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08/07/19

Artefactos ( 91 )




Não é um dado curricular particularmente conhecido. Chris Stamey, muito antes de com Peter Holsapple, Gene Holder e Will Rigby ter fundado os seminais dB's, na segunda metade dos 70s, deixou para trás os Sneakers trocando a Carolina do Norte por Nova Iorque, para acompanhar Alex Chilton na demanda de uma carreira a construir a partir do palco do CBGB.

Já na Big Apple e depois de um single a solo para a Ork Records, Stamey cria a Car Records, etiqueta que ganhou a eternidade após de ter lançado "I Am the Cosmos" de Chris Bell.

No entretanto, publicou dois singles também eles históricos e também eles resultado do excitante borbulhar criativo que se vivia na época em Nova Iorque.

O primeiro registo a solo de Peter Holsapple, no caso com os The H-Bombs e a embrionária estreia dos dB's, ambos datados de 1978. De salientar que o lado A do último: "(I Thought) You Wanted To Know" é assinado por Richard Lloyd que entretanto abandonara os Television.




04/12/17

Chris Bell "Looking Forward, The Roots of Big Star"



Algures entre o estertor do psicadelismo e o dealbar de um “power pop” que conduziria à “new wave”, os 70s americanos conheceram duas bandas seminais cujo culto, ainda hoje, pouco se aventura para além das margens: Modern Lovers e Big Star.
Por norma, quando se aborda o legado destes últimos o nome que salta é o de Alex Chilton. Justamente refira-se.
Não obstante, com ainda menor grau de reconhecimento mainstream, Chris Bell, a outra metade criativa da banda de Memphis, teima em permanecer na penumbra. Sem pretender reescrever a história, convirá “olhar” para as canções de Bell e perceber como foram determinantes para tornar os Big Star tão especiais.
Looking Forward, The Roots of Big Star” compila temas que Chris Bell gravou com os Icewater, Rock City, Wallabys e a solo, antes da associação com Chilton. Particularíssimos, embora desiguais, são uma espécie de “road map” para chegar a muito do que aconteceu a seguir.

04/01/16

"Ork Records: New York, New York"




Alguns discos contam-nos histórias, outros relatam-nos a História. Uns e outros acabam na prateleira dos clássicos, mas os últimos têm papel importante na compreensão da cultura e do mundo à nossa volta. “Ork Records: New York, New York” é desses um exemplo maior.

Perspectivando: meados dos 70s. O prog-rock aproximava-se do seu estertor e o punk era ainda uma vaga ideia. O underground de Nova Iorque fervilhava e no palco do CBGB o rebuliço era grande.  Patti Smith e  Television deixavam o casulo. Terry Ork, um manager atento e perspicaz, criou a sua própria editora e, respectivamente, gravou os icónicos “Piss Factory” e “Little Johnny Jewel”. O resto é história, tão interessante quanto importante.


Sempre com o CBGB em mira e a New York Renaissance como pano de fundo, Ork e o sócio Charles Ball publicaram muita da música que definiu o tempo e o modo da cidade.  As primeiras composições dos Feelies, o EP de estreia de Richard Hell, Chris Stamey em processo de formatação dos dB’s, os Marbles, Alex Chilton na ressaca dos Big Star, Lenny Kaye escondido atrás dos Link Cromwell, Lester Bangs depois da Rolling Stone e da Creem, Peter Holsapple, Richard Lloyd …

“Ork Records: New York, New York” compila 49 temas com história. Desce à mais obscura das caves, trazendo à superfície pedaços de memórias que, doutra forma, nunca se conheceriam. O formato pode ser em vinilo ou cd; o fundamental é mesmo a música e as 109 páginas do livro que explica porque e como foi criada.