06/04/25
"Jingle Jangle Morning, The 1960s U.S. Folk-Rock Explosion"
27/02/25
Chris Brain "Bound to rise"
21/01/25
Filigree "S/t"
10/02/24
Welcome to Compiland
No decorrer de 1959 Loukas e
Margaret Matheou adquiriram em Londres, no número 49 da Greek Street. No imóvel
projectavam estabelecer um restaurante especializado em comida, não grega mas
francesa. Nos anos que se seguiram e à medida que o negócio fluía, concluíram
que o espaço era excessivo para um restaurante. Implementaram alterações, lançando
os alicerces para um clube cujo objectivo seria a promoção e divulgação das
músicas folk e blues, à época géneros predominantes nos finais de tarde do
Soho.
Ainda que sem licença para a
actividade, “Les Cousins, Club Continental” abriu as portas no dia 4 de Outubro
de 1964, tendo encerrado cerca de seis anos depois em Abril de 1972. Durante o
período foi um porto ( palco no caso ) seguro para a grande maioria dos
talentos que focados nas linguagens folk e blues, demandavam reconhecimento e
sucesso no então artisticamente efervescente bairro londrino.
Americanos: Paul Simon. Tim
Hardin, Tom Rush, Spider John Koerner,
Derroll Adams, Jackson C. Frank, Dave Van Ronk, Julie Felix; britânicos: de
Bert Jansch a Nick Drake, passando por Sandy Denny, Cat Stevens, Wizz Jones, Shirley
Collins, Al Jones, Keith Christmas, Watersons, Shelagh McDonald, Martin Carthy,
Kevin Ayers, Ian A. Anderson, John Martyn, Anne Briggs, C.O.B., Alexis Korner,
Roy Harper, Bridget St. John, Plainsong, Nadia Cattouse … entre muitos outros, figuram
entre os nomes documentados como tendo actuado no Les Cousins.
A compilação “Les Cousins, The
Soundtrack of Soho’s Legendary Folk & Blues Club”, curada e magnificamente anotada
por Ian A. Anderson, oferece 62 temas de um igual número de artistas.
Não constituindo embora uma total revelação para os que se interessam pelos géneros musicais em análise - ainda assim e como seria expectável, existem aqui algumas muito agradáveis surpresas ; a título de exemplo relevam-se “Leaf without a tree” de Sam Mitchell apenas publicado na compilação da Music Man “Firepoint, A Collection of Folk Blues Tracks”, “Bye Bye Bohemia” de Tom Yates ou “Memory Book” de Mudge & Clutterbuck, publicado num EP raríssimo da Saydisc em 1968 - , é todavia uma delicia do primeiro ao sexagésimo segundo tema.
Depois das séries “Pebbles” e, sobretudo, após a mítica “Nuggets, Original Artyfacts from the First Psychedelic Era 1965-1968”, resta pouco espaço para compilações com vista para o garage / fuzz norte-americano daqueles anos. No entanto, mais ou menos interessantes, continuam a proliferar validando e eternizando um género que se reconhece importante embora frequentemente sobrevalorizado.
“Pushin’ Too Hard, American
Garage Punk 1964-1967” é mais um desses exemplos. Porventura demasiado
optimista: 94 temas ( 31 no CD1, 32 no CD2 e 31 no CD3 ) maioritariamente em
mono ( apenas 7 versões stereo ), revela algumas contraindicações. A saber: a) os
textos das sempre necessárias e interessantes notas do booklet estão impressas em
tamanho minúsculo, facto que os nossos olhos, já com bastante mais passado do
que futuro, não apreciam especialmente; b) ainda que enérgicos mas genericamente
carecendo duma sofisticação que sempre dá algum jeito, à medida que a audição
vai decorrendo, a sensação que emerge é a de que os temas apresentam poucas
diferenças entre si.
Exceptuam-se aqueles que deixaram
para trás as óbvias influências da “british invasion” ( Kinks, Yardbirds, Rolling
Stones, Pretty Things, etc ) prevalecendo
aqueles outros verdadeiramente bafejados
pelo talento dos seus autores. Falamos de clássicos como os Remains, Seeds,
Beau Brummels, Paul Revere & The Raiders, 13th Floor Elevators, Electric
Prunes, Shadows of Knight,, Sonics, Standells … ou de magníficas surpresas como
The McCoys, Fenwyck, The Leaves, The Bees The Squires, The Liberty Bell, The
Zakary Thaks ( conferir a compilação publicada em 1982 “Liberty Bell / Zakary
Thaks, Texas Reverberations” ), Thursdays Children ( o excelente “You can
Forget about that” pode também ser encontrado em “Never Ever Land, Texan
Nuggets from International Artists Records 1965-1970” ).
