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terça-feira, outubro 07, 2025

Será que se está a preparar em Gaza um episódio parecido com a "guerra de Solnado"?


Se há coisa que já se percebeu, é que tanto Trump como Netanyahu, são capazes de tudo, para atingirem os seus objectivos pessoais, que por vezes tentam fingir ser colectivos.

É por isso que tenho algumas suspeitas de que o Presidente dos EUA está a querer "acelerar" um acordo de paz em Gaza (que tem tudo para ser parecido com o de "judas"...), por ver que se está a aproximar a atribuição do seu tão sonhado "Nobel da Paz".

Prémio que tem "exigido" em quase toda a parte onde discursa, ao ponto de inventar guerras que terminou sem elas começarem. Embora seja quase anedótico, que um ditador mentiroso, possa ter tais aspirações, no mundo actual parece que tudo é possível.

O que é verdadeiramente grave, é a notória falta de carácter dos principais líderes europeus, que a única coisa que têm deixado no ar, na relação com Trump e com os EUA, é a sua cobardia e hipocrisia (onde nem falta um português de apelido Costa...), ao ponto de estarem prontos a apadrinhar um "prémio" completamente imerecido, mesmo que os seus júris, só de vez em quanto, escolham os melhores...

É por isso, que este episódio é parecido com a "guerra do Solnado" (que parava aos fins de semana, para descanso do "inimigo"...), embora essa fosse completamente inofensiva, ao contrário do que se passa diariamente em Gaza. 

Nada nos diz, que depois de Trump receber o tão desejado "Nobel da Paz" (parece que é mesmo uma possibilidade...), não volte a existir uma marcha atrás no acordo e o Israel se mantenha firme, no propósito de aniquilar todos os Palestinianos...


quinta-feira, outubro 02, 2025

A Paz, o Pão e a Liberdade a Sério, que tanto falta fazem na Palestina...


Já todos percebemos que a direita e a extrema direita, com a ajuda de vários comentadores (e até de jornalistas...), estão apostados em serem os "pais" da "extrema esquerda portuguesa", mesmo que ela continue ausente no nosso espaço político, se pensarmos nos partidos que defendem os valores democráticos.

O único partido que tenta não cumprir nem respeitar a nossa Constituição, é o "albergue venturioso", que tanto aceita fascistas como bandidos (os "casos de justiça" falam por si...).

É por isso que acaba por ser estranhamente normal escutarmos - e lermos - as muitas adulterações que têm sido feitas à "Flotilha de Gaza", até mesmo de ministros, como o da nossa defesa.

Digam o que disserem, é sobretudo uma acção humanitária, promovida pela esquerda europeia, que apoia a Palestina. A esquerda que não esconde os valores que defende nem o que pensa sobre o genocídio de Gaza, levado a cabo por Israel.

(Fotografia de Luís Eme - Setúbal)


quinta-feira, setembro 04, 2025

Quando o "simbólico" parece ser a única coisa que nos resta...


Já todos percebemos que é muito difícil fazer alguma coisa contra o Israel, um estado militarizado há várias décadas, protegido pelos EUA, a principal potência do nosso planeta.

É por isso que a organização e participação na "Flotilha Humanitária", é um acto de grande coragem, generosidade e solidariedade (conta com a presença simbólica de três portugueses: Mariana Mortágua, Miguel Duarte e Sofia Aparício).

Lastimo a posição cobarde de Portugal e do ministro dos negócios estrangeiros (nem sei como não defendeu Trump depois do nosso Presidente da República lhe chamar um "activo russo"...), que além de não garantir a protecção diplomática dos três portugueses que participam nesta operação de paz, ainda acusou a coordenadora do BE de populista.

Espero que a grandeza da "Flotilha Humanitária" consiga deixar o Israel de mãos atadas, sem saber o que fazer com a situação...

Claro que sabemos que é apenas um acto simbólico, mas não devemos perder a esperança, até porque temos vários exemplos de que há ditadores e regimes que não começam a cair apenas pelo poder das balas, mas sim, por coisas bem mais simples, como uma banal queda de cadeira...

Nota: A única coisa que me apetece dizer sobre o acidente de ontem do Elevador da Glória, mesmo sem saber  ao certo o que aconteceu, é a dificuldade que temos em nos libertar dos facilitismos, que acabam por estar sempre ligados à maior parte das nossas tragédias.

