13/06/26
Jardins do Paraíso ( 90 )
14/04/25
Artefactos ( 139 )
27/02/25
Chris Brain "Bound to rise"
31/05/24
Jardins do Paraíso ( 84 )
“He subsequently carved out a succeful career in the ELT
(English Language Teaching) field, but as a student at the University of East
Anglia in the late Sixties, the young Jeremy Harmer was a Bert Jansch-influenced
guitarist and singer/songwriter.
Accompanied by fellow student David Costa, he played at folk
clubs and events in the Norwich area before staging a student union concert
that led to him recording the album ‘Idiosyncratics And Swallows Wings’ in
single-take sessions at a local BBC studio.
Restricted to 99 copies, the album – akin to a homemade
version of Nick Drake’s ‘Five Leaves Left’ – featured some beguiling chamber
pop arrangements and self-consciously poetic, exquisitely gloomy songs like
‘People Smile With Ghosts In The Land Of Make-believe’, featuring David Costa
on second guitar and Sue Humphris on backing vocals.
Costa was significantly affected by the experience (“I knew
from that very moment on that was what I wanted to do … I just wanted to play
guitar in a band”), dropping out of university and putting together Trees. He
attempted to recruit Sue Humphris as lead singer, but she declined, suggesting
instead that they audition her sister Celia.”
“We recorded de LP late at night at the big studio on
Anglia TV. It was not really satisfactory. The equipment was not great and the
engineer – who did it for free i seem to remember – was not especially
experienced as a sound engineer, but rather a TV programme engineer. I can’t remember
any mixing conversations etc. But I guess there must have been. I remember being
rather worried about the sibilance in the vocal tracks but there was never a
chance to do anything about that. And on top of that i wasn’t really very
experienced about that kind of thing.”
Entre a melancolia endémica de Nick Drake, a tristeza de
Robert Wyatt e o folk barroco de Duncan Browne, “Pastiche”, o belíssimo “Sad
Song”, “Home of Years”, o tocante “Melanie” ou o “pesadelo utópico” ( palavras
do autor ) que é “People Smiling With Ghosts In The Land Of Make-believe”, “Idiosyncratics
and Swallows Wings” é um disco que não sendo perfeito no que concerne à forma,
é absolutamente essencial do ponto de vista criativo e histórico.
Uma última nota, eventualmente do interesse dos audiófilos:
“Due to the lack of master tapes, this reissue has been sourced from original
vinyl.” ( do folheto que acompanha a reedição )
10/02/24
Welcome to Compiland
No decorrer de 1959 Loukas e
Margaret Matheou adquiriram em Londres, no número 49 da Greek Street. No imóvel
projectavam estabelecer um restaurante especializado em comida, não grega mas
francesa. Nos anos que se seguiram e à medida que o negócio fluía, concluíram
que o espaço era excessivo para um restaurante. Implementaram alterações, lançando
os alicerces para um clube cujo objectivo seria a promoção e divulgação das
músicas folk e blues, à época géneros predominantes nos finais de tarde do
Soho.
Ainda que sem licença para a
actividade, “Les Cousins, Club Continental” abriu as portas no dia 4 de Outubro
de 1964, tendo encerrado cerca de seis anos depois em Abril de 1972. Durante o
período foi um porto ( palco no caso ) seguro para a grande maioria dos
talentos que focados nas linguagens folk e blues, demandavam reconhecimento e
sucesso no então artisticamente efervescente bairro londrino.
Americanos: Paul Simon. Tim
Hardin, Tom Rush, Spider John Koerner,
Derroll Adams, Jackson C. Frank, Dave Van Ronk, Julie Felix; britânicos: de
Bert Jansch a Nick Drake, passando por Sandy Denny, Cat Stevens, Wizz Jones, Shirley
Collins, Al Jones, Keith Christmas, Watersons, Shelagh McDonald, Martin Carthy,
Kevin Ayers, Ian A. Anderson, John Martyn, Anne Briggs, C.O.B., Alexis Korner,
Roy Harper, Bridget St. John, Plainsong, Nadia Cattouse … entre muitos outros, figuram
entre os nomes documentados como tendo actuado no Les Cousins.
A compilação “Les Cousins, The
Soundtrack of Soho’s Legendary Folk & Blues Club”, curada e magnificamente anotada
por Ian A. Anderson, oferece 62 temas de um igual número de artistas.
Não constituindo embora uma total revelação para os que se interessam pelos géneros musicais em análise - ainda assim e como seria expectável, existem aqui algumas muito agradáveis surpresas ; a título de exemplo relevam-se “Leaf without a tree” de Sam Mitchell apenas publicado na compilação da Music Man “Firepoint, A Collection of Folk Blues Tracks”, “Bye Bye Bohemia” de Tom Yates ou “Memory Book” de Mudge & Clutterbuck, publicado num EP raríssimo da Saydisc em 1968 - , é todavia uma delicia do primeiro ao sexagésimo segundo tema.