Resumindo, ambiciosa em demasia e
exagerando na arqueologia, “Pushin’ Too Hard” é uma daquelas compilações que
tem como alvo principal os convertidos, marginalizando os neófitos
eventualmente interessados no saudável exercício de iniciação ao género.
O universo das “private pressings”
- álbuns compostos, interpretados, gravados e usualmente publicados num registo
DIY pelos próprios artistas ou por uma editora amadora - , constitui, já o referimos anteriormente no Atalho, um espaço
apaixonante, inesgotável e em permanente registo de descoberta. O senão, nada despiciendo,
prende-se com o facto de as edições serem por razões compreensíveis muito
limitadas, logo muito raras e como tal dispendiosas.
“One Mile From Heaven” propõe-nos
duas dezenas de canções retiradas de outros tantos álbuns de artistas norte-americanos
e canadianos, os quais por razões conjunturais ou por pura convicção recusaram
os ditames da indústria, optando por perpetuar a sua música através das ditas edições
privadas.
Exclusivamente focada na década de 70, “One Mile From Heaven”, aborda o nicho dos “singer-songwriters”. O bom gosto que resulta da selecção é superlativo, sendo irrelevante se raízes emergem das sofisticadas Nova Iorque, Los Angeles, Lauren Canyon ou Vermont, ou das rurais Illinois, Indiana, Utah ou Minnesota.
Alguns dos nomes propostos são já
medianamente conhecidos ( Gary Higgins, Bob Trimble, Bob Patterson, Jim
Sullivan, Merrell Fankhauser, Michael Yonkers ), a maioria todavia constitui
uma estimulante descoberta.
Alicia May com “Summer days”, um título delicioso com a voz da autora a hesitar entre as performances vocais de Joni Mitchell e Margaret Morgan dos These Trails; os irmãos Chuck & Mary Perrin e o seu folk rock melancólico; Dan Modlin & Dave Scott cujo álbum “The train don’t stop here anymore” é um dos melhores discos publicados no Indiana; o folk-rock de Billy Hallquist e de Richard Goldman; os arranjos de cordas no tema “More Beautiful” de Naomi Lewis; as óbvias influências “Veedon Fleece” em “In The Sun” o título do canadiano de origem goesa Carm Mascarenhas; o psych-folk de Olav Rixen & Ulrich Fausten, dois alemães radicados em Vancouver …
“One Mile From Heaven” fornece um manancial de pistas que os amantes do género retratado seguramente agradecem. Tão cedo vai ser difícil encontrar uma compilação tão bela e equilibrada quanto esta.
13/12/23
Jardins do Paraíso ( 82 )
Poderia e deveria ter acontecido de outra forma.
A pungente versão pop barroca de “The French Girl”, um
original de Ian Tyson e Sylvia Fricker, pede meças a uma também extraordinária
versão do tema responsabilidade de Gene Clark; a revisão em modo psych do
clássico de Dylan “Queen Jane Approximately” captada no palco do Whiskey a Go
Go em Setembro de 1966; o fuzz original de “Jack of Diamonds”; a variação
“Scottish sea shanty” de “The Bonny Ship The Diamond” ou a aproximação
angelical a “If I were a Carpenter” de Tim Hardin, permitem concluir sem
qualquer ponta de exagero e nenhuma margem de erro que os Daily Flash deveriam
ter sido reconhecidos como uma das grandes bandas a operar na Califórnia no
decorrer da primeira era do psicadelismo ( 1965 – 1969 ).
Oriundo de Seattle, o quarteto constituído por Don
MacAllister, Doug Hastings, Jon Keliehor e Steve Lalor era, um pouco à imagem
do que sucedia com os Byrds, maior do que a soma das partes. Simplificando: reunia
todas as condições para ser muito mais que uma mera nota de rodapé.
Não obstante, por vicissitudes várias comuns a muitas outras
bandas igualmente talentosas, concedamos, foi daquela forma que o tempo os
colocou nas prateleiras da história.
Em actividade os Daily Flash partilharam estúdios e palcos
com os nomes mais sonantes da época: Byrds, Buffalo Springfield, Quicksilver,
Grateful Dead, Jefferson Airplane, Rhinoceros, Moby Grape, Charlatans, Big
Brother & The Holding Company, Rising Sons , Sopwith Camel, Beau Brummels…
contudo enquanto activos vida publicaram apenas dois singles e quatro temas: “Queen
Jane Aproximately”, “Jack of Diamonds”, “French Girl” e “Green Rocky Road”.
