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sábado, 5 de setembro de 2026

E a apologia do certo,.. .

 Nenhuma vez mais do que as outras vezes,

As desilusões,

As caixas de sonhos perdidas nas ruas de todos os dias,...


Os outros voltarem para casa,

Sem que tu e eu sequer nos importemos,...


É atirar para fora a escolha de dias de reflexão,

E a apologia do certo,

Desdizer a versão correta do errado 

Foto de Jean Marie Périer
                                                                                Tirado daqui

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Elas que disseram,...



Protestam Porque me deixei descobrir,
Tenho a pele colada ao vento,...

A pressão está do lado das pessoas,
Dos seus gritos,...

Elas que disseram,
De olhos abertos e preconceitos nos corações,
Não aceitar razões desenhadas,
Vozes empobrecidas,
E o desejo solto em sopros avulsos de vento,....

E por isso protestam,
Chamam a nova razão para o amor,
Ao que vão deixando pelas ruas 

sábado, 29 de agosto de 2026

E andei por sitios afiançados,

 Escolhi parar o tempo. Foi uma decisão intempestiva, tomada num final de tarde como os outros,....


Em que as letras se juntavam em cacho,

Com laivos de clima tropical,

Ao lado dos homens silenciosos que escolhiam acentuar a vida,

Sentados no mesmo cafe de sempre,...


E andei por sítios afiancados,

Promessas de paraíso que nunca antes havia conhecido,...


E apenas para que a razão fosse minha,

A mim viessem os laivos de uma filosofia moderna,

Efetivamente transformadora,

 e que adiasse os pormenores estouvados de uma existência isolada,...


Agora,

Dois decimetros de dia depois,

Vejo que falhei no meu propósito,

O dia corre ainda,

 fétido neste ribeiro escurecido

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Havia livros constantes,....

 Vilma insistia em adormecer para o poente. Era um nome que lhe tinham posto, e convencia se que, por ser estranho, fora do comum, a obrigava a seguir um caminho de nao retorno, que a distinguisse da normalidade enfadonha. Nao é que os últimos raios de sol de um dia ainda entrassem, desmamados, pela janela do quarto, quando ia dormir. Mas o propósito era fechar os olhos sempre para o mesmo sitio. Havia livros constantes em cima da mesa de cabeceira de pinho, e poderia dizer se que fossem um obstáculo à luz.  Mas se ja era noite escura, isso nem se colocava. E havia ainda o pormenor de Vilma exigir de si mesma o contacto da pele nua, com a suavidade dos lençóis.  Eventuais companhias não se colocavam. Vilma forçava se a soltos pensamentos de prados acastanhados,  algures no que conhecia da Escandinávia.  Que lhe deixassem os pulmões ficcionalmente cheios de ar, o que providenciava aquele torpor cerebral que conhecia, mas preferia não definir. E o sorriso. O leve esboço de art deco, que a emoldurava como se estivesse perdida em qualquer museu do mundo. O amanhecer fazia terminar o bordar subtil do vestido transparente que Vilma desejava para si.

Man with a movie camera (1929)
De: Dziga Vertov

terça-feira, 25 de agosto de 2026

....a honra é algo que não se apregoa

 Dizer que nasci por engano. Com a contribuição do acaso. Que a senhora minha mãe nunca realmente me planeou. Que na sua cabeça apenas pulsava a ideia de um filho:nunca o mais velho nem o mais novo. Apenas um. O que monopolizasse os beijos de inverno, e os copos de refresco açucarado de verão. O que tivesse tudo em tamanho único, roupa, meias, sapatos, discos, livros de colorir. Eu surgi numa madrugada de meio de Outono, com chuva mortiça, e caminhos de rotina na rua semi cheia de um dia semana, porque, defendia e praticava a senhora minha mãe, a honra é algo que não se apregoa, pratica se. Isso não impede que tenha sido um engano. Uma volta ao túmulo da ansiedade e das decisões mal tomadas, que os meus progenitores deram. Juntos, apesar de tudo. A minha pele clareou como um engano, à medida que crescia. O meu esqueleto alargou. A minha voz sumida, vencida pela timidez doentia, rodeava me de noite, na cama, no espelho das manhãs. Na leitura monótona do resumo das novelas. Cantava em surdina ate canções, que faziam de mim um gigantesco ponto de interrogação.  

