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sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Apeteceu-me escrever isto muito rápido para dedicar a quem tem a paciência de me ler 😊

 As vezes que me seguiste,

Pelas vezes em que me perdi na minha própria casa,

Sequioso e desorientado,

Ávido daqueles poemas de Herberto sobre os quais tinha dormido,

Enquanto ansiava ser maior e porventura desalinhado com a ventura de um desmaio,...


Mas a frase solta,

Aquele argumento que escorrega da folha para o nosso colo,

E me dava sempre o sexo possível,

Nos entardeceres que eras capaz de conceder a esta régua,

Fraturada,

Que foi algures no tempo a fechadura de uma casa comum

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Dezembrando a 12 de outubro


não serás esquecido,
escrever sobre tantas idas
não sei onde,
falar sobre as minudências de não
ter dinheiro sequer para matar a sede,
ou frutificar os desentendimentos mesquinhos,
em leituras conjuntas do livro
da vida,
não levam a lado nenhum,...

mais vale o luar,
passar as mãos pelos olhos,
e acreditar que ali é o paraíso,
dito com todas as letras,
descrito com o enlevo dos tolos,...

tudo o suficiente para que aqui
fiques,
só mais um tempo

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Peso do horror

 Não foi por acaso ter escolhido estas palavras,

Como um paliativo,

Vestida com um vestido tradicional,

De mãos enroladas a todas as crianças possíveis que a teu lado cabiam,

Falavas com os olhos,

Eu via-te chorar vendo-te sorrir aprumada,

Para que quem por ti passasse se sentisse feliz consigo próprio,

Saindo e reentrando na própria vida,

Com o ofegar de uma pausa numa sentença de morte,...


Mas porque não falavas,

Me dizias a plenos pulmões o quanto estavas infeliz,

E que esta era a história de quanto uma flor pode pesar mais que um horror,

E em cima de um horror podemos dormir até para sempre,

Por sobre milhões de mantos de flores senhoriais,....


Se não me respondes,

Numa carta enviada ao sol,

Diz-me como influenciar a rigidez da ausência,

Inconstante e inconsequente é este afastar para o abominável 




terça-feira, 13 de outubro de 2020

Entre mesas

 Joga tudo,

Entre as mesas,

Lábios de purpurina,

Considerações desnecessárias,

Se for para tudo,

Até revoltas mal resolvidas,...


Por entre mesas,

A batota favorece,

Não magoa ninguém,

E tudo jogado,

Alumia rostos,

Por entre mesas,

Como se o esclarecimento não tivesse cheiro




segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Alimento para a alma

 

cuidado onde tocas, uma coisa é o céu, e o divino que ele encerra, outra é vir sempre à mesma hora, com o mesmo intuito, e beijando a mesma boca, para participar numa vetusta denúncia por procuração,.... apelando ao sentimento, as portas de luz abrem-se o suficiente para escapares desta rotina, pelo que amanhã há mais desta fornada de alimento para a alma

domingo, 11 de outubro de 2020

Concha

 Uma porção,

As mãos escavadas pela demora,

Encerradas em concha,

Refletindo a luz de porcelana que a medo se revela,...


Esperava-se nada,

Tudo ao mesmo tempo,

Mas o suficiente para que só fosse possível acumular uma porção,

De lustro,

Amor,

O que fosse,

Mas pouca coisa desde que dita pela boca do silêncio,...


Observava a introspeçao perfeita ao longe,

Refletindo sobre o muro do que se lamenta,

Com a religião inodora do que deixou de se acreditar 



quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Auto-analise

Dentro de mim,
As paredes enfiam-se pelo chão dentro,
Não há descontínuo entre o tempo e o que se apercebe de espaço,
As ruas enviesam por dentro dos olhos das pessoas,
Com os azulejos gastos do património imaterial da tristeza,...

Lembrei-me de uma descrição empírica a estas horas,
Porque não me contento assim tanto apenas com o escrever,
Ao menos que as razões para um suicídio de ideias se anulem,
Agora que me ouço já só a cantar o clássico,
Com o profano a atapetar passos que dou com cuidado 


segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Respirar como rotina

Fechei as janelas dos meus olhos,
Adoção certa de medo,
Com isto o dia repetia-se sempre que eu desejava,
E a noite indiferente ao preciosismo do respirar,
Encastrava-se na escrita pobre de qualquer rotina,...

Com tudo não havia poema certo para a brisa que me engravidava a solidão,
E deixava de fora os restos da narrativa pobre do ódio


terça-feira, 1 de setembro de 2020

Setembrando a 17 de julho


Se quiseres falar como teremos as noites e os dias só para nós,
A lonjura servirá de procedimento, 
Afinaremos palavras certas para o valor certo de cada sentimento, 
E na falta de matriz dos devaneios em que nos movemos, 
Parecerao fraudes estes pequenos reparos para que assim possamos esperar,
Pelo que virá a seguir,... 

Não adianta prosseguir, 
Continuarei sem saber respirar fundo o suficiente para que repares em mim, 
Como pessoa credível 

terça-feira, 25 de agosto de 2020

Um dia gostava de saber escrever assim

 

mia couto / danos e enganos



Aquele que acredita ter visto o mundo,
não aprendeu a escutar-se no vento.

