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quarta-feira, agosto 19, 2026

«Somos afinal de onde? Dos lugares para onde vamos ou dos lugares de onde vimos?»


As conversas de café sempre se alimentaram muito dos jornais e revistas que se liam, quase em equipa, com comentários frescos e para todos os gostos. Curiosamente, no nosso grupo, mesmo que seja tudo gente com ligações próximas do jornalismo, é raro aparecer alguém com "notícias de papel".  Claro que nos ocupamos da actualidade, mas usando os computadores e os smartphones...

A pandemia quase que nos forçou a abandonar a leitura física e a rendermo-nos ao digital. E já não conseguimos voltar para trás... por muito que gostássemos de folhear e ler  as notícias, do princípio para o fim ou do princípio para o fim...

Tudo isto, porque a Manuela escreveu mais uma crónica feliz na sua revista, sobre os emigrantes. E nós acabámos por falar da forma como usávamos (ou não) a memória.

É de facto muito estranho, que um país de emigrantes receba mal quem chega de fora. Gente que acaba por enfrentar os mesmos problemas vividos por muitos portugueses, há sessenta e até mais anos... A maior parte das pessoas que partiam, iam "a salto" (pelo menos para França, talvez por ficar logo a seguir a Espanha e já existir a "gente" que vivia destas viagens com percursos previamente estabelecidos, mais rurais que citadinos...) sem documentos e sem saberem muito bem o que os esperava. E é bom que se diga, que fugiam mais da vida de miséria que da guerra colonial...

Voltámos à Manela, porque a Rita quis ler uma das suas frases, que mesmo sem ser a mais importante, era a que tinha ficado presa nos seus pensamentos e queria ser tema de conversa: 

«Muitos dos que regressam carregam uma sensação persistente: já não pertencem inteiramente a França, mas também já não pertencem inteiramente a Portugal. Lá são “os portugueses”; cá são “os franceses”. Vivem entre duas línguas, duas memórias, duas formas de estar. E esta condição não desaparece necessariamente com o tempo. Passa para os filhos e, em certos casos, para os netos.»

Ficámos quase sem palavras. Fomos salvos pelo Carlos, que interrogou, muito bem, a gente que passava por nós, sem nos ver, cuja cor e roupagem nos diziam que tinham chegado de fora.

«Somos afinal de onde? Dos lugares para onde vamos ou dos lugares de onde vimos?»

Não sei se foi por ser Agosto, mas desta vez não divergimos, nem mesmo nas vírgulas. Concluímos que que somos dos sítios onde nos recebem bem e onde nos sentimos "em casa", mesmo que estejamos a milhares de quilómetros do lugar onde nascemos e crescemos...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


terça-feira, abril 28, 2026

Um pequeno pormenor que distingue um bom de um mau político...


Não sabemos exactamente como se continua a viver na região de Leiria, mas fazemos uma pequena ideia, graças às notícias televisivas...

Milhares de pessoas, apesar dos apoios, continuam a fazer contas à vida, logo que se levantam. Nem quero imaginar o que passa pela cabeça dos pequenos empresários...

Foi por isso que achei curioso o aviso de Montenegro, quando disse, literalmente, que não havia dinheiro para toda a gente. Quem sabe como a "corrente" de apoios se processa, ficou esclarecido. Ele informou as  gentes de Leiria e arredores para se fazerem à vida, porque só ia apoiar a selecção de pessoas do costume, construída normalmente através de cunhas e simpatias políticas.

Sei que Costa não fez as coisas de forma diferente. Não foi por acaso que, quando foi preciso reconstruir as zonas de incêndios, alguns autarcas tiveram de responder em tribunal pela sua dualidade de critérios e aproveitamento financeiro na distribuição de apoios. 

Mas o que ele nunca disse às pessoas, foi a verdade crua. Nunca as deixou ainda mais abandonadas e solitárias do que já se encontram...

