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15 July 2007

JOGOS DE LUZ
 

 
 Young Marble Giants - Colossal Youth & Collected Work
 
Uma fina lâmina de água sobre a superfície de um espelho. O mundo da pop contorcia-se nos espasmos do pós-punk mas, algures em Cardiff, no País de Gales, Alison Statton, os irmãos Stuart e Philip Moxham (e, inicialmente, também, Peter Joyce) dedicavam-se a criar canções como jogos de luz miniaturais: uma “drum-machine” artesanal, guitarra, baixo, orgão Galanti e voz, canções como chapas radiográficas dos parâmetros sonoros essenciais – altura, duração, volume e timbre – com a dimensão de um selo. Nunca antes a pop se concentrara tanto num só ponto e nunca antes esse ponto fora tão intensamente luminoso. Chamou-se Colossal Youth e, à excepção de uma mão mal cheia de singles, EP e registos dispersos de rádio, os Young Marble Giants nada mais produziram, retornando à invisibilidade à qual as suas canções verdadeiramente pertenciam.
 
 
Como escreve Simon Reynolds a propósito desta reedição integral da obra da primeira vida dos YMG, em Colossal Youth “não há uma nota desperdiçada, uma única mancha. Individualmente, as canções têm algo daquela perfeição das coisas que encontramos na natureza – folhas, flocos de neve, seixos, conchas –, ao mesmo tempo, miraculosas e banais, maravilhosas e modestas”. De Kurt Cobain aos R. E. M. e a todos os que, de uma forma ou de outra, juraram fidelidade ao lema “less is more”, muitos foram os que erigiram pequenos oratórios em torno das três quase-silhuetas a preto e branco na capa do objecto de devoção. Incluindo definitivamente todas as relíquias disponíveis, em formato de triplo-CD de “collected works”, ei-lo de novo, pronto a saudar o regresso dos (já não tão) jovens gigantes. (2007)

14 July 2007

O SEGUNDO PASSO DO GIGANTE



Momento histórico na coisa pop: reedição integralíssima de tudo quanto os Young Marble Giants ofereceram ao mundo entre 1980 e 1981 – essencialmente o lendário álbum único, Colossal Youth, EP, singles e registos de rádio – e anúncio da reunião iminente de Alison Statton, Stuart, Philip e (agora também) Andrew Moxham com o objectivo de publicar o sebastianicamente aguardado sucessor desse paradigma do minimalismo pop que, durante quase três décadas, serviu de farol a inúmeras bandas. Stuart Moxham encarrega-se da recapitulação do passado e faz-se portador da boa nova.

Quando, em 1980, gravaram o vosso único álbum, faziam alguma ideia da ressonância que, quase trinta anos depois, ele continuaria a ter?
Antes de o gravarmos, não. Mas, quando concluímos a gravação, ficámos com a certeza de que tínhamos feito um bom trabalho, embora não sonhássemos que tudo isto iria acontecer.

De qualquer modo, ao conceberem um álbum que ia tão a contracorrente da atmosfera musical da época, do que a antecedia e até do que viria a seguir, deverão tê-lo feito de uma forma bastante deliberada...
Sem dúvida. Nessa altura, eu tinha 25 anos, estava desempregado e não desejava uma carreira profissional. Esta era a única possibilidade de fazer alguma coisa da minha vida. Vivíamos no País de Gales – que, no que à indústria discográfica dizia respeito, era inexistente – o que constituía uma enorme desvantagem. Por isso, a dedicação e a concentração que tivemos de reunir para gravar aquele álbum foram gigantescas.



