terça-feira, 26 de maio de 2026

I Have Danced All Along A Safari In Africa...


“That Happy Feeling” 
(EUA Decca DL4305, 1962/08)

“A Swingin’ Safari” 
(UK Polydor 237 584, 1962/10) 


Gravado nos estúdios da Polydor, em Hamburg-Rahlstedt pelo engenheiro de som Peter Klemt, em Dezembro de 1961 e Março de 1962, este album histórico e provavelmente o mais popular de Bert Kaempfert, apareceu no ano de 1962 em duas formas distintas: primeiro nos EUA, em Agosto, com o nome de “That Happy Feeling” e com o close-up de um jovem casal abraçado na capa. Chegou ao nº 14 das tabelas de venda americanas. Dois meses depois o mesmo album aparece na Europa com um tema diferente (“Africaan Beat” em vez de “Sunday em Madrid") e também com uma capa diferente, onde se pode ver uma jovem em trajes coloniais junto a um tambor e artefactos africanos. Dada a listagem dos temas incluídos, era efectivamente uma capa mais representativa do conteúdo musical do disco. Foi esta segunda versão “europeia” que fez definitivamente descolar o nº de vendas (atingiu o 20º lugar nas tabelas inglesas), tornando “A Swingin’ Safari” um do mais icónicos de música instrumental. Foram extraídos três singles: “That Happy Feeling”/”Take Me” a 3 de Abril; “Africaan Beat”/”Echo in the Night” em Maio e “A Swingin’ Safari”/”Swissy Missy” a 22 de Junho. Billy Vaughn editou também um single, “A Swingin’ Safari”/Indian Love Call” em Junho, que teve bastante sucesso junto do público, ultrapassando até a versão original de Kaempfert. Finalmente foi editado em 1965 um EP em França com os temas “A Swingin’ Safari”/”Golden Wings in the Sun”/”Cinderella After Midnight”/”That Happy Feeling”. E ainda outro com os temas “Africaan Beat”/”Echo in the Night”/”Pour Ton Amour”/”Midsummer Night in Gotland”.

“Take Me” foi também gravada em versão vocal por Dean Martin que, a par de outros temas originais do album foi também um grande sucesso nas rádios americanas, que descobriam assim um novo som, a kwela africana (que por sua vez tinha sido influenciada pelo swing americano), ritmo que se tornou muito popular entre os jovens negros nos municípios. «Bert Kaempfert tentou fazer com que os piccolos imitassem o som dos apitos. Tivemos ensaios muito duros. Mas finalmente tínhamos conseguido, e Bert ficou muito satisfeito por ter capturado o charme dos assobios nos seus piccolos», lembrou o baixista Ladi Geisler. E continuou: «a introdução de "Afrikaan Beat" é também um dos símbolos mais inconfundíveis de Bert Kaempfert e da sua Orquestra, com o seu típico ‘cracking bass’. Nós, músicos, estávamos, como sempre, reunidos à volta de um microfone. O meu amplificador estava a cerca de 3 metros de distância, a mesma distância dos trombones. Bert Kaempfert aconselhou-me a ir com calma nas notas mais baixas (estas deveriam vir do contrabaixo) e as notas altas deveriam ser acentuadas para que realmente 'rachassem'. Foi assim que nasceu o termo para o som de Bert Kaempfert, 'cracking bass' Ao longo dos anos, Bert Kaempfert recebeu uma série de prêmios como recompensa pelo enorme sucesso deste álbum em todo o mundo. Mas ficou particularmente satisfeito por receber um LP de ouro da África do Sul.

domingo, 24 de maio de 2026

Mark Vincent ~ "Young At Heart"