(Fotografia de Luís Eme - Sobreda)


domingo, novembro 02, 2025

Eu sei, o mais difícil é deixá-los a falar sozinhos...


Sei que ainda não se chegou ao ponto, de existir uma quase urgência, em unir fileiras, no combate ao extremismo e populismo. 

Mesmo assim, sente-se que algo está a mudar. Há várias vozes que começam a tentar encontrar a forma mais eficaz, de se combater as provocações diárias do grupo de "pseudo-fascistas" (acho que nem eles sabem muito bem o que são, para além de populistas e oportunistas...), com assento parlamentar.

Até porque até agora, o combate não tem sido muito feliz, dentro e fora do Parlamento. 

A semana que passou foi um bom exemplo. Desde o advogado que chefiou um dos partidos mais estranhos da nossa democracia e que apresentou uma queixa na justiça para a extinção da "seita", ao deputado socialista que se levantou de um estúdio televisivo, onde debatia com um "provocador" (que conseguiu o que queria...) e quase que se fingiu uma "virgem ofendida". 

Ambos fizeram o que o "bando" esperava (deve ter dado umas gargalhadas sonoras à conta dos dois "papalvos")...

Eu penso que só quando se chegar à conclusão de que a televisão das notícias existe para informar e não para entreter e polemizar (provavelmente, já não se consegue lá chegar, porque as notícias são quase sempre transmitidas como "folhetins novelescos"...), é que as coisas mudam.

Quando fizerem com o senhor Ventura, o que já fizeram com o "animal feroz" (deixá-lo a falar sozinho à porta do tribunal...), as coisas começarão a mudar. 

Só não sei se quem manda nos canais informativos está muito interessado nisso, assim como os vários comentadores do "nada", que falam na televisão e escrevem nos jornais.

Sim, apesar dos nomes das suas antenas, há bastante tempo que eles vivem mais da "confusão" que da informação...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quarta-feira, outubro 29, 2025

O desvio das atenções e um dos prováveis "pais da criança"...


No nosso pequeno "microcosmos" social, onde misturamos o café com palavras, o elemento mais desbocado, é também aquele que é capaz de ver mais longe e fazer o papel de "bombeiro", quando percebe que há um ou outro elemento com menos paciência para escutar os outros. Usa quase sempre o humor...

É sempre bom o Carlos trazer para a mesa alguma serenidade, quando a realidade nos começa a irritar, quase a sério. Até mesmo os elementos mais conservadores, deixaram de perceber o que se está a passar com as pessoas, que só se preocupam com o acessório, que se esquecem dos hospitais, do preço das rendas e dos ovos, deixando que lhes enfiem "burcas" na cabeça.

Graças às piadas secas do Carlos, sorrimos e concluímos que o problema está longe de ser apenas do cidadão comum ou das redes sociais. Não há uma televisão que consiga ficar indiferente às tiradas populistas do "coleccionador de salazares" ou aos seus cartazes provocatórios. Os seus editores são os primeiros a tornar notícias que deviam ser de rodapé, em "casos nacionais", obrigando os jornalistas a fazerem "sprints" atrás de mais palavras polémicas.

O mais curioso, foi estarmos todos de acordo, que o Ricardo Araújo Pereira, é o suspeito número um de ser o "pai da criança"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, outubro 25, 2025

Cada vez mais espectáculo e menos informação


Não sei se fale no poder do futebol, se no poder do Benfica, para este dia, quase integralmente dedicado ao "glorioso" (que já se sabe que bateu o recorde do mundo em número de votantes em eleições para clubes desportivos).

Ou talvez deva falar de uma forma de fazer televisão, cada vez mais virada para o espectáculo e menos para a informação, dando quase sempre mais atenção aos "casos e casinhos", que ao que realmente importa para todos nós.

Quem se tem aproveitado bem destas novas linhas editoriais são os partidos políticos que estão no poder, que também preferem apostar mais no "entretinimento" que na "arte de governar"...

