Mostrar mensagens com a etiqueta Bruce Langhorne. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bruce Langhorne. Mostrar todas as mensagens

18/08/19

"We have always had JOY", Bruce Langhorne, Peter Fonda




Na partida de Peter Fonda, não irei mencionar o icónico "Easy Rider", filme cuja realização de resto não se deve a Fonda mas a Dennis Hopper.

Ao invés, recupero uma frase do actor que relembro com frequência: "We have always had Joy".

Emocionado, proferiu-a num momento mágico  e de rara sensibilidade quando, também perto do seu fim, visitou o amigo Bruce Langhorne, esse músico tão brilhante e influente quanto deserdado da sorte. "Mr. Tambourine Man" como Dylan o havia imortalizado anos antes.

Langhorge é aliás o autor da banda sonora "The Hired Hand", filme que Peter Fonda escreveu, realizou e protagonizou com Warren Oates em 1971. Algo muito próximo de um anti-western, olimpicamente ignorado na época  e ainda hoje pouco reconhecido.

"We have always had joy!"





01/05/17

Bruce Langhorne "The Hired Hands: A Tribute to Bruce Langhorne"



Bruce Langhorne, ou “Mr. Tambourine Man” como Dylan o imortalizou, possui um curriculum extraordinário.

Artesão da música, tocou em muitos discos emblemáticos da  chamada aristocracia folk americana ( Bob Dylan, Carolyn Hester, Richard e Mimi Farina, Joan Baez, Fred Neil, Pat Kilroy, Ritchie Havens, Odetta ).

Para além disso, inventou uma das mais fantásticas bandas sonoras do cinema independente: “The Hired Hand”, realizado e protagonizado por Peter Fonda, na sequela do enorme sucesso de “Easy Rider”.

Nos últimos tempos, doente e carenciado, Bruce Langhorne foi apoiado / homenageado por fãs e admiradores. Para o alinhamento da compilação  The Hired Hands: A Tribute to Bruce Langhorne”, publicada pouco tempo antes do seu falecimento,  existia apenas uma condição: todos as contribuições ( versões ou não ) teriam de ser inspiradas na banda sonora “The Hired Hand”.

O resultado é uma espécie de opus. 32 temas, construídos e desconstruídos em redor das composições de Bruce por artífices como Lee Ranaldo, Steve Gunn, Loren Connors, Nathan Bowles, Tom Carter, Chris Corsano, Elliott Sharp, Boxhead Ensemble, John Fahey e Daniel Bachman, entre outros.

O conjunto é naturalmente majestoso e celebra a incrível influência que Langhorne exerceu nas várias gerações de músicos americanos.

04/12/12

Jardins do Paraíso XXXII ( Bruce Langhorne )


1971. Na ressaca do sucesso do filme “Easy Rider”, os estúdios da Universal financiaram a estreia de Peter Fonda como realizador: “The Hired Hand”, um western melancólico e ambiental, protagonizado pelo próprio Fonda e por um Warren Oates  enorme, como de resto era hábito.

À data o filme constituiu um estrondoso fracasso financeiro, a Universal  não recebeu retorno do investimento - cerca de um milhão de dólares –, e durante décadas ninguém mais falou no assunto. 

Existia no entanto um detalhe nada despiciendo:  a banda sonora. Quando da rodagem,  Fonda solicitou a Bruce Langhorne a cedência de um conjunto de temas acústicos que o guitarrista havia gravado em 69 e para os quais não tinha encontrado nenhuma editora interessada na respectiva publicação. Langhorne, um ilustre (des)conhecido que havia tocado guitarra em tudo o que era disco de folk ( de Bob Dylan a Joan Baez, passando por Tom Rush e Ritchie Havens ) acedeu, mas o score, tal como o filme, passou completamente despercebido.

Em 2001, quando a película foi finalmente reeditada em DVD, os melómanos descobriram a mina de ouro que era a sua banda sonora. Daí até à publicação pela primeira vez em registo áudio foi um pulinho. Desde então, desenvolveu-se um assinalável culto e, recentemente, “The Hired Hand” conheceu por fim uma reedição a condizer com o seu estatuto: formato vinilo, novo grafismo e limitada a 1.000 exemplares.

Espécie de “The Long Riders” ou “Paris Texas” silencioso, entre banjos, violinos, harmónios, guitarras, dobros, flautas  e percussões minimalistas, “The Hired Hand” vestiu  as roupas do country ambiental e esteve muitos anos à frente do seu tempo. E hoje, mesmo depois de tudo o que ouvimos e sabemos sobre o “alt-country/americana”, parece quase inverosímil que as onze pérolas que integram este score tenham permanecido inacessíveis durante mais de 30 anos.

Sabem pois o que têm a fazer. Isto, claro, se ainda forem a tempo.