Depois das séries “Pebbles” e, sobretudo, após a mítica “Nuggets, Original Artyfacts from the First Psychedelic Era 1965-1968”, resta pouco espaço para compilações com vista para o garage / fuzz norte-americano daqueles anos. No entanto, mais ou menos interessantes, continuam a proliferar validando e eternizando um género que se reconhece importante embora frequentemente sobrevalorizado.
“Pushin’ Too Hard, American
Garage Punk 1964-1967” é mais um desses exemplos. Porventura demasiado
optimista: 94 temas ( 31 no CD1, 32 no CD2 e 31 no CD3 ) maioritariamente em
mono ( apenas 7 versões stereo ), revela algumas contraindicações. A saber: a) os
textos das sempre necessárias e interessantes notas do booklet estão impressas em
tamanho minúsculo, facto que os nossos olhos, já com bastante mais passado do
que futuro, não apreciam especialmente; b) ainda que enérgicos mas genericamente
carecendo duma sofisticação que sempre dá algum jeito, à medida que a audição
vai decorrendo, a sensação que emerge é a de que os temas apresentam poucas
diferenças entre si.
Exceptuam-se aqueles que deixaram
para trás as óbvias influências da “british invasion” ( Kinks, Yardbirds, Rolling
Stones, Pretty Things, etc ) prevalecendo
aqueles outros verdadeiramente bafejados
pelo talento dos seus autores. Falamos de clássicos como os Remains, Seeds,
Beau Brummels, Paul Revere & The Raiders, 13th Floor Elevators, Electric
Prunes, Shadows of Knight,, Sonics, Standells … ou de magníficas surpresas como
The McCoys, Fenwyck, The Leaves, The Bees The Squires, The Liberty Bell, The
Zakary Thaks ( conferir a compilação publicada em 1982 “Liberty Bell / Zakary
Thaks, Texas Reverberations” ), Thursdays Children ( o excelente “You can
Forget about that” pode também ser encontrado em “Never Ever Land, Texan
Nuggets from International Artists Records 1965-1970” ).
Resumindo, ambiciosa em demasia e
exagerando na arqueologia, “Pushin’ Too Hard” é uma daquelas compilações que
tem como alvo principal os convertidos, marginalizando os neófitos
eventualmente interessados no saudável exercício de iniciação ao género.
O universo das “private pressings”
- álbuns compostos, interpretados, gravados e usualmente publicados num registo
DIY pelos próprios artistas ou por uma editora amadora - , constitui, já o referimos anteriormente no Atalho, um espaço
apaixonante, inesgotável e em permanente registo de descoberta. O senão, nada despiciendo,
prende-se com o facto de as edições serem por razões compreensíveis muito
limitadas, logo muito raras e como tal dispendiosas.
“One Mile From Heaven” propõe-nos
duas dezenas de canções retiradas de outros tantos álbuns de artistas norte-americanos
e canadianos, os quais por razões conjunturais ou por pura convicção recusaram
os ditames da indústria, optando por perpetuar a sua música através das ditas edições
privadas.
Exclusivamente focada na década de 70, “One Mile From Heaven”, aborda o nicho dos “singer-songwriters”. O bom gosto que resulta da selecção é superlativo, sendo irrelevante se raízes emergem das sofisticadas Nova Iorque, Los Angeles, Lauren Canyon ou Vermont, ou das rurais Illinois, Indiana, Utah ou Minnesota.
Alguns dos nomes propostos são já
medianamente conhecidos ( Gary Higgins, Bob Trimble, Bob Patterson, Jim
Sullivan, Merrell Fankhauser, Michael Yonkers ), a maioria todavia constitui
uma estimulante descoberta.
Alicia May com “Summer days”, um título delicioso com a voz da autora a hesitar entre as performances vocais de Joni Mitchell e Margaret Morgan dos These Trails; os irmãos Chuck & Mary Perrin e o seu folk rock melancólico; Dan Modlin & Dave Scott cujo álbum “The train don’t stop here anymore” é um dos melhores discos publicados no Indiana; o folk-rock de Billy Hallquist e de Richard Goldman; os arranjos de cordas no tema “More Beautiful” de Naomi Lewis; as óbvias influências “Veedon Fleece” em “In The Sun” o título do canadiano de origem goesa Carm Mascarenhas; o psych-folk de Olav Rixen & Ulrich Fausten, dois alemães radicados em Vancouver …
“One Mile From Heaven” fornece um manancial de pistas que os amantes do género retratado seguramente agradecem. Tão cedo vai ser difícil encontrar uma compilação tão bela e equilibrada quanto esta.
