando ao tema, nos vimos de novo como sendo a Plebe, depois de três disco, vários sucessos, shows a rodo, duas brigas internas que geraram baixas, de queridinhos da gravadora a ser despedido sem nenhuma explicação. Então foi baixar a cabeça e fazer um exercício de lição aprendida. E aprendemos. Nas novas composições, o resgate das origens pós-punk e punk 77, temperadas com o que estava surgindo na cena naquela época. Lembro-me que ouvíamos muito Soundgarden, Body Count, Nirvana, Mudhoney e, pasmem, Metallica. Nada de tentar provar a destreza musical, nos focamos em compor canções fortes, que fizessem a cabeça balançar e pensar ao mesmo tempo.

Foi uma época que me lembro com muito carinho. O Philippe morava a algumas quadra da minha casa. Ia para lá a pé, ele pegava o violão, seu caderninho de idéias e a gente ficava horas compondo. Estávamos confiantes e entusiasmados com a possibilidade de gravar um novo disco, dessa vez pela independente Natasha Records, que seria distribuída pela Sony.

Fizemos tudo certinho, só entramos no estúdio com as músicas redondas e prontas. Escolhemos um produtor novato, o Paulo Junqueiro, que já havia trabalhado em outras gravações de bandas nacionais, mas nunca como produtor. O estúdio seria o famoso Nas Nuvens. Todas as cartas indicavam que seria um discasso.

Então o que houve de errado? No produto final não transparece a força das canções, o som meio pífio, o que aconteceu? Acho que o que matou a grandeza do disco foi a produção do Paulo Junqueiro. Cheguei à conclusão que técnico de som nunca dará um bom produtor – a parte técnica fala mais alto do que a artística. No caso do Paulo, nem suas habilidades técnicas foram usadas, ele simplesmente não se interessou. Acostumado com Barão Vermelho e Kid Abelha, não sabia o que fazer com aquelas músicas e deu o mesmo tratamento dado às bandinhas pop com quem havia trabalhado.

Durante o mês de gravação, não deu um pitaco sequer. Isso nos assustou, pois imaginávamos que seria igual ao Hebert, que atuou como produtor, psicólogo e amigo. O Paulo foi a antítese disso! Quando chegou a hora de gravar os vocais, fomos mostrar as letras e ele não quis ler! Disse que letra não importa!!! Foi aí que sacamos que tinha algo errado no ar.

Outro bola na trave que fizemos foi não entrosar os bateristas que fariam a gravação o suficiente antes de entrar nos estúdios. Teve músicas que eles pegaram na hora, e isso não é bom na interpretação.

Uma historinha sobre o Paulo. Tinha outra banda gravando no Nas Nuvens, cujo nome esqueci, mas era bem rock comercial, o contrário de tudo que a Plebe era. Ele tinham um pôster que penduraram na cantina. No pôster, uma mulher pelada. Coisa de adolescente mesmo. Um dia, vendo aquilo, desenhei umas imagens pornoeróticas em cima. Acho que também desenhei em cima do logo da banda. Os moleques ficaram ofendidos! Foram reclamar para o Paulo, que ao invés de me defender, mostrando a tempestade em copo de água que estavam fazendo, me fez ligar e pedir desculpas. Imagine a situação: “olha, desculpa pelas pirocas e peitos que desenhei no seu logo, enxuguem as lágrimas, nunca mais vou expor vocês a imagens tão fortes, eu prometo.” Foi ridículo.

Noutra noite, eu estava defendendo que o De Falla era melhor que o Midnight Blues Band (banda de blues do Barão/Kid Abelha) e o Paulo ficou ofendido. Como que um cara que acha que MBB é melhor que De Falla pode sequer pensar em gravar a Plebe? Desastre total.

Na mixagem, minha primeira filha, Alice, veio ao mundo. Isso foi em novembro de 1992. Gozado que cada disco da Plebe significa um marco na minha vida. Dediquei todo o esforço colocado na obra à ela.

Insisto, as músicas do MRDQM são muito fortes. Aurora, por exemplo, ganhou um gás com a interpretação do Txotxa e Clemente. Sem Deus Sem Lei, Mais Tempo Que Dinheiro, são músicas que, gravadas de outro jeito, poderiam estar entre os clássicos da Plebe. Aos poucos, quero salvar algumas em shows futuros.