Curiosamente, encontrei uma crónica de Vasco Pulido Valente (que estava longe de ser o meu cronista preferido...), datadas de 8 de Março de 2015, que nos oferece um retrato demasiado real dos canais televisivos - com a excepção do agora RTP Notícias - dez anos depois...

Eis as palavras do Vasco, no "Público": «Basta ligar a televisão para se perceber o estado de indigência intelectual e política a que chegou o país. A informação, que já foi sofrivelmente sensata, embora parcial e sumária, tem hoje o critério editorial do antigo semanário O Crime e da imprensa cor-de-rosa e desportiva.
Para começar, os portugueses são presenteados com horas do que antigamente se chamava “casos crapulosos”: a facada, o tiro, o roubo, a violência doméstica, histórias de tribunal, considerações de réus, de testemunhas, de advogados, de “populares”, da polícia e de um ou outro comentador de serviço. Depois do “crapuloso” vem o “acidente” e a catástrofe: desastres de avião e de automóvel, incêndios, tempestades de vento ou neve, inundações, tudo o que meta feridos, mortos, miséria e sangue.»

Não se trata apenas dos "retratos" do CMTV ou do NOW, a CNN e a SIC Notícias estão logo ali, depois da esquina...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, outubro 06, 2025

Os políticos ainda não se lembraram de dizer, que a culpa é das mães e dos bebés, que têm demasiada pressa em nascer...


Estava a ver uma notícia sobre a quantidade de partos feitos no interior de ambulâncias, com os Bombeiros da Moita com um número que até já pode ser recorde: 15 partos feitos nas suas viaturas, antes de conseguirem chegar a um hospital ou urgência de obstetrícia.

Em vez de pensar no exagero de urgências e maternidades fechadas, de Norte a Sul, lembrei-me que os governantes de hoje são do melhor a olhar para o lado positivo das coisas, pelo que só falta começarem a dizer, que a culpa é das mães e dos bebés, que são de tal forma despachadas e despachados, que se pode dizer que hoje vivemos uma nova era. Ou seja, um tempo quase sem "partos difíceis"...

E ainda me lembrei de mais um argumento: podem sempre dizer que a culpa é dos bombeiros, que andam numa lufa-lufa para entrar no "guiness", ao ponto de escolherem sempre os caminhos mais longos na direcção dos hospitais e maternidades.

Sei que não devia estar aqui a oferecer ideias aos "pantomineiros" que nos governam, mas como dizia o bom do Dinis, o que nos safa, é conseguirmos ver sempre o lado mais engraçado das coisas (mesmo no meio das desgraças...).

Adenda: Já no começo da manhã do dia seguinte, a primeira notícia que apareceu no canal de notícias, assim que liguei a "caixa mágica", foi o nascimento de um bebé, no chão de um hospital em Gaia...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quinta-feira, agosto 21, 2025

Uma boa notícia para Almada e para a Margem Sul


A notícia sobre a continuidade da exposição de fotografia, "Venham mais Cinco", até 23 de Novembro, nas instalações da Lisnave, é muito boa para Almada e para a Margem Sul, tantas vezes subalternizada.

Tenho poucas dúvidas de que esta continuidade se deve também ao pouco interesse desta mostra de fotografia memorável (não conheço nenhuma com tanta capacidade para contar apenas com imagens a história da Revolução e do PREC...), provavelmente por encher demasiadas paredes.

Sérgio Tréfaut já falou, mais que uma vez, na dificuldade que tiveram em fazer com que esta exposição passasse do papel para a parede, dos sonhadores para o público. Até o Presidente da República, normalmente tão solicito, lhes deu "sopa"...


Visitei a exposição três vezes, com a sua continuidade, é possível passar por lá, pelo menos mais uma vez. Desta última vez, gostei de me cruzar com dezenas de pessoas a olharem os bonitos retratos a preto e branco (a cor aparece para ser a excepção que confirma a regra).

