Ginjal e Lisboa

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23 abril, 2014

Em cada esquina um amigo


Terra da fraternidade. O povo é quem mais ordena. Dentro de ti, ó cidade.

Em cada rosto, igualdade.

É Abril, tempo de manifestar a nossa vontade.



CANTO DAQUI - Grândola Vila Morena 


Solista: Luís Veloso
Música e letra: José Afonso

Orquestra: Sopros de Zeca
Maestro: Filipe Cunha

**

As origens . José Afonso. Grândola.

Vila Morena




***

31 dezembro, 2013

No virar do ano, desejo a todos um bom 2014. Bailemos agora!!!!!


A todos os que por aqui passam, desejo um 2014 à medida dos vossos desejos ou melhor ainda. 
Bailemos, cantemos, lutemos. 
Defendamos os nossos sonhos.



Bailemos agora, por Deus, ai velidas,
so aquestas avelaneiras frolidas
e quen for velida como nós, velidas,
     se amigo amar,
so aquestas avelaneiras frolidas
     verrá bailar.

Bailemos agora, por Deus, ai loadas,
so aquestas avelaneiras granadas
e quen for loada como nós, loadas,
     se amigo amar.
so aquestas avelaneiras granadas
     verrá bailar.


['Bailemos agora' de João Zorro na voz de José Afonso]

FELIZ 2014!!!



04 setembro, 2011

Couple Coffee com Júlio Pereira interpretam 'Alípio de Freitas'

Em dia de fim de Festa de Avante, lembrei-me de aqui colocar esta canção da autoria de Zeca Afonso, a história de Alípio de Freitas.

Os Couple Coffe e Júlio Pereira interpretam-na.



Baía de Guanabara
Santa Cruz na fortaleza
Está preso Alípio de Freitas
Homem de grande firmeza

Em Maio de mil setenta
Numa casa clandestina
Com campanheira e a filha
Caiu nas garras da CIA

Diz Alípio à nossa gente:
"Quero que saibam aí
Que no Brasil já morreram
Na tortura mais de mil

Ao lado dos explorados
No combate à opressão
Não me importa que me matem
Outros amigos virão"

Lá no sertão nordestino
Terra de tanta pobreza
Com Francisco Julião
Forma as ligas camponesas

Na prisão de Tiradentes
Depois da greve da fome
Em mais de cinco masmorras
Não há tortura que o dome

Fascistas da mesma igualha
(Ao tempo Carlos Lacerda)
Sabei que o povo não falha
Seja aqui ou outra terra

Em Santa Cruz há um monstro
(Só não vê quem não tem vista
Deu sete voltas à terra
Chamaram-lhe imperialista

Baía da Guanabara
Santa Cruz na fortaleza
Está preso Alípio de Freitas
Homem de grande firmeza


(Letra de 'Alípio de Freitas', composição de José Afonso)

09 agosto, 2011

Vitorino interpreta 'Traz outro amigo também'

Uma canção muito especial, um verdadeiro hino à amizade. Aqui temos Vitorino a homenagear o seu grande amigo, o autor desta maravilhosa canção, José Afonso.

Na introdução deste pequeno filme, podemos ver o Zeca e não só (Otelo, por exemplo) a falarem sobre o dia 25 de Abril, o dia da Revolução dos Cravos, o dia da Liberdade. No início ainda se ouve o Grândola.


Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também

Em terras
Em todas as fronteiras
Seja bem vindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também

Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também


(Letra de 'Traz outro amigo também', composição de Zeca Afonso)

05 junho, 2011

Couple Coffee interpreta No Comboio Descendente

Este duo de que tanto gosto, aqui em mais uma bela canção em que Zeca Afonso musicou Pessoa.

Lembrei-me desta canção no dia de hoje, sabidos que são os resultados das eleições, em que, ao ver a televisão, vejo tanta gente a rir.


No comboio descendente
Vinha tudo à gargalhada.
Uns por verem rir os outros
E outros sem ser por nada
No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada...

No comboio descendente
Vinham todos à janela
Uns calados para os outros
E outros a dar-lhes trela
No comboio descendente
De Cruz Quebrada a Palmela...