                                                                                   Tirado daqui

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

...a minha moral

 Eu sabia que era uma vantagem ter bolsos fundos. Não é cativante descrever o que podemos transportar, provavelmente sem sequer precisarmos. Mas, naquele dia, consegui encaixar um papel de desejos, como lhe chamava, num espaço reduzido de uns jeans velhos e rossados.  Escrevia o que me apetecia nestas folhas. Versos de Rima, versos de viagem, prosas curtas e reveladoras, a minha moral quase traduzida em desenhos de esquadria. De tudo um pouco, o que me traduzia como pessoa e ser pensante. Caminhei pela beira mar, num dia cinzento e que me presenteava com chuvas aquecidas e com cheiro a cidade decrépita e envelhecida. Gostava disso. Conseguia, em dias como o de hoje, arranjar ainda espaço para dizer a mim mesmo, em quatro, cinco curtas palavras no máximo, que ainda assim me sentia poucochinho. A precisar de um reforço, que só talvez viesse de um ocaso em silêncio, num dos vértices daquele mundo que eu lutava por manter pequeno e sem importância. 

                                                                                  Tirado daqui

domingo, 23 de agosto de 2026

Com paredes sujas,...

 as nossas coisas,

o mesmo de sempre,

embebido em sangue,

em crimes por explicar,....


a razão porque

o dia começa enegrecido,

com paredes sujas,

sem estarem,

com uma música repetitiva,

e que convida à morte,...


as nossas coisas,

as que só vemos,

dispostas em alternância,

no chão enevoado

da casa que não é nossa


                                                                           Thanks so much

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Serei breve,...

 

                                                                                   Tirado daqui


Aconteceu me de poema para poema,
Deixar de saber escrever a luz,
E ouvir a perfeita conjugação do adeus,....

Serei breve,
Tanta coisa ficará por dizer,
Quando me apresentar perante a revolta,
Encarnecido e com a presença da vida nos olhos

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Este é um poema desatento,...

 À noite contávamos um número infindo de pardais,

Uns atiravam se contra os vidros embaciados das janelas,

Numa mistura opaca de loucura e amor por corresponder,.....


Outros alinhavam se nos beirais das janelas do bairro,

Cabisbaixos,

Sempre atentos às conversas impuras e desordenadas do final de dia,....


Este é um poema desatento,

Inspirado neles,

As criaturas que sem esforço,

Contribuem para a recolha de suspiros,

De uma rotina sem cor,

Mas com sons aperfeiçoados,

E fugidos da rotina,....


Dedico a pássaros de beiral,

Estas letras desordenadas

domingo, 16 de agosto de 2026

Com uma peça de roupa ao sol,..

 Mas a verdade,

E o publico,

As canções que por ali estão a passar,

Sem que a alma doa mesmo às pessoas,.....


Acho que o tempo até pode ter parado,

E um sorriso de um adulto em construção que o prova,....


Com uma peça de roupa antiquada,

Mas intensidade na forma de se relacionar com os outros,

E principalmente atractividade,

Muita mesmo,....


O tempo pára sempre quando assim é 

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

E fossem as recusas,...

 Ao fundo da rua,

A experiência de um ato interrompido,...


Como a respiração inconsequente,

Dolorosa,

Andando por aí como se o andar doesse,...


E fossem as recusas,

Todos os naos ditos e espalhados pela calçada,

Que nos condicionassem como seres humanos,....


Como criaturas da malvadez medida em cigarros mal fumados,

Em experiências desnorteadas de amor por nós próprios,...


E depois disto,

Percorrido o calvário das estrofes,

Chegado o tempo de ao provar o teu corpo,

Palmilhar as imprecisões que te deixei na mesa da cozinha

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

O deve e o haver,...

 O deve e o haver,

Deitar na cama que concebemos,

Sem companhia,

De consciência perfeita e mal desenhada,

A pensar que a relação com a verdade,

Com os desejos deixados por completar,

Poderão surgir,

Sem roupa,....


Afortunados sem saber,

Para que a noite,

Deixe de resto zero,

O peso do resto de uma vida,

Que se viverá a si própria 

Folhas (Leaves)
Foto de: Ricardo Félix
                                                                                Tirado daqui

domingo, 9 de agosto de 2026

...como uma banana madura

 Caramba, ainda me lembro. Eu não tinha culpa das observações descontextualizadas. Da roupa mal escolhida, com cores que não combinavam. Ou até dos silêncios fora de tempo, com durações erradas. E as reações. Sim, lembro-me das reações. Como se a praça central daquela terra, fosse o tribunal final da raça humana, capaz de julgar os incapazes, e absolver os suportáveis a mais algum tempo de vivência. Eu não tinha culpa. Era um miúdo. Lia os livros errados. Tomava notas de rodapé por amor ao ato de me cultivar. Mas de pouco me serviam. Assim conheci um destino à prova de água, à prova de sepultamento. À prova de tudo. Prosseguir, sem destino, fintando os obstáculos, as decisões mal tomadas, os juízos formulados para magoar. Eu era o invisível, aquele em que todos acabaram por aprender a não reparar. E havia muito para andar ainda, até que outro mundo se me descascasse,… como uma banana madura.