Estou grato a Sérgio Trefaut e à Margarida Medeiros (que já não teve a possibilidade de assistir a este sonho que se tornou realidade...), pelo seu amor à história, pelo bom gosto e pela sua teimosia. 

Sim, tanta coisa que não se fazia neste país, se não existisse uma dúzia de teimosos, que quando mais os contrariam, mais eles lutam pelos seus objectivos (eu também já fui assim...).

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sexta-feira, julho 25, 2025

O tempo e os tremeliques da terra...


Uma das melhores coisas que acontecem, quando estamos de férias, é perdermos a noção dos dias da semana. 

Se não trouxermos "chatices" coladas aos calções, nem outras coisas que tenham o condão de sinalizar os dias, sinto que amanhã tanto pode ser quinta, sexta ou sábado...

(Claro que também sei que há sempre alguém que nos lembra, e diz: «olha que amanhã é sábado»)

E mesmo que não queira saber do mundo nem veja notícias, eis que a minha filha me dá a novidade que de madrugada houve um sismo, que veio da Madeira até ao Continente e que em Lisboa ultrapassou o número cinco da escala...

E é a falar dos tremeliques da terra - que se chegaram ao Sul, não dei por nada -, que vou ali e já venho...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


sábado, junho 28, 2025

A alegria de quem nos dá a "novidade", do sobe e desce dos preços


Sei que este é o tempo que querem que "os gelados sejam comidos com a testa", mas... 

Ia dizer que há limites, mas se calhar os limites que existem não são os que eu penso...

Tudo isto porque fiquei a olhar para o pivot, que com um olhar feliz, de quem nos está a dar uma prenda, informava através da televisão que a partir de segunda feira, o gasóleo ia ficar quatro cêntimos mais barato.

Não é que eu seja muito forte a matemática, mas se na última segunda o gasóleo tinha subido oito cêntimos, com esta baixa ainda ficámos a "perder" quatro cêntimos.

O senhor capitalismo sabe-a toda, é por isso que está a entrar a toda a hora nas nossas vidas...

E age como se não houvesse passado, só presente. 

O que nos vale é que é um presente "radioso", graças à cumplicidade dos "fazedores de notícias" e dos rapazes e raparigas que adoram sorrir para as câmaras e tanto podiam trabalhar no "tele-marketing" como nas feiras a vender bisnagas ou frasquitos de banha da cobra.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


terça-feira, abril 01, 2025

Parece no mínimo estranho, mas não é...


Somos um país onde as famílias cada vez são mais pequenas. Sim, há cada vez mais casais sem filhos ou com apenas um rebento. E muitos deles, preferem ter um cão a um filho... 

É por isso que parece "incompreensível", ouvirmos notícias sobre a falta de vagas nas creches da rede pública ou sobre fecho de várias urgências de obstetrícia aos fins de semana.

Parece...

Se não fossemos um país que tem tratado tão mal os jovens portugueses, que por não estarem para ter uma vida cheia de obstáculos, emigram para países que lhes oferecem melhores condições de vida.

E isso explica a falta de educadoras de infância e de médicos especialistas no SNS, tal como a de professores e de tantos outros profissionais...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, janeiro 20, 2025

Provavelmente, eu é que sou o estranho nesta história...


Não consigo perceber o porquê de tantas horas de emissão televisiva, em directo e em deferido, da tomada de posse de Trump, nos canais noticiosos portugueses.

Sei que não temos tantas notícias como isso no nosso país, muitas vezes por ausência de trabalho de campo e de reportagens próprias. É a explicação que encontro para a tentativa de nos oferecerem informação seguindo as técnicas das telenovela (com "repetições" e "cenas dos próximos episódios...), que começou por ser ensaiada com êxito pelo CMTV, e depois foi copiada por todos aqueles que se fingem "sérios" a transmitir notícias no nosso país.

