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14/07/25
03/12/19
Lost Nuggets ( 140 )
Shaun Davey and James Morris "Davey and Morris", (York Records FYK 417, Lyric Insert ), UK, 1973
- "Town Crier"
- "You Come Now"
- "Blue Smoke"
- "The Toll"
- "Window"
- "Hey Susie"
- "Grape Street"
- "Banjo"
- "Ishkamir"
Shaun Davey ( canções, voz, teclas, guitarra acústica e eléctrica, harmónica e arranjos orquestrais ); James Morris ( canções, voz, baixo e violino ); com: Donal Lunny ( bazouki, banjo, e guitarra acústica ), Pat Halling ( violino ), Claire Denise ( violoncelo ), Geoff Srodzinski ( órgão ), Dave Lambert ( guitarra eléctrica ) e Richard Hudson ( bateria ).
Produção: Tony Hooper
Gravado em Nova Sound Studios, 1972.
Desenhos no encarte: Shaun Davey.
Capa: foto de Clancy De Roe
Uma pequena obra prima que passou despercebida. "Who Stole My Land" é uma das grandes canções da época.
04/07/19
"Lullabies for Catatonics, A Journey Through The British Avant-Pop / Art Rock Scene 1967-74"
“In terms of how we amplified our music, we
were a rock group, but what we heard in our heads wasn’t pop music. We never
looked to other groups for inspiration. Our music didn’t fit into an already existing
format. Pop music didn’t offer enough open space for improvisation … and there
was no way we were going to play a tune the same way twice.” ( Robert Wyatt, Soft Machine” )
Há quem lhe chame simplesmente “progressivo”, ainda que a
designação seja injusta, por redutora, para além de esteticamente incorrecta.
A verdade porém é que o “British Avant-Pop / Art Rock Scene”,
para oportunisticamente utilizar a terminologia dos curadores desta compilação,
foi uma espécie de saco de gatos, onde se arrumava tudo e o seu contrário.
Ron Geesin teria pouco em comum versus Pretty Things, tal
como os Yes versus Mighty Baby, Mick Ronson versus Curved Air, Bachdenkel
versus Giles, Giles & Fripp, Spring versus Fuchsia … etc etc.
E no entanto, viviam-se tempos em que todo o tipo de arrojo
estético, não só era permitido, como encorajado.
“We played Bartok like punks. We murdered
Bartok. If you compare our version of Bartok’s “Romanian Folk Dance” with the
original, it’s the most tasteless thing you’ve heard. It’s note-for-note the
same, but it’s horribly played – not amateurishly played, it’s played with hate
and vilification. The bottleneck stuff is enough to make you throw up like you’re
seasick; and that stands, that’s part of the Dada approach to art, to disgust
and revolt your audience into another state of consciousness. Maybe then they’d
enjoy Bartok.” ( Drachen Theaker,
Rustic Hinge )
“Lullabies for Catatonics, a Journey Through The British Avant-Pop / Art
Rock Scene 1967-74”, compilação de excelência note-se, é um espelho
quase perfeito do frenesi de fazer diferente - ou em alternativa mais pomposo -
que se vivia na época.
E não deixa de ser curioso, ainda que não surpreendente,
serem as opções mais amarradas à herança do psicadelismo, aquelas que melhor e
mais consistentemente resistiram ao teste do tempo. O único que realmente
importa.
“The psychedelic era was really an expanding out
and a realization that you could, at that point in British music, do whatever
you wanted. There didn’t seem to be any boundaries – and if there are, you
completely ignored them.” ( Gary
Brooker, Procol Harum )
Escrito isto, fica o desafio. Mergulhem nos 49 temas aqui
incluídos, 13 dos quais inéditos, e aquilatem dos pontos de intersecção e/ou
das diferenças existentes entre bandas como Soft Machine, Zombies, Blonde on
Blonde, Mighty Baby, Gnidrolog, Riot Squad ( com Bowie ), Cressida, Comus,
Samurai, Renaissance, Nirvana ou Open Road, entre muitas outras.
19/03/18
"When the Day is Done, The Orchestrations of Robert Kirby"
“A
college friend of Nick Drake, Robert
Kirby’s first commissioned works as an arranger were his unique autumnal
orchestrations for Drake’s “Five Leaves
Left”. The sound was English and melancholic, closer to Vaughan Williams
than Phil Spector. He was soon in demand and by the end of the 70’s had worked
with the cream of the British folk rock world.”
Paul Buckmaster e Robert
Kirby são dois nomes fundamentais na música popular britânica dos 70s. Num
patamar também habitado por Sandy Robertson, Joe Boyd, Peter Eden ou Tony
Visconti; ainda que estes num registo diferente: o da produção.
Enquanto orquestrador, Buckmaster ficou para a história fruto
do seu monumental trabalho nos primeiros álbuns de Elton John, aqueles que verdadeiramente interessam: “Tumbleweed
Connection”, “Elton John”, “Madman Across the Water”,
além de “Space Oddity” de Bowie ou “Songs of Love and Hate” de Leonard Cohen,
entre outros.