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


quarta-feira, julho 09, 2025

O tempo em que ninguém "cora de vergonha"


Achei no mínimo curiosa a afirmação de Hugo Soares, de que o PS devia "corar de vergonha" em relação ao INEM e aos problemas do SNS no país. Nunca percebi porque razão os socialistas não respondem a estas provocações rasteiras, históricas. Mesmo não sendo eleitor do PS, faz-me muita confusão esta maneira "soft" de fazer oposição. Gostaria era de ver esta ministra e este Governo a terem de enfrentar uma pandemia. De certeza que seria o caos em todos os hospitais e centros de saúde, de Norte a Sul...

Mas o mundo esta ainda mais confuso e estranho que o nosso país. Sei que a proposta de Benjamin Netanyahu para a atribuição do Prémio Nobel da Paz a Donald Trump, é quase uma piada de mau gosto, e que vale o que vale, ainda por cima feita por um genocida. Já todos percebemos, que tanto um como o outro, dificilmente coram de vergonha. O curioso é saber se esta proposta merece sequer a ponderação dos suecos. Estamos a falar do cúmplice de toda a tragédia de Gaza, do autor de um dos ataques ao Irão e do responsável pela perseguição a praticamente todos os emigrantes dos EUA. Tudo coisas pacifistas...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, abril 21, 2025

Deixou-nos hoje o maior exemplo de humanismo, nestes tempos estranhos...


Nem de propósito...

Ligo a televisão e a primeira notícia que nos é dada, é do falecimento do Papa Francisco.

Há muito tempo que não tínhamos um Papa tão próximo das pessoas, tão cheio de humanismo. Simples nos gestos e nas palavras, nunca se escondeu atrás de nada, nunca teve medo de denunciar as grandes atrocidades do nosso tempo e de apelar à Paz, muito menos de enfrentar os "poderes ocultos" que sempre dominaram o Vaticano, abordando temáticas como a homossexualidade ou a participação da mulher na Igreja, sem o uso de subterfúgios.

A história diz-nos que nunca se sabe ao certo que nos irá trazer o "fumo branco"...

O ideal é que o Cardeal escolhido para substituir o Papa Francisco, partilhe o seu amor pelo próximo e tenha a coragem de dizer o que pensa, sem medo de qualquer poder, reforçando o seu legado pela Paz, pela Liberdade e pelo Amor.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, fevereiro 11, 2025

Pessoas que se acham "gigantes", mesmo que vivam em mundos demasiado pequenos...


Estive ao telefone com a minha mãe. Como de costume, com apenas uma ou duas palavras, juntaram-se uma imensidão de frases, quase todas com sentido.

Mesmo sem ter nada a ver com o assunto, quando passámos o olhar por este mundo que nos cerca, com tantos bandidos com o poder de matar, por esses continentes fora, fiquei a pensar nos "anões" que nos rodeiam, que quando se olham ao espelho fingem olhar para "gigantes".

E depois também passámos os olhos pelas pessoas demasiado vulgares que se acham os maiores de qualquer "cantadeira", mesmo que não consigam sair da mediocridade.

Ela sempre foi o pendulo de equilíbrio da nossa casa. Muitas vezes penso que é a melhor pessoa que conheço, por ser capaz de relativizar o "mal", e continuar a achar, com a proximidade dos 90 anos, que só se pode combater o mal com o bem.

Não adianta eu dizer-lhe que é impossível combater um Trump, um Putin ou um Netanyahu, com bondade... 

Claro que ela tem razão, mesmo que isso conte pouco nos dias que correm, porque todos percebemos que não se combate a guerra com a guerra, todos ficamos a perder, sempre. 

Quem mais deve sentir isso, são os ucranianos, os palestinianos, e os russos e israelitas que têm o coração no sítio...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)

 

domingo, julho 21, 2024

«Quando pensamos nos outros, fica mais fácil tomar decisões que sejam boas para todos»


Quando dizemos coisas simples e que têm sentido, é quase normal fazer-se referência a "La Palisse", como se ele fosse o "rei" dos lugares-comuns e das frase certeiras.

Mesmo que possa parecer quase um "hino religioso" (que deve ser dito nas milhares de capelas de culto, de todos os credos...), ninguém duvida da verdade que está dentro frase que escolhi para título destas palavras, da mesma forma que ninguém a leva a sério.

O que é certo é que ninguém chega ao poder, a defender coisas tão simples e essenciais, como a paz, o amor e a união entre os povos.

Os EUA são apenas mais um exemplo, em que a construção de muros e a expulsão de imigrantes, dão mais votos, que as políticas que facilitem a sua integração na sociedade.

Isso explica que embora a frase «quando pensamos nos outros, fica mais fácil tomar decisões que sejam boas para todos», esteja certa, ninguém a segue, muito menos ganha eleições com ela...

