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terça-feira, 29 de março de 2011

Agora até eu começo a desenvolver uma valente crush pelo Santo Agostinho

Era realmente um  homem muito sensual. E escorpião, ainda por cima. 
E escreveu coisas do caraças, geniais e maravilhosas: "Compreendei que não viestes  a este mundo se não para sair dele. Passais pelo mundo em constante luta para chegar a quem fez o mundo. Que não vos perturbe os amantes do mundo, que desejariam não se ir - jamais - do mundo, ainda que tenham de ir-se, por vontade ou pela força; não vos enganem, não vos seduzam. Estas adversidades não são escândalos, sede bons, e aquelas vos servirão como provações. A tribulação que nos caiu em cima será para ti o que tu queiras. Provação ou condenação. Será o que fores tu mesmo. A tribulação é o fogo que te purifica se tu fores oiro, se fores palha far-te-á em cinzas." - Sermão 81

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Zezinho!

A-HA!
Eu começa a achar que as aulas que o José Rodrigues dos Santos supostamente dava na faculdade eram mito. Mas alegria ao mundo! Afinal não. O senhor existe mesmo e é mesmo docente na faculdade mais fofinha de sempre. E hoje vi-o. É verdade... tava eu a subir as escadas para a biblioteca quando ele passa por mim a descer, mesmo assim rés vés, quase ombro com ombro. Eu claro, sempre muito discreta, só me virei para trás e sussurei a quem ia comigo: "oh meu deus era ele não era? oh meu deus, zezinhoooo!". Foi mais ou menos isto, mas a hiperventilar.
Eu, confesso, desenvolvi uma serious crush ao longo dos tempos por ele, é uma tara que eu tenho, gosto de moços que me pisquem o olho, já me meti em muitas alhadas à conta disto, mas não há nada a fazer, há qualquer coisa no piscar de olho que me deixa estarrecida. E ele, então, elevou o piscar de olho a arte.
Mas eu continua a achar que ele está zangado comigo. E estou muito triste. Acho que ele ainda não se refez (mas a sério, fofo, esquece isso, a vida continua, eu continuo a ver e a gostar muito do teu telejornal, especialmente quando o abres  dizer: "o cenário é negro!" estamos todos na miséria, vamos todos morrer - a parte do morrer e da miséria estava implicita), ele passou muito rápido, não deu tempo para pegar em mim e dizer-lhe que ele é um querido, quando dei por isso já ele tinha desaparecido. Será que foi almoçar? Na cantina reles ou na burguesa? No outro dia vi a sair da burguesa o outro jornalista, o das reportagens da SIC, também gosto dele, mesmo que ele não me pisque o olho.
Lá está, ninguém o fará melhor que o meu Zezinho, não é verdade?

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A proposito mas que não tem nada a ver, nesta mesma tarde descobri que o Martines arranjou maneira de dar positiva (um 12! uh uh!) ao teste mais horrível de sempre, sem contar com Estatistica, aliás estão os dois muito equiparados no que diz respeito a horribilidade, aka o de Economia, sim, o mesmo que me fez chorar desalmadamente e perder o sentido da vida.
Estamos bem, portanto.

domingo, 28 de novembro de 2010

São coisas que acontecem

Nunca na minha vida havia deixado um livro a meio. Quer dizer, ele nem a meio vai: li uns três ou quatro capítulos. Mas não está a ser como devia e é um Lobo Antunes, por acaso. Antes que aconteça um desastre, porque ele não merece, o livro não merece - ele até mo autografou na ultima Feira do Livro - e eu também não mereço, vou deixa-lo com os outros amigos empilhados na mesa de cabeceira. Além de que o livro é enorme, é pesado e não dá jeito nenhum andar com ele atrás, na mala já de si pesadissima não sei muito bem como. Vou retoma-lo no Natal, prometo.
Então lá o deixei e comecei a ler a Emma da Jane Austen, a british version, obviement. Comecei a lê-lo esta tarde, li umas 20 págs e estou a gostar: não li mais porque tive de ir estudar.
Mas agora que descobri os encantos dos livros originais em inglês não quero outra coisa: são mais leves mesmo que sejam calhamaços de 500 págs, não se perde com as traduções e assim, habituo-me a ler  coisas massivas em inglês, além de que eles estão a 3,50 euros na Fnac. Já comprei também o Ulysses do James Joyce.
Mas o Emma é compacto e muito leve, perfeito para ir comigo no comboio ou ler nas aulas de MTI ou Estatística. E está a ser interessante. Só vantagens, portanto.

Eu prometo que não deixo o Lobo Antunes sem ser lido, até porque eu odeio livros não lidos cá em casa. Não sei porquê é algo que me faz uma terrível impressão. Foi por causa disso que acabei por ler o livro do Rodrigues dos Santos e já pensei em ler o Equador do Tavares que está para ali. 
Manias...

