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30/08/2018

Um dia bem passado- Castelo Branco I

As férias são aproveitadas para ler, descansar e reencontrar os amigos, neste caso a Isabel.
Há muito que prometia ir visitá-la, o momento chegou e a minha amiga proporcionou um dia muito agradável onde o riso, a conversa e a cultura tiveram lugar.

Obrigada, Isabel! 

Castelo Branco - A Torre do Relógio



Um dos caminhos que calcorreámos foi para o Centro Cultural de Castelo Branco que tinha uma exposição sobre ilustração e ilustradores - VIII Bienal Internacional de Ilustração para a Infância. Ali havia beleza, originalidade quer dos trabalhos apresentados, quer da forma como estavam expostos aos olhares dos visitantes.

Gostei de muitas ilustrações, aqui deixo uma pequena mostra. 

Ilustradores Italianos



Ilustrador belga

Ilustradora portuguesa


Exposição de Ingrid Godon, ilustradora belga, com uma mostra de 100 trabalhos.




15/02/2016

A arte e a leitura

Recebi o Principezinho, de Antoine Saint-Exupéry, numa edição com anotações manuscritas por José Luís Peixoto e ilustrada por Hugo Makarov, da Expresso/Visão com a tradução de Ana Cunha Ribeiro da tradução: Bertrand, Editora, 2015.
O livro é uma obra de arte como é o do autor da história. As anotações são interpretações pessoais (análise com a qual podemos concordar ou não); nelas encontra-se a história de Saint-Exupéry.
Foi com gosto que reli a história e que li as anotações. Sendo uma nova edição interpretativa faz sentido ter uma nova ilustração, também ela resultado de uma reinterpretação das imagens e do texto. 
Em suma, gostei. Obrigada, Isabel.

O Principezinho, pp. 46 e 47



pp. 48 e 49

Creio que, para a sua evasão, ele terá aproveitado uma migração de pássaros selvagens. (p.49)

pp. 74 e 75
p. 75

Vejam tão novinho!

06/08/2015

Crazy

Vi muito pouco a Betty Boop ( criada por Maximilian Fleischer 1883-1972) mas achava-a uma personagem engraçada, talvez porque pertencia a uma época que não era a minha. 

Não sei porquê mas não consigo ter este sorriso a fazer limpezas de Verão.

Imagem retirada de Advertising Archives . cortesia do Google

Porém, nem tudo é mau, encontram-se livros que pensava não tinha, cds que não se ouvem há séculos.
Encontrei o Livro Geração do Novo Cancioneiro. Poemas ditos por Maria Barroso e música de Luísa Amaro. CD incluído. Uma boa surpresa de uma grande senhora.
Andei à volta de Cd's e Dvd's a limpar e a arrumar as estantes da sala. 
A sala é o meu local preferido e onde passo mais tempo, onde trabalho, onde leio, raramente vejo Tv mas se vejo um filme é na sala. Pois é nela que tenho os livros de arte os cd's e Dvd's.

Apesar do cansaço quis agradecer os comentários do registo anterior e a seu tempo responderei.

Junto aos disco de Jazz, sem sentido, estava Patsy Cline. Aqui fica

O meu estado após o dia inteiro de limpezas.:))

29/03/2015

Regresso à infância

Quem não gosta de histórias de encantar? Quem não leu os Contos dos irmãos Grimm? 
A história que trago em imagens é o conto de fadas do Príncipe Sapo, na versão dos irmãos Grimm, . Porquê?

Ilustração por Warwick Goble  (1862 -1943),  1913. (daqui)
Ilustração por Warwick Goble

Ilustração para o Príncipe Sapo, 1874,    Walter Crane, (1845-1915)


BNP - Os irmãos Grimm em Portugal, Exposição em 2012.


A resposta prende-se com um presente para a minha colecção de sapos. Ganhei um príncipe.:))
O boneco é giríssimo, tal como a história que me encantou na infância, transforma-se num fechar de olhos dando o sapo lugar ao príncipe.




Os irmãos Grimm, exposição na Biblioteca Joanina, Universidade de Coimbra


01/06/2014

Poesia, livros e pequenos nadas - 2

No Dia Mundial da Criança
Numa tarde branda de Julho
Desliza um barco calmante
Sob o céu resplandescente.

E esta história é a minha oferta
Às três crianças de antigamente,
Escutando de ouvidos alerta.

Julho congelou com o frio de Outono!
Há muito que o céu se toldou
E que o eco da memória se calou.

