05/07/2020
- Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara. Saramago
17/05/2017
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29/09/2016
Se podes olhar...
12/12/2015
O POEMA É UM CUBO...
O poema é um cubo de granito,
Mal talhado, rugoso, devorante.
Roço com ele a pele e o negro da pupila,
E sei que por diante
Tenho um rasto de sangue à minha espera
No caminho dos cães
Em vez da primavera.
José Saramago, Provavelmente Alegria, Lisboa: Caminho, 1985.
06/11/2015
A Ponte
A Ponte
Vidraças que me separam
Do vento fresco da tarde
Num casulo de silêncio
Onde os segredos e o ar
São as traves duma ponte
Que não paro de lançar
Fica-se a ponte no espaço
À espera de quem lá passe
Que o motivo de ser ponte
Se não pára a construção
Vai muito mais a vontade
De estarem onde não estão
Vem a noite e o seu recado
Sua negra natureza
talvez a lua não falte
Ou venha a chuva de estrelas
Basta que o sono consinta
A confiança de vê-las
Amanhã o novo dia
Se o merecer e me for dado
Um outro pilar da ponte
Cravado no fundo do mar
Torna mais breve a distância
Do que falta caminhar
Há sempre um ponto de mira
O mais comum horizonte
Nunca as pontes lá chegaram
Porque acaba o construtor
Antes que a ponte se entronque
Onde se acaba o transpor
Sobre o vazio do mar
Desfere o traço da ponte
Vá na frente a construção
Não perguntem de que serve
Esta humana teimosia
Que sobre a ponte se atreve
Abro as vidraças por fim
E todo o vento se esquece
Nenhuma estrela caiu
Nem a lua me ajudou
Mas a ruiva madrugada
Por trás da ponte aparece.
José Saramago, Provavelmente Alegria. Alfragide: Caminho, 1985, p. 83.
07/04/2015
"Talvez"
31/12/2014
Votos para o novo ano
Votos para o novo ano:
Compreensão/Generosidade.
Lucidez/Sapiência.
Fortuna/Graça.
Beleza/Ser.
Amizade.
Alegria.
Paz.
Citação 2 - retirada dum dos últimos livros que li este ano:
A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes.
O que vemos não é o que vemos, senão o que somos.
Citação de Bernardo Soares [Livro do Desassossego, p. 387] no livro de
Almeida Faria, O murmúrio do mundo. Lisboa: Tinta da China, 2012, p. 140.
23/06/2013
Viagens...
Almeida Garret, Viagens na Minha Terra. Circulo de Leitores, 1987, p. 123.
01/06/2013
"A força esmaga a fraqueza"
17/11/2012
A pujança do Outono
Bom dia!
05/10/2012
Escadas ou dos dias que correm...
No último feriado da Implantação da República:
FALA DO VELHO DO RESTELO AO ASTRONAUTA
Aqui, na Terra, a fome continua,
A miséria, o luto, e outra vez a fome.
José Saramago, Poemas Possíveis. Lisboa: Caminho, 1998.
O poema todo aqui.
28/06/2012
Manual da Pintura e da Caligrafia
O ilustrador húngaro, István Orosz, na mesma linha de Escher, aborda a realidade ilusória que liga tão bem, a meu ver, com o Manual de Saramago. Ou seja, é a simbiose perfeita entre o "eu interior e o "eu" retratado que se vê da janela.
22/06/2012
"A Maior Flor do Mundo"
11/11/2011
O íntimo rumor que abre as rosas.
Se hoje comer uma castanha quero que com ela venha este poema:
É tão fundo o silêncio
É tão fundo o silêncio entre as estrelas.
Nem o som da palavra se propaga,
Nem o canto das aves milagrosas.
Mas lá, entre as estrelas, onde somos
Um astro recriado, é que se ouve
O íntimo rumor que abre as rosas.
José Saramago, Provavelmente Alegria, Lisboa: Caminho, 1998, p.34 (4ªedição)
14/10/2011
É caso para lembrar Saramago...
18/06/2011
José Saramago
A vontade do escritor era ser sepultado junto à velha oliveira em Azinhaga do Ribatejo. Porém, gente da cultura e do poder político quiseram homenagear José Saramago na cidade onde viveu a maior parte da sua vida. Assim, jaz em frente à Fundação Saramago que fica na Casa dos Bicos onde todos os portugueses poderão visitar parte do espólio da sua biblioteca.
