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segunda-feira, agosto 31, 2026

Tantas vezes que uma coisa é uma coisa e outra coisa, é outra coisa...


Tive de partir a conversa sobre a genialidade de alguns escritores como o nosso Lobo Antunes, em dois.

Acontece demasiadas vezes estarmos à conversa e misturarmos assuntos, ao ponto de fingirmos que não percebemos que uma coisa é uma coisa e outra coisa, é outra coisa. 

Pois... à mesa, nem sempre temos agilidade suficiente para "separar as águas". Felizmente, as palavras escritas são muito menos complicadas que as palavras faladas...

Ou seja, além de se falar do escritor, também se falou dos seus leitores, dando realce aos "compradores de livros com autógrafo", mais coleccionadores que leitores, tanto do António como do Saramago e companhia...

Foi a Carla que melhor caricaturou o tal sujeito (não deixa de ser curioso, que fizesse um boneco engraçado masculino...), oferecendo-lhe um lenço ao pescoço e colocando-o na primeira fila dos lançamentos dos chamados consagrados (os "eusébios" dos livros...), de perna cruzada, com mão no queixo e ar interessado pela tramóia bem resumida pelas palavras do apresentador. Sem se esquecer de dizer que ele é sempre um dos primeiros a ir para a fila para sacar o respectivo autógrafo do livro que tem o destino habitual: embelezar a estante cheia de livros assinados, que nunca leu, nem vai ler...

Todos sorrimos, por gostarmos de ter amigos que têm a capacidade de fingir que o mundo é muito melhor do que é, dizendo coisas que fazem sorrir as mesmas pedras da calçada, que soltam lágrimas com os fados da desgraçadinha...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, agosto 16, 2026

O dia a seguir a ontem...


Depois de ontem ter escrito sobre os "verdadeiros artistas pop", fiquei a pensar, que ainda bem que nunca tive muito jeito para as músicas, tanto para tocar como para cantar. 

Nunca se sabe o que poderia acontecer, se eu pensasse que tinha algum "jeito para a coisa"... Na volta, até poderia fazer como milhares de homens e mulheres, de todas as idades, que "gravaram" nas suas cabecinhas, que podiam ser "cantores à força".

Estou a escrever no "canal da crítica" e eles até são capazes de fazerem falta... Talvez o Agosto festeiro das nossas aldeias não fosse o mesmo sem eles... 

Assim como os programas de entretenimento dos fins de semana, que se alimentam com os seus "playbacks" (gratuitos) e as suas bailarinas com mais pele que roupa...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, agosto 09, 2026

«O que é que te incomoda mais nos domingos?»


Não sabia qual era a melhor forma de dizer, que não havia nada de especial, que me causasse incómodo, nos domingos, tanto de manhã como à tarde.

Depois de deixar a esplanada que tem sombra durante as manhãs, fiquei a pensar na frase, «O que é que te incomoda mais nos domingos?»

Havia muitas coisas que tinham mudado, mas quem queria, e gostava, podia continuar a ir à missa de manhã e ao futebol de tarde, por exemplo.

Foi quando me lembrei de um pequeno pormenor, dos "condutores de fim de semana", que gostam de ensaiar passeios lentos pelas ruas da cidade, para não cansarem muito os motores das suas bombas de garagem ou de capa...

Mas nem eles eram um "incómodo", porque só andava de carro aos domingos, se fosse mesmo necessário...

Mudei logo de pensamento e sorri ao olhar para a leveza das minhas roupas, ao mesmo tempo que fingia não ter no roupeiro um simples "fato de domingo"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, agosto 03, 2026

Tinha-me esquecido, por breves momentos, de que o mundo era dos espertos...


Não sei se faziam uma escala diária, mas às sete da manhã havia alguém que saía de casa com o chapéu de sol, duas cadeiras e duas toalhas, para "reservar" uma parte do areal da praia de Armação de Pêra.

