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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Fé, seitas e crise, na "Visão"

Na "Visão" de ontem, uma reportagem de sete páginas (deixo aqui a primeira) sobre fé, seitas e crise. "Quem estiver sem emprego ou com dificuldade no negócio, venha cá à frente que eu quero orar por vocês".









quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Fé, seitas e crise. Pastoral da prosperidade


Na "Visão" de hoje, uma reportagem de sete páginas (deixo aqui a primeira) sobre fé, seitas e crise. "Quem estiver sem emprego ou com dificuldade no negócio, venha cá à frente que eu quero orar por vocês".

quinta-feira, 24 de maio de 2012

O sucesso do catolicismo aumenta proporcionalmente ao preço da graça?



Ando a ler “Tudo tem um preço”, de Eduardo Porter, jornalista norte-americano especialista em economia. É mais um daqueles livros de economia tão em voga que explicam tudo, do formato dos pacotes de leite ou das caixas de DVD à relação entre aborto e crime, dos congestionamentos de trânsito à ascensão da China. Porque tudo reside em escolhas humanas.

Ora este “Tudo tem um preço” (o título original tem um sentido algo diferente: “The price of everything”), subtítulo: “a lógica secreta dos preços que pagamos”, propõe-se explicar
a) o preço da vida
b) o preço da felicidade
c) o preço das mulheres
d) o preço do trabalho
e) o preço do grátis
f) o preço da cultura
g) o preço da fé
h) o preço do futuro
E dedica ainda um capítulo a “quando os preços falham”, o constitui um toque de eficiente humildade.

O livro é suficientemente atrativo para – no meu caso – não saltar logo para o capítulo da alínea g). Mas a tese é enunciada logo nas primeiras páginas:
“Os economistas sugerem que a Igreja Católica tem vindo a perder fiéis, não porque as pessoas tenham deixado de acreditar em Deus, mas porque ser católico se tornou demasiado barato face ao cristianismo evangélico, que exige dos seus membros um investimento mais avultado nas igrejas, inspirando assim mais lealdade” (pág. 11).
Antes de avançar mais na leitura, com a liberdade que a ignorância me dá (e antes de perguntar se a Conferência Episcopal Portuguesa conhece a tese, se a tem em conta para analisar a perda de católicos em Portugal, uma perda apesar de tudo, enfim, pífia, isto é, sem pôr nada em causa; ainda se fosse uns 20 ou 30 por cento...), interrogo-me se não estará aqui, também,
a) a explicação do sucesso dos movimentos de sinal conservador – passe a convenção –  que dão muitas vocações à Igreja católica; 
b) a explicação de missas cheias de fiéis de párocos que são déspotas (eu não conheço nenhum), mas já ouvi falar que isso existe; 
c) a explicação de assembleias numerosas a ouvir párocos que não se cansam de pedir dinheiro – para obras, claro (só conheço um e já não está na paróquia em que estava); 
d) a explicação do sucesso dos lefebvrianos (poucos, estatisticamente, mas aguerridos e com alta taxa de vocações oriundas de boas famílias), cujo regresso à Santa Madre Igreja é tão desejado por alguns, a começar pelo Papa; 
e) a explicação para o medo de que a perda da obrigatoriedade do celibato faça baixar a qualidade dos padres; 
f) a explicação para o medo de conceder o sacerdócio ministerial às mulheres, uma espécie de democratização inflacionadora do sacramento; 
g) a explicação para o sucesso do cristianismo quando este é oposição aos totalitarismos (o maior sucesso do cristianismo quando o totalitarismo é de esquerda do que quando é de direita também é explicável pelo facto de o cristianismo de direita – oposto aos comunismos – ter uma moral sexual mais, digamos, “cara”). 
A lista pode continuar. E eu até compreendo a lógica das opções humanas, que não é, nunca foi, estritamente racional. Contudo, temos sempre de perguntar: e onde fica a verdade? Se a tese estiver correta – e parece-me que tem um fundo de verdade – significa que a verdade, que tem de estar coladinha ao amor, não é lá muito considerada no cristianismo (este assunto exige outras explicações, mas há duas pessoas à minha espera).