Em perspectiva e sabendo o que sabemos hoje, qualquer uma destas
quatro gravações merecia a maior das atenções mas a sorte e o reconhecimento
não passaram por ali e a imortalidade só
chegaria décadas depois.
“The Daily Flash” reúne todas as gravações que foi possível
resgatar nos arquivos dos diversos intervenientes. Aos títulos atrás
mencionados juntam-se dez gravações de estúdio, entre elas “When I was a cowboy”, “The girl from North
Alberta”, “CC Rider”, “Violets of Dawn” ( Ian Anderson ), “Again and again”,
“Grizzly Bear”, “Let me die in my footsteps” ( Dylan ) e “Birdses” ( Dino
Valenti ).
O que se escuta em “The Daily Flash” justifica e é motivo para que se proceda à revisão da história. Porém se tal não for considerado suficiente ou pertinente, atente-se assessoriamente no álbum homónimo que os Bodine ( com Steve Lalor e Jon Keliehor a bordo ) publicaram na MGM em Setembro de 1969.
21/07/23
Jardins do Paraíso ( 80 )
A reedição de “Mare La Lande”, o “álbum perdido” de Laurent
Angrand e Patrick Robin, consolida aquela velha suspeita de que existe ainda por
aí belíssima música por descobrir.
Angrand e Robin conheceram-se no início dos 70s através de Jack
Treese, um americano oriundo do Midwest radicado no condado de Périgord e que no
período compreendido entre 1971 e 1974 publicaria em França quatro álbuns de matriz
folk.
Instrumentistas dotados Angrand e Robin juntaram talentos. O
resultado são os dez temas que fazem “Mare La Lande”. Integralmente acústico, o
álbum é uma pequena delícia instrumental. O tricotado das guitarras
transporta-nos para espaços à época percorridos por John Renbourn, Bert Jansch e
Leo Kottke, aguarelas sonoras que aqui e ali nos sugerem atalhos conducentes a Laurel
Canyon.
Consta que Jack Treese terá tocado banjo nas sessões de
gravação levadas a cabo no famoso Studio 20 em Angers; um dado que todavia não é
possível confirmar através das informações disponíveis no álbum.
Publicado em 1974, “Mare La Lande” não chegou a ser objecto
de promoção/divulgação. A separação abrupta do duo após as gravações terá sido
a razão. Acto contínuo e como era então regra, a maioria dos exemplares da
diminuta edição privada acabaram destruídos.
A recente reedição da France Bizarre vem finalmente corrigir
aquela prática, permitindo-nos testemunhar mais um belíssimo capítulo do folk
francês dos 70s.
06/09/22
"Before The Day Is Done, The Story of Folk Heritage Records 1968-75"
“The term ‘underground’ was borrowed later on by other
people to talk about Pink Floyd, Fairport Convention, Jethro Tull, stuff like
that, but there had been an ‘underground’ going on since 1960/61. When the folk
boom took shape and gained momentum by the mid-sixties, you’re talking about
millions of people going to clubs. You’re actually talking in millions.” (
Martin Carthy )
Nos sixties, a renascença da música folk britânica não teria
atingido a dimensão artística e cultural sem as centenas de clubes folk e, em
menor grau, dos pubs locais. Proprietários, animadores residentes ou meros artistas
itinerantes que ensaiavam nas traseiras e actuavam a troco da bebida ou de uma
refeição quente, raramente atingiram a fama / sucesso comercial, mas o seu
entusiasmo e sinceridade contribuíram de forma determinante para o regresso da
tradição folk.
A visibilidade relativa que grupos como Incredible String Band, Pentangle ou Fairport Convention conseguiram nos tops funcionou como catalisador para que uma imensidão de jovens artistas amadores tentasse a sua sorte, geralmente ou quase sempre no club da zona, grande parte deles recuperados para o efeito.
Alan Green, um jovem licenciado em química, viu aqui uma
oportunidade e partiu para a criação de um pequeno estúdio e de uma editora: a
Folk Heritage. A partir do final dos 60s e durante cerca de uma década a Folk
Heritage, a par das subsidiárias Westwood, Midas e Sweet Folk and Country, gravou
e publicou alguns dos mais genuínos e brilhantes discos de folk tradicional da
Grã Bretanha. As edições raramente ultrapassavam as duas centenas de
exemplares, razão pela qual estes artefactos são hoje muito raros e caros.
