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quarta-feira, junho 03, 2026

Um dia menos igual que os outros...


É possível que fora de Lisboa e Porto, a greve geral não se tenha sentido, pelo menos de uma forma que alterasse o dia a dia das pessoas.

Focando-me apenas na Capital, com os dois transportes que mais utilizo (cacilheiro e metropolitano...), completamente parados, o melhor mesmo foi deixar a  "cidade grande" entregue às moscas e aos turistas (para quem pode, claro...).

Imagino que os "serviçais" - que moram na Margem Sul - desta gente que chega de fora e desembarcam das barcas gigantes e dos aviões, não tivessem desculpa para não aparecerem. Só devem ter desistido de ir e vir a nado porque o Tejo é mesmo parecido com um mar...

A educação e a saúde também causam sempre constrangimentos, embora estes, como de costume,  sejam desvalorizados pelos governantes, clientes e defensores da oferta privada, cada vez mais vasta de Norte a Sul...

Não deixa de ser curioso, que as atenções televisivas se tenham focado sobretudo nos "piquetes de greve" (cada vez menos influentes...) e nos "malucos" (de ambos os sexos...), cujo masoquismo, faz com que escolham estes dias para experimentarem a qualidade dos cacetetes dos polícias...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


segunda-feira, dezembro 15, 2025

As "percepções" e o uso e abuso da ignorância como armas políticas


Penso que nunca existiram governos tão mentirosos como estes dois últimos, chefiados por Montenegro. 

Desde os seus primeiros tempos que a AD governa segundo as percepções que mais lhe dão jeito, par reforçar a sua presença no Parlamento e ter cada vez mais poder governamental. É por isso que vai criando narrativas, que mesmo que não encaixem na realidade, deixam muitos portugueses na dúvida.

Apesar do caos que se vive na saúde (recordes de urgências fechadas e de tempos de espera, nas mesmas urgências; cada vez mais utentes sem médico de família, etc), Montenegro tem a lata de dizer a todos nós que as "coisas estão melhor" nos hospitais...

O mesmo se passa em relação aos imigrantes, em que tem aproveitado a "boleia" do Chega, para criar a percepção que as pessoas que chegam de fora, com tonalidades de cor diferentes das nossas, são uns bandidos, quando todos sabemos que a sua maioria trabalha e contribui para o equilíbrio da nossa Segurança Social. Mais uma vez, a realidade é um bastante diferente. Afinal parece que os verdadeiros bandidos são os portugueses que além de os tratarem como escravos, oferecem-lhes condições de habitabilidade indignas para qualquer ser humano.

Se ainda existe alguém com dúvidas desta prática política, a reação do primeiro-ministro e do "ministro da propaganda" em relação à Greve Geral, diz tudo sobre a forma como o governo olha para a realidade. Leitão Amaro foi mesmo capaz de falar de uma adesão entre os 0 e os 10%. Tentaram desvalorizar este movimento grevista, dizendo que só teve algum significado no sector público, que o resto da país não parou, esteve sempre a trabalhar...

Haverá centenas de exemplos pelo país fora que desmentem o governo. Mas basta falarmos da fábrica que é usada como o nosso grande "sucesso empresarial no mundo", a Auto-Europa. Apesar de praticamente ter parado a sua produção, foi ignorada tanto pelos ministros como por alguma comunicação social...

Infelizmente, as coisas têm tendência para piorar, pois a aposta continua a ser o uso e o abuso da ignorância das pessoas (à boa maneira salazarista), puxando-as cada vez mais para o que dizem as redes sociais e menos para o que se edita no verdadeiro jornalismo.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sexta-feira, dezembro 12, 2025

"O congresso de migalhas" do primeiro-ministro


Não posso deixar de citar o grande Alexandre O' Neill, que num dos seus textos (De um "Congresso de Migalhas") do seu livro, "Tempo de Fantasmas", podia muito bem estar a referir-se ao espertalhaço do nosso primeiro-ministro.

«Ao grande torneio mandibular que os nossos antepassados introduziram no seu sistema de sobrevivência, com o correr sempre indiferente dos anos, sucedeu este pequeno jogo de migalhas, migalhas de tudo, que ficará como a forma típica do convívio neste tempo.»

A lei laboral, é isso mesmo, um jogo, ainda com mais migalhas, para serem distribuídas para os mesmos de sempre.

É por isso que o "conde de monteverde" é capaz de dizer, sem se rir, que a greve foi pouco geral, de mão dada com o seu querido Amaro, que já se percebeu há muito, que é "pau para toda a obra".

Isso só quer dizer, que não podemos baixar os braços, muito menos aceitar que o nosso patronato, que sempre se esteve borrifando para o crescimento do país (gostam é de ter "bolsos cheios"...), tenha a vida ainda mais facilitada para explorar os seus "colaboradores".

Sim, há coisas que nunca mudam. Uma delas é a filosofia dos "patrões" portugueses.

 (Fotografia de Luís Eme - Cova da Piedade)


quinta-feira, dezembro 11, 2025

(Greve Geral)