Justamente na linha da tese acima referida, Bonhoeffer escreveu o seguinte: A graça barata é o inimigo mortal da nossa igreja. Aqui citado. Tão católico, este luterano.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Souto Moura não desenha para seitas

O dinheiro não compra tudo. Resposta do arquiteto Souto Moura numa entrevista da "Visão" de 1 de março deste ano:


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

21 de Setembro de 1823. Joseph Smith é visitado pelo anjo Moroni

Anjo Moroni no templo de Idaho, EUA


Segundo a história do mormonismo, no dia 21 de Setembro de 1823, Joseph Smith foi visitado pelo anjo Moroni, que lhe disse onde estavam as placas de ouro que viriam a estar na origem do Livro de Mórmon - o livro sagrado do Movimento dos Santos dos Últimos Dias ou mormonismo.

sábado, 10 de setembro de 2011

Pergunta errada

Fico profundamente ressentido quando me perguntam se sou liberal ou conservador. É a pergunta errada. É como perguntar a um homem quando deixou de bater na sua mulher. (...) Não pode haver vitória de nenhum dos partidos (...), porque isso seria a derrota da Igreja.


Timothy Radcliffe, nas páginas 252 e 258 de "Ser cristão para quê?"

sábado, 30 de julho de 2011

Adriano Moreira: As seitas e o globalismo



Nota às 17h40 de sábado, 30 de Julho: Este texto que esteve on-line no sítio do DN como sendo de Anselmo Borges é de Adriano Moreira. Na edição em papel saiu como sendo de Anselmo Borges. É um erro que amanhã será corrigido na edição impressa. De qualquer forma, tratando-se de um texto em que entra a temática religiosa, vou mantê-lo neste blogue. 


É comum reservar o conceito de seita, com dificuldades de fixação geralmente aceites, para fenómenos relacionados com as religiões, e não faltam exemplos recentes que suscitam não apenas discussão doutrinal, também intervenções legislativas, algumas tendo maior relação com o direito criminal do que com os valores das crenças. Foi por exemplo o caso do suicídio colectivo dos novecentos e catorze membros do Templo do Povo na Guiana, ou o atentado com gás sarin no metro de Tóquio, tudo pelos fins do século passado, acontecimentos tão violentos que chegou a ser teoricamente defendido o direito de perseguição.


Acontece que o corte do poder político com a transcendência, apoiado na civilização técnica em que se traduz crescentemente a vida quotidiana, não dispensa sistemas delineados pela razão, ou pela imaginação de regra fazendo com que os valores instrumentais secundarizem no final os valores humanos.


A questão em relação ao reivindicado cientismo que serve de base ao corte com a transcendência é que o sistema, por vezes intitulado de transcendental, para organizar as sociedades, é criação em vista de objectivos, não é descoberta ou compreensão da realidade. Mas se a tradição já longa relacionou as seitas com as religiões, o facto é que o cientismo, o positivismo, as sociedades laicas, a lidar com os seus próprios valores racionalmente organizados em função dos objectivos, com supremacia dos valores instrumentais, também se envolvem frequentemente de dogmatismo, de uma proclamada respeitabilidade laica que é a sua forma de sacralização, numa atitude que é uma espécie de preparação para a ofensiva demolidora das divergências, todas consideradas perigos mortais.


Os totalitarismos que desencadearam a guerra mundial foram exemplos de uma violência sem precedentes finalmente considerados equivalentes a seitas em relação à civilização ocidental que pretenderam submeter a rupturas definitivas com as raízes e os futuros perseguidos.