Fotografia de Anna Paola Guerra
                                                                          Tirado daqui

sábado, 8 de agosto de 2026

E sais,..

 Vês,

Pressiono esta ferida no limite do corpo,
E a dor apresenta se,
Olhos suaves,
De cor macia e raiados a sangue,....

Lábios pintados de um vermelho invasor,
Defendidos pela madrugada que se amedronta com gemidos dispersos,....

Nao domino o resguardo do prazer,
A vontade de limitar danos,
A um corpo que se esqueceu de identificação e  idade,....

E sais,
Sem assim me conheceres,
Dizeres importância,
Quando me esquecerás pela ponta da sobranceria
Fotografia de: Anna Paola Guerra
                                                                 Tirado daqui

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Por isso temos problemas,...

 Também temos os nossos problemas. A água nem sempre arrefece da mesma forma. Que nos digam é de noite, quando acabei de me sentir afligido pelo calor desnutrido que baila pelo ar.

Nao tens de entender como me expresso. Não tens de gostar da forma como leio oa meus livros, se entoo o amor de maneira profunda, e o desespero como uma passagem sem importância.  

Tudo o que não seja entender isto como uma religiao, a maneira como nos vemos como divindades um do outro, é errada. Por isso temos problemas. Mas que não sirvam para nos afligirmos. Ainda so temos um peso relativamente acessível para suportar, na rotina de todas as horas, quando tentamos vencer esta escadaria que nos ha de levar a algum sitio 

                                                                        Tirado daqui

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Como de costume,...

 como de costume, eu digo que é tarde.olho em frente, está um relógio velho, sem pilha, parado no meio dia, ou na meia noite, por falta de pilha. Dois azulejos da parede estão rachados. a parede precisa de pintura urgente, com um branco desmaiado e sem idade. Precisas de letra grande, como esta. Capitular. olhas-me com um perder inerente. Um verbo conjugado tão irregularmente, como sem odor. e a tua roupa prova uma vivência irregular. cheia de livros por ler. cumprimentos insonsos, dados a pessoas que se calhar nunca conheceste. não é tarde, porque assim nunca será. Vai ser sempre de dia, com um azul agravado, cheio de censura e insultos díspares, e distribuídos sem qualquer ordem específica. não é tarde. mas também já não falta muito para a noite.

Museu MOA 
Países Baixos
                                                                               Tirado daqui

quarta-feira, 29 de julho de 2026

O mesmo do toque quotidiano,...

 Era eu sem o fel,

Com aquele espaço entre o silêncio e a água,

Eu presente,...


O mesmo do toque quotidiano,

Das letras douradas de um livro infindável,....


Era eu de casaco e mais nada,

À espera da prisão do teu corpo,

E de mais um de muitos sorvos do teu sexo colorido,....


Era eu e a previsão de encontro,

A dizer que chegarei,

Quase como a falta de vida 

Na ausência 

Obrigado



Obrigado. 
Escrevi para ti este rabisco, com uma história de pessoas ansiosas. Tão estupidamente ansiosas, que telefonam com insistência, todas de forma alternada, para um número no lado oposto do mundo, sem saber com quem irão falar. Nem todas conseguiram ainda retorno. As que conseguiram, falam de uma voz bela, tão enternecedora que obriga a esquecer depressões, e mágoas recalcadas, e passar a levar a vida a acreditar no lado bom da condição humana.
Agradeço te, pois, agora que me lembro das coisas bem, acredito teres sido tu a revelares me esta história. Foi no Verão passado, durante um passeio à beira mar, com um daqueles pores do sol tepidos e perfumados, que ficam para sempre na ponta escorregadia do coração.
E por isso, de novo, obrigado. Acho que ja fiz destas linhas um revitalizante de alma,, que consumo, noite sim noite não, enquanto beberico a mesma cidreira de tantos anos.
Obrigado.
Agradeço te de sorriso nos lábios 

terça-feira, 28 de julho de 2026

E serás prazer,...

 Vê se não demoras na margem de uma folha envelhecida,

A árvore,

espera o suficiente pela renovada presença de um estranho,

Mas com o tempo aprisionado,

Em pequenos passos de animais escolhidos,

Na chuva,

que faz exalar os odores,

que a terra pode oferecer,....


E serás prazer 

Desordem permitida,

Se o contrário disso,

Deixares feito 

Fonte:weheartit.com

domingo, 26 de julho de 2026

Percebo a forma,.. .

 À espera de outras terras,

De outros modos de fazer o momento,

De esperar ser perseguido por memórias de fim de tarde,...


Sim porque insistentemente repito o sitio onde o sol está,

Onde me lembro de estar vazio,

Com passos atrás,....


E como tal não me chames oco,

Percebo a forma,

A forma como acaricias,

E só quero que seja amanhã nesta conversa 

                                                                  Tirado daqui