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29/01/2017

O tempo...


Tenho uma lista enorme de livros e agradecimentos a fazer a quem mos ofereceu, porém, comecei a ler um que me emprestaram, cujo tema é pertinente nos tempos que correm. O tempo, sempre ele, em espiral, construindo a História mas nunca acaba com os mistérios.

O tempo, diz-se, são os da comunicação e do conhecimento mas no íntimo de cada um dos presentes, atravessa a suspeita dolorosa de estarem cada vez mais próximos da solidão e do desconhecimento de si e dos outros. Sobretudo, dos outros, para quem é mais fácil olhar do que virar os olhos para dentro. 

Ana Zanatti, E onde é que está o amor?, Lisboa: Guerra e Paz, Editores, SA., p.10


18/06/2016

Auricular


O auricular fecha-nos para o mundo mas abre-nos a possibilidade de ouvirmos a música que escolhemos nas melhores condições.
Será bom estarmos fechados para o mundo?
No Metro, na fila para o autocarro, nas ruas, as pessoas estão fechadas no seu mundo. O som dos pássaros, o ruído da cidade passa ao lado. Autómatos?

06/05/2016

"em honra da beleza das coisas"

... E retomaram o seu caminho.

Iam de mãos dadas através do ar doirado e verde.
- Esta floresta é linda! - disse a mulher.
-É - disse o homem -, mas não encontrámos ainda a estrada.
A mulher, porém, entornou a cabeça para trás e respirou profundamente o cheiro das árvores e da terra. Estendeu a  mão no ar e na ponta dos seus dedos poisou uma borboleta.
-Ah- disse ela - mesmo perdida, vejo como tudo é perfumado e belo. Mesmo sem saber se jamais chegarei, apetece-me rir e cantar, em honra da beleza das coisas. Mesmo neste caminho que eu não sei onde leva, as árvores são verdes e frescas, como se as alimentasse uma certeza profunda. Mesmo aqui a luz poisa leve nos nossos rostos, como se nos reconhecesse. Estou cheia de medo e estou alegre. 

Sophia de Mello Breyner Andresen, Contos Exemplares. ( Ilustrações de João Catarino) Porto: Porto Editora, 2013, (36ª edição). p. 97.



Um conto angustiante e triste mas também muito belo da Sophia 

01/05/2016

Mother

Fernando Botero, Maternidade, 1989.
Jardim Amália Rodrigues, Lisboa

Gaffiti de Luísa Cortesão, cortesia do Google
Mother

Mother, do you think they'll drop the bomb?
Mother, do you think they'll like this song?
Mother, do you think they'll try to break my balls?
Ooooh aah, mother, should I build the wall?

Mother, should I run for president?
Mother, should I trust the government?
Mother, will they put me in the firing line?
Ooooh aah, is it just a waste of time?

Hush now, baby, baby, don't you cry
Mama's gonna make all of your nightmares come true
Mama's gonna put all of her fears into you
Mama's gonna keep you right here under her wing
She won't let you fly but she might let you sing
Mama's gonna keep baby cosy and warm

Ooooh, babe, ooooh, babe, ooooh, babe
Of course Mama's gonna help build the wall

Mother, do you think she's good enough?
Mother, do you think she's dangerous?
Mother, will she tear your little boy apart?
Oooh aah, mother, will she break my heart?

Hush now, baby, baby, don't you cry
Mama's gonna check out all your girlfriends for you
Mama won't let anyone dirty get through
Mama's gonna wait up till you get in
Mama will always find out where you've been
Mamma's gonna keep baby healthy and clean

Ooooh, babe, ooooh, babe, ooooh, babe
You'll always be a baby to me

Mother, didn't need to be so high

04/01/2016

Ao declinar o dia

Castelo de Ourém, Ourém

Ao declinar o dia

Entre a linha do horizonte
E o muro de pedra para além de mim,
Procuro a presença impossível
Da luz maior,
Para que cada flor possa florir.
             


01/01/2016

Do futuro

Do futuro nada sabemos, apenas que é a continuação do presente. Cai o dia, vem a noite depois a alvorada e é outro dia, e assim ininterruptamente. 
Faz-se o ciclo das estações: Verão, Outono, Inverno, Primavera... o tempo continua, não em linha recta, mas em vários círculos perfeitos que não se tocam. 
Os Homens com o seu poder aparente vão vencendo a Natureza e impondo os seus valores, mascarados de virtudes, esquecendo-se, por vezes, do sentido do bem e do mal.
O futuro é uma porta cinzenta. Contudo, essa porta cinzenta pode abrir-se com alguma luz para que esta ilumine o labirinto que é esse futuro. Pois, que assim seja o 1º dia do ano, um dia de luz. 

