Colecção particular
Janela do quartel do Carmo, Lisboa

A felicidade é um tema que me interessa.
Saber: onde é que ela mora? O que é? Como atingi-la? São questões intemporais do campo da filosofia e da literatura. A reflexão, neste caso particular, vem do campo literário e, pelo que li, José Régio tem muito de fiilósofo. Assim, começo esta viagem com uma sugestão de Manuel Poppe do blog
Sobre o Risco.
Reprodução do desenho de José Régio (capa do livro retirado site da Babel)
Coimbra, 6 de Fevereiro de 1923
- Querer ser feliz é ajuntar probabilidades de desgraça. Resigna-te a ser infeliz, e serás mais feliz que podes ser.
- Por que te ris? Nós só rimos do que não compreendemos.(p. 27)
Continuo, como sempre, a considerar o Amor e a Bondade as duas mais belas forças da Vida, que, de resto, quem diz Amor diz Bondade. Mas não este Amor e esta Bondade que não passam de Literatura, e que tanto se decanta em verso e prosa para tanto se menosprezar nos mínimos actos do nosso dia-a-dia. O que eu quereria,e vós quereis, seria a Bondade e o Amor realizados. Até aqui , estou de acordo convosco. Mas já estou em desacordo sentindo um abismo entre o que sou e o que aspiro ser entre o que os outros são e o que eu desejaria que eles fossem.(p.29)
José Régio, Páginas do Diário Íntimo, Lisboa: Imprensa Nacional - Casa da Moeda,2004 (2ª ed), p. 27 e 29.
Confesso que não quero compreender esta ideia tão sensata e a resignação dela.