Escolhi este poema, do poeta holandês Toon Tellegen, porque gostei da sua simplicidade e grandeza. As coisas mais simples são as mais belas...
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"E no céu pendia um outro ser", algures entre os céus de Budapeste e Portugal.
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Eu podia escolher
Eu podia escolher
Não tinha ideia
Escolhi a paz.
A verdade e a beleza
Deixei-as ir,
E também a sageza e a nostalgia
Até o amor,
Que tão embevecido me olhava,
Negras nuvens com ele se deslocavam
Paz, era paz.
E nos recônditos da minha alma
Dançavam seres
De que nunca tinha sequer ouvido!
E no céu pendia um outro ser.
Toon Tellegen, Rosa do Mundo, 2001 Poemas para o Futuro, Lisboa: Assírio & Alvim, 2001, p.1795 (trad. Fernando Venâncio)