Resumindo, planejamento perfeito, execução dúbia. Assim que vejo esse nosso quarto disco, do qual gosto muito. Foi importante, pois afirmou a determinação minha e do Philippe de continuar com a Plebe Rude.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Plebe Rude - Plebe Rude III [1988]

Baixar


Por Bianca Salgado
publicado em 21 de novembro de 1988 na Revista Amiga

Ná oito anos, em Brasília, havia uma turma jovem, cujo principal elo era o punk rock. Os rapazes se reuniam para ouvir novos ritmos estrangeiros e depois saíam tocando pelas esquinas da capital. Daí, surgiram bandas como Capital Inicial, Legião Urbana e Plebe Rude. Agora mais maduro e articulado, chega o terceiro disco da Plebe. Jander Bilaphra, André X, Philippe Seabra e Gutje, integrantes do grupo, garantem grandes mudanças nesse novo trabalho. "Estamos menos contestadores. Atualmente, fazemos músicas que a gente gosta. Esse disco é um trabalho muito heterogêneo, com várias propostas. Não é 100% rock, como os dois primeiros. Neste, estamos usando vários sotaques", explica Jander.

Sem perder o senso crítico, que tanto agrada ao seu fiel público, além de ter se tornado a marca registrada da banda, eles pretendem quebrar o mito de que não são músicos de mercado. "A gente quer ser comercial, sem ter que mudar para isso. Nós não vamos fazer músicas para tocar em rádio, porque isso não faz nossas cabeças e decepcionaria as pessoas que acreditam na gente, mas não significa que não queremos ouvir nossas músicas tocando em todos os lugares", acrescenta Jander. A proposta desse novo LP é basicamente "levar música consciente para os jovens que serão o futuro do país. É tarde para mudar a cabeça dos políticos, temos que tentar mudar essa geração que ouve Plebe Rude", concordam todos.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Plebe Rude - R ao Contrário [2006]

Por Ben Ami Scopinho
publicado em 26 de setembro de 2006 no Whiplash

Vindo de Brasília, o Plebe Rude foi um dos conjuntos de pop rock – com boas doses de atitude punk – que se consagrou nos anos 80, logo com o lançamento de seu primeiro registro, o EP “O Concreto Já Rachou” (85). De suas sete canções, seis estavam constantemente nas programações das rádios e, graças ao hit “Até Quando Esperar”, este trabalho conseguiu disco de ouro, um sonho alcançado por poucos grupos iniciantes.

A banda seguiu com mais quatro álbuns até 1994, quando acabou se dissolvendo, e desde 2000 vem ensaiando um retorno, quando liberou o disco ao vivo “Enquanto a trégua não vem” com sua formação original. A partir daí muitos de seus fãs vem aguardando pacientemente um novo disco com faixas inéditas, mas os problemas parecem perseguir este pessoal, pois desde então o Plebe Rude vem tentando gravar novas faixas, mesmo com seus músicos abandonando gradativamente o barco.

Este complicado esquema somente começou a se ajustar em 2004, quando os membros originais que sobraram, Philippe (voz e guitarra) e André X (baixo), se aliaram a Txotxa (ex-Maskavo Roots) e Clemente (voz e guitarra - mentor do paulistano Inocentes, veterano no cenário underground de sua cidade), e com esta formação o Plebe Rude vem tocando pelo Brasil desde então.

Tudo ajustado e enfim chega o momento de seu novo disco: “R ao Contrário” está sendo lançado pela alternativa Revista Outracoisa (aquela do Lobão) e foi produzido pelo próprio Philippe em seu Daybreak Studios, trazendo 12 faixas que foram compostas ao longo destes anos de espera. Com inspiração no pós-punk, o grande ponto alto neste álbum são as letras, que instigam o ouvinte de forma inteligente e estão bem atualizadas com a situação geral do Brasil. Se bem que muitas das nossas doenças não mudaram desde o início dos anos 80...