Mas, quanto à música em si mesma – tão minimal, tão despojada, apenas com as partículas essenciais de que ela se pode construir e absolutamente nada mais –, partiram de algumas referências ou pensaram realmente em recomeçar a partir do zero?
Naturalmente, nós escutávamos a música que se fazia e parecia-nos extraordinariamente conservadora. Como dizia o George Bernard Shaw, oitenta por cento de todas as coisas é sempre lixo, o que, no caso particular da música popular, é especialmente verdadeiro: é uma área de horizontes muito estreitos, quase diria não criativa. A maioria dedica-se a ela pelas razões erradas: para arranjar namoradas, drogas, dinheiro e ser venerado como um herói. Não para rasgar fronteiras ou avançar culturalmente que é aquilo que me interessa. Gostava muito de ler e sonhava ser romancista mas alguém me pôs uma guitarra nas mãos e tornei-me “songwriter”. O minimalismo de Le Corbusier, Frank Lloyd Wright, parecia-me muito sexy, muito atraente, oferecia muito espaço para a imaginação. As pessoas de Cardiff têm uma atitude muito terra-a-terra de se agarrarem à essência das coisas em detrimento do que é supérfluo. Essa é uma das razões para a música dos YMG ser como foi. Por outro lado, não tínhamos um tostão, tínhamos de tocar com instrumentos e equipamento emprestados o que era uma grande limitação.

Para além disso, tinham, no entanto, alguns pontos de referência musicais?
Para mim, os Beatles serão sempre número um, antes de quaisquer outros. Mas também Brian Eno, Kraftwerk, Devo, Bowie do período de Berlim, Can.



Uma das razões para o culto em torno dos YMG decorre de terem gravado um único álbum. Independentemente das razões por que se separaram, pensa que o tempo de vida do grupo poderia ter sido maior e que poderia ter publicado outros discos?
Poderia e, aliás, vamos fazê-lo, voltámos a reunir-nos O meu irmão mais novo, Andrew, entrou para o grupo, agora somos quatro. Estou a escrever novas canções e estamos a preparar-nos para gravar o segundo álbum. Mas, nessa altura, tínhamos pouco mais do que saiu em Colossal Youth. Como nunca ninguém de Gales tinha tido qualquer sucesso, não acreditámos que poderíamos ir a algum lado. Além de que também não queria voltar a trabalhar com a Alison o que – reconheço agora – era uma atitude bastante imatura. Se era eu quem escrevia oitenta por cento do reportório, por que não gravar eu as minhas próprias canções? O Phil e a Alison viviam juntos, eu vivia com a Wendy Smith, tendíamos a afastar-nos.

Parece que nunca gostou muito do álbum Embrace The Herd – que, depois do final dos YMG, gravou sob o designação de The Gist... eu sempre o achei muito bom...
Na verdade, recentemente, comecei a gostar mais dele. Quando o gravei, sentia-me muito, muito infeliz, tinha a sensação de estar a bordo de um cruzador que se está a afundar, o que deve ter influenciado a forma como o encarei.



Em Rip It Up And Start Again, no capítulo que dedica aos YMG, Simon Reynolds cita-o quando, a propósito da votação de Alison pelos leitores do “NME” para o top-10 das vocalistas de 1980, você terá afirmado: “Mas a Alison não é uma cantora! Ela é só uma pessoa que canta como se estivesse na paragem, à espera do autocarro. Uma cantora a sério tem um muito maior domínio sobre a voz”. Isso era uma crítica ou um elogio?
Nem uma coisa nem outra, era o que eu pensava na altura. Antes de mais, não a queria no grupo, tinha ciúmes do lugar que ela ocupava no coração do meu irmão (aqui estamos a ir muito fundo na história familiar...). As bandas são como casamentos com mais de duas pessoas, uma coisa muito complicada. Eu era um tipo muito confuso, era tudo demasiado emocional.

Isso é muito Nico vs. Lou Reed e John Cale...
(risos) Sim, sim. Tenho a certeza que se passa o mesmo em todos os grupos.



Parece-lhe que, tanto nas suas gravações posteriores como nas de Alison (com os Weekend ou a solo), persistiu algum do espírito original dos YMG?
Acerca das dos outros não falo, mas, nas minhas, penso que sim. Embora, gradualmente, tenha tendido para usar menos a guitarra eléctrica e mais a acústica. Uma coisa é certa: nunca desejei escrever a mesma canção duas vezes.
Como irá ser, então, a segunda encarnação dos YMG?
Essa é a pergunta do milhão de dólares que eu tenho feito a todos! (risos) Até agora, gravámos só uma canção. Ainda não nos reunimos realmente para decidir como o fazer o que deverá acontecer nas próximas semanas.

