Ginjal e Lisboa

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05 setembro, 2016

Para que tu existas




Respiras? Existes? As palavras que dizes são tuas? O rosto que mostas é teu? Quem és tu por detrás de ti? 

Alguma vez mo dirás?

Sonhas com ilhas perdidas em mares azuis, escondes segredos, constróis histórias, ergues altares para os teus deuses, caminhas errante por um mundo só teu. Disso eu sei.

Mas nada mais. Posso até acreditar que és apenas uma sombra que fala com mortos e que do mundo dos vivos tudo desconhece. Posso até acreditar que és um corpo sem nervos, sem pele, um corpo em carne viva. Posso até mesmo acreditar que não respiras, ou até mesmo que não existes. Posso até temer que sejas apenas fruto da tua imaginação.


Mas soubesses tu o que eu daria para saber que existes, ah...soubesses tu.


Para que tu existas
com todos os teus nervos
como linhas de força
empunho a minha ferida
como se fosse um leme
Os segredos mais vivos
assomam-se a um rosto
onde sonham as ilhas
onde crescem as taças
dos deuses terrestres


[de António Ramos Rosa in Antologia Poética]

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A primeira fotografia foi feita em Cacilhas, a segunda no Ginjal

Clara Rockmore interpreta no teremim "Berceuse" de Tchaikovsky

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No caminho que percorri
que escolhi 
ou que me escolheram.
Pegadas, sulcos, rastos
restos
que a vassoura do tempo
vai apagando
mas que ainda trago colados em mim.
Marcas do que eu sou
do que fui
do que não fui
do que nunca gostei de ter sido.


[De Joaquim Castilho, em comentário abaixo]


01 janeiro, 2012

Tchaikovsky: Moscow Radio Symphony Orchestra com Mikhail Pletnev no Piano interpretam o Concerto No.2


A começar o ano e a começar a semana que vou dedicar a Tchaikovsky, a primeira obra de música clássica que ouvi com consciência. Foi uma oferta que recebi quando fiz 16 anos e que, por razões várias, viria a ouvir inúmeras vezes.


09 novembro, 2011

MÚSICA NO GINJAL - Violino


TCHAIKOVSKY - SERENATA MELANCÓLICA (Меланхолическая серенада)


Itzhak Perlman 

Os primeiros violinos foram construídos em Itália, no séc XVI e o instrumento tem mantido a sua forma original desde então tendo apenas, em finais do séc XVIII, mudado a forma do arco que, inicialmente concâvo, passa então a ser convexo em relação às cordas. O violino, com longa tradição anterior na música popular, passa, no século XVII, a substituir a viola soprano em peças de música de câmara, tornando-se um instrumento fundamental na moderna orquestração e passando a aparecer distribuido por duas secções -primeiros e segundos violinos- tocando os primeiros as partes mais agudas e os segundos as mais graves.

Ytzhak Perlman é frequentemente tido pelo mais prestigiado violinista vivo, devido não só ao seu virtuosismo mas também à vivacidade que põe nas interpretações e ainda, à sua conhecida cordialidade e simpatia.

 

02 novembro, 2011

MÚSICA NO GINJAL - Eugene Onegin



ONEGIN E TATIANA  (DUETO)


Eugene Onegin  - Piotr Tchaikovsky
(Евгений Онегин - Пётр Чайковский)
 

É uma ópera em 3 actos estreada em Moscovo, no Teatro Malhy com libretto de Konstantin Schilowski, baseado numa novela de Aleksandr Pushkin e descreve os acontecimentos desde que Tatiana e Olga vêem chegar Lensky, noivo de Olga e um seu vizinho, Onegin. Tatiana apaixona-se por este à primeira vista mas ele esclarece que a sua vida 'não é de amores' e que se estivesse destinado a casar seria com outra. Perturbado por mexericos virá mais tarde a abater em duelo o seu amigo Lensky após o que reencontra Tatiana, numa festa em casa de Larina; implora-lhe que aceite o seu amor perdido; porém desgraçadamente é agora ela quem o repudia, despeitada e por não acreditar na sua solidez dos seus afectos.

Renée Fleming e Dmitri Khvorostovsski cantam o dueto final numa encenação de 2007, do Metropolitan Opera House -Met- de New York (com a parte inicial que aqui se ouve, informalmente transcrita em caracteres latinos para poder tentar ouvir).


