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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

"- Talvez se riam. Mas eu sustento a semelhança. Aquele todo de Gonçalo, a franqueza, a doçura, a bondade, a imensa bondade, que notou o Padre Soeiro... Os fogachos e entusiasmos, que acabam logo em fumo, e juntamente muita persistência, muito aferro quando se fila à sua ideia... A generosidade, o desleixo, a constante trapalhada nos negócios, e sentimentos de muita honra, uns escrúpulos, quase pueris, não é verdade?... A imaginação que o leva sempre a exagerar até à mentira, e ao mesmo tempo um espírito prático, sempre atento à realidade útil. A viveza, a facilidade em compreender, em apanhar... A esperança constante nalgum milagre, no velho milagre de Ourique, que sanará todas as dificuldades... A vaidade, o gosto de se arrebicar, de luzir, e uma simplicidade tão grande, que dá na rua o braço a um mendigo... Um fundo de melancolia, apesar de tão palrador, tão sociável. A desconfiança terrível de si mesmo, que o acobarda, o encolhe, até que um dia se decide, e aparece um herói, que tudo arrasa... Até aquela antiguidade de raça, aqui pegada à sua velha Torre, há mil anos... Até agora aquele arranque para África... Assim todo completo, com o bem, com o mal, sabem vocês quem ele me lembra?
- Quem?
- Portugal."
~A Ilustre Casa de Ramires, Eça de Queiroz

sábado, 7 de janeiro de 2012

"Olá, eu sou a Diana..."

"... e preguiça é o meu nome do meio."

Eu, Diana Catarina dos Santos Pilar (não é este o meu nome), me confesso: gostava que não fosse, mas é. 
E nem é tanto padecer desse mal denominado por preguiça, apercebo-me, mas sim cansaço. Sinto-me sempre irremediavelmente cansada (não, este post não vai acabar comigo a citar Álvaro de Campos/F. Pessoa), fazendo com que acordar a uma sexta-feira às seis da manhã, já estando de férias desde o dia 16 do passado mês do ano passado, para fazer uma frequência opcional cujo resultado poderia favorecer a nota final me parecesse uma terrível e horripilante ideia. 
Em vez disso, dormi até à uma da tarde (mais coisa menos coisa). Achei prolífico. 
Até porque ando a ter uns sonhos muito estranhos, dignos de buscas incessantes de interpretação online. Acho que sonhei, inclusive, que era uma personagem d'A Ilustre Casa de Ramires (ando a ler Eça), acordando repentinamente e aliviada por ter apagado a luz do candeeiro antes de adormecer. 

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Momento (Pseudo)Intelectual

Estão com vontade de fazer listas?
Estão pois!
E com vontade de fazer listas com livros?
Ora não querem vocês outra coisa!
E vontade de participarem num momento super intelectual, daqueles que uma pessoa olha e diz logo "oh que isto é tão superior intelectualmente que eu não posso morrer sem participar nisto primeiro"?
Aaah pois que não podem morrer, não.
Então vamos a isto.

Apetece-me ter aqui um momento intelectual e começar a activar as sinapses que durante as férias (todas elas) gostam muito de hibernar. E pensei em fazer a lista com os 5 livros mais importantes para mim (até ver). E então comecei a pensar em tudo aquilo que já li... E cheguei a esta conclusão:

(do fim para o início)

5 - Cem Sonetos de Amor do Pablo Neruda - ora, porquê? Porque os li numa altura em que me calhavam bem. Porque aqueles cem podia ter sido escritos por mim se eu fosse como o Pablo Neruda. E o senhor escreve bem sobre o amor, da maneira que eu gosto. Tenho ainda os Versos do Capitão à minha espera...  

4 - O Primo Basílio do Eça de Queiroz - porque primeiro, o Eça rulla à força toda; segundo, a história é melhor que Os Maias; terceiro, foi o primeiro livro à séria que li na vida e o único que reli, à conta de Literatura (e lá está, alguém dúvida que em Literatura se lêem melhores autores e obras que em Português? Pois, então são tontos)

3 - Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra no Mar? de.. adivinhem lá... tão espertos que vocês são... António Lobo Antunes - porque foi com este romance que a minha adoração/veneração/obsessão se consagrou; foi uma espécie de epifania para mim, em que me apercebi como, meu Deus, a língua portuguesa é bonita quando usada como deve ser e sem soar a pretensioso; Lobo Antunes conta a história da vida destas pessoas através das suas emoções e sentimentos, tudo como se um intrincado mapa do coração. O livro é brutal.

2 - Memória de Elefante de António Lobo Antunes - porque eu afinal também sou um médico psiquiatra chegado da guerra em África, que perdeu o amor da sua vida, e não consegue exprimir o que sente e o quanto ama a mulher e lhe sente a falta, que não percebe a mania das pessoas de porem crochet nas palavras como as flores de plástico ao pé das campas dos mortos que não servem para nada; este livro tem alguns dos excertos mais bonito que já li, tudo aquilo que queria dizer mas também não consegui.

(e o derradeiro primeiro lugar... rufar dos tambores por favor)

1 - Pela Estrada Fora do Jack Kerouac - este é O livro para se ler aos 16 anos, e depois aos 30 e aos 40... porque eu quero ser o Sal Paradise e percorrer os EUA de costa a costa, ou então a Europa; porque me fez querer correr meio mundo e ter planos para correr a outra metade; porque é um grito de liberdade; porque é um retrato inconformista de uma América conservadora dos anos 50 escrito maravilhosamente bem; porque é também uma história de amizades e de pessoas e de sentimentos e de relações com a América dos anos 50 como pano de fundo; porque me fez olhar para o mundo e para as pessoas de outra maneira e me fez feliz; ah, e porque é um livro do caraças...


E agora uma lista com os vossos 5... não vá... 3 livros preferidos, está bem? Ai que momento (pseudo)intelectual tão agradável...