Mas este problema não é de agora, tem milhares de anos. É por isso que o planeta Terra sempre foi um lugar estranho para se viver...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, maio 23, 2024

«Nunca te esqueças, que aquilo que nos diferencia dos outros animais é a inteligência e não a esperteza»


Os avós normalmente são bons conselheiros, porque viveram e viram muitas coisas a acontecerem à sua volta. Mesmo que os netos (e até os filhos...) se esqueçam vezes demais disso...

Claro que nem todos os netos vão nas "suas cantigas". Muitas vezes olham-nos como pessoas que vivem num outro mundo, que já passou. E têm razão, só que não há futuro sem passado.

Foi por isso que apreciei a quase reprimenda (tão suave que quase não se sentia...) do Carlos para o Pedro, que excepcionalmente estava na nossa mesa: «Eu já te disse mais que uma vez, que prefiro que dês uso à inteligência que à esperteza.» Claro que ele não se ficou e foi buscar uma frase corriqueira, colando-a aos antigos: «Não são vocês que dizem que o mundo é dos espertos?»

Percebi que estava a assistir quase a um "duelo de palavras", entre um adolescente e um homem maduro, e que me devia manter em silêncio.

Mas pouco depois o Carlos encerrou a questão com uma frase lapidar, deixando o neto sem resposta: «Filho, nunca te esqueças, que aquilo que nos diferencia dos animais é a inteligência e não a esperteza.»

O meu pensamento naquele momento foi para Gaza e para a Ucrânia. 

Se aquela gente se aproximasse mais do humanismo e menos do animalismo... chegava-se com mais facilidade à paz, tão desejada pelo mundo inteiro...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, abril 14, 2024

«Não foi para isto que fiz o 25 de Abril!»


O meu único amigo, que foi "Capitão de Abril", era especial. Conversámos sobre muitos episódios que continuavam mal explicadas e outros que não nos deixavam qualquer dúvida, sobre todo o processo revolucionário.

Uma das coisas que mais o irritava, era ouvir, um ou outro camarada de armas, em momentos mais polémicos do nosso país, dizerem: «Não foi para isto que fiz o 25 de Abril!» 

Irritava-o por duas razões, pela exploração do "eu", quando a Revolução foi um Movimento Colectivo, mas sobretudo por saber que as questões mais importante tinham sido resolvidas com o 25 de Abril de 1974.

Ele dizia com um sorriso, que o MFA, além da democracia (que nem sempre é muito palpável), devolveu-nos a Liberdade e a Paz. E só por isso, a tarefa dos Capitães ficou cumprida. 

50 anos depois não tenho dúvidas, de que o Carlos, estava mais que certo...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, novembro 26, 2023

A véspera e o dia seguinte...


Li a entrevista de Mário Tomé no "Expresso" e embora seja de esquerda, não comungo de uma boa parte dos seus pontos de vista sobre o 25 de Novembro. 

Hoje digo, felizmente, que tinha apenas 13 anos no final de 1975. Isso permite-me ter o distanciamento necessário para fazer uma leitura e análise, mais profunda,  e também mais livre, sobre este dia, difícil de classificar.

Um dos meus melhores amigos nos últimos vinte anos era um "Capitão de Abril" (Carlos Guilherme), que embora pertencesse ao Movimento dos Capitães, no dia 25 de Abril de 1974 estava a terminar mais uma comissão, em Angola (que se prolongou no tempo, graças aos gritos revolucionários que se seguiram depois do 26 de Abril, de "nem mais um soldado para Angola"...). Mas no 25 de Novembro já estava entre nós e fez parte do comando de operações. Conversámos muito sobre os momentos mais importantes da Revolução (do 16 de Março ao 25 de Novembro).

Mas o que quero destacar é o testemunho que recebi dos principais intervenientes nestas duas datas histórias, durante os almoços promovidos pela Associação 25 de Abril, que tinham um convidado especial (Carlos Guilherme fazia questão de me convidar e estive presente em mais de meia-dúzia deles...), que depois nos brindava com uma palestra - normalmente era um "Capitão de Abril". Como devem calcular, os temas apresentados eram sempre pertinentes,  e tinham a vantagem de no final, serem debatidos e contrariados (se fosse caso disso...) pelos presentes, que também tinham sido "actores" nos mesmos "teatros de guerra".