No comboio descendente
Mas que grande reinação!
Uns dormnindo, outros com sono,
E outros nem sim nem não
No comboio descendente
De Palmela a Portimão
(Letra de 'Comboio Descendente' da autoria de Fernando Pessoa)

15 maio, 2011

José Afonso interpreta "Traz Outro Amigo Também"

Um dos nomes maiores da música portuguesa, uma companhia para sempre. Zeca, o grande compositor. Aqui interpreta uma das suas músicas icónicas: Traz outro amigo também. Um amigo é sempre bem vindo e o Zeca também.


Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também
Em terras
Em todas as fronteiras
Seja benvindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também

Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também

(Letra de 'Traz outro amigo também' de José Afonso)

26 abril, 2011

José Afonso interpreta 'Era um redondo vocábulo' ao vivo no Coliseu

A gravação não é extraordinária, há alguns enganos, o Zeca já a dar mostras de alguma debilidade - mas tudo tão secundário face à genialidade, à humanidade, ao carácter do inigualável José Afonso.

Esta é uma das minhas canções preferidas. É outstanding. Não há nada que se lhe compare, é inusitada. Mas é, também, eterna. Composta em Caxias, enquanto estava preso. Façamos uma vénia: o Zeca vai cantar.


Era um redondo vocábulo
Uma soma agreste
Revelavam-se ondas
Em maninhos dedos
Polpas seus cabelos
Resíduos de lar,
Pelos degraus de Laura
A tinta caía
No móvel vazio,
Congregando farpas
Chamando o telefone
Matando baratas
A fúria crescia
Clamando vingança,
Nos degraus de Laura
No quarto das danças
Na rua os meninos
Brincando e Laura
Na sala de espera
Inda o ar educa

(Letra de 'Era um redondo vocábulo' de Zeca Afonso)

25 abril, 2011

Ritual Tejo interpretam Filhos da Madrugada

Numa altura em que um dos principais agentes do 25 de Abril diz que, se  soubesse como ia correr, não teria feito o 25 de Abril (mas enfim, há que dar algum desconto ao que ele costuma dizer), é importante que todos saibam que, se hoje podemos falar e escrever livremente, ao 25 de Abril o devemos, à revolução que nessa data se operou.

Nessa manhã de todas as esperanças, após muitos anos de obscurantismo, abriram-se os caminhos da democracia.

Por isso hoje é essa data que homenageio e, claro, com uma música da pessoa que, sem dúvida, mais marcou o antes e o depois do 25 de Abril: José Afonso.

Aqui uma interpretação de 1994 pelos Ritual Tejo.


Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flor nos ramos
Navegamos de vaga em vaga
Não soubemos de dor nem mágoa
Pelas praia do mar nos vamos
À procura da manhã clara

Lá do cimo de uma montanha
Acendemos uma fogueira
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Mensageira da madrugada
Quando a noite vier que venha
Lá do cimo de uma montanha

Onde o vento cortou amarras
Largaremos p'la noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já não espera
Fresca, brisa, moira encantada
Vira a proa da minha barca.

(Letra de 'Filhos da Madrugada' de José Afonso)

13 abril, 2011

Couple Coffee (Luanda Cozetti e Norton Daiello) interpretam Balada do Outono

Ando encantada com os Couple Coffee - que sentimento, que musicalidade, que perfeitas interpretações.

E como as canções intemporais de Zeca Afonso ficam bem na voz de Luanda e na música de Norton. E que duo tão interessante eles fazem.

Convido-vos a ver e ouvir - com o coração de preferência (que é como as canções do Zeca devem ser ouvidas). E sugiro aos Couple Coffe que, no fim desta canção, esclareçam quem os ouve que ' vão voltar a cantar'...


Águas passadas do rio
Meu sono vazio
Não vão acordar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar

Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar

Águas do rio correndo
Poentes morrendo
P'ras bandas do mar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar

Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar

(Letra de Balada de Outono, da autoria de José Afonso)

06 abril, 2011

Couple Coffee interpretam Os Vampiros

Neste dia em que que Portugal teve que ajoelhar, pedindo apoio financeiro para conseguir arcar com as suas responsabilidades, sem saber quem são os vampiros nos dias de hoje (talvez a nossa incompetente classe política), aqui vos deixo hoje a recriação pelos Couple Coffe (Luanda como vocalista) de Os Vampiros, uma das míticas canções de Zeca Afonso.