O facto de, agora, poderem dispor de maiores recursos não vos fará correr o risco de perder todo aquele despojamento de Colossal Youth?
Penso que, entre nós os três, há uma estética que se mantém activa. Durante estes anos, todos fizemos coisas diferentes que poderemos colocar em cima da mesa.

Mas é esse mesmo o perigo: poderem incorporar mais elementos ao contrário do lema de Colossal Youth que era “less is more”...
É aí que o nosso gosto, a nossa estética terá de intervir. Somos quem somos, temos as capacidades que temos e não publicaremos nada a menos que fiquemos verdadeiramente entusiasmados com o que fizemos. A última coisa que desejaríamos era estragar o que fizemos antes ou tornarmo-nos numa banda nostálgica dos anos 80. (2007)

13 July 2007

ARQUITECTURA
 
  
    
The Gist - Embrace The Herd 
 
Se me fizessem um daqueles pedidos invariavelmente absurdos para escolher os meus três discos dos anos 80, depois de meditar séria e longamente durante um segundo, provavelmente responderia Colossal Youth, dos Young Marble Giants, La Varieté, dos Weekend, e Embrace The Herd, dos Gist. Uma hora depois, diria, de certeza, qualquer outra coisa diferente mas, em cada dez oportunidades, nove iriam inevitavelmente parar aí. Tem, indiscutivelmente, a vantagem da coerência familiar. Foi dos Young Marble Giants que descenderam os Weekend (e, posteriormente, os Working Week) e os Gist e, em todos eles, estava presente aquela especialíssima disciplina espartana que os amarrava a, nunca por nunca, dizer mais do que o estrita e absolutamente necessário mesmo que, para isso, fosse necessário correr o risco de serem acusados de infantilismo musical. Os Gist (dos irmãos Stuart e Phil Moxham) foram a consequência directa dos YMG após a dissolução do grupo-pai. Enquanto Alison Statton descobria o sol e os trópicos na companhia dos Weekend, com Embrace The Herd, os manos galeses - em rigor: Stuart, com episódico apoio de Phil - prosseguiam a aventura de nunca escrever uma canção com seis acordes se três chegavam perfeitamente, limitar a paleta instrumental a lacónicas guitarras, baixo, percussão invisível e um tecladozeco analógico e, a partir daí, reinventar a pop a partir dos despojos que, anos atrás, os seus antepassados punk, tinham deixado no terreiro de batalha depois de pôr as tripas de fora ao esclerótico "establishment" musical da época. O que ficou em mais um disco único (em todos os sentidos) foram, então, doze fascinantes exercícios de pura geometria minimalista onde nenhuma peça pode ser deslocada sem modificar drasticamente a lógica do conjunto — quer isto dizer que nenhum destes temas admite a menor possibilidade de versões embora o conceito de "remix" já seja admissível — nem abalar a consistência do edifício sonoro. Pura inteligência ao serviço da arquitectura da canção (estou até intimamente convencido que a ideia irá mais longe: à excepção de mim, todos os fãs dos YMG/Gist foram mesmo arquitectos "et pour cause") que ainda hoje ecoa, quer eles saibam ou não, nos Stereolab e em certo trip-hop mais descarnado. E, a propósito, "Love At First Sight" (aqui no registo original e na encarnação "demo" incluida nas quatro "bonus tracks") é uma das grandes canções pop de sempre. (1999)

12 July 2007

BARE ESSENTIALS
 

 
 Young Marble Giants - Live At The Hurrah (DVD)
  
É bem provável que o que este DVD tem de menos interessante — não é mais do que um registo videográfico razoavelmente amador e tosco de dois concertos dos Young Marble Giants, a 21 e 22 de Novembro de 1980, no Hurrah Club de Nova Iorque — acabe por constituir-se como o documento mais fiel do que a banda de Alison Statton e dos irmãos Moxham, no fundo, desejou ser: a música reduzida à mais básica matéria-prima, os "valores de produção" encarados como algo que apenas funciona como estorvo, a total abdicação de uma ideia de encenação que era vista como supérflua e infinitamente desnecessária.
 
