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quinta-feira, 10 de maio de 2012

DUARTE & CIRÍACO


O duo Duarte & Ciríaco, de música folk, formou-se em Coimbra em finais de 1968 com Duarte Braz e Ciríaco Martins.

Natural dos Açores e antigo viola-ritmo dos Álamos, uma das bandas yé-yé de Coimbra, Duarte Braz tinha 23 anos em 1967 e frequentava o 4º ano da Faculdade de Direito.

Um ano mais tarde, juntou-se a Ciríaco Martins, 21 anos, igualmente estudante em Coimbra, do 3º ano de Química, e ambos formaram os Folkers, onde cantavam música folk, nomeadamente de Peter, Paul and Mary, Joan Baez, Bob Dylan, Donovan e Simon and Garfunkel.

Em finais de 1968, decidiram iniciar um novo projecto no âmbito da música portuguesa e começaram então a cantar em português temas de sua autoria e outros, com inspiração e adaptação do cancioneiro popular, nomeadamente do folclore açoreano e alentejano, com poemas de poetas portugueses.

Assim nasceu o duo Duarte e Ciríaco, fazendo transição para outro estilo musical que surgiu numa nova fase da música portuguesa, com o denominado movimento dos baladeiros, herdeiro de José Afonso e Adriano Correia de Oliveira, com nomes como Luís Cília, Manuel Freire, padre Fanhais, José Jorge Letria, José Barata Moura, entre outros.

Deste modo, o duo insere-se no âmbito da nova música popular portuguesa, com raízes na música tradicional e com alguns temas na área do canto de intervenção.

Neste caso, salientou-se “O Naufrágio”, canção com adaptação da melodia da charamba, do folclore açoreano, com poema de Cristóvão de Aguiar.

Durante a sua curta carreira de um ano, o duo gravou dois EPs e um single, com a colaboração instrumental dos músicos dos Álamos, Carlos Correia (Boris), Luís Monteiro e Rui Ressurreição.

- "Nós" (Sonoplay SON 100.002, 1969), com direcção artística de Carlos Guitart, que incluia "Naufrágio" (Popular/Cristóvão Aguiar), "Canção de Embalar" (Popular), "Estrada Real" (Duarte/Fausto José) e "Trova A Este Vilancete" (Ciríaco/Francisco de Sousa (séc. XVI));

- "Duarte & Ciríaco" (Movieplay SON 100.005, s/data), com arranjos e acompanhamentos de Carlos Correia, som de Moreno Pinto e direcção artística de Rui Ressurreição: "Chária", "Bravos", "Cantares do Zé da Lata 1 e 2", todos motivos populares; e

- "Duarte & Ciríaco" (Movieplay SP 20.009, s/data), com arranjos e direcção de orquestra de Thilo Krasmann, supervisão de Rui Ressurreição e som de Moreno Pinto: "Este Parte, Aquele Parte" (Rosalia de Castro/José Niza) e "Selva-Mundo" (José Niza).

O duo gravou um programa Zip-Zip para a RTP e um PBX para o RCP (João Paulo Guerra), tudo em 1969.

Com a colaboração de Duarte Braz

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A IDEIA DE FAZER UM CONJUNTO...

A ideia de fazer um conjunto musical de três guitarras eléctricas e bateria surgiu entre mim e Duarte Brás, caloiros acabados de chegar a Coimbra em 1961/62, eu de Angola e o Duarte dos Açores.

Conhecemo-nos na sede da AAC (Associação Académica de Coimbra), então ainda no “Palácio dos Grilos”, atrás dos “Gerais”, onde dávamos uns toques de viola na Tuna Académica e aprendíamos o acompanhamento à viola do Fado de Coimbra com o velho barbeiro da AAC.

O Duarte tocava e cantava bem músicas modernas de rock e country, por exemplo do Elvis, Paul Anka, Willie Nelson, Bob Dylan, porque na Ilha Terceira (sua terra natal) estava a Base Americana das Lajes e portanto havia muita e fácil divulgação desse tipo de música.

Comecei a acompanhá-lo nessas músicas, em dueto, improvisando os solos das mesmas. Com esse formato musical chegámos a tocar em algumas festas no Hotel Avenida durante o ano de 1962.

Com o aparecimento dos êxitos internacionais dos Shadows e Cliff Richard, Beatles, Byrds, Animals, Chats Sauvages, Chaussettes Noires, Richard Antonhy, Johnny Hallyday, Eddy Mitchell e outros do género, apercebemo-nos de que tínhamos que alargar o formato do nosso grupo e formar um conjunto que pudesse interpretar as músicas em voga desses famosos artistas.