domingo, 24 de outubro de 2010

Querido José Rodrigues dos Santos

Isto assim não pode ser. Quer dizer, vai uma pessoa de propósito a Lisboa para ver a apresentação do teu novo livro e descobre que afinal foi ontem. Eu sei, eu sei, que se calhar estás ainda muito zangado comigo pelas duras e críticas palavras que usei para definir o A Vida num Sopro. A parte em que disse que não sabias escrever e que era tudo muito básico e cheio de cliches de amor, e a minha parte preferida: "senti a cada página a rudeza dos lugares-comuns, dos clichés da vida e da História". - espera ainda há mais... "Toda esta previsibilidade, a pobre forma como tudo isto nos é dito constituem uma bruta decepção" .
Pronto, eu sei que fui muito má para ti. E se calhar os teus outros romances são do mais espectacular que há. E o teu génio literário é brutal. Mas repara: eu não tenho culpa de não ter sentido a magia da tua escrita. Estou até a pensar dar-te outra oportunidade no Verão que vem. Talvez que ainda requisite um livro teu ali na biblioteca...
Contudo, se continuares a fazer coisas assim comigo, eu desisto. Eu estou aberta a dar-te outra oportunidade, mas se continuares assim, meu querido, mão há volta a dar.
É que vai uma pessoa a Lisboa de propósito para te ver e, vá de aproveitar e açambarcar o cocktail, e não é que tu afinal estiveste lá, mas ontem? 
Zezinho, Zezinho isto assim não pode ser. Eu começo a pensar que estás a fugir de mim. É que nem na faculdade ainda te vi.
Meu querido, Rodrigues dos Santos: vamos dar mais uma oportunidade à nossa relação, sim? Mas tens de perceber que não posso ser só eu a lutar por ela. Eu não quero perder o teu piscar de olho no final do Telejornal. Sabes que já faz parte de mim e como ele me aquece o coração: é o meu calor da lareira numa noite fria de Dezembro. Mas tu tens de me devolver este meu empenho.

Portanto, Zezinho: da próxima vez, vais lá mesmo estar às 5 da tarde no raio da Sociedade de Geografia de Lisboa para eu bater palmas quando falares, está bem? Pronto, ficamos assim...

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Um sopro de desperdício

Que a vida passa rápido, todos nós sabemos, por isso não é aconselhável passa-la a ler livros que pouco ou nada têm de interessante.
É o caso de A Vida num Sopro de José Rodrigues dos Santos.

Resolvi dar-lhes uma oportunidade: ao autor, que como me pisca o olho no final de cada Telejornal da RTP, o mínimo que posso fazer para lhe retribuir a gentileza é ler-lhe a obra, e ao livro que andava por aqui num desesperante grito de aflição “Por favor, leiam-me!!!”. E como eu não sou má nem gosto de ver livros em sofrimento, lá comecei a ler a narrativa.
Acabei-a três semanas depois. Fiquei desiludida. Acabei o livro com um gostinho amargo, um sentido de tempo perdido. (E agora porque eu não gostei do livro, já não há piscadelas de olho no final do Telejornal para ninguém. Nunca tinha tido, o José Rodrigues dos Santos como uma pessoa vingativa…). Estava à espera de outra coisa, uma outra forma de pôr as palavras no papel, uma outra forma de informar o leitor dos sentimentos, acontecimentos, pensamentos e acções que se desenvolvem e desenrolam ao longo das 611 páginas de história. Não há espaço para subtilezas: está tudo lá, tudo muito linear, tudo muito dito e descrito – o que em certos casos, não é necessariamente algo de mau, mas neste caso, é.

Não senti a necessidade de ler mais devagar e repetidamente, somente para sentir a paixão e a beleza das palavras; não fiquei fascinada pelo tom e fluir da história. Em vez disso, senti a cada página a rudeza dos lugares-comuns, dos clichés da vida e da História.
A cada virar de página adivinhava-se o que aconteceria a seguir, além de que nem as personagens me geraram simpatia alguma. A premissa é boa: uma casal de namorados do liceu, durante os inícios do Estado Novo, são brutalmente afastados um do outro, primeiramente pela mãe da rapariga e mais tarde pela mão do destino. Luís e Amélia, ele um idealista, ela uma doce rapariga de olhos avelã, vêem-se assim atraiçoados pelas contrariedades da vida. Acabam por se encontrar, anos mais tarde em Penafiel: ela encontra-se casada com um oficial do exército, superior hierárquico de Luís, e ele acaba por ficar noivo, sem saber, da irmã dela. Resta dizer, que ele se apaixona pela rapariga, Joana de seu nome, porque esta tem um semelhante ar de graça da Amélia. Eventualmente, eles acabam por se tornarem amantes, o que causa, futuramente, um assassínio e uma fuga para Espanha, em braços com uma guerra civil. Pelo meio, alguns encontros não muito agradáveis com a realidade política do regime, marcam o carácter e a maneira como Luís nos é apresentado. Aquele idealismo falha em tornar a personagem agradável. Como? Não sei. Sei apenas que ao fim de alguns capítulos, ele começou a irritar-me profundamente. Porquê? Também ainda não consegui perceber. Em teoria, Luís é o tipo de personalidade que me interessa, na prática, após alguns capítulos, o meu desejo era que ele se matasse. O que, só assim por acaso, acaba por acontecer. Se quiserem saber como e porquê, desperdicem também vós algum tempo das vossas vidas para descobrirem, que isto, eu não sou paga pelo Estado para fazer serviço público; nem tão pouco sou uma alma amável e caridosa. (Vá pronto, basta começarem a ler a partir do Xº capitulo da 3ª parte. E depois não digam que não sou amiga…)

Toda esta previsibilidade, a pobre forma como tudo isto nos é dito constituem uma bruta decepção: de todas as tais 611 páginas, somente umas 5 linhas tiveram impacto na leitora que houve em mim. As únicas que deram vontade de reler e reflectir: 

“A vida é um sonho, pensou. A morte é o despertar. Passamos um universo inteiro a flutuar no vácuo da não existência; a vida não passa de um fugaz tremeluzir da chama do petromax na vasta noite de eternidade.
A vida é a anomalia, a morte é o regresso ao estado original; a vida é um sopro, a morte é o ar.”

Só coisas esperançosas e alegres, portanto.