No final, e bem vistas as coisas, é para isso mesmo que
servem as compilações … “Before The Day Is Done” é, no género, uma das
melhores.
26/12/21
Jardins do Paraíso ( LXXII )
Ainda no seguimento do comentado no post anterior, assinalar uma
nova reedição de um dos mais extraordinários álbuns publicados em 1971, “Hush”.
Naturais de Sydney, os Colins, Drysden e Campbell formavam um
duo que em meados dos 60s actuava nos clubes folk da cidade. Em 1969, com a
chegada de Shayna Karlin, Bob Lloyd e Jim Stanley, o colectivo adoptou o nome
de Extradition, permanecendo no centro do circuito folk australiano.
Dois anos volvidos a núcleo da banda sofre alterações, fruto
da permanente colaboração de alguns dos seus membros com músicos da banda Tully
e vice-versa. Quando em 1971 “Hush” foi publicado, quase de forma incógnita, os
Extradition já não existiam enquanto projecto. Campbell e Shayna já estavam de
corpo e alma nos Tully, cujo álbum “Sea of Joy” é também ele um disco icónico e
de escuta obrigatória.
Trata-se de um álbum que valoriza o silêncio, releva a
tradição musical britânica, mas em simultâneo respeita os valores regionais, estabelecendo
pontes entre sonoridades ocidentais e orientais, facto patente na utilização equilibrada
de instrumentos oriundos de ambas as culturas musicais.
As vocalizações de Shayna Karlin são inqualificáveis de tão
belas e os temas, sobretudo os assinados
por Colin Campbell, sem a mínima ponta de exagero, superlativos - a conferir por
exemplo em “I Feel The Sun” ( recuperado mais tarde no álbum “Sea of Joy” dos
Tully ), “Ice”, “A Water Song” ou “Minuet”.
É altamente provável que este disco nunca tenha sido objecto
da atenção que merece. O facto de ter sido publicado em 1971, é, sublinha-se,
apenas uma mera coincidência.
05/08/21
Artefactos ( 114 )
Nascido em Novembro de 1971 como "Folk & Country", o
magazine pensado e dirigido por Fred Woods rapidamente perdeu o “Country” passando,
a partir do quarto número, a ser designado por “Folk Review”.
Publicado até meados de 1979, deu espaço e voz a muitos dos
artistas que percorriam os circuitos do folk revival, com maior ou menor grau de sucesso.
Hoje, constitui leitura obrigatória para todos os que se
interessam e/ou investigam a música e a época em apreço.
29/05/21
Richard Thompson "Beeswing"
Há muito que o homem é credor da
admiração do Atalho. Mas depois de ler isto:
“In Fairport we loved the
response to the Beatles by bands such as the Byrds, the Left Bank and the Lovin’
Spoonful. The great singer-songwriters, like Dylan, Cohen, Ochs and Mitchell,
were our true inspitation, as were the Band, with their blend of roots styles that
were so familiar to us from records. All around the world, people had grown
cynical about American politics, but they loved american music – especially the
blues and country music of the Southern poor and the tougher, electrified
sounds of the urban disillusioned and disenfranchised.”
Ou, sobretudo, depois disto: “Later that year
( 1968 ), Sandy ( Denny ) and I received invitations in the post to Paul
McCartney’s birthday party. It shows how
much of a musical snob I was at the time that I decided not to go – to me, the
Beatles were a ‘pop’ band and not to take seriously.”
Rapidamente o estatuto passou de
admirado a venerado.
Um pouco mais a sério: “I saw
Bert ( Jansch ), Davey ( Graham ) and Martin ( Carthy ) all play around this
time ( 1968 ). There is nothing like seeing someone live and not quite grasping
what they are doing, If you understand it, you might just try to copy it; not
understanding might lead you to experimente and maybe arrive at something diferente
and original. I’m glad i didn’t just slavishly copy any of them, or I might
never have crawled out from under their influence.”
E, com isto, fica tudo ou
praticamente tudo dito, acerca da personalidade e talento deste verdadeiro tesouro
vivo da música britânica.
“Beeswing, Fairport, Folk Rock and finding my voice 1967-75” escrito com a ajuda de Scott Timberg, é um livro essencial não apenas para os convertidos, mas acima de tudo para aqueles outros que conhecem menos bem um dos períodos mais fulcrais e estimulantes da música das ilhas britânicas.
Época renascentista, quase arriscaria
a escrever. Acrescentando sem grande risco de falhar que, depois de “Whyte Bicycles”
de Joe Boyd e do que se espera vir a ser a biografia definitiva de Nick Drake (
a ser preparada por Richard Morton-Jack ), este é um dos mais completos e
coerentes testemunhos da época.