Татьяна                                                         Tatiana
Онегин, я тогда моложе,                             (Oneguin, iá tougdá molojie,)
Я лучше, кажется, была,                              (iá lutchié, kajétçiá, bilá,)
И я любила вас... Но что же,                        (i iá liubilá váce... nô tchtou je,)
Что в вашем сердце я нашла,                      (tchtou v váchiém serdtcé iá nachlá,)
Какой ответ?... Одну суровость!...               (cacoi otviet?... adnu surovosst!...)
Не правда ль, вам была не новость             (nié pravda lhe, vame bîlá nié novosst)
Смиренной девочки любовь?                       (smirénoi dievotchki liubov?)
И нынче — боже! — стынет кровь,               (i nîn'tche -vojé!- stîniet crov,)
Как только вспомню взгляд холодный         (cac tolhco vsspomniu vzgliad kholodnîi)
И эту проповедь!...                                        (i etu propovied!...)
(...)                                                                  (...)

Онегин                                                           Onegin
Ах! О боже! Ужель,                                       (ah! ô boje! ujel,)
Ужель в мольбе моей смиренной                 (ujel v molhbie moiei smirénoi)
Увидит ваш холодный взор                          (uvidit vach kholodnîi vzor)
Затеи хитрости презренной?                        (zatiei khitrossti priezrenoi?)
Меня терзает ваш укор!                                (meniá terzaiet vach ucor!)
(...)                                                                  (...)

   

26 setembro, 2011

MÚSICA NO GINJAL - Svetlana Lunkina


Pode um ser humano ter a leveza e graciosidade de uma ave? Pode uma mulher ser etérea como um pensamento? Pode a música transportar uma mulher no espaço como se fosse uma folha, uma quase transparente partícula de pólen? Pode uma mulher conter em si todo o júbilo de uma boneca?

Pode. Vejam, por favor, Svetlana Lunkina, vejam como ela desliza, como ela brinca, como ela é feliz.


SVETLANA LUNKINA



Svetlana Lunkina
nasceu em Moscovo e formou-se na
Academia Coreográfica de Moscovo
(classe de M.Leonova).
Em 1997 juntou-se à Companhia de dança do Teatro Bolshoi
onde é primeira bailarina desde 2005.

Quebra Nozes
é um bailado fantástico
com música de Tchaikovsky
e libreto de Lev Ivanov;
foi estreado no Teatro Mariinsky em 17 de Dezembro de 1892.


25 setembro, 2011

MÚSICA NO GINJAL: Polina Semionova


É com um trecho de um maravilhoso bailado que hoje vos convido ao deleite, à emoção mais profunda.

Como vos referiri, este blogue abre-se hoje ao Mundo. Depois de durante quase um ano vos ter mostrado música portuguesa ou interpretada em língua portuguesa, eis que me apeteceu ceder à vontade de alargar horizontes.

Assim, contando com a valiosíssima e generosa colaboração do -pirata-vermelho-, sem aviso prévio, mudo a programação musical e abro a temporada com dança.

Sabem que voar é uma ideia recorrente naquilo que aqui escrevo. Voar, libertarmo-nos da lei da gravidade, vogar. Talvez por isso tanto me emocione ao ver estas mulheres e homens que voam ao som da grande música.

Polina, vocês verão, é mais que um cisne que voa. Ao vê-la pensei num gracioso flamingo, as altas e flexíveis pernas como finas e poéticas hastes - e como ela se eleva, como ela nos leva.

Queiram, pois, por favor, reservar um pouco do vosso tempo, da vossa sensibilidade.


POLINA SEMIONOVA
  


Polina Semionova
nasceu em Moscovo 1984, e estudou na Escola de Dança do Teatro Bolshoi.
Em 2002 juntou-se ao Berlin Staatsoper Ballet como bailarina principal.

Friedemann Vogel
 nasceu em Stuttgart, estudou na Academia de Dança Clássica Princesa Grace, no Mónaco e é, desde 2002, 1º solista do Sttugart Ballet.
O Cisne Negro
é um pas-de-deux de O Lago dos Cisnes, bailado dramático com música de Tchaikovsky
e libreto de Begitchev e Geltzer, estreado no Teatro Bolshoi em 20 de Fevereiro de 1877.