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11/11/2015

Castanhas trazem - a saudade

Castanhas em dia de S. Martinho. Tenho algumas saudades do magusto que se fazia quando andávamos na escola. A risada, a correria, a inconsciência e, talvez, também, a preocupação em não falhar ou a consciência da responsabilidade, mas acima de tudo, a brincadeira. As caras sujas de cinza, a bata suja, o ralhete da mãe, o cheiro a caruma, as castanhas boas e quentinhas, a festa da escola, sim porque era dia de festa na escola.


José Ferraz de Almeida Júnior, detalhe, Saudade, 1899
Pinacoteca do Estado de São Paulo
(Wikimédia)

Nunca fora capaz de lhe ensinar o significado da palavra saudade e, mesmo que o tivesse feito, isso de pouco lhe valia: a saudade não tinha sido inventada para falar de uma presença que nos recorda a ausência de um sentimento, mas para designar o lamento por uma perda que nenhum dos nossos sentidos pode, ainda que parcialmente, reconstruir.

António Mega Ferreira, A Blusa Romena. Lisboa: Sextante, 2008, p. 206.



11/11/2014

a terra, a água, o fogo, o ar.

Em dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho. 
 [Em dia de S. Martinho poesia, castanhas e vinho.]
Salamanca

ANVERSO

Dormias. Eu acordo-te.
A manhã imensa oferece-nos a ilusão de um princípio.
Esqueceras-te de Virgílio. Aqui estão os hexâmetros.
Trago-te muitas coisas.
As quatro raízes dos Gregos: a terra, a água, o fogo, o ar.
Um só nome de mulher.
A amizade da lua.
As claras cores do atlas.
O esquecimento, que purifica.
A memória que escolhe e redescobre.
O hábito, que nos ajuda a sentir que somos imortais.
A esfera e as agulhas que dividem o intangível tempo.
A fragrância do sândalo.
As dúvidas a que chamamos, não sem alguma vaidade, metafísica.
A curva do bastão que a tua mão guarda.
O sabor das uvas e do mel.

Jorge Luís Borges, "A Cifra (1981) "in Obras Completas III1975-1985, Lisboa: Editorial Teorema, p.333

Mamma, quel vino è generoso...

11/11/2010

Se as castanhas trouxessem segredos,


eu escolhia este:

INTERIOR

Havia uma rosa
no vaso. Veio do ocaso
a hora silenciosa.

Guilherme de Almeida, Encantamento, Acaso, Você. Editora UNICAMP, 2002, p.215

Retirei de Dança das Palavras

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