Todas as pedras são reviradas e
nada fica por contar. Como nasceram, cresceram, viveram e “morreram” os
Fairport Convention ( e os Fotheringay já agora ); a forma como foram escritos
e gravados os grandes temas; a personalidade
e carácter dos vários talentos que foram passando pela banda; os inevitáveis
choques de egos; as amizades e cumplicidades que perduraram independentemente dos
caminhos futuros.
Por último a fase da conversão ao sufismo, a ligação familiar e profissional a Linda Peters ( Thompson ), os discos que enquanto Richard & Linda Thompson gravaram entre 1974 e 1979 …
Um testemunho absorvente a que a
plenitude e rigor cronológico dos detalhes não são seguramente alheios.
Nota: Aconselha-se vivamente
manter por perto todos os álbuns. Com cansativa regularidade, torna-se
necessário interromper a leitura para ir escutar ( conferir ) muito do que é referido.
17/02/21
"Sumer Is Icumen In, The Pagan Sound of British and Irish Folk 1966-75"
“We are reaching for something that doesn´t
just sound modern but timeless … “
( Robin
Williamson, 1967 )
Parceiro
e complemento de “Dust on the nettles, a journey through the British
underground folk scene 1967-72”, “Sumer is Icumen in, The pagan sound of
British and Irish folk 1966-75” é uma estimulante e didáctica viagem através
dos sons mais recônditos e, bastas vezes iconoclastas, emergentes dessa música ancestral que a
tradição tende a proteger enquanto a cultura vigente faz por ignorar.
E
no entanto para que se recorde e celebre esta música ainda tão profundamente enraizada
no tecido rural da Grã-Bretanha ( é uma evidência que apesar das “urgências”
mediáticas e das efémeras futilidades, não são poucos os que persistem no
caminho da sua preservação ) não é necessário descer apenas ao underground ( escute-se o delicioso “On
Horseback” de Mike Oldfield publicado em “Ommadawn”, “Cruel Sister” dos Pentangle ou a versão dos Traffic
para “John Barleycorn”) ainda que seja nesse espaço que são recuperados a
maioria dos 60 temas que integram esta compilação.
“Sumer
is Icumen in”, é na origem, uma melodia inglesa datada do século XIII. Os artistas
e as canções de maior ou menor pendor tradicional que nela se inspiraram e aqui
lhe prestam homenagem – desde a mítica banda sonora de “The Wicker Man”, passando
por Vulcan´s Hammer, The Celebrated Ratliffe Stout Band, Amber, Mighty Baby,
Lal Waterson, Dave & Toni Arthur, Oberon, Stone Angel, Archie Fisher ou
Anne Briggs -, assumem todos eles o papel de cicerone numa excitante viagem de
regresso a um tempo que tem tanto de fantástico quanto de sombrio.
Como
já é hábito, as notas explicativas de David Wells para cada um dos temas,
enciclopédicas e repletas de humor, ajudam a justificar o investimento. Algo
ainda mais valorizado pela inclusão de 15 títulos ( ou versões ) inéditos até
agora.
21/04/20
Artefactos ( 99 )
02/02/18
"Looking at The Pictures in The Sky, The British Psychedelic Sounds of 1968"
São os primeiros que mais interessam e, dentro destes, os 20 temas recuperados de fitas / acetatos e que conhecem aqui a sua primeira publicação, 50 anos depois.
17/01/18
Artefactos ( 74 )
10/09/17
"Milk of the Tree, an Anthology of Female Folk and Singer-Songwriters 1966-73"
23/08/17
Artefactos ( 68 )
20/08/17
Artefactos ( 67 )
Nasceu em 1939 por iniciativa de uma associação de trabalhadores ligada ao Partido Comunista Britânico, tendo começado a vender os seus discos porta a porta e pelo correio.
As fotos são de um catálogo de 1978 que o Atalho guarda religiosamente desde essa data. Os discos disponíveis eram apresentados por um pequeno texto, identificados pelo número de catálogo, as canções e músicos intervenientes descriminados. Coisa impensável nos dias de hoje.
31/03/17
Jardins do Paraíso ( LII )
- Courtyard Music Group
23/08/16
Anne Briggs "Four songs"
Quatro interpretações antigas, uma das quais ( "The Verdant Braes of Skreen" ), gravada ao vivo pela BBC em 1965, conhece aqui a sua primeira aparição em disco.
A simplicidade da perfeição.