Sobre o 25 de Novembro, escutei mais que uma intervenção. Não esqueço o testemunho do responsável pelo Forte de Almada, que na época era uma unidade militar. Ele pertencia à facção mais esquerdista dos militares, mas mesmo assim, obedeceu às ordens que recebeu de Otelo, para não distribuir armas a ninguém, nem que para fosse necessário colocá-las em celas fechadas e fazer desaparecer a respectiva chave. Nesses dias quentes houve várias manifestações populares no exterior do quartel (com tentativas de invasão do Forte...), organizadas pela extrema-esquerda.

Percebi através do testemunho de Otelo que, o que estava verdadeiramente em causa era a eclosão de uma guerra civil. O que os militares queriam evitar a todo o custo (tal como acontecera com a Revolução de Abril...), era o derramamento de sangue de gente inocente.  Foi por isso que ele acatou as ordens do Presidente da República, o general Costa Gomes, ordenando às  unidades que ainda lhe eram fiéis, para que não saíssem para a rua (com relevo para os fuzileiros...) , os únicos com capacidade para derrotar os comandos...) nem reagissem a provocações.

Há muito quem chame cobarde ao Otelo (especialmente as pessoas da extrema-esquerda). Eu tenho cada vez mais dúvidas de que o seu posicionamento no 25 de Novembro, seja o de um homem cobarde.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, outubro 24, 2023

A ONU cada vez mais "banalizada" pelos interesses das grandes potências...


Nem Putin tinha ido tão longe como foi agora o representante do Israel na ONU, que entende que defender a paz e as vidas humanas dos palestinianos que moram em Gaza, é estar ao lado dos terroristas do Hamas. 

António Guterres não tem poder mas não se deixa silenciar, e ainda bem. Mas é triste assistir a todo este vazio, que se foi instalando em volta da Organização das Nações Unidas, que tem cada vez menos peso efectivo no Mundo, em questões tão importantes como a paz entre as nações, os direitos humanos ou o respeito pela defesa do ambiente.

Isto só acontece porque as grandes potências mundiais (EUA, Rússia e China) sempre se preocuparam mais com os seus interesses particulares que com os interesses de todos nós. Conseguiram banalizar a ONU, que há muito deixou de cumprir o papel para a qual foi criada, após a Segunda Guerra Mundial.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, junho 24, 2016

Uma Exposição Admirável das Escolas

Tem estado patente da Sala Pablo Neruda do Fórum Romeu Correia, uma exposição feita pelos alunos e professores das escolas do concelho de Almada (acho que foi mais das Bibliotecas das escolas, embora não tenha a certeza...), com muita qualidade artística e até informativa.


A minha filha fez parte do Clube de Leitura da sua escola e também participou no projecto "Quantos Queres?", em que a paz, a guerra e os livros foram o tema dominante.

Apesar das dificuldades cada vez maiores em se ser professor no nosso país, noto que que a relação entre as escolas, instituições e população tem melhorado bastante nos últimos anos em Almada.

(Fotografias de Luís Eme)

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

«Sinto que não tenho vida.»


Quando uma mulher nos diz, com alguma serenidade: «sinto que não tenho vida.»

Perante a nossa perplexidade, adianta que se limita a sobreviver como pode, e como lhe deixam, saindo de casa apenas para trabalhar ou para ir às compras.

Continua os seus desabafos, afirmando que há anos que não vai ao cinema, ao teatro ou a um baile, ela que em nova gostava tanto de dançar.

Digo-lhe que não é velha, pois tem pouco mais de cinquenta anos.

Finge que não me ouve e acrescenta que quando olha para dentro de si, descobre não ter nada de relevante para dizer. 

Embora não seja uma mulher feia, demonstra não sentir qualquer interesse em se relacionar com alguém. Diz com um sorriso nos lábios que um homem foi suficiente para lhe dar cabo do juízo. 

«Afinal tenho uma coisa na vida, paz...», deixando-me sem palavras.

O que mais me incomodou neste quadro, foi ver esta mulher, apesar de consciente do vazio dos seus dias, completamente rendida à sua vidinha, sem ter vontade para alterar o que quer que fosse...

O óleo é de Lortiwa.

sexta-feira, dezembro 06, 2013

Um Adeus Anunciado


Embora as televisões se estejam a esforçar para "esgotar" a vida de Nelson Mandela, não o irão conseguir, por mais horas que usem de emissão.

Também não vejo esta notícia da morte do "Madiba", como algo triste e trágico. Até por ser algo que já se esperava há algum tempo.  

O mais importante é aproveitarmos o seu exemplo e os seus ensinamentos, como cidadão do mundo de excepção.

A maior pena que tenho é que Nelson Mandela não tenha sido um elemento inspirador para a maior parte dos países do continente africano, que preferem o clima de"guerra" e de grandes contrastes sociais, à paz e à solidariedade.