 Um bar em Amesterdão

Socorro-me de Fernando Pessoa, de quem escolhi o mote para este blogue: "O que é ser rio e correr?",
para iniciar o ano.


Nunca busquei viver a minha vida

Nunca busquei viver a minha vida
A minha vida viveu-se sem que eu quisesse ou não quisesse.
Só quis ver como se não tivesse alma
Só quis ver como se fosse eterno.

s.d.


Teresa Rita Lopes, Pessoa por Conhecer - Textos para um Novo Mapa .  Lisboa: Estampa, 1990. p. 333.

Ainda um presente especial um livro miniatura que só hoje faz sentido colocar
Bonne Anné!
8,5 cm X 7cm
Obrigada! :))



29/08/2015

As aparências iludem

Serão 10 ou mais?
Conta o que é efectivamente? Ou o que se vê?


A todos agradeço as visitas e os comentários na minha ausência.

O relógio impõe as rotinas...
...
Gostava que os relógios fossem os de Dalí 

e o tempo não fizesse sentido

... nem trouxesse obrigações.


09/08/2015

0+7=7

Alexander Sigov (1955).
Daqui s/título


7 anos de vida.

Obrigada 
a:
- Todos os que gentilmente comentam
- Todos os visitantes.
Ao(s) 
- Afecto que transportam.
- Ensinamentos que deixam.
- Desafios quando são caso disso.




Hoje roubei todas as rosas dos jardins

e cheguei ao pé de ti [vós] de mãos vazias.

Eugénio de Andrade (Cortesia do Google)




12/07/2014

" o Tempo"


Mário Vitória, Semeando Espelhos no Escuro da Perspectiva- Alice na Cidade.                     (Sem título)
Edifício Chiado, Museu da Cidade, Coimbra



Os relógios e os calendários não existem para nos recordar o Tempo que esquecemos, mas para regulamentar o nosso relacionamento com os outros - na verdade, com toda a sociedade -, e é nesse sentido que os usamos.

Orhan Pamuk, O Museu da Inocência (tradução de Miguel Romeira). Lisboa: Editorial Presença, 2010, p. 354.

O tempo sempre ele a recordar-nos que há passado, presente e futuro...
No livro de Pamuk, o tempo é a chave do linear, do improvável provado...  desfecho? 
O futuro é tangível.

08/03/2014

Mulher

Às mulheres portugueses que hoje sentem dor 
por haver menos pão para alimentar os filhos.

Tricana, detalhe, Mestre Alves André, Quebra Costas, Coimbra

Aos filhos

Já nada nos pertence,
nem a nossa miséria.
O que vos deixaremos
a vós roubaremos.

Toda a vida estivemos
sentados sobre a morte,
sobre a nossa própria morte!
Agora como morreremos?

Estes são tempos de
que não ficará memória,
alguma glória teríamos
fôramos ao menos infames.

Comprámos e não pagámos,
faltámos a encontros:
nem sequer quando errámos
fizemos grande coisa?

Manuel António Pina (daqui)

12/11/2013

Faróis distantes


Faróis distantes,
Faróis distantes,
De luz subitamente tão acesa,
De noite e ausência tão rapidamente volvida,
Na noite, no convés, que consequências aflitas!
Mágoa última dos despedidos,
Ficção de pensar...
Faróis distantes...
Incerteza da vida...
Voltou crescendo a luz acesa avançadamente,
No acaso do olhar perdido...
Faróis distantes...
A vida de nada serve...
Pensar na vida de nada serve...
Pensar de pensar na vida de nada serve...
Vamos para longe e a luz que vem grande vem menos grande.
Faróis distantes...

30-4-1926
Álvaro de Campos,  PoesiasLisboa: Ática, 1944 (imp. 1993), p. 26.

25/09/2013

"My open Window"

De dentro para fora como se a janela fosse minha, Hermitage Museum, Amesterdão


blue morning glory
head bent in contemplation
of the coming dawn

***

this hazy morning
the rooster looks puzzled at
my open window

Eduardo Ribeiro, Among the wasps silence, twelve dozen haiku by a portuguese bum, p. 8 e 12.


23/07/2013

"Se as minhas mãos pudessem desfolhar"

Jogar com a lua

Se as minhas mãos pudessem desfolhar 

Eu pronuncio teu nome
nas noites escuras, 
quando vêm os astros 
beber na lua 
e dormem nas ramagens 
das frondes ocultas. 
E eu me sinto oco de paixão 
e de música. 
Louco relógio que canta 
mortas horas antigas. 

