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sábado, 12 de setembro de 2009

A resposta de Hugo Chávez a Lula

A resposta não tardou e veio na lata, tipo pá e pufe. Depois do convênio militar no valor de 50.000.000.000,00 de dólares firmado entre o Brasil e a França, Hugo Chávez não perdeu tempo e respondeu rapidamente a Lula. O presidente da Venezuela anunciou ontem à noite, em Caracas, que o seu país adquiriu da Rússia mísseis com um alcance de 300 km e carros de combate T-72 e T-90. E lo peor de tudo é que tem por aí uns babacas dizendo que todas essas negociações trata-se apenas de uma modernização das forças armadas da América do Sul. Eu, hein!? Mais informação.


Imagem: Arcadio, “La Prensa”


quinta-feira, 10 de setembro de 2009

US$ 40.000.000.000,00 é o que a América do Sul já gastou em armas

exercito02 O acordo de cooperação militar firmando, na última segunda-feira, entre o Brasil e a França (v. aqui) pode consolidar o país como a primeira e indiscutível potência bélica sul-americana. Este é apenas mais um capítulo de uma história que vem se desenrolando há algum tempo e que tem como um dos protagonistas Hugo Chávez. Na verdade, essa foi também uma resposta direta de Lula ao presidente venezuelano, que não esconde o seu desejo de se tornar a maior liderança na América do Sul, mesmo que seja na marra.

Com o pretexto de estar se preparando para um possível ataque norte-americano, Chávez tem investido pesadamente na compra de armas. Só da Rússia já comprou mais de 4 bilhões de dólares em armamento (v. aqui), aquisição que vai desde armas leves a aviões de combate. Apesar do “por qué no te callas” do rei, a Espanha acertou um acordo com o governo venezuelano no valor total de 1,5 bilhão de dólares na compra de barcos patrulheiros e aviões de transporte (v. aqui). Detalhe: esta foi a maior venda de armamento já realizado pelos espanhóis em toda a sua história.

Assim que assumiu a presidência da República, um dos primeiros atos de Lula foi revogar o projeto de seu antecessor (o tucano Fernando Henrique Cardoso) de reequipamento e modernização das Forças Armadas Brasileiras, com o argumento de que o país não corria qualquer risco na pacífica América do Sul. Depois de um pouco mais de 6 anos de governo, parece-me que Lula mudou radicalmente de posição. Em 2003, o orçamento militar do Brasil era estimado em 1,90% do PIB, índice que passou para 2,60% em 2008, ou seja: quase 7 bilhões de dólares já foram reservados para aumentar o poder bélico brasileiro (v. aqui).

É visível a olhos nus que os países da América do Sul têm investido muito dinheiro no setor militar. Dos 44 bilhões de dólares liberados em 2007 pelos respectivos Congressos para a compra de armamento e reestruturação de defesa, cerca de 40 bilhões já foram gastos, principalmente por Brasil, Venezuela, Chile, Colômbia e Equador.

Para um continente que vive relativamente em paz e com fronteiras estáveis há mais de um século (exceto pela Guerra das Malvinas) não vejo sentido em se gastar tanto dinheiro assim com defesa, sobretudo quando toda a região assolada por profundos problemas sociais até agora longe de serem resolvidos.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

150 euros: é o que cada um de nós gastou na compra de armas

gasto c armas 1 Parece-me que a atual crise econômica não está a afetar o gasto militar global. Muito pelo contrário. Chegou até a bater um novo e triste recorde. 1.464.000.000 de dólares (mais de 1.000.000.000 de euros) foi que o mundo gastou para se armar em 2008. Este valor equivale ao gasto de US$ 217 (pouco mais de 150 euros) por habitante. As vendas de equipamentos bélicos subiram 4 por cento no mundo todo em relação a 2007 e 45 por cento em relação a 1999, informou hoje um estudo divulgado pelo Instituto Internacional de Pesquisas da Paz de Estocolmo (SIPRI, em inglês).

Segundo o estudo, os EUA foram responsáveis por 58 por cento do aumento dos gastos militares no mundo entre 1999 e 2008. China e Rússia quase triplicaram seus gastos militares em uma década. Outros países, como Índia, Arábia Saudita, Irã, Israel, Brasil, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Argélia e Inglaterra também contribuíram substancialmente para este aumento total.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

A dupla do barulho

chavez

A Rússia emprestará US$ 1.000.0000.0000 à Venezuela para que o país sul-americano compre suas armas, num total de US$ 2.000.000.000. Este foi o acordo fechado entres os presidentes Hugo Chávez e Dmitry Medvedev. Só para lembrar: nós últimos 3 anos, a Venezuela gastou mais de US$ 4.000.000.000 com a compra de armamentos só da Rússia. Será este o tal “socialismo do século XXI” de que tanto fala Chávez? Mais...

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Por que te callas, Hugo Chávez?

Um assunto bastante recorrente nestes últimos dias é o bate-boca entre o rei da Espanha, Juan Carlos, e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, durante a 17ª Cimeira Ibero-americana, encerrada sábado passado em Santiago, Chile. Não vou aqui me deter sobre a polêmica em questão, pois tudo foi dito (prós e contras) sobre o sonoropor que no te callas” do rei espanhol. Que Chávez se faz de fanfarrão e personifica a imagem do político latino falastrão também não é novidade pra ninguém. O que me intriga de fato é o que o “teórico” do “socialismo do século 21” (???) não diz.