Também poderá existir alguma subserviência, e até admiração excessiva, ao tal "sonho americano", que só é para alguns. Curiosamente, ou não, o novo governo norte-americano é dominado por multimilionários, que olham o mundo, a partir dos seus investimentos e das suas contas bancárias, e claro, alimentam o "sonho"...

Provavelmente, devo ser eu o estranho nesta história americana, cheia de adjectivos, como o "melhor", o "maior",  o "excepcional", o "único", etc.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, janeiro 07, 2025

As coisas ainda são mais graves do que aquilo que pensava (nas redes sociais)


Ontem, quase por um mero acaso, assisti a uma reportagem transmitida no Jornal da Noite da SIC sobre as "mentiras" difundidas nas redes sociais, protagonizada por vários jovens estudantes franceses, que fizeram um trabalho de pesquisa, utilizando o "google" e o "tik-tok", sobre a primeira viagem do homem à Lua e também sobre a primeira vez que esta foi pisada pelos humanos.

Foi uma reportagem bem elucidativa do que se "aprende"  e do que "informa" esta rede social...

Enquanto o "google" oferecia aos jovens as datas certas e os nomes certos, destes acontecimentos históricos, o "Tik-tok" falava deles como se se tratasse simplesmente de uma "invenção americana", ou seja, como se nada daquilo tivesse acontecido...

Não fazia ideia que fosse possível acontecer algo do género, que se alterasse a história da humanidade, apenas porque não se gosta do que aconteceu. 

As coisas que se passam nas redes sociais são ainda mais graves do que aquilo que pensava...

Adenda: Nem de propósito. Desde a manhã de hoje (8 de Janeiro), que tem sido difundida a notícia de que a META vai deixar de controlar a desinformação, a mentira, na sua rede...

(Fotografia de Luís Eme - Sobreda)


segunda-feira, janeiro 06, 2025

Duas notícias diferentes sobre o mesmo acidente


Quem gosta de estar bem informado, como eu, fica surpreendido, pela negativa, mais vezes do que deseja, com o que lê, o que ouve e o que vê.

Aqueles que achamos mais credíveis também "metem a pata na poça", porque na ânsia de dar a notícia, esquecem uma regra essencial do jornalismo, ouvir ou consultar sempre mais que uma fonte.

Há pouco, soube de um acidente no Tejo, entre uma das barcas de carreira do Barreiro e um pequeno barco de pesca fluvial, que provocou dois feridos graves e dois desaparecidos, entre os pescadores.

Já escurecia e não consegui perceber o local onde se tinha dado o acidente, na minha varanda com vista para todo o Mar da Palha. 

As notícias ainda eram vagas. E como de costume, foi o CMTV o primeiro a dar a notícia. Falaram logo do embate entre um "Ferry" do Barreiro e uma embarcação de pesca. Poucos minutos depois mudei para a SIC Notícias e ouvi uma outra notícia, o acidente tinha sido perto de Cacilhas, entre um Cacilheiro que fazia a ligação entre Lisboa e a Localidade Ribeirinha, e um barco de pesca.

A aproximação entre as notícias ainda demorou algum tempo. O mais curioso, é que eu pensava que quem estava errado era o CMTV, pela sua ânsia em "ser o primeiro"... O seu erro foi me depois transmitido pelo meu filho, por eles insistirem no "ferry", que é a denominação de um barco misto, que leva pessoas e viaturas.

Claro que é um erro de só menos, quando comparado com o do canal noticioso da SIC. Embora o rio seja largo e extenso rente a Lisboa, é quase como nos enganarmos na rua onde ocorreu um acidente, pois as rotas seguidas pelos barcos de carreira para Cacilhas e para o Barreiro são completamente diferentes...