Mas 13 anos é um tempo considerável e todos os problemas que antecederam “R ao Contrário” com certeza explicam a irregularidade de suas canções. Há bons momentos como a abertura ”O que se faz”, onde foi inserida gaita de foles em homenagem ao grupo escocês Big Country, cujo líder Stuart Adamson veio a falecer em 2001; além de “Katarina”, com uma ótima letra que não poupa nem mesmo o ouvinte com sua “sutil” crítica. Também merece citação “Dançando no vazio”, boa canção onde Philippe divide as vozes com Clemente, e é uma versão para a música “Staring At The Rude Boys”, do obscuro grupo punk inglês The Ruts.

“Voto em branco” tem história. Esta canção foi escrita na década de 80, sendo que em 1981 o Plebe Rude foi em detido em Patos de Minas por cantá-la numa apresentação junto com o Legião Urbana, que tocou “Música Urbana 2”. Resquícios de uma época onde a liberdade de expressão não era tão reconhecida pelas autoridades. Nesta faixa, André X cantou pela primeira vez e há um detalhe curioso: a primeira parte da bateria foi gravada por Fê Lemos, do Capital Inicial, usando instrumentos da época do Aborto Elétrico. O resultado final é uma ótima faixa, bem direta, que fecha o álbum de forma bastante punk.

De qualquer forma, a real prova da química desta nova formação do Plebe Rude virá com seu próximo álbum, onde Clemente e Txotxa provavelmente contribuirão nas composições. Até lá, os fãs podem ir apreciando “R ao Contrário”, trabalho honesto com muita coisa boa em termos de rock nacional.

Finalizando, fica uma sugestão para o leitor que curte o Plebe: dê uma conferida no site da banda, há muitas informações bacanas ali, em especial na seção “Discografia”, com a história de cada fase do conjunto e detalhes muito interessantes - alguns totalmente hilários - que vale a pena serem conhecidos.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Plebe Rude - Nunca Fomos Tão Brasileiros [1987]



Plebe nunca foi tão Rude

Por Jefferson Guedes
Publicado em 03 de maio 1987 no O Globo

Mas nunca foi tão brasileira; como olho de furacão, varrendo os críticos 'otários'

Um ataque à censura e aos críticos e as primeiras incursões em temas existenciais são as marcas do novo disco da Plebe, "Nunca fomos tão brasileiros", ainda mais rude nas lojas, via EMI-Odeon, em junho. A reportagem do Globo esteve no estúdio na terça-feira e pôde presenciar a alegria de Herbert Vianna, produtor do LP, que fez caras e bocas, posou, insólito, para nossa câmera e ainda se mostrou pródigo em idéias e articulações - principalmente ao detectar a ascensão do hip hop -, mas sóbrio o bastante para não interferir na concepção da Plebe Rude, que sofre influências musicais diferentes. Na discussão sobre a vanguarda, Philippe (guitarra solo e voz) sintetizou: "Esse papo é coisa de crítico paulista otário".

Não convidem para a mesma mesa a crítica paulista e a Plebe Rude. Pelo menos é o que se percebe das declarações do grupo, desde que a BIZZ estampou o "axioma" de Steve Severin, o baixista de Siouxsie, de que a Plebe era "very brazilian no sentido da cópia". A polêmica afirmação rendeu frutos em duas músicas nesse LP: "Nunca fomos tão brasileiros" e "Mentiras (por enquanto)".

A primeira reflete um pouco o caldo cultural de influências que é o Brasil e toca na ferida com sinceridade ("Nós não temos identidade própria / Copiamos tudo em nossa volta / Nunca fomos tão brasileiros"). A segunda é uma autêntica viagem da banda - auxiliadas pela bateria de Gutje e o baixo de André X em alta ebulição - em que eles dizem que o "olho do furacão está calmo / olhe em volta - veja os danos feitos pelo vento / não tente explicar a tempestade / procure um abrigo ou se torne vulnerável". Metáfora pura? Talvez, mas a leitura que a banda fez de "Mentiras..." enxerga o furacão Plebe explodindo em adrenalina nos shows; e os críticos olhando com a cara sisuda. Gutje define bem:

- Uma pessoa quando pega uma chuva, com um disco de que gosta, coloca-o dentro da roupa para protege-lo; o crítico, ao contrário, é o primeiro que o leva à cabeça para ficar todo molhado.