15/12/21
Jardins do Paraíso ( LXXI )
Na sua auto-biografia, “Beeswing, Fairport, Folk-Rock and Finding
My Voice 1967-1975” Richard Thompson refere-se inúmeras vezes a Joe Boyd como uma
das personagens que mais contribuíram para a consolidação ( eternização ) da
renascença do folk britânico e sua posterior miscigenação com a linguagem mais
pop / rock na Grã Bretanha.
Decidi entretanto reler “White Bicycles, Making Music in the
1960s” ( Serpent’s Tail, 2005 ) do próprio.
Com assinalável detalhe, relata episódios, encontros,
desencontros, sucessos e falhanços de uma carreira com enorme longevidade que, no
que à vertente histórica directamente concerne, teve o seu pináculo entre os
anos de 1966 e 1973 ( http://www.joeboyd.co.uk/discography
).
A esmagadora maioria dos 23 temas que integram a compilação
são em si mesmas pequenas peças de antologia.
29/05/21
Richard Thompson "Beeswing"
Há muito que o homem é credor da
admiração do Atalho. Mas depois de ler isto:
“In Fairport we loved the
response to the Beatles by bands such as the Byrds, the Left Bank and the Lovin’
Spoonful. The great singer-songwriters, like Dylan, Cohen, Ochs and Mitchell,
were our true inspitation, as were the Band, with their blend of roots styles that
were so familiar to us from records. All around the world, people had grown
cynical about American politics, but they loved american music – especially the
blues and country music of the Southern poor and the tougher, electrified
sounds of the urban disillusioned and disenfranchised.”
Ou, sobretudo, depois disto: “Later that year
( 1968 ), Sandy ( Denny ) and I received invitations in the post to Paul
McCartney’s birthday party. It shows how
much of a musical snob I was at the time that I decided not to go – to me, the
Beatles were a ‘pop’ band and not to take seriously.”
Rapidamente o estatuto passou de
admirado a venerado.
Um pouco mais a sério: “I saw
Bert ( Jansch ), Davey ( Graham ) and Martin ( Carthy ) all play around this
time ( 1968 ). There is nothing like seeing someone live and not quite grasping
what they are doing, If you understand it, you might just try to copy it; not
understanding might lead you to experimente and maybe arrive at something diferente
and original. I’m glad i didn’t just slavishly copy any of them, or I might
never have crawled out from under their influence.”
E, com isto, fica tudo ou
praticamente tudo dito, acerca da personalidade e talento deste verdadeiro tesouro
vivo da música britânica.
“Beeswing, Fairport, Folk Rock and finding my voice 1967-75” escrito com a ajuda de Scott Timberg, é um livro essencial não apenas para os convertidos, mas acima de tudo para aqueles outros que conhecem menos bem um dos períodos mais fulcrais e estimulantes da música das ilhas britânicas.
Época renascentista, quase arriscaria
a escrever. Acrescentando sem grande risco de falhar que, depois de “Whyte Bicycles”
de Joe Boyd e do que se espera vir a ser a biografia definitiva de Nick Drake (
a ser preparada por Richard Morton-Jack ), este é um dos mais completos e
coerentes testemunhos da época.
Todas as pedras são reviradas e
nada fica por contar. Como nasceram, cresceram, viveram e “morreram” os
Fairport Convention ( e os Fotheringay já agora ); a forma como foram escritos
e gravados os grandes temas; a personalidade
e carácter dos vários talentos que foram passando pela banda; os inevitáveis
choques de egos; as amizades e cumplicidades que perduraram independentemente dos
caminhos futuros.
Por último a fase da conversão ao sufismo, a ligação familiar e profissional a Linda Peters ( Thompson ), os discos que enquanto Richard & Linda Thompson gravaram entre 1974 e 1979 …
Um testemunho absorvente a que a
plenitude e rigor cronológico dos detalhes não são seguramente alheios.
Nota: Aconselha-se vivamente
manter por perto todos os álbuns. Com cansativa regularidade, torna-se
necessário interromper a leitura para ir escutar ( conferir ) muito do que é referido.
21/03/20
Jardins do Paraíso ( LXI )
29/07/19
Robert Kirby
19/03/18
"When the Day is Done, The Orchestrations of Robert Kirby"
27/02/18
Nick Drake
09/07/17
"English Weather"
06/07/16
Jardins do Paraíso ( L )
31/01/14
Molly Drake "Molly Drake"
Publicada 39 anos após o seu desaparecimento, eis que surge finalmente a peça que faltava para melhor compreender o talento de Nick Drake: a poesia e as composições de Mary Lloyd (Molly Drake).