O grave da situação (para além dos dois desaparecidos), é ser normal esta discrepância de notícias, às quais nem sempre damos a atenção devida, por estas serem cada vez mais tratadas com o guião das "telenovelas". E muito menos os jornalistas dão a "mão à palmatória"...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


segunda-feira, dezembro 16, 2024

Egoísmos, oportunismos e fingimentos...


O maior problema dos políticos é a sua capacidade de "fingimento", de fazerem de conta que está tudo bem, ao mesmo tempo que vão passando ao lado dos problemas, sem se preocuparem com as "bolas de neve", que deixam crescer, aqui e ali.

É desta forma que coisas aparentemente simples, que poderiam ter respostas quase imediatas, se tornam com o tempo, autênticos flagelos sociais...

Quando olhamos e escutamos as notícias sobre a gente (quase sempre de pele mais escura...) que ocupa lugares abandonados e os transforma em "bairros", e que depois de terem andado a escapar à lei, quando são confrontados com as ilegalidades, querem que o Estado lhes resolva o problema, a primeira coisa que pensamos é na mentalidade destas pessoas, que querem ter um "estatuto especial" de cidadãos. Acham que têm de ser os poderes, locais e nacionais, a arranjarem-lhes uma casa, quanto a maior parte de nós, teve de comprar ou alugar a casa onde vive...

Ninguém escapa a este "egoísmo" humano, até por muitas vezes sermos confrontados com situações de mero oportunismo, de gente que já tem casa e vai para estes locais, apenas para que lhes "ofereçam uma outra casa"...

Continuo a pensar que se as autoridades actuassem de imediato (em vez de assobiarem para o ar...), colocando fim a estas "ocupações", mal as pessoas se começam a instalar nestes espaços abandonados, degradados e perigosos, se evitavam muitos destes problemas, que crescem quase como cogumelos.

Claro que o problema central continua a não ser este. Nem é apenas a falta de casas. É sim, um outro "oportunismo" de todos aqueles que têm casas para alugar ou vender, e que o tentam fazer pelo maior valor possível...

Eu sei que é a "lei da oferta e da procura" a funcionar, mas...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


domingo, novembro 24, 2024

Está tudo nos livros...


Poderia começar pelo "Ensaio sobre a Cegueira", de Saramago, para explicar o que parece não ter grande explicação, por caminhar a passos largos para o absurdo...

Mas o poeta e jornalista, Eduardo Guerra Carneiro, ao escolher a verdade "lapaliciana", de que "Isto Anda Tudo Ligado", diz quase tudo.

Sim, a manifestação provocatória da extrema-direita de hoje, no Porto, só pretendeu antecipar mais uma mentira das suas. Não o 24 de Novembro de 1975, não foi nada disso (fica para a amanhã a lição de história), muito menos o 25...

Felizmente Ricardo Araújo Pereira continua a ter o seu espaço televisivo e a apresentar-nos pessoas, que existem mesmo. Alguns até são deputados, como o senhor com cara de "et", que representa o PSD e atropelou uma criança em Viseu, quando esta atravessava a passadeira. Mas como todos nós sabemos, o ridículo não tem limites. É a única explicação para esse senhor ter a lata de divulgar um comunicado, surreal, em que quase culpa a criança de se ter atirado para cima do carro... E em vez de se "enfiar num buraco", ainda diz que estava completamente consciente, com os seus um vírgula tal se álcool no sangue... Provavelmente tem razão. O seu problema não deve ser a bebida, mas todos sabemos que este é o tempo do "Elogio da Loucura", escrito a mais de quinhentos anos por Erasmo de Roterdão...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, novembro 22, 2024

As imagens são muito diferentes das vozes...


Sei que parece mais uma "palissada", mas as imagens são mesmo diferentes das vozes, pelo menos quando se compara a televisão com a rádio, mesmo que pareçam incomparáveis.

Reparo também que são mais as vezes que estou de acordo, que em desacordo, com a meia-dúzia de amigos, cuja amizade dura há bem mais de duas décadas. Talvez seja também por isso que continuamos amigos...

