Castanhas em dia de S. Martinho. Tenho algumas saudades do magusto que se fazia quando andávamos na escola. A risada, a correria, a inconsciência e, talvez, também, a preocupação em não falhar ou a consciência da responsabilidade, mas acima de tudo, a brincadeira. As caras sujas de cinza, a bata suja, o ralhete da mãe, o cheiro a caruma, as castanhas boas e quentinhas, a festa da escola, sim porque era dia de festa na escola.
José Ferraz de Almeida Júnior, detalhe, Saudade, 1899
Pinacoteca do Estado de São Paulo
(Wikimédia)
Nunca fora capaz de lhe ensinar o significado da palavra saudade e, mesmo que o tivesse feito, isso de pouco lhe valia: a saudade não tinha sido inventada para falar de uma presença que nos recorda a ausência de um sentimento, mas para designar o lamento por uma perda que nenhum dos nossos sentidos pode, ainda que parcialmente, reconstruir.
António Mega Ferreira, A Blusa Romena. Lisboa: Sextante, 2008, p. 206.