O último livro que li de Saramago, após a sua morte, intitula-se: O Ano da Morte de Ricardo Reis.
Dele retiro este trecho porque hoje julgo pertinente lembrar:
Um homem deve ler de tudo, um pouco ou o que puder, não se lhe exija mais do que tanto, vista a curteza das vidas e a prolixidade do mundo. Começará por aqueles títulos que a ninguém deveriam escapar, os livros de estudo, assim vulgarmente chamados, como se todos o não fossem, e esse catálogo será variável consoante a fonte de conhecimento aonde se vai beber e a autoridade que lhe vigia o caudal, neste caso de Ricardo Reis, aluno que foi dos jesuítas, podemos fazer uma ideia aproximada, mesmo sendo os nossos mestres tão diferentes, os de ontem e os de hoje. Depois virão as inclinações da mocidade, os autores de cabeceira, os apaixonamentos temporários, os Werther para o suicídio ou para fugir dele, as graves leituras de adultidade, chegando a uma certa altura da vida já todos, mais ou menos, lemos as mesmas coisas, embora o primeiro ponto de partida nunca venha a perder a sua influência, com aquela importantíssima e geral vantagem que têm os vivos, vivos por enquanto, de poderem ler o que os outros, por antes do tempo mortos, não chegaram a conhecer.
José Saramago, O Ano da Morte de Ricardo Reis, Lisboa: Caminho, 2007, p. 137
Dueto das Flores Lakmé
20/06/2010
Morri pela Beleza! Emily Dickinson
Morri pela Beleza
Morri pela Beleza - mas mal me tinha
Acomodado à Campa
Quando Alguém que morreu pela Verdade,
Da Casa do lado -
Perguntou baixinho "Por que morreste?"
"Pela Beleza", respondi -
"E eu - pela Verdade - Ambas são iguais -
E nós também, somos Irmãos", disse Ele -
E assim, como parentes próximos, uma Noite -
Falámos de uma Casa para outra -
Até que o Musgo nos chegou aos lábios -
E cobriu - os nossos nomes -
Emily Dickinson, in "Poemas e Cartas"
Tradução de Nuno Júdice
18/06/2010
Vinheta 2 - Para Saramago!
"(...) ao contrário do que se julga e pôs a correr foi um botânico o autor da célebre frase, Uma rosa é uma rosa é uma rosa, um poeta teria dito apenas, Uma rosa, o resto caberia no silêncio de contemplá-la."
José Saramago, História do Cerco de Lisboa, Lisboa: Editorial Caminho,1989.
Dulcineia
Quem tu és não importa, nem conheces
O sonho em que nasceu a tua face:
Cristal vazio e mudo.
Do sangue de Quixote te alimentas,
Da alma que nele morre é que recebes
A força de seres tudo.
José Saramago
Saramago!
Fala do Velho do Restelo ao Astronauta
Aqui, na Terra, a fome continua,
A miséria, o luto, e outra vez a fome.
Acendemos cigarros em fogos de napalme
E dizemos amor sem saber o que seja.
Mas fizemos de ti a prova da riqueza,
E também da pobreza, e da fome outra vez.
E pusemos em ti sei lá bem que desejo
De mais alto que nós, e melhor e mais puro.
No jornal, de olhos tensos, soletramos
As vertigens do espaço e maravilhas:
Oceanos salgados que circundam
Ilhas mortas de sede, onde não chove.
Mas o mundo, astronauta, é boa mesa
Onde come, brincando, só a fome,
Só a fome, astronauta, só a fome,
E são brinquedos as bombas de napalme.
José Saramago
05/06/2010
É tão fundo o silêncio!
outras que ele não se instale!
x
É tão fundo o silêncio entre as estrelas.
Nem o som da palavra se propaga,
Nem o canto das aves milagrosas.
Mas lá, entre as estrelas, onde somos
Um astro recriado, é que se ouve
O íntimo rumor que abre as rosas.
José Saramago, In Provavelmente Alegria, Caminho, 1987, 3.ª edição; 1.ª edição, Livros Horizonte, 1970