Há pouco mais de um ano a minha alimentação era muito diferente do que é hoje. A carne e outros produtos de origem animal eram presença habitual nas minhas refeições e isso pode ser visto em várias receitas que publiquei aqui(a última receita com carne foi publicada em 30/06/2011).
Quando iniciei este blogue, confesso que estava longe de imaginar que um dia iria me tornar vegetariana. No entanto, desde criança, em algumas vezes custava-me comer carne, sobretudo de animais que eu convivia, como coelhos e galinhas, e penso que quase todas as pessoas sentem isso pelo menos uma vez. Com o passar do tempo, e o distanciamento que se ganha ao comprar a carne nos supermercados, esses momentos de desconforto ficaram em segundo plano, porque não associava a comida no prato ao ser vivo que um dia vivia e respirava, e o paladar, depois de anos a consumir, até era bom. Mas esse mau estar continuava existindo só que estava camuflado, ou escondido pela rotina apressada do dia-a-dia, que nos impede de parar e refletir mais profundamente sobre nossos atos, até um dia... Dia feliz que conheci virtualmente (por enquanto!) a Rute, minha irmã do coração, do blogue
Publicar para Partilhar e ela gentilmente emprestou-me o livro
Como Comemos, de Jim Mason e Peter Singer. Bastou lê-lo para que a minha consciência acordasse e a opção pela dieta vegetariana foi imediata. Neste ótimo livro há informação detalhada do quanto os animais, o nosso Planeta e consequentemente todos nós sofremos com o consumo abusivo de carne e produtos de origem animal.
Não foi difícil tomar esta opção e não sinto "saudades" do tempo que era omnívora, o que muita gente acha estranho, pois a maior parte das pessoas acham que tomei esta decisão por questões de saúde, o que no fundo acaba por ser, uma opção saudável para mim e para o Planeta. Quando falo assim, do passado, que ainda é recente, dá a impressão que está muito longínquo o dia em que um bife estava presente no meu prato, e realmente o tempo não é muito, mas a sensação que tenho é que já nasci vegetariana! Além de gostar muito de cozinhar, daí a existência deste blogue, comer tem sido realmente um prazer. Descobrir novos sabores, outras formas de cozinhar, ingredientes diferentes tem sido divertido e interessante, mas o mais importante de tudo isso é
porque optar por este caminho e as respostas são o que mantém-me perseverante, serena e feliz pela minha escolha.
Porque?
Porque me alimentar de outro ser vivo consciente, mas indefeso perante a dominância do ser humano, se existem outras opções alimentares sem prejudicar a minha saúde.
Porque a criação intensiva de animais que vivem uma vida curta e de atroz sofrimento, unicamente para serem abatidos e fornecerem o máximo de produtos(carne, couro, leite, ovos, penas, lã...) causa imensos danos ao nosso Planeta: poluição ambiental, destruição de florestas para realização de pastos ou para plantio de alimento para ração, gasto abusivo de água, entre outros.
Porque a aquacultura polui os mares e a pesca intensiva provoca a morte, além dos peixes para consumo, de muitos outros animais marinhos como golfinhos, tartarugas, tubarões, além de causar danos ao fundo dos oceanos, destruindo corais e outros ecossistemas.
Porque tenho pena das pessoas que são obrigadas a matar os animais e conviverem diariamente com esse sofrimento em seus empregos nos matadouros. Ao contrário, semear, ver as plantas nascerem e desenvolverem-se produzindo frutos é tão melhor, é criar vida!
Porque quero dar um exemplo para a minha filha e espero que um dia ela partilhe das razões por esta opção, pelo amor profundo que lhe tenho e por esperar deixar um lugar melhor para ela viver, faço a minha pequena parte.
Estas são apenas algumas das muitas razões porque me tornei vegetariana.
Para iniciar a participação na 5ª Semana Vegetariana apresento a receita de uma entrada ou refeição leve, que não sendo difícil de fazer têm um resultado surpreendente. Adaptei a receita deste
site, e tornei-a totalmente vegana. Aconselho a visualizarem a receita no site pois tem um passo a passo muito bom. Para acompanhamento destes apetitosos palitos, usei a receita
deste fantástico molho que a Sandra, do blogue
Papacapim fez e triturei-o, transformando-o numa pasta.
Palitos de courgette e pasta de beringela e tomate
(para 2 pessoas)
Rejeite as extremidades de
1 courgette média, corte-a ao meio e depois divida estes pedaços em seis tiras cada um. Coloque-os num escorredor e polvilhe com
sal grosso. Deixe-os repousar por 1 hora ou mais, para que larguem algum líquido.
Forre o tabuleiro do forno com papel vegetal.
Prepare a mistura para envolver os palitos juntando
3 colheres(sopa) de amêndoa moída, 1 1/2 colheres(sopa) de levedura de cerveja em pó, 3 colheres(sopa) de pão ralado, 1/2 colher(sopa) de alho em pó, 1/2 colher(sopa) de cebola desidratada moída, 1 colher(sobremesa) de óregãos secos, 1 colher(chá) de salsa seca, pimenta preta e 1(colher) café de sal fino.
Prepare o substituto do ovo juntando
2 colheres (sopa) de sementes de linhaça trituradas
e 3/4 chávena(água) quente. Deixe repousar até que se forme uma substância com a consistência de clara de ovo.
Seque os palitos de courgette, passe um por um na mistura de água e linhaça e a seguir envolva no pó que preparou.
Coloque os palitos no tabuleiro forrado e leve ao forno 170º C até ficarem douradinhos.
Para fazer a
pasta segui à risca
esta receita da Sandra e triturei uma parte para fazer a pasta, guardando o restante para outra utilização.
Você poderá usar outras ervas secas e especiarias para fazer o pó para panar as tiras de courgette, mas aconselho a manter a amêndoa(ou outra oleaginosa), o pão ralado, a levedura de cerveja e o alho em pó.