20/07/25
07/09/24
Leituras
27/07/22
Artefactos ( 125 )
Há dias em que o acto, tantas vezes mecânico, de abrir a caixa do correio se transforma num enorme prazer.
10/03/22
Artefactos ( 121 )
Um dos fenómenos mais intrigantes da música popular britânica
dos 70s do século XX, reside na persistente e incompreensível ausência de
popularidade de um dos mais talentosos colectivos da época: Help Yourself.
À data, publicaram quatro álbuns absolutamente essenciais: “Help
Yourself”, Strange Affair”, “Beware The Shadow” e “The Return of Ken Whaley”, a
que se juntaria em 2004 o também excelente “5”, que como o título deixa antever,
inclui o material que fora composto e gravado para dar sequência cronológica a “Return
of Ken Whaley”, o que não aconteceu.
A natureza e razão do brilhantismo da banda alicerçava-se no facto dos membros serem simultâneamente compositores e instrumentistas dotados. Apesar de críticas favoráveis por parte da imprensa , o mediatismo da banda nunca foi uma opção suficientemente consistente. Com o passar dos anos, o grupo, os seus discos e até os ex-membros, transformaram-se numa espécie de liturgia que um conjunto de incondicionais professava e professa com persistente regularidade.
No passado o Atalho já referenciou, quer a banda, quer o trabalho
de Malcolm Morley a solo, mas como nunca será demais o destaque aqui fica mais
esta chamada de atenção à boleia de um magnifico artefacto.
Eventuais interessados poderão deliciar-se aqui: https://www.cherryred.co.uk/product/help-yourself-passing-through-the-complete-studio-recordings-6cd/,
a única edição que agrupa toda a discografia conhecida dos Help Yourself.
08/03/21
Artefactos ( 109 )
Nascida da colaboração entre o editor Phil McMullen ( Bucketfull
of Brains, Freakbeat, First Hearing, Unhiunged, The BOB … ) e Nick Saloman (
mentor dos Bevis Frond e inventor da editora Woronzow ) a fanzine Ptolemaic
Terrascope permaneceu activa entre Maio
de 1989 e Novembro de 2004 tendo publicado 35 números. ( * )
A linha editorial pautou-se por um bom gosto irrepreensível, o
único critério não negociável. Terá sido
a publicação que o Atalho mais gostou de ler até hoje porque. Para além do
critério atrás referido, nos filtros subsequentes, procurava dar visibilidade a
músicos, projectos ou géneros musicais que os biombos do mainstream sempre
esconderam do grande público.
Descobri aqui o melhor música e as mais incógnitas histórias
de criadores fantásticos, grande parte deles deserdados da fama. Relatos dos
60s, 70s, 80s e 90s. Não importava se se falava do psicadélico, do folk, do
folk-rock, do pub ou do pos rock …, a qualidade da música e o seu enquadramento
sociológico determinavam a linha editorial.
Os músicos naturalmente aderiram, quer através da
participação gratuita nos concertos que a revista organizou ao longo dos anos,
quer cedendo gravações inéditas ou demos.
Do número 1 ao 24, cada edição da revista incluía um EP de
vinil com quatro temas. Do número 25 até ao final, a edição era acompanhada por
um CD. No total, Ptolemaic Terrascope publicou 265 títulos, muitos deles
autênticas pérolas difíceis ou mesmo impossíveis de encontrar em edições
regulares.
Do ponto de vista do design tratou-se também de um projecto
inovador que procurou mesclar a tradição gráfica inglesa com a escola
psicadélica californiana dos 60s. Neste âmbito R. M. Bancroft primeiro e o italiano
Iker Spozio mais tarde, foram dois colaboradores destacados.
Por tudo isto Ptolemaic Terrascope foi um projecto único e
irrepetível, ainda que Phil McMullen não tenha deixado morrer a centelha e o
conceito Terrascope ainda ande por aí para deleite dos indefectíveis e
benefício dos artistas.
