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23/02/17

Tim Buckley "Lady, give me your key"






Num registo tão intimista quanto surpreendente, “Lady, Give me your Key” agrega um conjunto de gravações inéditas de Tim Buckley.

1967. Após um primeiro álbum homónimo, Buckley e o produtor Jerry Yester procuravam canções para o disco seguinte: “Goodbye and Hello”. Uma “demo tape” com sete temas e um acetato com seis, foram o resultado material dessa demanda.

Parte destas maquetas foram trabalhadas e rearranjadas para o novo álbum ( “Once I was”, “I never asked to be your mountain”, “Pleasant Street”, “Carnival Song”, “No man can find the war” ). As restantes foram entretanto abandonadas. De entre estas, “Lady, Give me your Key”, esteve na calha para lado B do single “Once upon a time”.

Apesar deste ser uma “psych pop song” perfeitamente enquadrada na época a Elektra nunca o editou e por arrasto, o extraordinário “Lady, give me your key” permaneceu inédito até hoje.

Não só por ele, mas também muito por causa dele, as gravações agora publicadas são obrigatórias para todos os que se interessam pela música deste trovador.

17/10/16

Jardins do Paraíso ( LI )



Enquanto etiqueta, a Straight Records ( uma criação de Frank Zappa ) publicou alguns dos mais bizarros e singulares álbuns da música moderna da sua época.

Em Junho de 1969, entre outras, ao lado dessa obra genial que foi  ( e é ) “Trout Mask Replica” de Captain Beefheart nascia “Farewell Aldebaran” assinado por Judy Henske and Jerry Yester.

Judy era na altura já uma veterana. Frequentara o circuito de Greenwich Village e contava com vários discos no seu curriculum. Jerry, por seu turno, produzira o notável  Goodbye and Hello” de Tim Buckley, depois de ter integrado o Modern Folk Quartet e os Lovin’ Spoonful.

Tão eclético quanto inqualificável, o “Farewell Aldebaran” é uma mistura de folk-rock, free jazz, barroco, psych, experimentalismo e de pop melódico. Impossível? Nada disso. Ao invés, o álbum ostenta uma complexa unidade que muitas obras primas do seu tempo têm hoje dificuldade em acompanhar.

Finalmente reeditado, trata-se de uma peça obrigatória na colecção daqueles que se dão ao incómodo de ler o Atalho.