Conversando com amigos e colegas, soube que o Nuno Figueiredo (meu colega nas Engenharias) tinha jeito para tocar bateria, além de a casa dele ter uma garagem onde podíamos ensaiar. O problema era comprar os instrumentos, amplificadores e microfones, assunto que ficou resolvido quando o pai do Nuno, entusiasmado pela ideia, se ofereceu para ser o “fiador” da compra a prestações dos instrumentos e equipamentos.

Assim nasceu o embrião do nosso conjunto, ainda “coxo” e sem nome. Faltava alguém que tocasse viola baixo e que de preferência tivesse a sua própria guitarra e alguém que cantasse músicas de baile, se possível italianas, pois estavam na moda, mas não eram do estilo do Duarte: Domenico Modugno, Pepino de Capri, Bobby Solo, Rita Pavone, Marino Marini, etc.

Já estávamos em 1963 e então soubemos que um recente caloiro das Engenharias, o Zé Veloso, tocava bem solo/ritmo/baixo e até tinha uma viola eléctrica. Era a cereja no topo do bolo que nos faltava!

Marcámos com ele uma audição na tal garagem e qual não foi o nosso espanto quando o Zé nos aparece todo convencido com a sua guitarra eléctrica “made in Ançã”: uma velha viola de cavilhas, com um auscultador de galena preso com fita adesiva à caixa, para captar o som para o amplificador.

Dispensámos o instrumento, ficámos com o Zé, arranjámos uma guitarra eléctrica emprestada e nasceu assim o conjunto a que chamámos Álamos, de início só um quarteto: guitarra-solo Luís Colaço (Phil), guitarra-ritmo e vocalista Duarte Brás, guitarra-baixo Zé Veloso e baterista Nuno Figueiredo. Juntámos ao grupo, por pouco tempo, um vocalista amigo do Nuno, “puto” de Medicina, especialista a cantar música italiana, o Zé Hermano Gouveia.

Uns meses mais tarde, ouvi um caloiro moçambicano de Engenharia, da “República dos 1000-y-onários”, o Xico Faria, cantar o “Only You”, dos Platters, com uma voz maravilhosa e um estilo sensacional. Logo aí o convidei para uma audição com os Álamos onde foi aceite por unanimidade, o que nos permitiu alargar o nosso reportório a outro tipo de música, dos Platters, Ray Charles, Elvis e outros artistas do género.

Foi esse quinteto (com o Zé Pereira à bateria em substituição do Nuno) que trouxe o nosso sucesso em Coimbra, Bailes de Finalistas do Liceu D. João III, bailes de Faculade, Baile de Gala e Chá Dançante das Queima das Fitas de 1964/65/66/67/68 e muitas outras cidades de Portugal, onde tocámos em Bailes de Finalistas de Liceus e Colégios, célebres Bailes de Carnaval de Loulé e de Torres Vedras, Bailes de Réveillon no Casino Estoril, Casino da Figueira, Casino da Póvoa, Clube de Leça, Clube da Covilhã e Pousada de Alpedrinha.

Além destes bailes e festas ainda tocámos durante um mês de verão no Hotel Savoy, do Funchal, no “Officer’s Mess Club” da Base Americana das Lajes (Açores) e com o Orferão Académico de Coimbra em várias cidades de Angola. Fizémos também “shows” na Televisão em programas dedicados à propaganda da Queima das Fitas de Coimbra.

No auge da nossa carreira tivémos a possibilidade de tocar na Suíça, numa conhecida estância turística de Inverno, mas nem sequer analisámos a proposta, pois estávamos todos em idade militar, com adiamento por motivo de estudos, e não nos seria certamente concedida licença militar para nos ausentarmos para o estrangeiro, tanto mais que havia um angolano e um moçambicano no grupo.

A partir de 1967 e até à dissolução dos Álamos em 1969 por combustão espontânea (cuja data nenhum de nós se recorda) e sem nenhuns problemas internos, houve várias mudanças no formato e no estilo musical do conjunto, que aproveitou a extinção do Conjunto Ligeiro do Orfeão Académico e do Conjunto Scoubidous, para integrar o Rui Ressurreição (órgão eléctrico), Tozé Albuquerque (piano e xilofone) e ainda Carlos Correia-Bóris (guitarra solo e vocalista, saindo Duarte Brás que formou o duo Duarte e Ciríaco). Deixaram o grupo nessa altura o Xico Faria (para a tropa) e o Zé Pereira (substituído pelo Luís Monteiro).

