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07/03/25

Turquoise "The return of Captain Speed"

 


Resultado da junção e reciclagem dos estilhaços de um conjunto de bandas ( The Corvairs, Jer and The Renegades, Chessmen, English Sound Project, Captain Speed ), os Turquoise eram originários do sul da California, designadamente de Santa Barbara e San Luis Obispo.

Contemporêneos dos Strawberry Alarm Clock e dos menos mediáticos Giant Crab, os Turquoise gravaram dois singles no decorrer de 1967: “Hello Bill / Steel Glass” e “Sunflower Mama / Beautiful Death Dealer”, ambos objecto de produção do “maverick” Kim Fowley.

Qualquer dos quatro temas, com particular destaque para “Hello Bill” e “Beautiful Death Dealer” alinham pelos padrões do psicadelismo californiano da época. Intencionalmente ou não optam por incluir um órgão “à la” Ray Manzarek, facto que lhes permite desenvolver uma vertente “Doorsy sound” que, não sendo propriamente inovadora, demonstra a intenção de manter a sintonia com o paradigma de sucesso que a banda de Jim Morrison perseguia. O mesmo raciocínio poderá ser aplicado às vocalizações de Tim Pearson, sendo que os textos deste não logram atingir o mesmo desiderato.


Ainda assim “The return of Captain Speed” é um artefacto genuíno que, além de recuperar os títulos acima referidos, lhes soma oito interessantes temas gravados em 1968, desta vez sob a batuta do produtor Jim Salzer.

Equívocos vários, incorporações de membros do grupo no exército com destino ao Vietnam, o falecimento de Tim Pearson ao que que se conhece, fruto de comportamentos erráticos e aditivos, conduziram ao fim de uma banda que entre outros integrou o futuro Little Feat Bill Payne.

Para memória futura ficaram as músicas disponíveis em “The return of Captain Speed” que a chancela de qualidade do historiador e arquivista Alec Palao permite a eventuais curiosos agora avaliar.

14/10/24

Jardins do Paraíso ( 86 )

 


Publicado no México em 1969, embora gravado em Janeiro do ano anterior na República Dominicana por um colectivo de músicos porto-riquenhos, “Kaleidoscope” permanece um disco raríssimo e porventura uma das maiores obscuridades do período em apreço.

Na altura em que o álbum foi concebido, o psicadelismo, designadamente o americano, encontrava-se no seu zénite. Daí não ser estranho que “Kaleidoscope” seja sobretudo influenciado pelas sonoridades americanas e quase nada por aquelas que atravessavam o Atlântico.

O fuzz, os riffs e um omnipresente órgão planante não deixam espaço para a mais pequena dúvida. The Doors, 13th Floor Elevators ou Iron Butterfly, corporizam algumas das sonoridades que assomam à memória quando se escutam temas como “Hang out”, “Hole in my life”, “Colours” ou “I’m here, he’s gone, she’s cryin”. As guitarras em modo fuzz e/ou riff, vão colorindo as telas que o órgão ( muito “The End” /  “When the music’s over” ) cria de forma obsessiva e hipnotizante.

E depois há “Once upon a time there was a world”; uma suite que resume toda a essência da linguagem psicadélica da época. Tão líricos quanto dramáticos, os 8m 10s  que a compõem definem na perfeição o legado único do colectivo Kaleidoscope.

Se existem reedições oportunas e necessárias, esta é seguramente uma delas.

08/06/19

Ugly Things 50


Ugly Things # 50

Saúdam-se as bodas de ouro de uma publicação ímpar. Especialista na investigação e preservação da história das músicas que o Atalho persegue.

Neste número desceu às catacumbas e explica ao detalhe as gravações dos álbuns "Waiting for the sun" ( The Doors ) e "Bob Mosley" ( Bob Mosbey / Moby Grape ).

Recupera "The Abstract Prince" o disco perdido de Mike Tingley ( publicado apenas na Holanda e Alemanha ) e delicia com a primeira parte de uma mega entrevista a Lenny Kaye

21/11/17

Artefactos ( 72 )



Jornal "Musicalíssimo" nº 85 de 14 Junho de 1974.

A minha primeira contribuição para a imprensa escrita.

Dois pequenos textos ( The Doors e Crosby, Stills, Nash and Young ).




26/01/12

Doors, "L. A. Woman" e o Rock & Folk


Há anos, décadas, que não lia o Rock & Folk.

A capa do mais recente número "obrigou-me"a mudar o hábito.

Um dos discos da minha vida está lá plasmado, a propósito dos 40 anos da respectiva publicação.

Mais, a tarefa de voltar a escrever sobre "L.A. Woman" foi entregue a Philippe Garnier, um dos jornalistas que, precisamente nas páginas do velho Rock & Folk, para além da música, mais me ensinou sobre a literatura e o cinema americanos do século passado.

Pouco ou nada me interessa a recente reedição de "L.A. Woman", deformada por takes e sub-takes de duvidosa qualidade ( do tal inédito "She smells so nice" nem vale a pena falar ), a mim basta-me o álbum original - brilhante, enxuto e sem qualquer tipo de gorduras -, tal como foi remasterizado há um par de anos.

O importante aqui é a forma como este pedaço de história nos é (re)contado por Philippe Garnier!