Todavia, Alice, de passos incertos,
Vagueia ainda nos campos desertos
Nunca vista por olhos despertos.

E eu hei-de continuar a contar
A todas as crianças que virão
A história desse outro Verão.

Crianças do País das Maravilhas,
Que levamos dias sonhando.
Que passam os dias cantando.

Deslizando pela memória
Do seu passado risonho,
Que é a vida senão sonho?

Lewis Carrol, Do Outro Lado do Espelho* 

Um mini-livro para a colecção de Alice no País das Maravilhas

Los Libros Mas Pequeños del Mundo, Peru.
Ilustração Franco Martinez Luis 
O livrinho mede 6,5x  4,5 cm

Alice no País das Maravilhas, Publicações Dom Quixote.
Ilustrações de John Tenniel

*Imagem retirada do livro: Lewis Carroll no país das maravilhas
um livro de Stephanie Lovett Stoffel.  Publicações Quimera. 
Ilustração de John Tenniel
* Imagem do livro de Stoffel. Ilustração de John Tenniel
Pinturas de Diego Muñoz, Lewis Carrol -  As Aventuras de Alice no País das Maravilhas, vol II 
publicado pelo Expresso

Katie Brine, fotografia de Lewis Carroll (* proveniência)
(Charles Lutwidge Dodgson) Filha de amigos. 
A inspiração sobre a fantasia e a infância estava presente nas filhas de amigos.
*Imagem retirada do livro:Lewis Carroll no país das maravilhas
um livro de Stephanie Lovett Stoffel

Joseph Noel Paton, A Reconciliação de Oberon e Titânia, 1847, 

A beleza do quadro e a ligação ao Sonho de Uma Noite de Verão de Shakespeare

01/05/2014

Os meus tenores - Lawrence Brownlee

No dia do Trabalhador
Una furtiva lagrima para todos os que vêem os seus direitos desrespeitados. 
Outra lágrima para todos os que se encontram desempregados. 
Ainda outra para os que são obrigados a partir. 
Tornámos-nos num país de fuga. 

Alexander Mann (1853-1908) Artificial Flower Workers, s.d
 

                      Elixir de Amor , daqui                                        


Lawrence Brownlee
Fotografia de Larrynx, Cortesia do Google




Para ouvir no caso do primeiro vídeo ter problemas.


Agradeço a Xilre que me deu a conhecer este tenor.

05/04/2014

A Flor, Redacções da Guidinha

Um regresso ao passado devido à nostálgica chuva persistente. 
Guidinha, um nome que me é caro. Assim se regista esta homenagem a Luís de Sttau Monteiro que nasceu a 3 de Abril de 1926 e faleceu a 23 de Julho de 1993. Foi escritor, jornalista e dramaturgo. Tinha um notável sentido de humor.

Redacções da Guidinha, ilustração de Luís Osório
A Flor
As flores não se comem e é por isso que elas não têm medo de crescer nos caminhos e nos parques porque se as flores fossem de comer já havia grémio das flores e outras coisas iguais e vai de vez em quando a gente ficava a vê-las por um óculo como acontece ao bacalhau que não é flor e que se come mas as flores têm graça porque não se comem mas bebem-se quando a Vovó começa a falar alto ao jantar e a dizer mal de um senhor que se chama Kaiser e que parece que já morreu mas ela não acredita e diz que a culpa de tudo é dele a minha Mãe dá-lhe chá de flor de laranjeira e manda-a para a cama e às vezes não é preciso chamar o doutor mas às vezes é aqui ao lado mora uma senhora chamada D. Lisabete que tem flores num caixote à janela e rega-as todos os dias com uma cafeteira que comprou com tampas de detergente e mais cinco escudos que é o preço da cafeteira mesmo para quem não tem tampas de detergente e a água cai por um buraquinho que há no caixote em cima das pessoas que passam na rua e elas ficam danadas e gritam cá para cima a mandar a D Lisabete fazer chichi para casa do Diabo o que é muito mal criado e indecente porque a D. Lisabete faz muito pouco chichi porque tem uma doença coitadinha que se chama retenção e às vezes tem de ir fazer ao médico mas não se pode falar nisso porque eu uma vez vi-a chegar a casa e perguntei-lhe se ela tinha feito uma boa chicha no médico que sabe tão bem e ia levando com uma galheta sabe-se lá porquê o que também tem graça nas flores são os bilhetes que vêm com elas uma vez um rapaz que trabalha na florista da esquina trouxe um ramo à menina Odette e no meio havia um bilhete que dizia aqui vão amores-perfeitos para celebrar um amor-perfeito mas é mentira que lá em casa  da menina Odette não estavam a celebrar nada...

