(rhythm of pain Painting by
Bing Lk)
Sabia-se perecível. Os sinais estavam todos lá. Noites pintadas a negro com laivos laranja de dor, os nervos, tensos, em miados silenciados por garras na garganta. Enrolava-se numa bola, os joelhos de encontro ao peito, abraçados, como a um amante prestes a despedir-se de uma noite de amor desvairado.
A madrugada costumava vir de rompante, cegando-a, por mais débil que fosse a luz. Esperava pela manhã cerrando os olhos com força, alimentando-se da amargura das horas vazias e, ao toque do despertador, sacudia o corpo, lavava a alma juntamente com ele, maquilhava ambos e saía para trabalhar.