Aos 31 anos é actualmente considerado o melhor tenor australiano e um dos melhores do mundo. Mas tudo começou em 2009, quando, aos 15 anos, Mark Vincent foi o grande vencedor do concurso Australian Got Talent. Nessa altura foi uma autêntica surpresa, por causa da qualidade patenteada na interpretação da ária “Nessun Dorma” da ópera Turandot, criada em 1926 por Giacomo Puccini. Não houve qualquer dúvida: estava ali a despontar um dos mais talentosos cantores líricos que o mundo já conheceu. Mark Vincent nasceu a 4 de Setembro de 1993, em Caringbah, e desde criança que começou a trautear canções napolitanas no restaurante dos pais. Pouco tempo depois os clientes já lhe pediam que cantasse mais a sério, e Mark começou a actuar todas as noites de sexta e sábado. «Eu apaixonei-me por esse tipo de música e soube imediatamente que era isso que eu queria fazer na vida.» Depois foi a descoberta de Mário Lanza por causa de uma cópia do filme “O Grande Caruso”, que a professora de canto, Janette Gould (já falecida), lhe ofereceu. «Eu não conseguia acreditar que o homem tinha uma voz tão extraordinária. Por isso li todos os livros que consegui arranjar sobre ele, bem como os documentários que conseguia ver na televisão. Apaixonei-me! Lanza, para mim, era Pavarotti e Frank Sinatra combinados, e penso que foi essa a razão da sua grande popularidade.»

Depois de ser declarado vencedor da terceira época do popular concurso, em 22 de Abril de 2009, Mark Vincent nunca mais parou. A Sony ofereceu-lhe de imediato um contrato de gravação, e o primeiro álbum, “My Vision – Mi Visione” saíu pouco depois, em 2 de Julho. Atingiu o 2º lugar de vendas e foi certificado album de platina. Neste primeiro CD Mark Vincent dá-nos já ideia do que pretende para o futuro: a combinação de temas clássicos operáticos com a chamada canção ligeira. “Nessun Dorma” ou “Ave Maria” encontram-se lá, a par de temas populares como “Hallelujah”, de Cohen, “My Way” de Sinatra ou “Unchained Melody”, dos Everly Brothers. Porque a verdade é que a voz de Mark, cristalina e melodiosa, se presta às interpretações mais diversas.

A edição de álbuns não pára. Logo no ano seguinte aparecem “Compass”, em 16 de Abril, e “The Great Tenor Songbook”, em 19 de Novembro, certificados ambos como discos de ouro devido ao nº de vendas alcançado. No 4º álbum, “Songs From the Heart”, editado em 14 de Outubro de 2011, Mark Vincent, como tantos outros (e outras) antes dele, não resiste à tentação de interpretar “Bridge Over Troubled Water”. Mas, como sempre, o resultado não é famoso. E isso porque a canção de Paul Simon teve a sorte de encontrar Art Garfunkel num momento de grande inspiração, quando este a gravou em Novembro de 1969. Há coisas em que não se deve mexer, pela única razão de serem perfeitas. Até o próprio Garfunkel nunca mais a conseguiu interpretar da mesma maneira. Em 18 de Outubro de 2013 foi editado novo álbum, “The Quartet Sessions”, gravado, como o nome indica, apenas tendo como acompanhamento um quarteto de cordas. No conjunto dos temas seleccionados é um dos melhores álbuns de Mark.

Seguem-se três anos de concertos, um pouco por todo o mundo, e só em 15 de Abril de 2016 aparece nova gravação, desta vez uma colaboração com a cantora Marina Prior, intitulado "Together". Talvez seja o pior trabalho de Mark até hoje, muito por culpa da companheira de canto que não possui os dotes artísticos que lhe permitam estar à altura dele. De 2017 a 2024 saem mais 4 álbuns: “A Tribute to Mario Lanza” (14 de Abril de 2017), “The Most Wonderful Time of the Year” (o inevitável álbum natalício em 16 de Outubro de 2018), “In the Eyes of a Child” (6 de Maio de 2022) e “Life is Beautiful” (16 de Outubro de 2024). Em 2016 Mark ganha o prémio australiano da Mo Awards como o melhor vocalista do ano e em 2017 desempenha o papel de Freddy na produção australiana de “My Fair Lady”. Mark Vincent é casado e tem três filhos, dois rapazes e uma rapariga, esta última nascida no Natal de 2023.

A presente coletânea de 22 temas é a primeira que Rato Records disponibiliza para todos os seus seguidores do blogue. Diz respeito aos primeiros anos de gravações (2009-2013) ou seja, canções gravadas por Mark Vincent antes de completar os 20 anos. De futuro outras coletâneas se seguirão, uma vez que como refere o título do tema que ele interpretou em Fevereiro de 2019 para a Eurovisão, “This Is Not the End”.

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