Luís de Sttau Monteiro, Redacções da Guidinha. (Ilustradas por Luís Osório) Lisboa: Ática, 1971, p. 127-128.
(Crónicas publicadas no Diário de Lisboa entre 1969 e 1970)

21/09/2013

E todas as noites...

Um trecho ilustrado por Maria Keil. 

E todas as noites a Cila, em vez de conversar com a boneca, conversava com a lua até o sono chegar. E, enquanto ela dormia, a lua fugia da caixinha de vidro, andava pelo quarto, fazia partidas às bonecas, embalava a menina, até se tornar a esconder pela manhã na sua caixa, muito quieta e pequenina.

Maria Cecília Correia, Histórias de pretos e de brancos. Lisboa: Edições Ática, 1960.


Obrigada MR!


Lembram-se das caixinhas que tocavam esta música?

04/08/2013

Leituras de Verão - Axel Munthe

Após Myra referir O Livro de San Michele como um dos melhores livros que leu. Peguei no livro, que retirei da estante do escritório, e levei-o na bagagem para férias. Recomecei a lê-lo pois há uns anitos, sem explicação plausível, não passei das primeiras páginas.
Há momentos para tudo...
San Michele é um lugar paradisíaco que fica situado em Anacapri, na ilha de Capri. Revivi a viagem outrora efetuada. Quando fui a Capri ainda não havia máquinas digitais. Fotografias, sim, existem, mas em papel, guardadas nas caixas de memórias, à espera de melhores dias para serem organizadas... 
Como vivemos sob a égide de governantes que espoliam os bolsos, a coragem e os sonhos viáveis, foi numa "Capri portuguesa", a possível, que recomecei a leitura do O Livro de San Michele.

Olhos de Água, Algarve

Captei uma imagem que poderia ser tirada em Capri. Assim, o achei quando passei pela flor e pela sombra improvisada. Transcrevo uma passagem do livro em que coloca dois mundos em presença:

Moritz von Schwind (1804 – 1871), Erlkonig, 1917


Mas se algum dia chego a saber cavalgar este turbulento Pégaso [máquina de escrever*], hei-de cantar uma humilde canção ao meu bem amado Schubert, o maior cantor de todos os tempos, para lhe agradecer quanto lhe devo. Devo-lhe tudo. Quando estive deitado, semanas e semanas, na obscuridade, com poucas esperanças de sair dela um dia, trauteava para mim só as suas melodias, uma após outra, como a criança que vai assobiando ao atravessar escura selva, para crer que não tem medo. Schubert tinha dezanove anos quando compôs a música para o Erlkoenig, de Goethe, e enviou-lha com uma humilde dedicatória. Nunca perdoarei ao maior poeta dos tempos modernos o não ter dirigido uma palavra de agradecimento ao homem que imortalizou o seu poema.

Axel Munthe, O Livro de San Michele. Lisboa: Edição Livros do Brasil, XII edição, s.d. (tradução de Jaime Cortesão), p. 313.

* Máquina de escrever, Corona Typewriter Company.

Durante alguns dias pude admirar o mar e elogiar o sol, nosso astro-rei. Desfrutar a Natureza sabe bem, enche a alma.




Philipe Sly, barítono e Maria Fuller, pianista

13/07/2013

Enid Blyton: histórias entre a ficção e a realidade

Enid Blyton foi uma escritora que me deu longas horas de leitura com prazer, alimentou a aventura, a fantasia e os sonhos. Nunca li uma biografia sua.


O primeiro livro da escritora, publicado em 1922, é um livro de poesia.
Poema e imagem retirado deste link 

Li várias coleções desta prodigiosa escritora (c. 600 livros). Registo um livro que li e reli recentemente, A Casa da Árvore Oca. A história é sobre dois irmãos órfãos e as suas peripécias, aventuras, o amor e o desamor. A terceira criança que surge na narrativa, Ângela, é uma espécie de fada que ajuda os dois irmãos, Susana e Pedro. A  casa na árvore era o refúgio, o segredo, onde o mundo era maravilhoso. Quem não teve a sua casa na árvore?