Com um sorriso maroto, disse-me que aquela hora estavam longe de ser os primeiros ou segundos a "marcar território".

Tudo aquilo me pareceu estranho, por na minha praia haver espaço suficiente a qualquer hora do dia, para montar um "mini acampamento de índios". O mais curioso, é que para ele, aquela "ocupação" era a coisa mais normal do mundo...

Tinha-me esquecido, por breves momentos, de que o mundo era dos espertos...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


sexta-feira, julho 31, 2026

Nunca percebi (ou nunca quis perceber...)




Nunca percebi porque é que as férias parecem sempre tão curtas, em especial quando se aproxima o seu final...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


domingo, julho 26, 2026

Malvados preconceitos (e logo a "triplicar")...


Uma das formas que continuo a gostar de "passar tempo" é dentro de livrarias, enquanto as meninas andam a passear dentro das lojas de peças de roupa.

Foi numa dessas passeatas que fui surpreendido ao olhar para uma estante por um título "daqueles", que fazem furor na chamada "literatura de cordel". Quando li o nome do autor (com a fotografia do próprio escarrapachada na capa...), um actor ainda jovem, que aparece nas telenovelas, pensei ter ficado esclarecido.

Aquele título, "Tudo o que nunca te disse, meu amor", percebia-se à légua, que piscava o olho a jovens adolescentes ou pré-adultas (e porque não tias solteironas?). A fotografia na capa, idem idem aspas aspas. E depois a escolha de um actor jovem como escritor romântico (que até pode ter jeitinho para a escrita, mas...), indicava que havia por ali mais comércio que literatura.

Depois de virar as costas, percebi que no que tocava a livros, a minha crítica de capa continuava cheia de preconceitos. E desta vez a "triplicar"...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


sexta-feira, julho 17, 2026

O outro lado da coisa, ou seja, quando a televisão parece que se vira de pernas para o ar...


Talvez fosse dia de falar do ministro da Educação. Talvez...

O problema é que o ministro da Administração Interna gosta muito mais de ser notícia e de falar para os microfones que o professor Fernando...

Isso já se notava quando estava à frente da PJ e não perdia uma oportunidade de aparecer à frente das câmaras, a fazer um número, pequeno ou grande, de "super-herói". 

Já se percebia que aspirava a mais. Como bom comunicador que era, devia sonhar ter ainda mais televisões à sua volta... 

E um dia lá conseguiu chegar a ministro.

Talvez ninguém lhe tenha dito, que havia um outro lado, mais chato, nessa coisa de se ser governante. Sim, iria ser confrontado com os especialistas em "sacar esqueletos do armário", que também adoram saber coisas através de chamadas falsamente anónimas.

Mas nem era preciso. Como director da nossa principal polícia de investigação, sabia bem demais como é que as coisas funcionavam tanto nos corredores do poder como nas redacções.

É por isso que é demasiado estranho que ele não se tenha libertado dos vários "rabos de palha", que aparecem, cada vez que alguém abre uma porta num dos seus montes alentejanos...

E alguns são enormes. Segundo consta, um deles é  do tamanho do reboque de um camião tir...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sábado, julho 11, 2026

Memórias (boas) das praias do Alentejo...


Conheci as praias do Alentejo, quando ainda não estavam muito na moda e era possível fazer "campismo selvagem".

Acho mesmo que só Vila Nova de Milfontes e o Porto Covo é que se começavam a aproximar da Costa de Caparica. Zambujeira do Mar ainda era outra coisa...

A Comporta era uma aldeia, onde era difícil escapar à melga e ao mosquito, por causa dos arrozais e das margens lodosas dos canais do Sado, que ficavam próximas. O mar era parecido com o da "praia da minha vida", com ondas sonoras e quase selvagens... Era quase só para quem tratava o Oceano com bastante familiaridade, como era o nosso caso...

