| Muro no Ginjal, fragmentos do que passou |
Morrer de amor, morrer de desamor, de amores indizíveis, morrer de excesso, de penúria, de tudo, de mil, mil escuridões, de um infinito que não se conseguia agarrar, de mil ínfimos nadas, de nada, de nada, de nada.
Em vez de sangue, palavras a correr nas veias, em vez de amor, assombro, em vez de cantos, soluços, em vez de risos, lágrimas.
Em vez de sangue, palavras a correr nas veias, em vez de amor, assombro, em vez de cantos, soluços, em vez de risos, lágrimas.
Em vez de vida, um sofrimento sem motivo, alegrias fugidias, e sombras, muitas, muitas sombras. Tantas sombras num coração inquieto.
Assim são tantas vezes os Poetas, impotentes, frágeis, perdidos, finitos.
Eternos.
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Eunice Muñoz diz poesia de Florbela Espanca
Horas profundas, lentas e caladas
feitas de beijos sensuais e ardentes,
de noites de volúpia, noites quentes
onde há risos de virgens desmaiadas...
Ouço as olaias rindo desgrenhadas...
Tombam astros em fogo, astros dementes.
e do luar os beijos languescentes
são pedaços de prata p’las estradas...
Os meus lábios são brancos como lagos...
os meus braços são leves como afagos,
vestiu-os o luar de sedas puras...
Sou chama e neve branca misteriosa...
e sou talvez, na noite voluptuosa,
ó meu Poeta, o beijo que procuras!
Narração Miguel Falabela - Amar de Florbela Espanca
Olhos do meu Amor! Infantes loiros
que trazem os meus presos, endoidados!
Neles deixei, um dia, os meus tesoiros:
meus anéis, minhas rendas, meus brocados.
Neles ficaram meus palácios moiros,
meus carros de combate, destroçados,
os meus diamantes, todos os meus oiros
que trouxe d'Além-Mundos ignorados!
Olhos do meu Amor! Fontes... cisternas...
enigmáticas campas medievais...
Jardins de Espanha... catedrais eternas...
Berço vindo do Céu à minha porta...
ó meu leito de núpcias irreais!...
Meu sumptuoso túmulo de morta!...
Mariza - Poetas de Florbela Espanca
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(E não deixem, por favor, de ouvir Nelson Freire interpretando Gluck: trata-se de um momento muito especial. É no post abaixo)