Em conseqüência, Philippe levanta uma questão: "Será que qualidade faz diferença neste país?" Segundo o vocalista, existem quilos de discos, despejados no mercado, sem a mínima preocupação com o acabamento, e que, mesmo assim, vendem como nunca. "Eu teria vergonha de lançar um LP assim", acrescenta.

Mas o que significa a Plebe produzida por Herbert Paralamas Vianna? Primeiro, muito bom humor. Ao pisar a entrada do estúdio, Herbert, de óculos, mereceu de Philippe a pergunta: "É saudade?" Resposta do homem: "São óculos sem grau". Depois, já no estúdio, Herbert comandou o primeiro balanço da noite: trazia uma fita com "Fat human in a diner", um funk eletrônico com muito swing, que ele havia composto naquela tarde, com Bi Ribeiro, "para uma festa, que adoramos fazer". Se você tem preconceito contra o funk, ouvindo o Paralamas você perde. "Fat..." é feita apenas com bateria eletrônica, sintetizador e voz.

A batida do funk acende um pavio: citando jovens que freqüentam bailes do subúrbio, perguntamos se o rock não teria virado reduto da pequena burguesia da zona sul e se o funk não teria muito mais a ver com a realidade dos negros. Herbert responde:

- É verdade. Você vai no morro São Carlos e as pessoas ouvem funk ou pagode. Além do mais, o rock não tem mais obrigação de carregar a bandeira libertária de nada. Hoje é puro entretenimento.

Philippe acrescenta: "Se você analisar, no conceito dos compradores, esta constatação é obvia". Gutje vai além: "O funk é muito mais próximo do samba do que o rock", analisa, tentando explicar a proximidade entre os dois ritmos.

Herbert, de pensamento bem articulado, questiona: "E os bailes do subúrbio? Que fenômeno é esse que a zona sul desconhece? São mais de três mil pessoas ouvindo as últimas novidades, com sua forma de dançar característica, suas bermudas, e cantando, junto, o funk, além de fazer suas versões pornográficas para as músicas e os raps". O Paralama considera que o "de mais interessante que existe em termos de produção, no momento, é o funk" (e sem falar que ele tem ouvido Led, Cream e, na terça, comprou o célebre "VU", do Velvet Underground, a banda maldita do fim dos '60).

Nesse ponto, Philippe não gostou muito da idéia: se o futuro é funk, "que desgraça de futuro, Herbert!". Mas ambos se entenderam, logo depois, quando se discutiu a tal vanguarda (como dizia a moçada da PUC de outros carnavais, cada vez mais vã). "Eu não entendo essa coisa de vanguarda, é algo falido, nada de um rebanho para todo mundo seguir, pois a música ganhou várias direções", analisa Herbert. Philippe sentencia e volta à polêmica com os paulistas: "Está me chateando este lero de reciclagem da música, via Sisters ou Cults da vida. Eu sinto a falta de algo mais forte, como Buzzcocks, por exemplo. A Plebe pretende fazer uma coisa nova, sem a pretensão de ser vanguarda, que é papo de crítico paulista otário".

Mas, se há alhos e bugalhos entre os Paralamas e a Plebe, os filhos de Brasília se entendem bem. Na pausa para o lanche, muitas pizzas, cocas, cerveja e garrafas de saquê azul regavam a descontraída turma. Philippe tocava ao piano Dire Straits e Herbert, bem alegre e falando muito em inglês, jurava que era Al Stewart. Logo depois, em poses "históricas" (segundo Philippe), Herbert fez caras e bocas e, literalmente, ficou de quatro para a Plebe. Mais tarde, Herbert apagou no estúdio, acordando bem depois para mostrar, animadíssimo, "Fat human dinner", para Dulce Quental e Leo Jaime.

E a concepção do disco? Philippe avisa que a predominância é eletroacústica. Sua única frustração é que, embora adore heavy metal, ainda não teve a chance de desfiar em disco um longo solo de guitarra. De qualquer forma, "A ida", que ele imagina ser o "Até Quando" do novo LP, tem a presença do violão acústico, sua mais recente paixão. A canção tem "uma visão pessoal da morte", para o vocalista, e significa a primeira incursão existencial da banda.

