Quase a virar o ano, com vontade de despir a pele, de deitar fora as lembranças deste ano que nasceu velho e mal parido, eis que me aproximo do ano novo com flores na alma, vontade de mudanças, ansiosa por espantos bons, voos largos, novidades surpreendentes e aladas, o chão como um suave manto verde, o céu como um tule transparente e misterioso.
Que se enterrem as mágoas, as tristezas, todas as desesperanças, e que avancemos, sem medos e sem delongas, pelos caminhos que se desdobram auspiciosos à nossa frente.
Não me perguntem de onde me vêm este ânimo e estes bons augúrios - não saberia como responder. Mas sei que o mundo bom está aí à espera. Quero descobri-lo e vivê-lo, estou cá para me aventurar. E é só isso que sei - mas isso basta-me.
| Uma gata no Ginjal - a serena sabedoria de saber viver o momento |
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.