Três pessoas no diminuto palco de um clube acanhado, voz, baixo/ou guitarra, teclados de loja dos trezentos e "rhythm-box" idem, o volume de som estritamente necessário para que a audição fosse possível. Transparência e quase invisibilidade, música no grau zero da escrita, os "bare essentials", quinze micro-canções, pontos e linhas sonoras à beira da inexistência, amavelmente destituídos de qualquer emoção, à excepção da que poderá resultar da contemplação da geometria em movimento. Apenas um complemento visual para a escuta de Colossal Youth, esse álbum único que (quase) mudou o mundo. (2006)

12 April 2007

SIM. NÃO. É UMA CAROCHA. 


No percurso entre o aeroporto e Oslo, os campos e as casas de madeira cobertos de neve desfilavam pela janela do comboio como um interminável postal de Natal. O centro da capital norueguesa, porém, poupado pela invernia, encontrava-se "militarmente" ocupado pelas tropas de infantaria do Rosenborg adequadamente fardadas para assistir à final da Taça da Noruega com o Trondheim. À mesma hora, entretanto, no interior do impressionante anfiteatro de betão que responde pelo nome de Spektrum, uma outra considerável parcela humana da cidade reunia-se para assistir à segunda etapa escandinava da digressão europeia dos Massive Attack. Será uma particularidade dos fãs nórdicos da banda de Bristol ou não. Mas a verdade é que a indumentária dominante constituia uma original combinação do tradicional "look" hip hop com os códigos "góticos" dominantes nos anos 80: rostos pálidos, olheiras maquilhadamente pronunciadas e negro, negro, negro, de alto a baixo, como sinal exterior de uma atitude soturna, ensimesmada e morbidamente séria. No fim de contas, faz todo o sentido. Se os próprios elementos do grupo hoje confessam (quando confessam, mas já lá iremos...) que a sua música tem uma imensa dívida tanto para com a cultura hip hop como em relação a tudo o que emergiu da "new wave" no início da década de 80, também não será demasiado extravagante encarar a sua editora, Melankolic, como uma espécie de 4AD dos anos 90: das gravações dos Alpha, ao sinfonismo sofisticado de Craig Armstrong ou às colaborações com Elizabeth Fraser, tudo aponta para a mesma direcção: os herdeiros do Wild Bunch que, no início da década, gravaram o crucial Blue Lines, agora levam-se mais a sério do que nunca.



E se esse álbum foi o Colossal Youth da recta final do século, neste momento eles parecem apostados em ficar conhecidos como os autores do Dark Side Of The Moon do pré-milénio. Não é possível colocar as coisas de outra forma: sob a imensa arquitectura aracnídea do palco do Spektrum — um labirinto de cabos, projectores e estruturas metálicas —, os temas de Mezzanine e do reportório anterior da banda adquiriram a "gravitas" solene e estatuária de uns Joy Division, deixaram-se contaminar pela filigrana barroca de uns Cocteau Twins da época de Treasure mas, sobretudo, aspirararam à dimensão operática de uma odisseia no espaço à maneira dos Pink Floyd quando eles exploravam o lado oculto da lua.



Abrindo com "Angel" (que introduz Horace Andy como elemento virtual do grupo) e passando pelos inevitáveis "Rising Son", "Teardrop", "Karmacoma", "Mezzanine", "Eurochild" ou "Inertia Creeps", tudo se desenvolve através de enormes distensões sonoras, tapetes de teclados à deriva por uma atmosfera de soturno ambientalismo, infinitas reverberações e distorções organizadas em torno de uma batida encorpada (aqui declinada numa modalidade de quase tribalismo místico que as eventuais coreografias expontâneas da assistência — mais "new age" do que hip hop — confirmavam) cuja finalidade parece ser fazer passar o trip hop à etapa evolutiva seguinte de épico sinfónico. Semi oculta por uma cortina de fumo e banhada numa floresta de focos luminosos lilaz, rosa, azul e vermelho, a música que Daddy G, Mushroom e 3D ofereceram em Oslo já não se compõe, como antes, de elegantes linhas azuis mas constroi-se sim à custa de amplas pinceladas negras.