"Censura" também promete dar pano para manga: "A censura é a única entidade que ninguém censura / a unidade repressora oficial". Ameba (guitarra base e vocais) explica a inclusão da música: continua tão atual como nunca. Da mesma forma que o "Bravo Mundo Novo" que sugere uma releitura de "Até Quando": "Se eu lhe dissesse, olhe além do horizonte / será que você olharia? / bravo mundo novo / está nascendo / e pelo visto vai te surpreender um dia". A banda dispara outros rudes petardos em "Consumo" e "Nova Era Techno".

"Nunca fomos tão brasileiros" é um LP que pretende mostrar uma Plebe amadurecida e investindo no aprimoramento técnico sem perder a sensibilidade e a adrenalina que sempre marcaram seus shows. Um bom exemplo disso é o trabalho de André X, martelando seu baixo até chegar no ponto ideal, com a providencial ajuda do técnico Renato Luís. Ou Gutje, que tem uma nova bateria com seus power tom's , tambores que dão um som mais potente, melhorando o timbre e o resultado final.

Você está querendo um show com a Plebe? Calma. O Rio servirá de palco para o lançamento do LP, em junho (provavelmente no Canecão, ainda que o empresário Arnaldo Bortolon não abra a boca a respeito), pegando os paulistas depois (um público fiel, segundo a banda, que deverá abrigá-los no Anhembi), Brasília e, emendando, uma excursão de Porto Alegre a Natal. O Brasil vai rachar!

UM POVO EM BUSCA DE SUA IDENTIDADE

Nunca fomos tão brasileiros

Sou brasileiro
Você diz que sim
Mas importações não deixam ser assim
Pra que tudo isso na região tupiniquim?
Nasci aqui, mas não sou eu
Vocês estão neste barco também
Pensam que é o paraíso
Parece que eles vivem aqui
Nunca fomos tão brasileiros.
O que adianta vocês viverem assim?
Ser prisioneiro dentro do próprio jardim?
Pra que tudo isso na região tupiniquim?
Nasci aqui mas não sou eu
Vocês estão neste barco também
Nós não temos identidade própria
Copiamos tudo em nossa volta
Nunca fomos tão brasileiros
Pra que tudo isso na região tupiniquim?
Eu não sei, eu não sei, eu não sei, eu não sei.


ALGUMA CRENÇA PODE JUSTIFICAR A MORTE?

A Ida

Quem tem a razão,
um burocrata ou um padre,
Evangelho nas mãos?
Momento instante então
palavras não justificam uma ida em vão.
Esclarece, por favor,
o que é tão temido
só acontece com os outros?
O que você faria?
Quem escutar, então?
Delegado, jurista, relatório em mãos
ou um padre e seu sermão?
Um toque divino não é explicação.
Esclarece, por favor,
o que é tão temido
só acontece com os outros?
Me mostra, então
a ida sem razão.
Aceitar, ou não?
Crença nenhuma justifica
a ida em vão.
Sua papelada, então,
adianta alguma coisa?
Duzentas folhas e nenhuma conclusão?

domingo, 14 de outubro de 2012

Plebe Rude - O Concreto Já Rachou [1985]



Brasília, capital da esperança. Brasília dos camelos, dos blocos e quadras, das zebrinhas e tesourinhas. Brasília, o eterno “autorama gigante”. Brasília das siglas. Brasília sem ruas, mas com esquinas. Brasília, fruto do traço do arquiteto. Brasília da seca e dos finais de tarde cinematográficos. Brasília dos centros comerciais, dos muitos porteiros e das pessoas normais.

A capital federal entrou para o mapa da música brasileira na década de oitenta, em meio à onda do rock brasileiro. Após o estouro das bandas do Rio de Janeiro e de São Paulo, foi a vez de Brasília apresentar-se ao mundo. Três bandas da cidade capitanearam o movimento: Legião Urbana (a mais cultuada), Capital Inicial (ainda em atividade) e Plebe Rube, a Suprema Trindade do rock candango. Todas as três formadas por uma garotada que sentia muito tédio na capital, mas era extremamente bem informado sobre música pop – em especial punk, pós-punk e new wave norteamericanos e britânicos.

A Plebe foi criada no início dos anos oitenta. Em sua formação original – eu chamaria de “clássica” – a banda tinha Phillippe Seabra (guitarra), Jander Bilaphra (guitarra), André X. (baixo) e Gutje (bateria). Foram esses quatro garotos que realizaram um dos discos seminais do rock nacional, O concreto já rachou.