O óleo é de Victor Bregeda.

quinta-feira, novembro 29, 2012

Voltar...


Depois de ontem ter escrito aquelas palavras, quase enigmáticas, aqui no "Largo", adiei mesmo tudo o que tinha para fazer. Fiz um telefonema e fui até às Caldas, almoçar com a minha mãe.

É bom voltar, mesmo quando a chuva aparece a meio da viagem e nos possa impedir de ir aqui e ali, até por não termos levado chapéu de chuva...

Eu sei como é bom olhar, como é bom conversar, como é bom amar...

Durante a viagem tive a companhia de Rodrigo Leão, das músicas do seu cd duplo, "O Mundo" (1993-2006). Gosto de conduzir ao som de música calma, para controlar aquela coisa que parece "febre do volante", que por vezes nos torna "irracionais", pelas estradas fora, para não lhe chamar outro nome...

As palavras e a música levaram-me ao cinema. Notei em várias canções do Rodrigo a tal musicalidade que descobri em muitos filmes, que me ficaram no goto. Lembrei-me de algumas fitas italianas e da sua sonoridade muito própria, assim como do som do acordeão francês, tão diferente do tradicional português dos bailaricos e folclores, bem recuperado pelo Rodrigo, como já tinha sido pelos "Madredeus", provavelmente graças à sua influência musical, como um dos fundadores do grupo.

Em suma, foi bom adiar e voltar...

O óleo é de Armando Barrios.

sexta-feira, abril 06, 2012

O Outro País


Vou passar três dias ao Interior, ao outro país, que sentirá a crise de uma outra forma. Ou seja, onde as pessoas voltaram a ficar quase isoladas, onde se recuou no tempo e voltou ser possível morrer em paz e em solidão. Algo que nem desagrada de todo a estes idosos das aldeias isoladas, que sentem pavor só ao ouvir a palavra hospital...

É normal encontrar mulheres resistentes (duram sempre mais tempo e suportam melhor a solidão e o fel da vida que nós homens...) sentadas em bancos, próximos das suas casa, como se fizessem uma espera ao futuro, cada vez mais próximo...

O óleo de Ursula McCannele, exprime a paisagem que costumo encontrar, só faltam mesmo as vestes negras da sua viuvez...

quinta-feira, outubro 20, 2011

Coisas do Mundo


Sempre que desaparece um ditador, o mundo devia ficar mais livre, justo e fraterno.


Infelizmente, quando olhamos à nossa volta percebemos que nem sempre isso acontece...

O óleo é do almadense Albino Moura, um grande artista em qualquer parte do mundo.

quarta-feira, abril 22, 2009

Liberdade não é Apenas uma Palavra

É Abril, mês da Liberdade, mês da Terra, mês do da Esperança...
Apesar de sermos uns distraídos, a Liberdade sempre teve princípios.
O seu princípio mais simples e mais óbvio é conseguirmos interiorizar que só somos verdadeiramente livres, quando sentimos que Liberdade é respeitar os outros, no espaço, no tempo e nas diferenças...
Claro que nem sempre o conseguimos...
E quem mais tem sofrido com as nossas distracções, tem sido o Planeta onde vivemos...

domingo, dezembro 30, 2007

A Paz é Possível

Há exactamente trinta e cinco anos um grupo de católicos e democratas ocuparam a Capela do Rato, com o objectivo de comemorar o Dia Mundial da Paz, com uma vigilia de 48 horas, onde se chamava a atenção para dentro do país que, "A Paz é Possível", tendo como pano de fundo o protesto contra a Guerra Colonial, para onde eram enviados todos os anos, milhares de jovens portugueses.
As polícias do regime invadiram a Capela e detiveram cerca de setenta pessoas, ao mesmo tempo que encerravam este lugar sagrado.
A fotografia simbólica é de Sebastião Salgado, em Luanda.

terça-feira, maio 08, 2007

A Vitória da Democracia


No dia 8 de Maio de 1945 terminou a Segunda Guerra Mundial, na Europa, com a rendição incondicional da Alemanha, em Berlim.
A vitória dos Aliados foi festejada por toda a Europa, inclusive em Portugal, onde até Salazar teve de se fingir contente, com esta grande afirmação da democracia sobre o totalitarismo. Foi quase forçado a prometer mudanças, que não passaram disso mesmo...
Neste dia inesquecível, o povo de Almada também saiu à rua, dando vivas à Paz e à Liberdade!

A gravura que acompanha o texto mostra-nos as comemorações do dia da vitória em Londres.