Tudo isto se passou há mais de quarenta anos... no começo dos anos oitenta do século passado. Os únicos estrangeiros que se encontravam na zona eram "hippies", donos de carripanas velhas, que acampavam em qualquer lugar calmo, onde não fossem incomodados...

Até cheguei a conhecer uma ou outra praia perto do Presídio do Pinheiro da Cruz, assim como alguns dos seus guardiões, que acabávamos por descobrir que eram velhos presos, que cumpriam parte das suas penas em regime aberto...

Lembrei-me de tudo isto, apenas porque sim. Mas ainda fui capaz de pensar: "O que será que os milionários fizeram às colónias de melgas e mosquitos, que também escolhiam a zona da Comporta como lugar de férias?"

(Fotografia de Luís Eme - Vila Nova de Milfontes)


domingo, julho 05, 2026

As boas das esplanadas, as conversas e o uso e abuso do "clube dos amigos disney" na televisão...


O calor não dá tréguas, nem mesmo nas esplanadas lisboetas. Ou seja, as horas do café neste Verão são menos conversadas que noutros tempos.

Espero que as línguas não enferrujem e não se perca este bom hábito tertuliano, de se "dizer mal de toda a gente", cara a cara, com sorrisos, caretas e rostos fechados, ou seja, com emoções para todos os gostos.

Recordo que a última conversa com alguma polémica e desacordo que tivemos foi sobre a televisão e o velho hábito de se convidarem os amigos para tudo e mais alguma coisa.

Todos nós sabíamos que é necessária alguma cumplicidade - e até amizade - para que as coisas corram bem em qualquer projecto. Quando conhecemos alguém que já trabalhou connosco, e é bom nessa área, o normal é falarmos com ele e não com um desconhecido...

Claro que a televisão abusa do amiguismo. Houve mesmo quem desse exemplos do que se passa na escolha de actores para as telenovelas. Há exageros claros e gente que quase que é "banida", por pequenas coisas que acontecem (às vezes apenas por deixarem de namorar alguém influente...).

Todos sabemos que há outras formas mais saudáveis de trabalhar, só que  muitas vezes, os amigos são  as únicas pessoas que acreditam e estão disponíveis para colaborar nos nossos projectos (é normal não estarem excessivamente preocupados com o dinheiro que irão ganhar...).

Espero que no máximo, Setembro nos traga os sorrisos e as línguas afiadas de volta... 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, junho 22, 2026

Quase "certificados (ou atestados) de sexualidade"...


Uns familiares afastados, quase que nos obrigaram a entrar na sua casa, com o argumento de tomarmos o café, que íamos beber à Associação Cultural local, quando passámos pela sua rua. Acabou por ser uma visita de médico agradável.

Um dos aspectos curiosos que mereceu a atenção dos meus filhos, foram duas fotografias, de nus, de bebés, dos dois filhos do casal, que são da minha geração, expostas em cima de um dos móveis da sala.

Começaram por "gozar" o prato, afirmando que eu e o meu irmão também devíamos ter fotos daquelas na casa da avó. Acabámos os quatro a sorrir. Argumentei que foi um pormenor que escapou à nossa família, e ainda bem. Isso fez com que nós também não explorássemos a sua nudez em bebés...

Quase em coro, os meus filhos disseram, "que pena". E nova gargalhada geral.

O mais curioso, é que a maior parte destes retratos eram tirados no atelier de fotografia. Sem encontramos uma justificação, achámos devia ser uma moda geracional, que ajudava as lojas de fotografia a sobreviverem.

A conversa ainda avançou mais, ao ponto de se falar em "certificados (e atestados) de sexualidade", a prova de que éramos meninos ou meninas... 

Algo que hoje não prova grande coisa (a não ser para o "toureiro"do CDS...), pois há quem tenha pilinha e se ache mulher e quem tenha pipi e se sinta homem...