Não, não é por isso. Normalmente quando estamos em desacordo, não nos chateamos uns com os outros (claro que existe uma excepção, mas serve apenas para confirmar a regra...).

Mas vamos lá às tais "diferenças", que os donos dos canais de notícias fingem não perceber. A rádio, por emitir 24 horas por dia, sempre teve necessidade de repetir e actualizar as notícias, hora a hora. Como as vozes não trazem imagens coladas, não têm o mesmo efeito dentro de nós que o "pequeno ecrã". O serviços noticiosos televisivos vão muito mais longe (e cada vez mais longe...), estão horas e dias seguidos a transmitir a mesma notícia, a mostrar as mesmas imagens, a repetir os mesmos comentários, ditos por uma lista cada vez mais comprida de "tudólogos". 

A coisa torna-se tão doentia, que só se podem fazer três coisas: mudar de canal, desligar a televisão, ou então, ficar preso aos dramas do mundo, como se estes não passassem de "telenovelas"...

Estivemos todos de acordo - sem excepções para confirmarem regras -, que é esta aposta na transmissão de notícias com o "guião" telenovelesco, que está a banalizar todos estes acontecimentos gravíssimos, que acontecem diariamente, especialmente os mortais na Palestina, no Líbano e na Ucrânia.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, agosto 20, 2024

Contradições de um país pequenino...


As notícias deste nosso pequeno país além de serem contraditórias andam em sentido contrário das dos países europeus mais desenvolvidos.

Continuam a nascer hotéis, hostels e restaurantes quase diariamente, um pouco por todo o lado, com a benção deste Governo (ou de outro qualquer que por lá estivesse...), como se o turismo nunca mais parasse de "pôr ovos de ouro".

Curiosamente, ou não, também apareceram nos notíciários uns donos de restaurantes a falarem de "crise", de quebra de receitas, de menos clientes. E esta? 

O normal é que as curvas ascendentes se tornem rectas, e depois comecem a descer. Ainda por cima o nosso país está longe de ser o paraíso com que é vendido lá fora...

Colado a este crescimento, está também o aumento da "imigração maldita", ao ponto do partido da extrema-direita, querer impor quotas de entrada a esta pobre gente, que tem quase o "selo de escravo" na testa, e que se limita a fazer o que uma boa parte dos portugueses não estão dispostos a fazer (trabalho que é pago, quase sempre abaixo do ordenado mínimo)...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


segunda-feira, janeiro 08, 2024

48 horas sem ver notícias (voluntariamente)...


Resolvi estar dois dias sem ver qualquer serviço noticioso televisivo.

Aconteceu mais ou menos o que previra. Ao fim de algumas horas, tive alguma preocupação que tivesse acontecido qualquer coisa importante no país e me passasse completamente ao lado. Mas depois, foi um alívio, um desprendimento. Que bom não sentir qualquer saudade de políticos, comentadores, muito menos de hospitais ou comboios...

Amanhã sei que vou descobrir o mesmo país. Que mesmo que tenha existido um encontro partidário no fim de semana, os problemas deverão continuar os mesmos e as discussões políticas devem também manter-se bem "rasteiras", pelo menos do lado direito, que nem sequer parece ter jeito para "comprar sondagens"...

(Fotografia de Luís Eme - Porto Brandão)


sábado, dezembro 16, 2023

Notícias e personagens do meu bairro...


Nunca sei bem o que se passa, ao certo, no meu bairro. Normalmente apanho as notícias a meio, já quase em deferido e também com os "aumentos do costume" (quem conta um conto acrescenta mesmo um ponto...).

O curioso é que há homens com alma de mulheres (e ainda bem, senão mais de metade das coisas que se passam, passavam-me ao lado...). Um deles é meu vizinho.