Kirby, colega de Nick
Drake em Cambridge, partilhava com este os mesmos gostos musicais e
interesse pela poesia, enquanto planeava ser professor de música. Em 1969,
quando da gravação do álbum de estreia “Five Leaves Left”, Nick Drake mostrou-se
insatisfeito com os arranjos de Richard Hewson e convenceu Joe Boyd a chamar o antigo colega.
O que daí resultou sabemos hoje todos. Os
discos de Nick Drake nunca seriam o que são e Kirby por seu lado nunca teria
tido acesso às oportunidades seguintes.
Ao lirismo do referido Paul Buckmaster, Kirby acrescentava um
misto de melancolia e “englishness”. Algo que por um lado o distinguia de todos
os outros e, por outro, o mantinha perto da tradição, fosse a de Edward Elgar ou a do folk tradicional.
“When the Day is Done, The Orchestrations of Robert Kirby” é a
primeira colectânea a debruçar-se sobre o trabalho do músico. Naturalmente opinativa como todas as
compilações, agrega uma vintena de títulos oriundos do chamado “underground”
britânico dos 70s, folk-rock sobretudo, mas também alguma música de inspiração
progressiva.
Melhor ou pior, a grande maioria dos temas era já familiar a
todos os que se interessam por estas coisas; não obstante alguns deles não eram
imediatamente identificados com Kirby.
Os trabalhos com Nick Drake, Keith Christmas, Andy Roberts,
John Cale, Shelagh McDonald, Spriguns, Sandy Denny ou Vashti Bunyan são clássicos
perenes, não acrescentam portanto nenhum espanto. Porém, a subtileza dos
arranjos nas canções de Tim Hart and Maddy Prior, Gilliam McPherson e Steve
Ashley; a vertente celta conferida a “First Light” de Richard and Linda
Thompson, ou as credenciais art-rock ( resultantes muito provavelmente da experiência
de Kirby nos Strawbs, quando
episodicamente substituiu um Rick Wakeman de saída para os Yes ) patenteadas nos trabalhos com Audience e Illusion são esses
sim distintivos.
No mais e concluindo, “When the Day is Done” é um trabalho
notável e indispensável, ponto de partida para a descoberta de muitas outras
preciosidades que a carreira de Robert
Kirby ( 1948 – 2009 ) seguramente encerra.
07/11/08
Jardins do Paraíso VIII ( Strawbs )
Ao longo da sua história os Strawbs debateram-se sempre com um dilema nunca resolvido. A música que escreviam era considerada demasiado “folk” para os adeptos do progressivo, continha excessivos elementos “prog” para os incondicionais do folk.
E no entanto, Dave Cousins e Tony Hooper tinham começado pelo bluegrass, evoluindo posteriormente para o “folk” contemporâneo que tocaram em numerosos clubes do género.
Em 1967, o acaso colocou-lhes Sandy Denny no caminho. Com a inclusão do baixista Ron Chesterman, o quarteto gravou “All our own work”, um trabalho que à data ninguém pareceu interessado em editar (acabou por só ver a luz do dia em 1973, muito por força do estatuto entretanto adquirido pela cantora). Perante o insucesso Sandy Denny optou por sair para os Fairport Convention e o resto da história é conhecida.
Cousins e Hopper entretanto seguiram o seu caminho. “Strawbs”, o primeiro álbum, saiu em 1969. Produzido por Gus Dudgeon, arranjado de forma nada despicienda por Tony Visconti (na época responsável por alguns sucessos de Bowie e Tyrannosaurus Rex) e credor das participações de Nicky Hopkins, John Paul Jones e Nosrati & His Arab Friends entre outros, “Strawbs” é um registo de folk rock psicadélico muito interessante e nada negligenciável.
Talvez o mais marcadamente “folk” dos álbuns da banda, propõe atmosferas correspondentes em “Poor Jimmy Wilson”, “The man who called himself Jesus” (uma balada concebida na melhor tradição Dylan, muito popular após receber um significativo empurrão ao ser banida da antena da BBC) ou “Tell me what you see in me”, esta última visitando os sons e a arquitectura da música do médio oriente.
Simultaneamente “Strawbs” deixava já adivinhar o discurso musical futuro. O tema “That which once was mine” transporta as sementes do barroco renascentista que caracterizaria discos como “From the Witchwood” ou “Grave new world”. “Pieces of 79 and 15” e “Or am I dreaming” ganham textura com as orquestrações e adornos com o mellotron (recordo que na época os Moody Blues eram um projecto muito apreciado e ainda em crescendo) mas, ainda assim, todas elas não perdem de vista a principal influência: o “folk”.
Uma linguagem que atinge o zénite em “The Battle” um épico inesquecível de inspiração medieval que permanece uma das composições mais brilhantes de Dave Cousins.
“Strawbs” foi recentemente objecto de uma reedição que inclui duas novas versões – “That which once was mine” e “Poor Jimmy Wilson” – além de uma gravação ao vivo de “The Battle” no BBC Radio One Show de John Peel.
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