De novo, os efeitos consequenciais da deriva para um globalismo sem governança, envoltos por isso num relativismo com equivalência em várias crises maiores da própria história, e que esqueceram os normativos da organização internacional depois do fim da guerra, incluindo esta a guerra fria, estão a despertar ferozes sectarismos de sinal contrário ao que de regra caracterizava as seitas. Enquanto estas, especialmente as referidas a religiões organizadas, se identificaram pelo corte com o sistema histórico e tradicional, agora trata-se de um regresso cego a um passado imaginado de suspensão transitória. A rutura é com a evolução, não é sequer com organizações finalmente estruturadas, é com versões do consequencialismo lido com reprovação nos sinais de mudança, repudiadas em nome de um passado nem sequer vivido, apenas lido em versões discutíveis de manifestos, em proclamações que se apoiam em dificuldades de vida para sonharem repor um imaginado modelo ideologicamente fundamentado. Não se trata de segurança humana que é uma referência cimeira da organização ocidental em mudança, e que sirva de referência à correcção de enganos de percurso, trata-se de confiar na violência pura, isto é, que atinge indiscriminadamente inocentes, que é a síntese do terrorismo, na convicção irracional de que dessa violência caótica nasceria a vontade ou submissão de voltar às impostas raízes.


O tremendo caso da Noruega, que enlutou sobretudo a Europa inteira e o Ocidente, é mais uma sangrenta demonstração de que não são apenas as chamadas grandes potências, como os EUA, ou a Espanha, ou o Japão, é antes todo o Ocidente que é chamado a enfrentar a explosão de seitas da época relativista em que entrou, com a gravidade acrescida de se multiplicarem os sinais de propagação desses terrorismos, organizados em células autónomas, um modelo recebido do multiculturalismo especificamente invocado no caso presente, e que exige uma resposta estratégica de defesa que seja solidária e ética.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

16 de Dezembro de 1928. Nasce Philip K. Dick

Philip K. Dick como andróide, numa alusão a "Blade Runner"

Philip Kindred Dick nasceu em Chicago, a 16-12-1928, com a sua irmã gémea, que morreu pouco depois, e viveu na Califórnia desde a infância. Morreu no dia 2 de Março de 1982. Escreveu 44 romances e 121 contos de ficção científica. Já toda a gente deve ter visto pelo menos um filme adaptado de romances ou contos deste autor, de “Relatório Minoritário”, da Spielberg, a “Blade Runner”, de Ridley Scott, passando por “Pago para esquecer”, de John Woo.

Em português saiu há dias uma nova edição de “O Homem do Castelo Alto”, romance cujo resumo de vez em quando serve para ilustrar artigos de reflexão histórica e política. Não o li, mas já peguei na nova edição, que traz um longo ensaio de Nuno Rogeiro. O enredo, em resumo, diz que os alemães e os japoneses ganharam a II Guerra Mundial. Mas algures numa pequena cidade, nos anos 60, um homem imagina que os alemães, que então querem chegar a Marte, e os japoneses, que ocuparam a costa Oeste dos EUA, perderam a guerra. Numa história alternativa, o homem do castelo alto imagina a história real.

Nos anos 1970, Philip K. Dick teve uma série de visões, algumas de carácter religioso, a que não serão alheias experiências com drogas. Numa delas, sentia-se como “Thomas”, um cristão do primeiro século perseguido pelos romanos.

Mas se me lembrei de apontar hoje este romancista, o motivo reside principalmente em duas das suas obras, ambas publicadas em português:

- Em “O Deus da Fúria” (obra co-assinada com Roger Zelazny), decreve uma seita que presta culto ao responsável pela destruição do mundo numa guerra nuclear;

- Em “A Transmigração de Timothy Archer” apresenta uma narrativa de “tutano teológico” (a expressão é do DN de 23-10-2010), fundamentada nos Manuscritos do Mar Morto [escritos do Antigo Testamento e outros que pertenciam à comunidade dos essénios, espécie de seita do tempo de Jesus que vivia nas grutas do deserto] e nas suas visões.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Faça você mesmo sua igreja!

Todos os dias surgem quatro novas igrejas nos EUA. E também devem fechar algumas. Mas parece que para alguns é uma forma de ficar rico. Pode-se arranjar um certificado de reverendo na Internet. No "Expresso" de sábado passado (19 de Setembro), a pretexto do pastor que queria queimar o Alcorão.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...