Uma tarde vi um carro de bombeiros parado numa das ruas que percorro diariamente. Estranhei aquilo, até por não ver qualquer sinal de incêndio ou de outro acidente qualquer. Só dois dias depois é que soube que estavam a pintar o prédio e que um dos moradores do rés de chão não deixou que entrassem no seu quintal para pintarem as paredes. Aquilo acabou por meter senhorio, polícia e bombeiros. Acabaram por arrombar a casa e descobriram que o homem era uma "acumulador" e que as divisões estavam cheias de "lixo".

Entretanto o senhor (com quem costumava trocar bom dia e boa tarde, quando ele estava à janela a fumar...) desapareceu dali e a casa ficou devoluta... Falta-me saber o que lhe aconteceu. Estou em falta, porque ainda não perguntei a nenhuma das pessoas bem informadas da minha rua, para onde o levaram.

Outra das "novas" passou-me completamente ao lado. Estava a falar no meio da rua com o meu vizinho, quando passou uma senhora por nós. Foi quando fiquei a saber que ela tinha corrido com o amante lá de casa, e que aquilo tinha metido polícia e tudo. Como ele não queria sair a bem, saiu a mal. A mulher chamou a polícia e ele teve mesmo de fazer as malas e pôr-se a milhas.

Perguntei-lhe como é que ele sabia todas aquelas coisas. Começou a sorrir e passou a "bola" a outra personagem cá do bairro, que diga-se de passagem, além de boa "fonte de informação" é um excelente contador de anedotas.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, novembro 05, 2023

Uma semana pródiga em "conversas de café" fora do café...


Hoje bebi café com o Carlos Alberto, que me fez uma série de perguntas sobre algumas pessoas que ele deixou de ver por ai.

Trocou um ou outro nome, o que fez com que tivesse alguma dificuldade em dar-lhe "novas" às primeiras, porque Floriano não é o mesmo que Flores. Mas pior foi ter chamado Adérito ao Américo... Mas foi uma boa conversa, cheia de humor (até porque as "trocas" deram lugar à troca de sorrisos misturados com palavras alegres), como de costume.

Mas não era desta conversa - que foi mesmo de café - que eu queria falar, mas sim, de outras conversas, mais sérias, que deviam ser de "café", mas foram sobretudo de "televisão", escutadas no mínimo por largas centenas de milhares de pessoas.

Nem sei como classificar a forma como o Presidente da República falou com o Embaixador da Palestina, sobre o que se está a passar em Gaza. Aquele, "foi alguém do vosso lado que começou", parecia mais conversa de "recreio" que de café... mas vamos fingir que falamos assim no café...

Embora não visse (nem tencione ver...), a TVI também meteu uma "conversa de café" dentro do seu Jornal Nacional ( na "5.ª Coluna" ainda no fim de Outubro, mas os ecos fizeram-se sentir sobretudo nesta semana...), entre Miguel Sousa Tavares e José Alberto de Carvalho, sobre a nova Misse Portugal, que nasceu menino mas sempre se sentiu menina e felizmente pôde sê-lo. 

Pelos teor da conversa nenhum dos dois lhe "pedia namoro", apesar da sua beleza... Mas o mais curioso, foi José Alberto Carvalho ter-se "retratado" do que disse, no mesmo serviço noticioso (não sei se foi logo no dia seguinte). A minha dúvida é se foi ele que se sentiu na obrigação de se desculpar ou se foi "obrigado" pelos "donos da televisão", por causa daquela coisa que agora é moda, o "politicamente correcto".

Marcelo Rebelo de Sousa não se "retratou", embora tenha feito uma coisa parecida, na tarde de hoje, ao comparecer numa manifestação pró-Palestina em frente ao seu Palácio (até se deixou fotografar com uma bandeira e tudo...).

Pois é, se o Presidente e o Jornalista se lembrassem que não estavam no "café da esquina", mas sim em plenas funções, estas duas situações poderiam (e deveriam) ter sido evitadas...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)