Ilustrações de José A. Cambraia, 2ª edição do livro em Portugal, 1971

Esta viagem à infância foi facultada pela Cláudia, da Livraria Lumière, a quem agradeço por me ter arranjado o livro. 
A leitura calhou num momento em que revi o filme: 
As crianças de Huang Shi (2008) - 黄石的孩子 [wikipedia]. O enfoque na infância e no amor cruza a narrativa de Enid Blyton com a do filme, embora a deste último seja baseada numa história real. 
Na escrita de Blyton subjaz uma moral e ética: o bem e o mal sempre presente em todas as nossas escolhas. 
Também encontramos esta dualidade no filme de Roger Spottiswoode. Saliente-se o papel de Jonathan Rhys Meyers na personagem George Hogg. 

A história localiza-se na China durante a invasão japonesa, em 1937, "vésperas" da II Guerra Mundial. George Hogg é um jornalista britânico. As circunstâncias obrigam-no a deixar o jornalismo. Dedicou-se a cuidar de órfãos, auxiliando-os a sobreviver num ambiente muito hostil. 

Orfãos da Guerra 5



11/02/2013

Pierrot e mimosas

O Carnaval deste ano teve para mim o encontro com estas flores magníficas a que popularmente se chamam mimosas.
Mimosas da Serra da Lousã, as primeiras que vi este ano,




James Ensor, O desepero de Pierrot, também conhecido como Pierrot Ciumento, c.1910
Kroller Muller Museum

Ciumes

Pierrot dorme sobre a relva junto ao lago. Os cisnes junto d'elle passam sêde, não n'o acordem ao beber. Uma andorinha travêssa, linda como todas, avôa brincando rente á relva e beija ao passar o nariz de Pierrot. Elle accorda e a andorinha, fugindo a muito, olha de medo atraz, não venha o Pierrot de zangado persegui-la pelos campos. E a andorinha perdia-se nos montes, mas, porque elle se queda, de nôvo volta em zig-zags travêssos e chilreios de troça. E chilreia de troça, muito alto, por cima d'elle. Pierrot já se adormecia, e a andorinha em descida que faz calafrios pousou-lhe no peito duas ginjas bicadas, e fugiu de nôvo. 
De contente, ergueu-se sorrindo e de joelhos, braços erguidos, seus olhos foram tão longe, tão longe como a andorinha fugida nos montes. 
De repente viu-se cego - os dedos finissimos da Colombina brincavam com elle. Desceu-lhe os dedos aos labios e trocou com beijos o arôma das palmas perfumadas. Depois dependurou-lhe de cada orelha uma ginja, á laia de brincos com joias de carmim. Rolaram-se na relva e uniram as boccas, e já se esqueciam de que as tinham juntas... 
- Sabes? Uma andorinha... 
E foram de enfiada as graças da ave toda paixão. Pierrot contava enthusiasmado, olhando os montes ainda em busca da andorinha, e Colombina torceu o corpo numa dôr calada e tomou-lhe as mãos. 
Havia na relva uma máscara branca de dôr, e a lua tinha nos olhos claros um olhar triste que dizia: Morreu Colombina! 

Almada Negreiros, "Frisos", Revista Orpheu nº1. Lisboa: Edições Ática, 1971, p.71.


Frank Xavier Leyendecker (1876 - 1924),Arlecchino and Columbina,   
New York  em especial para Manuel Poppe [veja o primeiro link]


A eterna ópera, uma das primeiras que ouvi.

22/01/2013

O frio imponente da Natureza

As árvores nem sempre morrem de pé.
O temporal que assolou o nosso país teve destas coisas: derrubar árvores centenárias que embelezavam os caminhos.
Os dois últimos dias e as duas últimas noites passaram mais lentamente, os candelabros substituíram a luz dando um ambiente diáfano e contrapondo o acelerado tempo dos media. 
Se por um lado houve mais diálogo por outro distanciamo-nos do mundo. A frase de Ovídio: 

"Nada é mais forte que o hábito",

torna-se peremptória.

O cinema tornou-se uma redoma perfeita,  foi a fuga possível da falta de luz.e do frio que só a lareira dirimia.

Les Misérables de Tom Hooper, baseado na obra com o mesmo nome de Victor Hugo, foi o filme que fui ver mas ao fugir do frio encontrei o frio dos miseráveis, a frieza do tempo em que a justiça social era inexistente. Será  que caminharemos para esta frieza?
Compreendo o frio imponente da Natureza, mas não compreendo a frieza humana a que o liberalismo político e económico nos está a enredar.


Emile-Antoine Bayard (1837-1991), Jean Valjean a minha personagem preferida.
Rodin, Monumento ao Victor Hugo, primeiro projeto

Gostei do filme e o facto de ser um musical ameniza o ambiente social.

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