Na noite de Oslo não seria possível chegar à fala com nenhum dos elementos do grupo. Originalmente marcada uma entrevista para Estocolmo e, à última hora, mudada para a Noruega onde, finalmente, deveria ter lugar, também aí o silêncio persistiu. Era o início de um excêntrico segundo acto que se preparava mas, nesse momento, ainda não era possível adivinhar verdadeiramente o que se seguiria. Como recurso (e demonstração de evangélica paciência, convenhamos...) combinou-se um contacto telefónico de Lisboa para a Dinamarca — onde a digressão prosseguiria — dois dias depois. Feita a ligação à hora definida, alguém informa do outro lado da linha que, afinal, o número não era aquele. Era preciso telefonar para o número do quarto onde a banda se encontrava e, então, falar com eles. Primeira tentativa e silêncio. Segunda e nenhuma resposta. Terceira, idem. Regresso ao número inicial e explicação incompreensível do outro lado segundo a qual o misterioso segundo telefone parecia não estar a funcionar. De qualquer modo, que tentasse outra vez. Dito e feito. Silêncio sepulcral. Deus é grande e a tolerância de alguns de nós ainda maior. De volta ao primeiro telefone e o embaraçado interlocutor propõe um adiamento. Impossível. O jornal tem de fechar e ou se faz hoje ou não há entrevista. E, já agora, por que razão não se pode realizar a entrevista nesse telefone? Pânico surdo do lado de lá da linha: "Sabe, é que esta é uma sala cheia de gente (no auscultador nem um suspiro se ouvia...) e aqui não dá muito jeito... Mas dê-me o seu número que eu vou tentar arranjar qualquer coisa e já lhe telefono". Longuíssima pausa até o telefone voltar a tocar. Mas tocou. "Está aqui o Andrew para falar consigo". E, então, o Andrew, digamos assim, falou. Exactamente da forma que segue, estabelecendo, decerto, um qualquer novo máximo para o Guiness.


Entre Blue Lines e Mezzanine, a música dos Massive Attack modificou-se consideravelmente. Vista do interior da banda como é que essa evolução se processou?
Não sei. Deve ter sido por tocarmos instrumentos ao vivo.

Foi apenas isso que aconteceu?
Foi.

Mas, no princípio, tinham objectivos musicais diferentes dos que têm agora...
Não.

De qualquer modo, os resultados são muito diferentes. Em Blue Lines a música era muito menos densa e monumental do que agora...
Saíu assim.

Nas apresentações ao vivo tentam recriar de outro modo o que gravaram em estúdio?
Ambas.

Como?!!!...
Sim.



Não lhe está a apetecer muito falar, pois não?...
Está.

Ok, então eu continuo. Li algures que sentem dever tanto à cultura hip hop como a bandas do início dos anos 80, caso dos Joy Division, Wire, Cure, Slits. Como é que procedem para combinar estilos musicais tão diferentes?
É o nosso trabalho.

Mas, quando escrevem uma canção, como é que esses elementos se articulam?
Não faço ideia. Trabalhamos.


Muito bem... O facto de terem convidado Liz Fraser para cantar em Mezzanine deveu-se exclusivamente a apreciarem o timbre vocal dela ou isso indica que os Cocteau Twins são também uma dessas bandas que vos influenciaram?
Sim.

A silhueta da aranha na capa de Mezzanine tem algum significado especial?
Interprete você.

Mas não tem uma interpretação sua?
É uma carocha.

Os discos que publicam na Melankolic procuram seguir uma determinada linha estética?
É música boa.

Só isso?
Sim.

O alinhamento do concerto de Lisboa vai ser idêntico ao de Oslo?
Não.

Importava-se muito de me dizer qual a diferença?
Vai ser maior.

Maior como?
Sim.

Então, muito boa noite.

Foi mesmo só isto? Sim, foi. O Andrew teria tomado qualquer coisa que lhe caiu mal? Não sei. Qual a verdadeira razão? Interpretem vocês. (1998)