(Fotografia de Luís Eme - A Foto Franco é uma boa resistente, que continua com a sua loja história aberta, na Rua das Montras das Caldas. E tem exposta, com orgulho, uma fotografia do  actual Presidente da República).


sexta-feira, junho 12, 2026

Nem à sombra se está bem em Almada (quanto mais na Amareleja)...


A meio da tarde, um dos meus vizinhos disse, com alguma graça, quando se cruzou comigo há entrada do nosso bairro: «Se Almada está assim, nem quero imaginar como está Beja. Eu não fui de modas e respondi-lhe, «E da Amareleja, nem é bom falar.»

Continuámos a sorrir os dois sem perder o nosso andamento, calmo, quase de alentejanos, em direcções opostas.

Antes tinha estado numa mesa mais intelectualizada, onde se falou de cinema e de sondagens fabricadas, a quererem arrumar de vez com o mundo dos filmes, com gente com pouca vontade de sorrir.

Não percebi muito o porquê daquele "coro de indignações", pois praticamente desde que me conheço que sei qual é a fórmula para as sondagens, nos darem os resultados pretendidos. O partido mais populista e a televisão mais popular são bons nisso. Esqueci-me de lhes dar estes exemplos.

Continua a ser difícil é dizerem que está a cair neve na Amareleja, de resto vale quase tudo...

(Fotografia de Luís Eme - Alentejo)


quarta-feira, maio 20, 2026

Escrever sempre foi diferente de falar...


Escrever sempre foi diferente de falar. 

(grande novidade, não é?)

As palavras não nos escapam com tanta facilidade, não nos enganamos tanto com o uso que damos ao português, pela falta de ponderação ou simplesmente de vocabulário...

Falei do livro que estou a ler, um quase diário, que não o chega a ser. Sim, é mais um livro de observações. É curioso, mas o autor só fala de nomes de gente quando escreve de uma forma positiva sobre essas ditas pessoas. Quando faz um comentário mais agreste, esconde-os atrás das palavras...

E não somos todos assim? Questionou muito bem a Carla.

Somos e não somos. Depende do que se diz e também a quem se diz. 

O Rui trouxe outra curiosidade para a mesa, o facto de nunca termos cultivado muito este género literário, As excepções que confirmavam a regra eram Vergílio Ferreira e Miguel Torga, e de uma forma mais disfarçada, Fernando Namora (o livro de que falo é dele, com um belo título, "Jornal sem Data"...) e mais um ou outro autor.

O Carlos acrescentou que lhes devia faltar "vidinha". Como nunca foram escritores de café nem de tertúlias, montavam as mesas e as cadeiras em casa e chamavam uma ou outra personagem, apenas para lhes fazerem companhia e "vingavam-se do mundo dos outros"...

Provavelmente estava certo. Era possível que lhes faltasse mais mundo, mais rua, mais conversa fiada...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, maio 13, 2026

Esta coisa curiosa de se ser líder...


Quando ouço falar de liderança, fico sempre com alguma vontade de rir.

Digo isto porque fiz parte de uma instituição, que costumava inscrever os seus quadros médios em cursos deste género (muito uteis, diga-se de passagem, também por lá andei e aprendi alguma coisa, quando mais não fosse, pelas partes lúdicas da coisa, que além de nos divertirem, também nos faziam pensar...).

Ou seja, quem realmente precisava destes cursos na "fábrica" - as chefias - não os frequentava (já sabiam tudo, os "sabões"...). Nunca percebi bem porquê.

Claro que muitas vezes o tiro saia-lhes pela culatra, porque um ou outro colaborador mais sabido, era capaz de lhes dizer, quando usavam e abusavam do poder que tinham, que as "moscas não se apanhavam com vinagre". Ou então, que não tinha sido isso que tinham aprendido no tal "curso" (que eles não frequentavam)...

Toda esta conversa a propósito da aparente falta de liderança do presidente do Benfica, quando comparado com os seus adversários do FC Porto e do Sporting.