No céu cinzento
Sob o astro mudo
Batendo as asas
Pela noite calada
Vem em bandos
Com pés veludo
Chupar o sangue
Fresco da manada



Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada
A toda a parte
Chegam os vampiros
Poisam nos prédios
Poisam nas calçadas
Trazem no ventre
Despojos antigos
Mas nada os prende
Às vidas acabadas

São os mordomos
Do universo todo
Senhores à força
Mandadores sem lei
Enchem as tulhas
Bebem vinho novo
Dançam a ronda
No pinhal do rei

Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada


(Letra de Os Vampiros de José Afonso)
No chão do medo
Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos
Na noite abafada
Jazem nos fossos
Vítimas dum credo
E não se esgota
O sangue da manada

Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

    23 fevereiro, 2011

    Índios da Meia-Praia por Paula Oliveira e Bernardo Moreira

    Passam hoje 24 anos mas José Afonso continua vivo na nossa memória.

    As suas composições têm uma qualidade poética e musical que, para sempre, perdurarão.

    Aqui, Paula Oliveira e Bernardo Moreira, num registo bem diferente do original, cantam os Índios da Meia-Praia.

    Salvé, Zeca.



    Aldeia da Meia Praia
    Ali mesmo ao pé de Lagos
    Vou fazer-te uma cantiga
    Da melhor que sei e faço

    De Montegordo vieram
    Alguns por seu próprio pé
    Um chegou de bicicleta
    Outro foi de marcha à ré

    Quando os teus olhos tropeçam
    No voo de uma gaivota
    Em vez de peixe vê peças de oiro
    Caindo na lota

    Quem aqui vier morar
    Não traga mesa nem cama
    Com sete palmos de terra
    Se constrói uma cabana

    Tu trabalhas todo o ano
    Na lota deixam-te nudo
    Chupam-te até ao tutano
    Levam-te o couro cabeludo

    Quem dera que a gente tenha
    De Agostinho a valentia
    Para alimentar a sanha
    De enganar a burguesia

    Adeus disse a Montegordo
    Nada o prende ao mal passado
    Mas nada o prende ao presente
    Se só ele é o enganado

    Oito mil horas contadas
    Laboraram a preceito
    Até que veio o primeiro
    Documento autenticado

    Eram mulheres e crianças
    Cada um com o seu tijolo
    Isto aqui era uma orquestra
    quem diz o contrário é tolo


    E se a má língua não cessa
    Eu daqui vivo não saia
    Pois nada apaga a nobreza
    Dos índios da Meia-Praia

    Foi sempre tua figura
    Tubarão de mil aparas
    Deixas tudo à dependura
    Quando na presa reparas

    Das eleições acabadas
    Do resultado previsto
    Saiu o que tendes visto
    Muitas obras embargadas

    Mas não por vontade própria
    Porque a luta continua
    Pois é dele a sua história
    E o povo saiu à rua

    Mandadores de alta finança
    Fazem tudo andar para trás
    Dizem que o mundo só anda
    Tendo à frente um capataz

    Eram mulheres e crianças
    Cada um com o seu tijolo
    Isto aqui era uma orquestra
    Que diz o contrário é tolo

    E toca de papelada
    No vaivém dos ministérios
    Mas hão-de fugir aos berros
    Inda a banda vai na estrada

    (Letra de Índios da Meia-Praia, composição de José Afonso)

    21 fevereiro, 2011

    Redondo Vocábulo por Cristina Branco

    Uma canção intemporal, especial, como são as grandes canções de José Afonso.

    Cristina Branco, uma voz límpida e o respeito pela musicalidade do mestre.

    Ouçam que vale muito a pena.


    Era um redondo vocábulo
    Uma soma agreste
    Revelavam-se ondas
    Em maninhos dedos
    Polpas seus cabelos
    Resíduos de lar,
    Pelos degraus de Laura
    A tinta caía
    No móvel vazio,
    Congregando farpas
    Chamando o telefone
    Matando baratas
    A fúria crescia
    Clamando vingança,
    Nos degraus de Laura
    No quarto das danças
    Na rua os meninos
    Brincando e Laura
    Na sala de espera
    Inda o ar educa

    (Letra de Redondo vocábulo, composição de Zeca Afonso)

    12 outubro, 2010

    Vejam Bem (José Afonso) pela Tuna Iscalina

    Uma canção do Zeca de que muito gosto, aqui interpretada pela Tuna do Iscal o que, em minha opinião, é uma feliz reunião. O Zeca foi até, ao fim, um jovem, as suas canções são intemporais e a irreverência das Tunas fica muito bem numa rua que tem de um lado o Tejo e do outro paredes cheias de graffitis.