Visitei um casal conhecido
que se mudou para um lugar que pertence à freguesia do Algoz.
O sol batia forte naquele princípio de tarde.
Era um calor sufocante sem o mar por perto para refrescar. O silêncio era
interrompido, de vez em quando, pelo alegre chilrear da passarada e pelo
ocasional cacarejar de uma galinha mal disposta ou, quem sabe, em resposta ao
olhar lânguido do galo.
Não se via vivalma nas redondezas. Um ou outro
carro que por ali passa parece ser a única fonte de distração.
O pequeno jardim, bem cuidado, com grandes
palmeiras saudáveis, alegra a casa pintada de branco, com necessidade de outra
pintura, assim mo dizem e, por isso, confirmo com o olhar. O hábito de se
mostrar a casa às visitas persiste. A sala, a cozinha, este é o quarto-de-banho
social, o quarto dos hóspedes, este é o nosso quarto, o nosso quarto-de-banho...
Um hábito que não tenho mas que compreendo.
Depois, passamos para o quintal/horta. Pequenos
retângulos de terra avermelhada que alimentam o pequeno núcleo familiar.
Tomates, feijão verde, pepinos, cebolas... Ao fundo, o galinheiro; talvez uma
dúzia de galinhas e o senhor galo todo emproado que por ali anda, feliz da
vida, no seu harém.
Ouvi, com atenção, todas as explicações e comentários que
iam fazendo sobre a sua horta, as suas árvores de fruto, sobre a personalidade
dos seus dois cães que por ali andam à solta, até sobre a origem dos pássaros
que vivem numa grande gaiola e, por fim, uma visita ao terreno em frente
da casa com alguns girassóis que quis fotografar.
Aqui também me explicaram a importância do girassol. Senti o grande apreço que uma pessoa
pode ter pela terra, pelos lugares sossegados, longe das multidões, do rebuliço
dos grandes centros urbanos e do seu ar poluído.
Nunca vivi no campo mas o campo não me é
estranho e embora sinta, por vezes, a necessidade de estar mais em contacto com
a natureza, não sei se seria capaz de viver ano após ano neste ambiente calmo,
longe do que uma grande cidade oferece.