Não deixa de ser sintomático que o Hugo utilize uma personagem do livro Alice no País das Maravilhas para ilustrar a sua argumentação. Acho que a metáfora não podia ser mais acertada. Alice criou um mundo paralelo cheio de personagens fantásticas mas que não são assim tão irreais quanto isso. A sua imaginação pródiga era muitas vezes sugestionada por pessoas reais, ela só exagerava num ou noutro traço particular. Nas várias estórias de Alice só uma personagem entra no mundo real: o coelho. Apesar disso, o coelho talvez seja a figura mais alucinada. É um escravo do tempo, está sempre atrasado. E a culpa nunca é dele! Ou é da Rainha de Copas que o mandou estar a tantas horas no sítio tal, ou é da Alice que o atrasa com perguntas que considera despropositadas.
Vem isto a propósito dos argumentos do Hugo sobre a sociedade de informação em Portugal. Segundo ele, de um lado o país tem um atraso estrutural na qualificação que dificulta em muito a tarefa de o modernizar. Do outro tem um conjunto de forças de bloqueio, como os sindicatos, que reforçam ainda mais esse atraso. Nesta estória o governo é uma espécie de coelho desnorteado que ora corre para um lado, ora para outro. Mas nunca consegue chegar a tempo! A culpa não é sua (claro!), a responsabilidade é do atraso dos outros. Caro Hugo, se estás à espera que os sindicatos se modernizem para que o país se possa modernizar, bem podes correr atrás do coelho.Portugal não é o país das maravilhas, como a Finlândia também não o era no final dos anos 80. No entanto, os finlandeses tiveram uma extraordinária qualidade: olharam para as suas limitações e potencialidades e conseguiram construir um modelo particular que, felizmente, deu certo. E é isso que Portugal tem de fazer e ainda não fez! O que até agora se fez foi importar uma série de medidas avulso de outras economias. Algumas fazem sentido, mas no conjunto perdem coerência. Se consideras o programa de governo esse plano estratégico, então andas mesmo a correr atrás do coelho. O problema é que quando o apanhares será tarde demais.
Vem isto a propósito dos argumentos do Hugo sobre a sociedade de informação em Portugal. Segundo ele, de um lado o país tem um atraso estrutural na qualificação que dificulta em muito a tarefa de o modernizar. Do outro tem um conjunto de forças de bloqueio, como os sindicatos, que reforçam ainda mais esse atraso. Nesta estória o governo é uma espécie de coelho desnorteado que ora corre para um lado, ora para outro. Mas nunca consegue chegar a tempo! A culpa não é sua (claro!), a responsabilidade é do atraso dos outros. Caro Hugo, se estás à espera que os sindicatos se modernizem para que o país se possa modernizar, bem podes correr atrás do coelho.Portugal não é o país das maravilhas, como a Finlândia também não o era no final dos anos 80. No entanto, os finlandeses tiveram uma extraordinária qualidade: olharam para as suas limitações e potencialidades e conseguiram construir um modelo particular que, felizmente, deu certo. E é isso que Portugal tem de fazer e ainda não fez! O que até agora se fez foi importar uma série de medidas avulso de outras economias. Algumas fazem sentido, mas no conjunto perdem coerência. Se consideras o programa de governo esse plano estratégico, então andas mesmo a correr atrás do coelho. O problema é que quando o apanhares será tarde demais.