(*) para o presente texto não foi considerado o #36 publicado
em 2007 e já sob a direcção de Pat Thomas ( criador da Heyday Records,
jornalista, investigador, músico e membro proeminente do movimento Paisley
Underground ).
23/08/17
Artefactos ( 68 )
12/08/16
Artefactos ( 44 )
18 páginas manualmente impressas pelo editor, como já é habitual.
Entrevistas com Sharron Kraus, Constantine e PSP. Críticas aos discos de Heron Oblivion, Constantine e à compilação "Paper Leaves"; todos já comentados aqui no Atalho.
100 exemplares apenas. Logo, mais um artefacto coleccionável.
07/02/16
Artefactos ( 42 )
O artefacto, "Paper Leaves - A Terrascope Celebration" uma edição privada e limitada a 200 exemplares, apresenta o seguinte alinhamento:
- Black Tempest "Terrescopula Tempestua"
- Nick Nicely "Dance away"
- Dead Sea Apes "Universal Translator"
- White Hills "Thermal Head"
- Ben Chasny "Dead and rising"
- The Left Outsides "Young girl cut down in her prime"
- Bevis Frond "Back in the churchyard"
- Bardo Pond "Pumori"
01/01/14
Artefactos ( 36 )
14/09/12
Artefactos ( 28 )
13/11/11
Artefactos ( 23 )
Para o Atalho não existem nem nunca existirão vacas sagradas. Mas há detalhes, momentos, espaços, que o são de facto.
Durante anos, a fanzine Ptolemaic Terrascope foi a minha mais fiel companhia, quando à minha volta, todos ou quase todos, só tinham olhos e ouvidos para as tabelas de vendas e respectivos suspeitos do costume, cujo nomes o pudor e o respeito pelos leitores me impede de mencionar.
Num oceano de poluição sonora e/ou visual, a fanzine idealizada e publicada por Phil McMullen era um oásis de inteligência, bom gosto, cultura, de respeito pela música e pelos músicos.
Mas tal como o "video killed the radio star", a net matou as publicações em papel e as "torres" da Terrascope transferiram-se para o espaço virtual.
O bichinho continua lá ( o papel, o toque, o design, o cheiro da tinta ), como de resto sempre esteve.
Com o auxilio de uma impressora centenária, Phil McMullen acaba de produzir uma edição manual e absolutamente limitada do primeiro número da "The Terrascopedia, An Illustrated Compendium", uma pequena brochura que reproduz algumas das mais marcantes "reviews" surgidas no espaço virtual. Em concreto, falamos de Bardo Pond, Fern Night, Tangle Edge, Oneida ou Arbouretum.
Chamem-lhe loucura, anacronismo, revisionismo, "whatever" ... A memória e o saber também são feitos destes pequenos actos de amor. E, que eu saiba, sem artefactos, não existiriam museus...
18/04/11
Artefactos ( 16 )
À data da respectiva edição não tive acesso a publicações tão emblemáticas como International Times, Zig-Zag, Bomp ou Crawdaddy. E, nesta coisa de fanzines, como é sabido, o tempo real é tudo ou quase.
Situação diversa passou-se com Ptolemaic Terrascope. Desde o primeiro número ( 1989 ) até ao derradeiro ( 2005 ), abrir a caixa do correio e encontrar no seu interior um novo número do magazine, era sempre motivo de enorme satisfação. Inteligente, perspicaz e visionária, ao longo de 35 números, a revista criada por Nick Saloman e Phil McMullen manteve sempre hasteadas as bandeiras da independência e do pioneirismo. O bom gosto do editor fazia o resto.
Quando finalmente sucumbiu aos ditames do mercado/globalização, deixou órfãos todos aqueles que como o Atalho se interessam pela linguagem folk e pelas diversas facetas do psicadelismo.
Em cima, foto da capa do primeiro número ( Maio de 1989 ). Em baixo, reprodução da label do EP que acompanhava a revista e que incluía temas de Flyte Reaction, Psycho’s Mum, The Bevis Frond e Mick Wills.