Eu não conheço o Rui Costa, pelo que não posso dizer se é o "banana" que algumas pessoas nos querem fazer querer. Acredito que não seja. Mas ele já devia ter percebido, que a liderança não se faz apenas para dentro, também se faz para fora.

E os silêncios dele, são realmente ensurdecedores...

Nota: Reparei agora que me enganei no "éfe", era dia de falar de fátima e falo de futebol...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, maio 05, 2026

A cor do sangue e das maneiras...


Sempre me fez confusão que quem nos trata mal esteja à espera de ser bem tratado, seja na rua, numa loja ou mesmo em casa.

Mas acontece...

Talvez seja isso que nos faça perceber que a cor do sangue não deve ser igual para todos, pelo menos em algumas cabecinhas.

É possível que algumas pessoas pensem mesmo que têm sangue azul...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, março 11, 2026

Não há bela sem senão...


A sabedoria popular diz-nos quase tudo...

Como diria o outro, são milhares de anos a "virar frangos", desde o tempo em que nos vestíamos de peles... O que nos dá uma conhecimento do mundo real, ao ponto de sentirmos necessidade de andar sempre a bater à porta da ciência.

Hoje almocei com a minha mãe e o meu irmão e esqueci-me de lhes falar disto. Sim, quando tudo nos está a correr bem, tem de haver sempre qualquer coisa a correr mal... como se tudo estivesse alinhado com este mundo, para nos mostrar que a perfeição também está cheia de "buracos"...

E nós lá temos de nos aguentar, porque não há mesmo uma "bela sem senão"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, março 10, 2026

Coisas curiosas do "melhor transporte do mundo"...


O comboio já não faz "pouca-terra", "pouca-terra". As janelas das carruagens também já não abrem, muito menos deixam os cabelos a esvoaçar ao vento...

Mesmo assim, continua a ser o melhor transporte do mundo.

No seu interior, as pessoas quase que não falam umas com as outras, preferem comunicar com os seus "rectângulos mágicos", que lhes oferecem notícias, mesmo sem pedirem.

Foi por isso que estranhei as duas miúdas que estavam mesmo à minha frente, que falavam pelos cotovelos e sorriam como se estivessem em casa.

Quando se levantaram para sair, pensei que podia ter dito uma daquelas coisas que nunca se devem dizer: «As coisas que fiquei a saber sobre ti, miúda! Até me contaste que não gostas de azeitonas.»

Falando mais a sério, foi por serem tão raras estas animações humanas, que ofereci estas palavras às duas meninas que têm um mundo à sua frente. Provavelmente muito mais complicado que este em que temos vivido...

(Fotografia se Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, fevereiro 24, 2026

A nossa convidada disse coisas que normalmente não diz e nós também dizemos coisas que normalmente ficam fora das nossas conversas...


Vinha para casa e comecei a pensar que talvez nos achemos demasiado importantes para estar a falar da telenovela da noite, à mesa da esplanada do café (olá camarada Sol)... 

Ou não. Muitos de nós estão de tal forma viciados em documentários e notícias, que evitam mesmo o seriado duplo ou triplo das televisões "rainhas" das audiências. Outros preferem a distracção e o humor dos "podcasts". Há ainda outros que preferem ir ao cinema dentro de casa, ou então ver "cinquenta episódios" seguidos da série da moda.

Telenovelas é que não vêem, é coisa para velhos ou donas de casa...

Chegou aquela mulher disse boa tarde e abancou, quase sem pedir licença (só depois é que percebemos que era a "nova amiga" do Rui).

Uma das primeiras coisas que disse foi que ia estrear uma novela que devia ser boa, cheia de "Páginas da Vida". Olhámos uns para os outros, sem saber o que dizer, como se de repente ficássemos fora de pé e todos nadássemos pessimamente.