Aquele que se deitou na terra,
vestiu sonhos como se fossem vidas
e tudo o mais fossem regressos.

Mas aquele que tocou o fruto
provou a inicial doçura do tempo.

E quando tombou
de si mesmo se fez semente.




mia couto
tradutor de chuvas
caminho
2013

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

A ti, pai!!! (Novo crossover com o blogue 'Páginas Partilhadas')



Meteste-me medo. Impuseste-me respeito. Amei-te de uma forma que nunca soube, e nunca saberei definir. Ensinaste-me que o mundo não são quatro paredes de uma casa, nem o aconchego do amor garantido de quem nos deu vida. Carrego a mágoa de, se calhar, não ter feito tudo para que ainda cá estivesses. Tenho de prosseguir com esse nó no coração, que me tira a liberdade de viver a vida com alegria. Até porque vi a tua vida a desvanecer-se, como uma promessa de futuro justo, própria dos olhos neorealistas que me deste para analisar o mundo.
De ti guardo ainda as palavras de respeito que me cravaste no peito e na razão, uma razão que hoje moldei como barro sem te ter aqui, ao meu lado, para me 'abrir aos olhos até ao branco'.
A ti pai, cada minuto de vida que ainda tenho, dedicado a recriar o melhor possível o papel principal que tiveste na minha vida, na vida de outro ser que é, agora, todo o meu mundo.
A ti pai, sem saber se alguma vez voltarei a encontrar-te. Desculpa pelas desilusões que sei que te dei. E acredita, se me consegues ver à transparência como (quase) sempre conseguiste, que sinto muito a tua falta.

domingo, 18 de outubro de 2009

O menino que desenhava coisa nenhuma

Aquele menino desenhava as mãos, com os pés mais de sonho que podia conceber. Despegava-se dos suspiros com que passava a vida a entoar o hino das coisas perfeitas, e lá ia embalado para não sabia muito bem onde. Criava sonoras disposições das bonecas do céu. As que choravam quando se riam, e riam-se sem que as pessoas percebessem. Bonecas que amavam homens de trovão, insuficientes para travar a chuva que todos os dias desvirginava a terra em coma. E, melhor que tudo, sentia-se confortável sendo diferente. Parecido consigo mesmo, e diferente do que queriam que ele fosse nos dias que tardavam em vir, talvez porque nunca hão sequer de existir.

sábado, 3 de outubro de 2009

Love at dawn

gosto de ti mas
das formas mais
em cima dos pontos
dos que exclamam coisas
que pesam menos que o ar,
e depois dou-te dos
beijos que nem sonham
aos que lhes pesa menos as ideias,
sim,
sou a brisa com que o corpo te pesa tão pouco
no amor que te dou....

terça-feira, 2 de junho de 2009

14 anos

quero que esquecido,
de esquecer o esquecimento,
reste-me a mim penas
de anjo....

instado a levantar-me
do balcão dos aflitos,
não consegui,
14 anos a ver o
lado prisão
das coisas....

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

domingo, 28 de setembro de 2008

Interjeição quando venta


por ti,
o espaço sideral que de mim vai restando,....

para o que concedesse,
fossem portas de alma,...

nunca falharemos o que de possível tem tudo....

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Luxos importados III

se a pesca crescesse em ti,
no quadro maçónico de querer dias em noites,
ser-me-ia a alegria de família,....

já vi de ti mulheres a apaixonarem-se,
ventos em sucintos desmaios de criação,
e nunca o mar a chorar,...

a pesca a crescer de ti,
seriam cardos de choros por pintar,
peixes-alma a nadar
no céu de fosfatos invisíveis,...

adormeço-me numa cidade
que existe aos desmaios,
a pensar em ti,
deusa de riquezas com
crianças a sorrir.....

#I, #II

sábado, 7 de junho de 2008

Ao tinho quinho


vi o fulgor com que a estrela se desvaneceu, e tombou fulminante no mar que cheirava a aço laminado. em menos de dois passos, já estava na rebentação cor de nada, com cuidado a pedir partilhas. sobraram dois nadas, rosados, polígonos que brilhavam e exalavam bem querer. acariciados, bem-fazejos, fizeram do tudo um ser pequenino. de tão frágil, suava grandeza. chamei-o meu, e hoje é quase do mundo. porque meu, e da minha metade, é só o amor pelo muito que ele entoa ao vento da vida.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Onze menos um


Fico em nós,
E o que gosto,
Desgosto ao sol duro,...

Nós, és tu,
No eu de bem querer,
E no se, que pulsa,...

Tu, nós por vezes,
Porque o eu,
Esconde o que não é,...

Eu a recortar,
Colar e admirar,

O três que o futuro traz,...

sexta-feira, 28 de março de 2008

Perto


Perto, como um beijo congelado,
Perto, sem tocar o compromisso,
Perto, nunca foi uma menina a sorrir,
Nem a velhinha que morre a rezar,
Perto, és tu e eu,
A lamentar uma asa quebrada,
Sós, a reflectir o vazio,
Perto, somos nós.....