Eu pronuncio teu nome, 
nesta noite escura, 
e teu nome me soa 
mais distante que nunca. 
Mais distante que todas as estrelas 
e mais dolente que a mansa chuva. 

Amar-te-ei como então 
alguma vez? Que culpa 
tem meu coração? 
Se a névoa se esfuma, 
que outra paixão me espera? 
Será tranqüila e pura? 
Se meus dedos pudessem 
 desfolhar a lua! 

 Granada, 10 de novembro de 1919 (cortesia do Google)

 Federico García Lorca, in Livro de Poemas, 1921

 

01/02/2013

É hora do chá

É hora do chá

– Que fazes, Ritinha,

 assim tão brejeira?

– Eu sirvo um bom chá,

 que fiz na chaleira,

 às minhas bonecas,

 pois é brincadeira.

Helena Pinto Vieira, O mundo da criança, vol. I, Rio de Janeiro, Delta: 1975. [Cortesia do Google]

(TEA) TIME

18/02/2012

Iron Lady - A Dama de Ferro

Meryl Streep fez uma interpretação excelente de Margaret Tatcher num argumento aquém das expectativas. Filme realizado por Phyllida Lloyd.







Margaret Tatcher: Watch your thoughts for they become words. Watch your words for they become actions. Watch your actions for they become...habits. Watch your habits, for they become your character. And watch your character, for it becomes your destiny! What we think we become.


Um dos momentos memoráveis durante o governo de Tatcher


~

Concerto em Berlim - Queda do muro


A um mundo sem muros!

26/12/2010

Tempo...

O tempo anda sempre a brincar connosco! Nunca entendi o tempo.
Observo o relógio do campanário da Igreja de S. João Baptista e estou em perfeita harmonia com ele, ou seja, não sei para onde o ponteiro marca a hora. O tempo solar, o tempo das estrelas e da lua não se compadece com o tempo legal.
O tempo corre ... o quotidiano marca no relógio do nosso pulso: tic, tac, tic, tac, tic, tac ... e assim avança o tempo, sem contemplações, avança... avança e deixa-nos a olhar para o devir...
x
Campanário da Igreja de S. João Baptista, Tomar

Escolhi este poema de Fernando Pessoa para acompanhar o relógio do meu campanário. Que o tempo que vem seja sorridente e deixe adormecer o Velho Ano com paz e alegria!

A lua por trás da torre

A lua por trás da torre
Faz a torre diferente.
A verdade, quando morre
Morre só porque não mente.

Mente a lua que se esconde
Por trás da torre de aqui,
Mente a torre porque é onde
A lua não está ali.

A lua é só um reflexo
A torre é um vulto somente,
E assim, num íntimo nexo,
Qualquer diz verdade e mente.

E é desta mista incerteza
De verdade e de mentira
Que nasce toda a beleza ―
Que desta hora se tira.

Saibamos, dando guarida
Ao que tudo é de metade,
Fazer bela a nossa vida
Mentindo com a verdade.

Fernando Pessoa, In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006 (Casa Fernando Pessoa)

Pink Floyd, Time

21/07/2010

Time: ando a precisar de ser um pouco mais doméstica!

Ando a precisar de ser mais doméstica. Será um desprestígio?

Naaaa...nãooo...

Time, Pink Floyd



Time letra e música de Roger Waters

Ticking away the moments that make up at all day
Fritter and waste the hours in an offhand way
Kicking around on a piece of ground in your home town
Waiting for someone or something to show you the way

Tired of lying in the sunshine staying home to watch the rain
And you are young and life is long and there is time to kill today
And then one day you find ten years have got behind you
No one told you when to run, you missed the starting gun

And you run and you run to catch up with the sun, but it's sinking
Racing around to come up behind you again
The sun is the same in a relative way, but you're older
Shorter of breath and one day closer to death

Every year is getting shorter, never seem to find the time
Plans that either come to naught or half a page of scribbled lines
Hanging on quiet desperation is the English way
The time is gone, the song is over, thought I'd something more to say


Home, home again
I like to be here when I can
And when I come home cold and tired
It’s good to warm my bones beside the fire
Far away across the field
The tolling of the iron bell
Calls the faithful to their knees
To hear the softly spoken magic spells.

31/05/2010

O tempo e a memória: a persistência da memória... 2

Retirei daqui
x
A persistência da memória...

O tempo
esfuma as circunstâncias,
cria sombras, apaga os pormenores...
mas deixa para sempre uma marca

... que jamais se apaga


Time - Pink Floyd

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