Foi coisa de segundos. De um momento para o outro, já estávamos a falar de namoros de revistas, de pessoas de plástico e de outras cheias de plásticas. A coisa até se tornou divertida, embora fugisse ao tom habitual.

Mas a melhor frase da convidada ainda estava para vir, quando ela salientou uma das nossas diferenças: os homens somam mulheres ao seu currículo e as mulheres subtraem homens da sua conta pessoal.

Acabámos todos a sorrir. 

Ela foi a última a chegar e a primeira a partir. E não deixou de ser uma agradável surpresa, por nos conseguir levar para outras conversas. 

O mais curioso foi o Rui começar a desculpá-la, tentando dizer-nos que ela normalmante não é assim, não diz aquelas coisas, etc. Como se isso tivesse alguma importância... Nós, normalmente também falamos de outras coisas. E nem soube mal de todo "mudarmos de rua" e fazermos quase uma vénia à Dona Lili...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, fevereiro 18, 2026

Sim, fala-se menos e escreve-se mais (coisas curtas e grossas)...


Falámos sobre falarmos menos uns com os outros, em todo o lado, em casa, no trabalho, nas ruas.

Reparámos que até nós falamos menos uns com os outros. Desculpámo-nos com o Inverno que este ano decidiu ser um Inverno a sério, com todo o tipo de tropelias. Até obrigou a recolher as duas ou três esplanadas que fazem parte dos nossos roteiros... Bebemos café ao balcão porque detestamos o interior dos cafés e pastelarias com temperaturas de Verão e ofertas simpáticas de vírus de gripes de várias cores.

O Carlos continua a ser o nosso "farol". Só ele mesmo para dizer que: «Fala-se menos para escreve-se mais. Daquelas coisas curtas e grossas que cabem dentro dos telemóveis, que tanto nos podem "derreter" como deixar furibundos.»

É verdade. Mas também se fala menos, porque nos fartámos dos "estranhos" que estão sempre a querer contactar connosco. Pobres diabos, vivem disso, do negócio de "impingir" coisas, seja via telefone seja na rua ou à porta de casa. Palavras sábias da Carla.

O Rui deu mais ainda uma achega a esses tocadores de campainhas, «tu não abres a porta da rua, mas há sempre um estúpido, normalmente do segundo esquerdo, que abre o trinco.»

Sorrimos, sem ir à procura da lógica do segundo esquerdo. Felizmente nenhum de nós mora numa fracção com esse número, para chamar o Rui de mentiroso.

Sabe bem falar com  leveza, neste dias pesados...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, janeiro 19, 2026

A televisão que finge ter ideias...


A televisão dos comentadores é um mundo à parte, quase parecido com o das marionetas. É por isso que entram e saem dos programas, com gravatas, vestidos e ideias diferentes. 

Às vezes só são precisos alguns minutos para darem um salto até ao "circo" e fazerem o pino (mesmo que seja mal feito...) ou vestirem-se de palhaços para fazerem daquelas piadas que não são para rir.


O curioso é  esta profissão para alguns comentadores já ter guião, uns vão "discordar" e outros vão "concordar". Não interesse com o quê. Isso é apenas um pormenor...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

sexta-feira, janeiro 16, 2026

Claro que não é bem assim, mas...


Há já algum tempo que não falo por aqui das conversas com alguns camaradas de ofício.

Isso acontece porque nos últimos tempos tive menos disponibilidade para estar com eles. 

O mais curioso é que raramente estamos de acordo quando falamos de política, mas desta vez ninguém foi capaz de encontrar qualquer qualidade que fizesse sobressair um  dos cinco candidatos à presidência da República, que têm possibilidades de chegarem à segunda volta.

Desta vez exagerámos, ao ponto de usarmos adjectivos, daqueles que não podem ser transcritos por aqui...

Nunca foi tão óbvio, que qualquer um de nós podia ser também candidato, e nem precisávamos de andarmos armados em "Afonso Henriques"...

 (Fotografia de Luís Eme - Lisboa)