Edição original em LP Continental PPL 12.009
(BRASIL, 1962)

A versatilidade de Elis Regina acabou convencendo a direção artística da Continental, confiada ao experimentado Palmeira, a aproveitá-la em outros ritmos de grande aceitação, no momento – o bolero e o chá-chá-chá, estre representado pelo maior sucesso atual no gênero: “A Secretária”, numa versão adaptada para interpretação feminina. O repertório escolhido é em sua grande maioria inédito, embora tenham sido incluídos alguns números já conhecidos e apropriados para a intérprete, inclusive o que inspirou o título: "Poema". Na capa (ainda como "Ellis"), num belo trabalho de Mafra, famoso artista carioca, vemos porque Elis Regina é um “poema de amor”. Não faremos maiores apreciações sobre as músicas selecionadas porque, em última análise, este juízo competirá a programadores, disc jockeys e, principalmente, ao público, que saberá consagrá-las ou não. Diremos apenas, para finalizar, que o tratamento orquestral é o melhor possível, porque foi confiado a três grandes nomes: Renato de Oliveira (responsável pelos 6 trabalhos gravados em S. Paulo), Severino Araújo e Guerra Peixe (autores dos arranjos das 6 músicas gravadas no Rio). Houve, como se vê, a preocupação de dar ao LP um tratamento cuidadoso e acreditamos que ele agradará em cheio aos admiradores da jovem gauchinha e aos discófilos em geral. (Luiz Mergulhão)
LADO A:
1. Poema (Fernando Dias)
2. Pororó-Popó (João Roberto Kelly)
3. Dá-me um Beijo (Trovajoli e Danell – Versão Romeo Nunes)
4. Nos Teus Lábios (Ataliba Santos e Haroldo Eiras)
5. Vou Comprar um Coração (Paulo Tito e Romeo Nunes)
6. Meu Pequeno Mundo de Ilusão (Pockriss e Hilliard – Versão José Mauro Pires)
LADO B:
1. Las Secretárias (Pepe Luiz – Versão Martha de Almeida)
2. Saudade é Recordar (Vera Falcão e Renan França)
3. Pizzicati-Pizzicato (Stern e Marnay – Versão Fred Jorge)
4. Canção de Enganar Despedida (Joluz e Waltel Branco)
5. Confissão (Paulo Aguiar, Umberto Silva e Luiz Mergulhão)
6. Podes Voltar (Othon Russo e Nazareno de Brito)
O segundo LP de Elis Regina, "Poema de Amor", gravado em 1962 na Continental, rezava na mesma cartilha do primeiro. Mostrava um repertório infanto-juvenil entoado pela voz já bastante madura daquela que seria uma divisora de águas na MPB por sua genialidade com intérprete, aliando voz, emoção e ritmo em doses exatas, escolhendo sempre um cancioneiro de ponta para gravar. Neste disco, seus produtores ainda lhe enfiavam goela abaixo canções da moda, como o chá-chá-chá "Las Secretarias" e outras que só não caíram no anonimato por conta da interpretação sempre precisa e agradável da Pimentinha. Um documento dos primórdios da carreira da maior cantora moderna do Brasil, com direito a arranjos de Renato de Oliveira, Severino Araújo e Guerra Peixe. (Rodrigo Faour)