Para a memória e para a estória dos Álamos ficam três coisas muito importantes: uma amizade estreita e fraternal entre os seus membros que perdura até hoje; um testemunho audio de três discos em vinil de 45 r.p.m, o 1º dos quais de qualidade medíocre; um grande grupo de fiéis amigos e colegas (a nossa velha e incondicional claque de apoio de Coimbra) que periodicamente reunimos em convívio ao som de boa música dos anos 60/70, com fartas comidas e bebidas e, claro está, fados de Coimbra para encerrar, em especial a Balada da Despedida do VI ano Médico, cujo genial autor e intérprete foi Fernando Machado Soares.

Colaboração de Luís Filipe Colaço, em Luanda

domingo, 15 de novembro de 2009

3º E ÚLTIMO EP DE DUARTE & CIRÍACO (S/DATA)


MOVIEPLAY - SP 20.009

Este Parte, Aquele Parte (Rosalia de Castro/José Niza) - Selva-Mundo (José Niza)

Arranjos e direcção de orquestra de Thilo Krasmann, supervisão de Rui Ressurreição e som de Moreno Pinto.

quinta-feira, 19 de março de 2009

1º EP DE DUARTE & CIRÍACO (1969)


SONOPLAY - SON. 100.002 - 1969

Lado A

Naufrágio (popular/Cristóvão Aguiar) - Canção de Embalar (popular)

Lado B

Estrada Real (Duarte Brás/Fausto José) - Trova A Este Vilancete (Ciríaco/F de Sousa/Séc. XVI)

Direcção artística de Carlos Guitart, som de Moreno Pinto.

Que eu saiba, é dos poucos EPs portugueses dos anos 60 (bom, do final) que tem a data impressa.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

CLARO QUE TAMBÉM HÁ HONESTOS


MOVIEPLAY - SP 20.009

Este Parte, Aquele Parte - Selva-Mundo

Arranjos e direcção de orquestra de Thilo Krasmann, supervisão de Rui Ressurreição e som de Moreno Pinto.

Este single de Duarte & Ciríaco esteve em leilão no Miau com a indicação de capa ligeiramente danificada.

Como não conheço outro disco dos açoreanos estudantes de Coimbra com as suas fotografias na capa, licitei e arrematei o single por € 6,10.

Recebo o disco e qual foi o mesmo quando verifiquei que, afinal, o estado da capa não era o de ligeiramente danificada, mas sim o que a imagem documenta.

Protestei, aduzindo outros argumentos. O vendedor acolheu as minhas razões, manifestou a sua não intenção de enganar e, para provar, a sua boa-fé, propôs-me devolver o dinheiro e oferecer-me o disco.

Aceitei, mas paguei € 1 como preço simbólico.

Nem tudo é mau no Miau. Para que conste, o seu nome é Creedence.

domingo, 19 de outubro de 2008

EX-BASTONÁRIO DA ORDEM DOS MÉDICOS


RAPSÓDIA - EPF 5.265

Saudade - O Cantar da Meia-Noite - Charamba - Lira

O antigo bastonário da Ordem dos Médicos, Germano de Sousa, é um dos quatro protagonistas deste EP, bem como Duarte Brás que foi do duo Duarte e Ciríaco e dos Álamos.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

2º EP DE DUARTE & CIRÍACO (S/DATA)


MOVIEPLAY - SON 1000.005 - s/data

Chária (popular) - Bravos (popular) - Cantares do Zé da Lata 1 e 2 (popular)

Arranjos e acompanhamento de Carlos Correia (Bóris), som de Moreno Pinto, direcção artística de Rui Ressurreição.

Toda a gente pensa - e bem - que o duo Duarte e Ciríaco é açoreano. O que nem toda a gente provavelmente saberá é que os dois estudaram em Coimbra e que por lá fizeram também música.

Em 1967, Duarte Brás tinha 23 anos e frequentava o 4º ano de Direito. Tocava viola-ritmo nos Álamos.

Um ano mais tarde juntou-se a Ciríaco Martins, 21 anos, aluno do 3º ano de Química, e formaram os Folkers. Um dia foram à televisão, mas foram severamente criticados por cantar em inglês.

Começaram então a compôr em português, inspirando-se sobretudo no folclore alentejano. Curioso: açoreanos a estudar em Coimbra compõem em alentejano... Porquê?

Porque se trata de uma música lenta que permite chamar a atenção para a poesia.