Como é fim de semana prolongado e o sábado amanheceu prometendo (e cumprindo) que seria um dia de verão, os torontinos que não foram para as suas “cottages”, deslocaram-se para a imensidão da “lakeshore”. Para quem não está habituado ao mar, o lago é tudo!
Também eu tive saudades de olhar para aquele horizonte onde o lago se poderia confundir com o céu não fossem os barcos à vela lá longe que mais pareciam barquinhos de papel que costumava fazer há muitos anos... Se o pensei, melhor o fiz... Escolho, hoje, um local mais calmo.
Reparo que na pequena enseada encontram-se muitos cisnes! Normalmente, vejo dois ou três de cada vez! De máquina fotográfica na mão, pronta para disparar, para lá me dirijo. Tiro fotos de todos os ângulos possíveis!
Às tantas, oiço alguém dizer:
- Vou levar o barco lá para baixo. Não te esqueças de fechar o “trunk” (mala do carro).
Um português por aqui?! Esqueço-me, momentaneamente, que também eu tenho os mesmos antecedentes. Mas a marina não é aqui, penso eu!
Olho e vejo um rapaz descer a colina em direção à “prainha” com uma pequena caixa na mão. Coloca-a na “areia” e tira de lá o barco. Ah! Um barquinho de corrida comandado à distância! Então e os cisnes que se pavoneiam praticamente aos nossos pés, nas calmas, indicando sem sombra de dúvida de que aquele é o seu espaço, o seu “território”?
Continuo a tirar fotos: dos cisnes, das árvores... dos cisnes outra vez porque estava um de asas abertas, outras do horizonte porque me parece que vejo lá longe mais um barco à vela e outro a motor...
Entretanto, o rapaz põe o barco na água e pega no comando. Mas a coisa não está a funcionar.
- Oh Jessica, parece que o barco está maluco! Ou será a merda do “controlo” que não trabalha? Olha esta porra!
De repente, o barco faz um ruído e avança aos soluços mas a grande velocidade. Não sei como os pobres dos cisnes não sofreram logo ali um ataque de coração. Ei-los na maior gritaria, de asas abertas, em grande debandada.
Observando de longe, os cisnes não se aproximam. E o barco continua a fazer o seu melhor sem conseguir agradar o seu “comandante”! Vejo que a mulher ou namorada, de bebé ao colo, não está minimamente preocupada com a frustração do companheiro e afasta-se em direção ao carro.
Conclusão: Nunca se sabe onde poderemos encontrar alguém que compreenda a nossa língua!
Estas “esculturas” encontram-se com muita frequência nesta altura, tanto à beira do lago como no meio ou nas margens do rio. Desta vez não contribui para a exibição!