Antes de se tornar o presidente da Venezuela pelo voto direto, em 1998 (se bem que a sua primeira tentativa foi através de um golpe frustrado, em 1992), Chávez era tenente-coronel reformado do Exército, patente que conquistou por ser um soldado disciplinado, dedicado e ordeiro, requisitos básicos pra quem quer avançar na carreira militar. E como militar de alta patente também sabe o que pode e que não pode dizer aos subordinados no campo de batalha para levantar-lhes o moral.

Durante a 4ª Cimeira das Américas, realizada em Mar del Plata, Argentina, em novembro de 2005, enquanto Chávez sepultava a Alca (Área de Livre Comércio das Américas) com discursos inflamados e sob o slogan “Alca, Alca, al carajo", o seu ministro da Energia e o presidente da estatal PDVSA (Petróleos da Venezuela S/A) negociavam com empresários norte-americanos a compra de 80% da produção de petróleo venezuelano. Apesar de ter mandado a Alca para o caralho, lucrou naquela altura bilhares de dólares com o desespero dos diablitos yankees [1]. Em outras palavras: ele pode negociar com os EUA, mas os demais países da América Latina não.

Chávez é propositadamente um chefe de Estado ambíguo. Depois de acabar com a Alca, começou a defender em seus discursos-efervescentes o fortalecimento dos blocos econômicos da América Latina. Chegou até formalizar o pedido de inclusão de seu país no Mercosul, na véspera do início da 16ª Cimeira Ibero-americana, realizada ano passado, em Montevidéu, no Uruguai. Pedido que foi acolhido por todos os chefes de Estados dos países-membros (mas que precisaria ser ratificado pelos respectivos Parlamentos). No dia seguinte, enquanto dava tapinhas de bom amigo nas costas do “compañero” Lula, os seus ministros de Estado se reuniam na calada da noite (bem ao estiloquinta coluna”) com o espanhol Zapatero para negociar a aquisição pela Venezuela de 20 jatinhos. Detalhe: os aviões espanhóis são mais caros e bem inferiores tecnologicamente aos produzidos pela Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica). E nessa, o Brasil ficou a ver navios .

Outra coisa que não consigo compreender em Hugo Chávez é a rapidez e o silêncio com que ele vem se armando. Tudo começou com a compra de 100 mil fuzis de assalto Kalashnikov AK-103 e AK-104, de fabricação russa. A partir daí, Chávez tem recorrido ao mercado global bélico com um apetite voraz (mas sem muito falar). Acertou com a Espanha (do rei do cala-boca) a compra de oito navios de guerra e armas leves. Da China comprou radares móveis. O pacote bélico de Chávez inclui ainda helicópteros, submarinos, mísseis terraar. A aquisição mais valiosa foi feita em meados do ano passado, quando comprou 24 caças russos Sukhoi, os aviões mais poderosos que qualquer outro hoje existente na América do Sul. Segundo o último relatório (2006) do Instituto Internacional de Pesquisas sobre a Paz de Estocolmo (Sipri), a Venezuela foi pelo segundo ano consecutivo o país da América do Sul que mais aumentou o seu gasto militar: 20% em termos reais, ou seja, recursos que ultrapassam a casa dos US$ 4 bilhões. Chávez não se cansa de repetir que quer uma América do Sul unida e forte, mas faz tudo isoladamente e às escondidas das principais lideranças do continente. Pior, tumultua todas as reuniões pra que decisões políticas importantes e pertinentes não sejam tomadas. O que ele quer na verdade (mas não diz) é trazer pra si a hegemonia regional.

Como reflexo, alguns países da América do Sul falam em reforçar os recursos para a compra de armas. São os casos específicos do Brasil e do Chile. A presidenta chilena, a socialista Michelle Bachelet, fala em passar de 3% pra 5% do PIB o seu investimento militar Por outro lado, o governo brasileiro anunciou no mês passado medidas para aumentar o potencial bélico do país (como, por exemplo, dar sequência à construção do submarino nuclear pela Marinha). O presidente Lula passou também a considerar prioritária a retomada do programa FX de compra de 12 caças modernos para a Força Aérea. Além disso, ele estuda a alocação de cerca de US$ 2 bilhões para reforçar o potencial de fogo nacional. Como se , Hugo Chávez, em nome do seusocialismo do século 21” (???), está levando a América do Sul a uma corrida armamentista sem precedentes, quando mais de 50 milhões de pessoas teimam em se manterem vivas, sem, sequer, terem acesso à água potável para as suas necessidades mais básicas. Será que este dinheiro gasto com armas não resolveria muitos problemas sociais dos latinos-americanos? Que coño, hombre! Por que te callas quando sabes bem que quem não tem petróleo está trocando comida, educação e investimentos em infra-estrutura por chumbo nesta insana corrida bélica disparada por ti. As superpotências produtoras de armas agradecem. Principalmente el diablón Bush.
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[1] Com o acirramento da crise diplomática entre os dois países nestes dois últimos anos, as exportações de petróleo venezuelano ao mercado americano passaram agora para 45% do total vendido ao exterior. Isto porque Hugo Chávez está tentando de todas as maneiras uma aproximação com a China, pra onde está exportando cerca de 500 mil barris diários.

Nb. Na imagem, o símbolo do Memorial da América Latina de São Paulo projetado por Oscar Niemeyer