Produzido por Herbert Vianna, O concreto... foi lançado em 1985, em pleno início da redemocratização do país. Trata-se, na verdade, de um mini-LP (sete canções em pouco mais de vinte minutos), algo pouco comum para o mercado brasileiro. A experiência deu certo, porém. Mais de duzentas mil cópias foram vendidas entre 1985 e 1986.

A primeira canção é “Até quando esperar”, hino de várias gerações. A música, um petardo, é um libelo contra as desigualdades econômicas e sociais e não perdeu a atualidade, mais de 25 anos depois de seu lançamento. “Até quando...” foi o carro-chefe do disco, tocou do Oiapoque a Chuí e colocou os meninos no miolo da cena musical brasileira, com direito aos Fantásticos e Faustões (que não existia àquela época) da vida. A seguir, “Proteção”, outra porrada de pouco mais de dois minutos. “Tropas de choque, PMs armados/mantém o povo no seu lugar”. Ecos de The Clash e Gang of four no cerrado.

A obra tem ainda as dispensáveis “Johnny vai à guerra” e “Seu jogo” e as fabulosas “Sexo e karatê” (acelerada em estilo ramoniano) e “Minha renda” (com a antológica frase “vou mudar meu nome para Herbert Vianna”). A última canção, porém, fecha o disco com chave de ouro.

“Brasília”, a música, sintetiza a vida na capital. “Brasília tem luz, Brasília tem carros/Asas e eixos do Brasil/Servidores públicos ali”. Duas guitarras toscas dialogam ao longo dos pouco mais de três minutos da canção. Para quem mora na cidade basta fechar os olhos e sentir-se em meio ao ambiente único do local.

Depois, veio a quase inevitável decadência. O álbum seguinte, Nunca fomos tão brasileiros, de 1987, pecou por certa grandiloqüência que não combinava com o punk dos rapazes. A Plebe ainda está em circulação, com nova formação (Clemente, ex-Inocentes, e Txotxa na bateria) mas com o velho pique.

Brasília, por sua vez, segue na velha rotina de muitos porteiros e pessoas normais.

Um rápido PS: a quem interessar possa, o livro O diário da turma 1976/1986 – a história do rock de Brasília, de Paulo Marchetti, conta em detalhes a história da Plebe & companhia.

Veja Também:

Plebe Rude - Rachando Concreto Ao Vivo [2011]

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Plebe Rude - Rachando Concreto Ao Vivo [2011]

Mega DVD
Download CD

A concepção do show foi genial. Ele começa ao pôr-do-sol da bela Brasília. Melhor ainda, o palco é vazado, assim se consegue ver além do músicos e atrás deles se vislumbra o belo lago da capital e ainda mais ao fundo as edificações da cidade.Realmente um cenário único e belo.

O show começa com a bela "O que se faz", com os plebeus esbanjando talento e energia. Lá pelas tantas anoitece e para compensar o fim da primeira bela vista, a cidade se acende para dar um espetáculo tão belo visualmente quanto o anterior. A edição de imagens também é um show a parte. Com os músicos emanando atitude, as imagens se intercalaram muito em todos integrantes deixando de lado aquela coisa chata de concentrar o vídeo no vocalista.

Clemente dá uma pequena palha de uma canção dos Inocentes para delírio de quem assiste. Aliás a ida do Clemente para a Plebe Rude é algo tão dantesco que seria facilmente comparável a ida de John Lydon (vocal do Sex Pistols) ao Ramones. É uma pena saber que muitos brasileiros (e aí se inclui os "roqueiros") sequer consigam dimensionar isso e outros pior, nem sabem que é Clemente ou a Plebe Rude.

Nota negativa para a gravação do dvd foi o público. O show que foi para poucos pessoas, o que é válido quando se quer uma intensidade e interatividade maior entre público e banda, foi um tiro pela culatra visto que a maioria esmagadora encontrada ali deveria desconhecer quem era a banda tamanha apatia que demonstraram. Ao meu ver os convites foram distribuídos para os "amigos" de alguns que só foram para aparecer em um dvd, quando o certo era fazer com que os fãs clubes tivessem em peso nessa apresentação.

Altamente recomendado.